segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Cap. 11: Nothing Like Us / Suit & Tie

Annie's  POV
beep, beep, beep, beep, beep, beep...
Foi assim que eu acordei, com esse barulho irritante. Respirei fundo. Quando abri os olhos, bem devagar, estava em um lugar diferente. Paredes brancas bem limpas, uma cama confortável, soro ao meu lado, um monitor apitando, som de natureza bem baixinho tocando ao longe, uma TV desligada à minha frente... Eu estava no hospital, óbvio. Eu já havia ido para lá quando quebrei meu pé, andando de bicicleta, quando era menor. Eu Graças à Deus nunca mais precisei ir lá, eu sempre fui boa de saúde.
 Virei meu rosto para a direita, e lá estava Harry, me encarando com um sorriso.
Harry: Bom Dia, raio de sol.
Eu: oi... - disse, meio rouca. Minha garganta doía. - Que horas são?
Harry: Onze da manhã.
 Olhei mais um pouco para ele e tentei me virar para o seu lado, mas estava muito dolorida. Apenas esfreguei meus olhos, incapaz de raciocinar direito. Meu rosto ardía, meu corpo doía, eu parecia ter sido atropelada por cinco tratores. Fiquei de olhos fechados por um tempo, tentando esquecer a dor, até que Harry quebrou o silêncio:
Harry: Ei, amor.
 Eu me virei pra ele.

Harry: Eu vou avisar a Drta. que você já acordou, fique calma ok? Eu já volto. - disse, me dando um selinho. Eu assenti enquanto via ele sair pela porta. Logo a Doutora e duas enfermeiras entraram.
Doutora: Ora vejam só quem está aqui... - disse, olhando minha ficha. - Olá, amor.
Eu: Oi...
Doutora: Você lembra quem você é?
Eu: Annie Müller.
 Ela conferiu a ficha.
Doutora: Isso mesmo, Annie. Lembra quantos anos você têm?
Eu: 17. Faço 18 em alguns dias.
Dra: Isso mesmo. Lembra o que aconteceu ontem?
 Meu corpo estremeceu. Eu chacoalhei minha cabeça, tentando tirar as imagens da minha mente.
Eu: Infelizmente. - disse, assentindo.
Dra: Sabe quem é Harry?
Eu: Meu na... amigo. - disse, me corrigindo.
Dra: "Namigo", ok. - disse, rindo. Eu sorri. - Seus pais, seus irmãos, suas amigas... Lembra de todos eles?
Eu: Aham.
Dra: Tudo bem, a parte de memória parece estar bem. - Ela disse isso, e a enfermeira que estava atrás dela começou a escrever no bloco dela. A enfermeira que estava do lado dela pegou uma cadeira e a Dra se sentou.
Dra: Está bem o suficiente para eu fazer alguns exames e testes?
Eu: Vou ter que sair daqui?
Dra: Não.
Eu: Então, claro.
 Ela pediu à "enfermeira 2" ir chamar o Dr Jason, e enquanto isso a "enfermeira 1" veio com seu bloquinho para perto da Dra, e a Dra chegou mais perto de mim, ainda sentada.
Dra: Ok, vou fazer alguns testes com você, ok?
Eu: ok.
Dra: Que dia é hoje?
Eu: 12 de Outubro. Dia das Crianças. - e foi aí que me toquei. - 12 de outubro! Dia das Crianças! Eu preciso ver meu irmão! - disse, tentando me levantar. Mas ela encostou meu tronco novamente na maca.
Dra: Fique calma, senhorita. Só vamos fazer uns testes e te liberar. Ok?
Eu: Ok.
Dra: Muito bem. Então, pode me dizer onde está doendo?
Eu: Minhas "batatas da perna", minhas coxas, meus antebraços, meu rosto arde, minha barriga está embrulhada, mas eu tô morta de fome. Meu olho tá irritando, meu nariz tá meio coisado e minha garganta tá raspando, e como você pode ouvir, eu estou rouca. Minhas mãos não conseguem se mexer, os nervos tão muito rígidos. Minha cabeça tá doendo também.
Dra: Muito bem, muito bem... - disse, enquanto me olhava de cima à baixo. A enfermeira atrás dela apenas anotava tudo. Eu estava com aquelas camisolas de hospital, então ficava mais fácil ver meus machucados.
E1: Com licença. - disse a enfermeira. Eu e a Dra olhamos para ela. - O que quer dizer "nariz coisado"?
Eu: Ele tá escorrendo. - disse, sorrindo. Eu não tinha percebido que tinha usado a palavra "coisado".
Dra: O que houve ontem? Não precisa me dizer tudo, só me diga se te bateram, e onde.
Eu: Me socaram muito na barriga e nas costas, e chutaram minhas canelas algumas vezes, para me forçar a andar ou a ajoelhar.
Dra: Ok. Canelas. Deixe-me vê-las.
 A Doutora levantou, esticou minha perna e analisou as canelas. Elas tinham uns vermelhões, mas nada sangrando ou com band-aid. Meu braço estava cheio de gase, remédios e band-aids, como minhas costas.
Dra: Eles abusaram de você?
Eu: Só se for enquanto eu estava dormindo, mas que eu saiba, não.
Dra: Tudo bem... - ela disse, olhando a ficha mais uma vez.- ... De acordo com o que está escrito aqui, o local era sem ventilação e sem luz, certo?
Eu: Certo.
Dra: Você pegou friagem alguma hora?
Eu: Eu fui obrigada à ir para a cobertura totalmente aberta pro céu, logo no começo da manhã, com um vestido minúsculo.
Dra: Ah, isso explica sua gripe. Mas ela está fraca, não se preocupe.
 A enfermeira 2 chegou com o Dr.
Dra: Doutor Jason.
Dr: Doutora Michelle. - disse, com um sorriso contido e um aceno de cabeça.
Dra: Preciso que faça algumas análises na paciente. O nome dela é Annie. Ela estava junto com a menina loira no acidente de ontem.
Dr: Ah, sim. Pois bem. - ele disse, sentando na cadeira ao lado da minha maca. - Oi, Annie.
Eu: Oi.
Dr: Eu já dei uma olhada na sua ficha anteriormente, ok? Eu vou fazer exames nos seu rosto, na sua parte íntima e nas suas costas. - ele se virou para a enfermeira 2, que estava junto com a 1 no canto da sala. - Precisamos tirar um raio-x das costas, dos seios e da cabeça. Quero mais gases, algodão e álcool gel. Prepare a sala de raio-x e a de ginecologia, por favor.
E2: Sim, senhor. - disse ela, saindo. A E1 anotava tudo no bloco.
Dr: Ok, vamos fazer primeiro seu teste ocular. Vou levantar um pouco mais a sua maca. - ele disse, mexendo nos botões da mesma.
 Ele fez mais exames nos meus olhos, nos meus ouvidos, no meu nariz, na minha boca, nos meus braços, mediu minha pressão, tirou sangue e viu meu batimento cardíaco. A Dra Michelle continuara a fazer perguntas sobre minhas dores, o que eu lembrava, se tinha mais algum lugar doendo, se algum lugar tinha parado de doer, e etc. Meia hora depois, fomos para a sala de raio-x.
 Fizeram raios-x de vááárias partes do corpo. Foi horrível aquela luz à toda hora!
Depois, fomos ao centro de ginecologia, onde a Dra Michelle me examinou. Mais tarde, fizemos a junção dos meus ossos da perna esquerda com um pino, que seria retirado em alguns meses, pois as batidas acabaram o fraturando, mas nada demais. Eu demorei mais uma hora nisso.

Peguei meus exames já à uma hora da tarde. Eu me reuni com toda minha família: meu pai, Ian, Harry, Kate e Noah. Eles fora da sala, e eu dentro. Enquanto me trocava com as roupas que mamãe havia me trazido, consegui ouvir ela dizendo:
Dra: Ela ainda está frágil. Tem fraturas nas costas, nas pernas e nos braços. Sem fraturas na cabeça, graças à Deus. Também não há indícios de estupro ou nada do gênero.
Dr: A pressão ainda está um pouco baixa e os batimentos cardíacos ainda estão acelerados, podendo ter queda de energia repentina. É bom que sempre tenha alguém com ela.
Harry: Pode deixar. - disse ele, com voz séria.
Ian: Eu também vou cuidar dela. - disse Ian, como que desafiando Harry.
Dr: Eu vou dar amostras de pílulas anti-gravidez, caso nossos exames estejam errados. Nunca se sabe.
Dra: Ela também está levando remédio para ferro e cálcio, vitaminas C e D, e uma injeção para tomar toda noite antes de dormir, para tirar a rigidez dos nervos e facilitar a melhora do corpo. Talvez possa prejudicar um pouco o sistema intestinal dela, causando náusea ou vômitos por tantos remédios de uma vez, mas vai ser melhor para ela.
Dr: Hoje ela está liberada, mas coisas mais pesadas como limpar a casa, segurar coisas pesadas, ter relações sexuais - disse, meio repreensivo. Imagino que ele estivesse olhando para Harry. -, ou se expôr a situações mais delicadas fará mal para ela, portanto, a vigiem para nada disso acontecer.
 Todos assentiram. O Dr disse "Ótimo", e foi quando eu saí da sala.
Eu estava ansiosa para sair de lá, porquê queria ir almoçar com Noah, Harry e Ian, como tínhamos combinado algumas semanas atrás. Não sei se me deixariam fazer isso, mas enfim...
Eu: Olá?
Todos: Oiii!!
 Todos vieram para cima de mim rápido, mas Harry foi o que mais se apressou em me beijar e me abraçar, já com lágrimas nos olhos.
Harry: Eu senti sua falta. - disse ele, quase sussurrando, derramando lágrimas em meus ombros.
Eu: Eu também senti sua falta, querido. Mas não se preocupe, tudo está bem agora, não vamos nos separar mais. - disse, sorrindo, já ficando com os olhos mareados também.
 Abracei minha mãe, meu pai, passei reto de Kate, apenas dando um sorriso; abracei Ian e... Ah, Noah.
Noah estava em último, um pouco mais distante. Eu saí correndo e o abracei com força, girando ele pelo ar.
Eu: Ah meu Deuuuuus, que saudades de vocêêêêêê! - disse, rodando ele no ar ainda. Ian e Harry me fizeram parar.
Ian: Você não pode fazer isso! Ainda não está cem por cento!
Harry: Logo poderá fazer isso. Calma.
 Mesmo assim, não soltei Noah. Me ajoelhei no chão, ficando do tamanho dele, e continuei abraçando-o e beijando-, com toda a força que eu tinha. Ele me abraçava e me beijava de volta, chorando.
Noah: Eu quase morri de saudades!
Eu: Eu também! - finalmente o soltei, mas ainda o segurava pelas mãos. - Pronto para se divertir comigo hoje?
Noah: Sim! Sim! Sim! - disse, animadíssimo. Ele se virou para Harry e Ian. - Eles vão também?
Eu: Claro, por quê não?
 Ele ficou todo animado e foi para perto de Ian, abraçando-o. Abracei Harry também. Me virei para meu pai e Kate.
Eu: Posso ir com eles ao parque de diversões, pai?
Pai: Podíamos almoçar todos juntos, para você descansar um pouco do susto, e aí vocês vão para o parque. Que tal?
Ian: Adorei!
Kate: Eu tô fora! - disse, com cara de enojada.
Pai: Eu quis dizer "todos juntos" no sentido de minha família, mas tudo bem. Vamos fingir que você também foi convidada.
 Eu, Ian e Harry rimos, enquanto Noah ficou confuso. Kate revirou os olhos, irritadíssima, pegou sua bolsa na cadeira, e foi embora, apenas dizendo "Que bom que melhorou", não parecendo nem um pouco interessada.
 Whatever.
 Fomos almoçar num restaurante que amávamos, desde que eu era bem pequena e filha única. Era bem diferente ter só eu de mulher na mesa, com um irmão mais novo, um mais velho, meu namorado e meu pai... E o mais estranho: todos se dando bem. Ou estavam se esforçando muito para me ver 100% bem, ou jogaram magia em cima deles enquanto eu dormia.
Comemos, conversamos, rimos... Noah contou seus "traumas" da casa de Kate - como por exemplo ter que comer vegetais todos os dias -, o que fez todos nós rirmos. Harry estava contando sobre sua agenda que logo ficaria lotada novamente. Ian contou que logo fará teste para entrar numa faculdade, e acabamos terminando de comer falando sobre faculdades.
Pai: Já decidiu o que vai fazer?
Eu: Na verdade, não... Tipo... Eu já fiz uns 8 cursos profissionalizantes, sobre várias áreas, mas eu não sei qual eu quero...
Ian: Sério? Eu sempre quis fazer um! Como é? Quando foi? Quais cursos você fez? - disse, interessado.
Eu: Eu fiz curso de teatro, de enfermaria, primeiros socorros, ciências alternativas... - e fui dizendo cada um, com minhas experiências.
 Logo depois, nos despedimos de meu pai e entramos no carro.
Noah: Ao parqueee! - gritou, todo animado.

Lottie's POV
Eu acordei no hospital, toda dolorida, meio tonta. Minha mãe estava do meu lado, sorrindo, e meu pai também.
Mãe: Olá, meu amor.
Eu: Oi...
Pai: Como está?
Eu: Meio desorientada... Mas tô bem. (gif) Não é nada.
Mãe: Que bom que está melhor, querida. - disse, dando um beijinho na minha mão. - Você já está liberada, quando quiser já podemos ir para casa. Suas irmãs estão lá fora.
Eu: Tudo bem. Vou me trocar e já vamos, ok?
Pai: Tudo bem, sem pressa.
 Eles saíram do quarto, minha mãe deixou a bolsa com as roupas, e comecei a me arrumar.
Na verdade, achei desnecessário todas essas roupas chiques que minha mãe havia trazido, afinal o cara disse que não poderíamos fazer muita coisa hoje, pois eu precisava descansar. Ainda era duas da tarde, meus pais iam sair com minhas irmãs pelo Dia das Crianças, e eu ia ficar com a Fizzy.
 Saí já vestida do quarto, e minha família levantou das cadeiras, já pegando as bolsas.
Daisy/Pheebs: LOTTIEEEE!! - disseram, pulando em cima de mim, felizes.
Eu: Oi, amores! - disse, abraçando-as. - Tudo bem?
Daisy: Claro! E com você?
Pheebs: O que houve contigo?!
Eu: Eu... Hã... - olhei para os meus pais, e eles pareciam repreensivos. Olhei de volta para elas. - Eu só dei uma desmaiada. Nada demais.
 Elas assentiram, meio confusas. Meus pais, Daisy e Pheebs se despediram de mim e de Fizzy, e entraram no carro deles; eu entrei no banco do passageiro do carro de Fizzy e fomos por aí.
Depois de um tempo, percebi que não estávamos indo para a minha casa.
Eu: Fizzy... Onde estamos indo?
Fizzy: Um lugar. - disse, meio seca.
Um desespero tomou conta de mim. Era isso que eu tinha ouvido da menina que matou Aria. Não seria possível que ela... Seria? Nós só brigamos uma vez, e ela me ama... Não ama?
 Eu comecei a me mexer, e remexer minha bolsa, procurando meu celular já com os olhos mareados.
Fizzy: O que houve?
Eu: N-Nada.
Fizzy: Lottie, eu tô vendo seu desespero, o que está fazendo?
Eu: Não me mate! Por favor! - gritei, colocando minhas mãos no rosto e chorando. Conseguia sentir Fizzy me fitando.
Ela parou num posto de gasolina, pediu para encherem o tanque, e virou-se para mim.
Fizzy: Lottie... Por quê diabos acha que eu vou te matar?
 Eu continuei chorando, com as mãos no rosto. Apenas tirei-as de perto de minha boca e sussurrei, entre soluços: "Eu não sei".
Fizzy: Lottie, meu amor... - disse, me abraçando de lado. - Eu sou sua irmã, boba. Tô te levando pra passear. Eu avisei nossos pais, se quiser ligar pra eles pra confirmar, você liga! Eu juro que eu nunca vou te fazer mal, muito menos te matar! Que bobagem! Eu te amo, mana! - ela beijou minha testa e enxugou minhas lágrimas, fazendo eu ficar mais calma. Graças à Deus eu não tinha colocado maquiagem, senão eu teria borrado tudo.
 Paramos no final de uma rua que não me era estranha. Ela saiu do carro e pediu para eu sair também.
Fizzy: Chegamos onde eu queria! - disse, feliz. - Eu quero que vá andando até a casa número 58. Eu juro que não é longe daqui, você não vai passar mal. Ok?
Eu: Hã... Okay... - disse, meio confusa. Wtf?
Fizzy: Tudo bem! Qualquer coisa, me liga! Beijinho! - disse, me beijando na bochecha. - Eu te amo.
Eu: Eu também.
 Eu fui andando, devagar, com uma respiração ritmada, até chegar ao número 50. Aí, eu reconheci a casa, e reconheci a rua, e entendi tudo: a casa número 58 era a cada de John.
Eu fui andando mais rápido, mais animada, e também esperançosa. Chegando lá, eu toquei a campainha, feliz. John gritou de lá de dentro.
John: Quem é?
Eu: Euu - disse, cantarolando. - Alguém em casa?
John: Só eu, amor. Só um minuto, já vou.
 Ele demorou uns minutos. Quando ele abriu a porta, uma surpresa: rosas, chocolates, e um cartaz lindo.
John: Hã, oi. - disse, com um sorriso sincero e apaixonado no rosto.
Eu: O-O-O quê é isso tudo?
John: Você não tem noção do meu desespero. Fiquei a noite toda planejando nosso dia juntos, e convencendo meus pais a nos deixarem sozinhos o dia todo... Eles voltam só depois da meia noite. E eu te amo. E eu tô morrendo de fome. Vamos lá? - disse, me entregando as rosas.
 Eu as peguei, ainda de boca aberta, realmente sem reação. Eu nunca ia esperar por aquilo. Tipo, nunca mesmo. Foi extremamente gentil da parte dele! Eu praticamente me joguei em cima dele, deixando o cartaz cair no chão, coloquei as rosas e o chocolate na prateleira da parede da porta, e o joguei contra a parede. Ele inverteu nossas posições, e demos um beijo apaixonado e saudoso. Fazia tempo que não nos beijávamos.
 Depois de uns cinco minutos de beijo, nos soltamos, e ele ofegante, disse:
John: Eu... Eu realmente estou com fome. Botamos a conversa em dia durante o almoço?
Eu: Claro! - disse, dando mais alguns selinhos nele e depois pegando o cartaz do chão.
 Não tinha pressa, ou medo, ou insegurança. Ele era meu porto seguro. E eu não tinha nenhum problema com isso. Tínhamos muito tempo.

Annie's POV
Eu fui dirigindo, com o Harry no banco de passageiro, e Ian e Noah nos bancos de trás. Fomos conversando o caminho todo sobre o que faríamos, e sobre alguns brinquedos que eu não poderia ir por ainda estar me recuperando, e sobre o dinheiro que seria gasto, e blah blah blah.
 Quando chegamos, tinha pouca fila - graças à Deus - e ficamos pouco tempo procurando lugar.
Harry: Tem um ali no canto.
Eu: Onde?
Ian: Lá no canto! - disse, com uma voz de "é tão óbvio!".
Achei o lugar, estacionamos, e saímos do carro e fomos para dentro do parque, entregando os ingressos para o porteiro e tudo mais.
O lugar estava muito maior do que da última vez: ele já era grande, agora estava maior ainda! Era quase um Disneyland, sem ser pelo nome. As atrações eram infinitas, para todas as faixas etárias, de todos os programas conhecidos, de todo o tipo de gente frequentando. O lugar era caro mas valia a pena: era uma perfeição.
 Noah já ia sair correndo quando o segurei pelo braço.
Eu: Noah, a última vez que viemos aqui você tinha 4 anos. Isso aqui tá muito maior e muito mais perigoso, e você obviamente tá muito mais teimoso e muito mais corajoso, mas tome cuidado por favor, não vá em nenhum brinquedo sem mim, Ian ou Harry. Ou eu te tiro daqui. Fechado?
Noah: Fechado! - disse, fazendo um Hi5 comigo. Ele virou para Ian. - Vamos nos carrinhos de bate-bate?
Ian: Claro! - disse, indo com Noah.
Harry: Vamos pegar umas bebidas! - Harry gritou para eles, que já estavam longe, mas deviam ter ouvido. Ele pegou em minha mão. - Vamos?
Eu: Harry... - disse, num tom repreensivo, soltando a mão dele. - Lugar público.
Harry: Depois de tudo que aconteceu, do meu desespero, e dos nossos abraços e beijos no hospital, acho que todo mundo já sabe. Embora ninguém tenha tirado foto de nós dois nos beijando.
Eu: Sério? Tudo bem então se eu, tipo, te beijar no rosto ou te abraçar?
Harry: Claro, amor. - disse, sorrindo feliz. Eu sorri e o abracei, contente. Finalmente poderíamos assumir?
Sussurrei um "Eu te amo", e fomos andando pra fila da barraca de comida.
 Chegamos lá, as bebidas que tinham eram refrigerantes, sucos e água. Também tinham doces e salgados. Optamos por comer tudo de uma vez só.
Harry: Ligue pra Ian e diga que já vamos almoçar e estamos na praça de alimentação 3 do parque. Se eles quiserem vir, estão convidados.
 Eu assenti. Liguei para Ian, passei a mensagem de Harry, e eles disseram que preferiam brincar mais e depois iam almoçar na praça de alimentação 2, que era mais perto deles. Eu e Harry pedimos dois lanches com refrigerantes, e depois pedimos sorvete de sobremesa.
Eu: Então, o que vamos fazer depois?
Harry: Podemos ir na área dos brinquedos menos radicais, já que não pode fazer tanto esforço...
Eu: Mas eu tô bem. Eu tomei o remédio antes de almoçar, e agora só tenho que tomar o remédio das 19hrs. Já viram que não "tocaram" em mim então nem a pílula eu estou tomando. Podemos fazer várias coisas... - disse, olhando maliciosa para ele.
Harry: Hm... Isso é uma boa ideia... - disse, sorrindo maliciosamente de volta. Nós dois rimos.
Eu: Mas antes temos que deixar Ian e Noah em casa. Noah vai passar uns dias conosco.
Harry: Sério? Que legal! Amanhã quero jogar FIFA com ele no Xbox, pra ele ver quem manda nessa porra!
 Eu ri. Ele também. Entrelaçamos nossos dedos das mãos esquerdas enquanto tomávamos nossos sorvetes com as direitas.
Eu: Mas você sabe que, de nós dois, eu que ganho, né?
Harry: No quê? No FIFA?
Eu: Em tudo.
 Ele gargalhou.
Harry: Só que nunca!
Eu: Claro que sim! Ganhei nas missões do GTA!
Harry: Missões do GTA são para manés!
Eu: E te venci no Just Dance!
Harry: Porque One Thing é uma dança muito difícil!
Eu: E teve aquela vez...
Harry: Que seja! - ele me interrompeu, fingindo nervosismo - Eu sou melhor!
Eu: Aposto que ganho até em ser imprevisível!
Harry: Claro que não! Aliás, como assim? - perguntou confuso, rindo.
Eu: Assim! - disse, tacando meu sorvete na cara dele.
Harry parecia surpreso, ainda rindo. Eu gargalhei de jogar a cabeça pra trás! Ele disse, como se estivesse prestes a me atacar:
Harry: Você não fez isso.
Eu: Aah, eu fiz, sim!
Harry: Eu vou te jogar no rio do Splash, sua vadia! - disse, levantando da mesa.
Eu: Tenta, manézão! - levantei e saí correndo pelo parque, rindo. Ele corria atrás de mim, tentando me alcançar. Era óbvio que eu era mais rápida que ele, e ele já estava se cansando, até que esbarramos com Ian e Noah.
Noah: Ah, oi!
Eu: Oi! Já almoçaram?
Ian: Já, estávamos indo procurar vocês! Vocês não tava na praça 3?
Eu: É, mas aí eu desafiei o Harry e... - nem deu tempo de terminar.
 Esqueci que estava correndo dele, e ele chegou por trás, me pegou no colo e me levou pro brinquedo do nosso lado: Splash.
 O Splash fazia parte da Praça 6, que era onde estávamos - seção dos brinquedos de água. Splash é uma canoa de madeira, para duas pessoas, que te leva numa montanha-russa aquática, e no final você cai na água. Geralmente, as pessoas fazem isso no final do passeio do parque, porque como aqui na Inglaterra é frio, você já pega sua toalha - que eles supõem que você tenha trazido - e vai para casa. Mas nós não tínhamos nem boné, nem toalha, nem roupas praianas. Ele queria mesmo me ver encharcada!
 Entramos na canoa, que é dirigida sozinha, e eu mal via para onde estávamos indo: era água de todos os lados. Eu só ouvia Harry gargalhando atrás de mim e sentia ele com as mãos em minha cintura, se segurando, enquanto eu me segurava nas laterais do barco. De repente, a água parou de jorrar. Quando eu abri os olhos, a canoa estava subindo. E subindo. E subindo. E subindo... Até que parou, inclinada para baixo, há uns 6 metros do chão. Ele estava balançando, quase caindo. A única coisa que deu tempo de dizer foi ao Harry foi:
Eu: Você me paga. - e, assim, descemos 6 metros na canoa, levando água gelada na cara e, e no final, a canoa vira automaticamente e nos faz cair com tudo na água!
 Eu me rebatia, e batia forte no Styles, que tava na minha frente. O negócio era fundo, e eu não sabia. Mas eu sabia nadar, ele também, e nós dois conseguíamos prender a respiração por um bom tempo, então deu tempo da gente se bater, e depois olhar um para a cara do outro, e começar a rir.
Voltamos para a superfície. Eu tomei um fôlego enorme, e subi na parte de fora da piscina gigante. Harry sentou junto.
Harry: Foi muito legal. - disse, sorrindo e arrumando o cabelo.
Eu: Eu vou te matar, seu filho da puta!! - disse, empurrando ele de volta pra água. Ele voltou, tomando fôlego.
Harry: Que susto, cacete! O que eu fiz?!
Eu: ME JOGOU NA ÁGUA SEU INFELIZ! - disse, dando soquinhos nele.
 De repente, duas pessoas pularam por cima de mim e de Harry, caindo na água e jorrando água em nós dois também. Quando emergiram, vi que eram Ian e Noah - de boia, óbvio -, que riam da nossa cara.
Noah: Você tá toda molhada! - disse, rindo.
Eu: Você também! - disse, zombando. E me toquei. - AH MEU DEUS VOCÊ TÁ MOLHADO! SE PEGAR UM RESFRIADO A KATE ME MATA!
Ian: Não esquenta, eu comprei umas roupas de praia para ele, e toalhas para nós 4.
Harry: Valeu, cara.
Ian: Nada. - disse, assentindo com a cabeça.
Todos nos levantamos e resolvemos ir para a parte mais rasa da piscina. Havia muita gente lá, mas era legal brincar com várias pessoas. Tinham algumas adolescentes tirando fotos de nós, mas nem ligamos muito. Isso já era normal.
 Eu e Noah estávamos passando pela parte mais rasa, desfilando, pulando, brincando, e Harry e Ian seguiam atrás. Eu estava dançando quando Harry jogou água na minha bunda. Eu fiquei parava, fingindo surpresa/raiva.
Eu: Cachorro!
Harry: Delícia! - disse, rindo.
Ian: Ei, respeito com a minha garota! - disse, encarando-o. Não parecia estar falando sério, mas sei lá.
Harry: Minha garota, cara. - disse, encarando-o sério também.
Ian: Acho que não. - disse, dando um empurrão no Harry. Harry o empurrou de volta.
 Os dois foram se empurrando e se confrontando até chegar na parte mais funda da piscina.
Noah: Vish.
Eu: Essa não.


 Lottie's POV
Almoçamos uma macarronada deliciosa que ele preparou para nós dois. Depois tomamos banho juntos, nos vestimos, assistimos um filme, montamos um quebra-cabeça, e depois ficamos conversando um pouco, sobre o que houve, e o que faríamos no dia seguinte.
John: Quer ir na praia?
Eu: Nhaan... - disse, meio "coisada".
John: E no parque?
Eu: Também não...
John: Cineminha?
Eu: Não...
 Ele me olhou, pensativo, por um instante. Eu sorri envergonhada, olhando para baixo. Ele levantou minha cabeça com uma mão e tirou uma mecha de cabelo do meu rosto com a outra. Ele sorriu.
John: Ainda está cansada, meu amor?
Eu: Mais ou menos... Eu acho que preciso descansar um pouco, eu não posso ficar saindo por aí, eu levei muita porrada... Ainda tô com dificuldade para acalmar os nervos... É difícil sair na rua sem pensar em algo relacionado à sequestro ou qualquer coisa do tipo.
John: Eu entendo, minha flor... - disse, me abraçando na cama. - Mas não se preocupe, eu te amo demais, e eu vou ficar do seu lado para sempre. Você não precisa se preocupar, tudo bem? Ficaremos em casa, assistiremos mais filmes, jogaremos mais jogos, e ficaremos são e salvos, juntos. Fechado?
Eu: Fechado, meu amor! - disse, beijando-o. - Quer comer algo?
John: Ainda são sete da noite! - disse, rindo.
Eu: Podíamos procurar na internet algo bem gostoso para prepararmos juntos, que tal?
 John parecia pensativo, mas logo depois abriu um sorriso.
John: Acho uma ótima ideia! - disse, já se levantando com um pulo e estendendo a mão para mim. - Vamos, leve o computador pra cozinha! - ele parecia realmente animado.
 Chegamos na cozinha, colocamos o computador no balcão de divisão, e entramos no Google.
Eu: O que quer cozinhar?
John: Que tal a gente fazer foundue?
Eu: A gente tem a panela aqui?
John: Hã... Não. - disse, envergonhado. - Precisa de uma panela especial?
Eu: Claro que sim! - disse, rindo.
 Ficamos resolvendo por alguns minutos, e resolvemos fazer um Fusilli com ricota, bacon e ervilhas. Parecia não ser muito difícil, só tivemos que ir no mercadinho da esquina e comprar alguns ingredientes a mais.
Demoramos só alguns minutos para fazer a primeira parte. John foi atender o telefone enquanto eu temperava a massa que já tínhamos preparado antes. Quando ele voltou, eu já estava misturando as ervilhas ao bacon.
John: Já tá pronto?
Eu: Quase... - disse, sorrindo. - Falta mais uns dez minutos de preparo, e um tempinho no forno.
John: Não tem problema, vai valer a pena...

Annie's POV
Não estávamos com medo da luta em si, mas medo de um deles se afogar... Eu e Noah sabíamos que ambos são muito competitivos e ciumentos, então a gente não sabia até que ponto podiam chegar.
Eles subiram numa boia gigante, pegaram espaguetes de borracha e começaram a lutar. Tacaram na cabeça, nas partes íntimas, em todos os lugares. Eles largaram os espaguetes e começaram a se empurrar e se pegar na boia pequena. Milhares de pessoas gravavam a briga entre dois marmanjos - um deles famoso - no meio de um parque de diversões enorme. Até que, finalmente, Ian pegou Harry pelo braço e o empurrou com tudo no meio segundo de desequilíbrio dele, que caiu com tudo na água.
 Todos aplaudiram o "espetáculo", inclusive eu e Noah, que ríamos demais. Harry apareceu na água depois de um tempo, tomando fôlego e nadando até a parte rasa, onde eu, Noah e Ian já estávamos.
Harry: Isso não foi legal
Eu: Só pra você, porquê foi muito divertido! - disse, gargalhando.


 Passamos a tarde nos divertindo no parque. Nos jogamos na água da piscina, do lago, da praia artificial, fomos no resto do parque, fomos nas montanhas-russas, na roda-gigante, comemos mais ainda, fizemos milhares de coisas. Voltamos para a área aquática, tiramos o fim de tarde para ficar lá. Ian e Noah foram pela última vez no tobogã e eu e Harry fomos brincar na beira da praia. Olhamos para o tobogã, e vimos Ian e Noah caindo na água. Rimos.
Harry: O Noah gosta mesmo desse Ian, né?
Eu: Demais.
Harry: ... Você também... Sei lá... Gosta mesmo dele?
 Eu olhei para ele, incrédula.
Eu: Ele é meu irmão! - disse, rindo e dando um empurrão nele. Ele riu.
Harry: Eu quero ser seu único homem, ué! - disse, me abraçando por trás. Eu ri e me soltei.
Eu: Hm, sei não.... Você é muito ciumento... eu não gosto de caras assim.... - disse, indo para o mar.
Harry: Para onde tá indo?
Eu: Para longe de você! - virei, mostrei a língua e voltei a saltitar em direção à água.
Harry: Ah, mas não mesmo! - disse, correndo atrás de mim e me agarrando.

Ele rodopiou tanto comigo na água, que acabamos caindo no meio da praia. A água estava muito gelada, por ser fim de tarde já, e nos encharcamos de novo - mas dessa vez, com roupas de praia de verdade. Nós rimos muito, jogados no chão, quando nos tocamos que estávamos um em cima do outro, colados, com roupas minúsculas, em lugar público. Eu provavelmente fiquei vermelha.
Eu: H-Harry... - disse, envergonhada. - Eu... Hã...
Harry: Se eles já sabem - disse, me interrompendo -, não tem porquê esconder isso tudo.
 Eu sorri, e ficamos apenas ouvindo as batidas dos nossos corações grudados, e nossas respirações ritmadas. É como se os flashes e os gritinhos tivessem desaparecidos, e estivéssemos sozinhos na praia. Fomos chegando nossos rostos cada vez mais perto, e, então, nos beijamos.
Quando terminamos nosso longo e demorado beijo, sorrimos. Levantamos, devagar, ficando sentados na beira da água, um pouco mais acima, para não nos molharmos muito mais.
Eu: Agora está tudo meio evidente. - disse, rindo.
Harry: Pois é.- disse, rindo também. Ele se virou para trás, onde estavam as fãs ou os interesseiros. - Me desculpem, mas o rumor é real. Agora, por favor, me deixem à sós com ela.
 Demoraram para se afastar, mas como ficamos apenas virados para o mar conversando, se contentaram e foram embora. Noah e Ian chegaram enquanto todos se afastavam. Ian jogou nossas toalhas.
Ian: Se arrumem, que logo logo temos que ir.
Eu: Pode... Ir pegando o carro, você dirige agora. - disse, olhando para o Harry. - Vamos ficar aqui um pouquinho.
Ian: Tudo bem. - disse, com uma voz meio avoada. - Vamos, Noah.
Noah: A gente vai esperar vocês lá!
Harry: Tudo bem! - disse, sorrindo, sem tirar os olhos de mim.
 Eles se afastaram, assim como todos os outros. Nos beijamos mais algumas vezes. E, então, nos abraçamos.
Eu: Elas vão me odiar. - disse, meio triste. - É sempre assim.
Harry: As verdadeiras nos apoiarão - ele parecia confiante. - É sempre assim. No começo ficam irritadas, quase que possuídas, mas depois elas aceitam e se acalmam.
 Eu assenti, ainda não estando cem por cento convencida.
Eu: Eu acredito em você, querido. - eu disse, sorrindo. - Eu te amo.
Harry: Eu também te amo. - disse, enrolando sua toalha sobre mim, me abraçando e me beijando no rosto.

Lottie's POV
Nós jantamos nosso delicioso Fusilli preparado por nós mesmos, rindo muito, com direito à taças de vinho e tudo mais. Foi perfeito.
 Terminamos a noite sentados no sofá, bonitinhos, agarradinhos.
Eu: E agora?
John: E agora o quê?
Eu: Eu vou ter que ir na missa da Aria, e ir pra escola ainda depois de amanhã, é tudo muito diferente agora... Eu nem sequer vi a Annie e...
John: Então - disse, me interrompendo -, amanhã acordamos bem tarde, tomamos um banho bem gostoso juntos, almoçamos outro prato que nós faremos, e vamos na casa dela ver como ela está. Pode ser? Quem sabe agora vocês voltam a ser amigas!
Eu: Essa é... Isso... Isso é... - eu não sabia o que dizer. - É a melhor ideia do mundo! - abracei-o no pescoço.
John: Jura? Que bom que gostou!
Eu: Você vai comigo? Mesmo ela não gostando tanto de você?
John: Ela supera, eu acho. - disse, sorrindo. - Tudo por você, meu amor.
Eu: Tudo por você. Sempre.
"Não há nada como nós. Não há nada como eu e você, juntos, através da tempestade.
Não há nada como nós, não há nada como eu e você juntos."

Annie's POV
Ian nos deixou na casa de Harry e voltou para casa com Noah. Chegamos em casa abraçados, felizes. Tiramos as roupas molhadas, tomamos banho juntos, e deitamos na cama, bonitinhos.
Eu: O que quer fazer agora? - disse, apoiada no tórax dele.
Harry: Eu estava pensando em várias coisas... - disse, acariciando minhas coxas. - ... Mas você vai dizer que não podemos porquê ainda está se recuperando.
Eu: Não vou não. - disse, com naturalidade. Ele se mexeu, fazendo eu me levantar de seu tronco.
Harry: Sério? - disse, me encarando.
Eu: Aham... - sorri maliciosamente e apertei o "volume" dele.
 Foi aí que a putaria começou

Eu só estava com pijama e calcinha, então rapidamente tirei minha blusa, deixando meus peitos à mostra. Ele tirou a camisa dele e meu shorts, e logo se apressou em tirar minha calcinha.
Eu andei de 4 pela cama até chegar nele, fiz um puxãozinho, fazendo ele se ajoelhar na cama. Tirei o shorts dele e a box, fazendo seu amiguinho pular direto para fora, mas ainda não estava no "ponto certo".
 Comecei a masturbá-lo, tanto com a mão quanto com a boca, fazendo movimentos circulares e rápidos, e ele gemia pedindo mais. Quando vi que ia gozar, tirei minha boca, o que deixou ele frustado.
Harry: Vamos nessa. - disse, já querendo meter.
Ele me beijou, foi descendo a mão, pronto pra encaixar, quando eu lembrei:
Eu: A camisinha!
 Ele assentiu, já irritado, e com o pau duro tentou andar pelo quarto procurando camisinha. Enquanto isso, fiquei massageando meus seios e gemendo, para nenhum de nós dois não perder a excitação.
Harry: Não tem! - disse, olhando apavorado para mim. - Por favor, vamos sem?!
Eu: Não! - disse, me indireitando.
Harry: Mas faz mó tempão que a gente não faz nada!... Por favor... - disse, chegando por trás e sussurrando em meus ouvidos, pegando em meus peitos, e me deixando arrepiada.
Eu: Aaa-aaah.... - gemi, tentando dizer algo. - S-Só u-uma vezzz...
 Ele assentiu feliz, e já meteu por trás. Eu gritei, pois não estava preparada. Depois de algumas estocadas, ele meteu pela frente. Ele me beijava e girava dentro de mim.
Estávamos indo rápido demais, por isso gozei rápido, mas continuamos no ritmo. Quando eu estava para gozar pela segunda vez, ele percebeu e diminuiu o ritmo, me deixando doida.
Eu: Vai logo - gemia.
Harry: Só se me pedir. Direito. - dizia, ofegante.
Eu: M-Mete, Harry... Vai... Vaii.. Awwhhh... Vai Harry... ahhh... - gemia, deixando ele excitado. Mas ele não acelerava. Eu gozei mesmo assim.
Depois disso, ele voltou ao ritmo normal. Larguei dele, e fui beijando seu tronco até chegar em seu amiguinho, dando umas lambidinhas e umas chupadas. Ele gemia e posicionava minha cabeça com suas mãos. Depois, foi a vez dele de judiar de mim: me jogou na cama, ficou por cima, e mordeu meus seios. Eu gemia alto, e ele mordia, lambia e brincava com eles mais ainda.
Ele parou, do nada. Eu o fitei, mordendo os lábios.
Harry: Vem aqui, minha gostosa. - sussurrou em meus ouvidos, ofegante. Eu o segui.
 Fomos até a beirada da cama, no estrado. Ele apoiou nele, e masturbou um pouco seu amigo.
Harry: Vamos! Venha! - dizia, animado.
Eu: Quer que eu cavalgue em você, seu safado? - disse, com uma voz rouca e sexy. Ele assentiu. - Só se chamar direito. - imitei-o. Ele sorriu maliciosamente.
Harry: Vamos, sua cachorra, venha fuder com o papai, vem, me excita, vem cá... - dizia, com a voz rouca dele de sempre. Fui devagarinho, e subi nele. Nos encaixamos e começamos novamente.
 Depois de algumas horas de traquinagens, fazendo várias posições, com muitos gemidos e muitas gozas, nós finalmente chegamos ao orgasmo, já de madrugada. Nós dois estávamos ofegantes, exaustos, porém felizes.
Deitamos um ao lado do outro. Eu o fitei. Ele sorria, contente e satisfeito.
Eu: V-Você... - tentava recuperar meu fôlego. - ... Você transa melhor sem camisinha, né, seu safado?
Harry: Meu sexo é bom de todos os jeitos. - afirmou ele, sem nem olhar para mim.
Eu: Claro que é. - disse, beijando seu ombro. - Mas você fode melhor sem camisinha.
Harry: Aquele troço de borracha me incomoda, impede meus movimentos.
 Eu ri, e ele também. Eu levantei, e peguei novamente meu pijama. Ele fez o mesmo com o dele.
Conversamos um pouco, e ficamos em silêncio também, relembrando em nossas mentes as melhores partes do dia. Pelo menos, foi o que eu fiz. Foi perfeito. Em geral. Ele era perfeito, e eu sempre digo isso.
Harry: A gente podia repetir a dose.
Eu: Podia. Muitas vezes mais.
Harry: Muitas.
Eu: Com camisinha.
Harry: Ahhhh! - protestou ele. - Mas ela...
Eu: Não quero saber - disse, cortando-o. - Ou é isso, ou é sede de sexo.
Harry: Ou eu contrato alguém.
Eu: Você não seria tão sujo e baixo, Styles.
Harry: Não mesmo, meu amor. - disse, rindo.
 Ele me beijou algumas vezes. Eu sorri. Ele sorriu também.
Eu: Tem certeza de que as fãs não vão enlouquecer?
Harry: Mas é claro que vão. - disse, sorrindo com naturalidade. - Mas elas se acostumam. Eu já disse isso.
Eu: Elas vão querer me matar. - dei um sorriso falso, fingindo não me importar.
 A verdade é que eu era, acima de tudo, directioner. Todos sabiam disso. Então eu sei como é ver seu amor namorando outra - como no caso dele com a Cara, com a Taylor, com a outra Kara -, sei como é se sentir inferior, e não poder fazer nada para impedir seu ídolo de se machucar. Digo, você não conhece a vida dele de verdade, não sabe onde ele arranjou a namorada, então é muito normal você ter medo de ela machucar seu amorzinho. Você se sente desprotegida.
Eu: Haz. - disse, manhosa, depois de pensar tudo aquilo em silêncio.
Harry: Diga, querida.
Eu: Prometa que amanhã você vai tweetar dizendo que nunca abandonará as directioners e nunca amará ninguém como as ama, não importa quantas namoradas você tenha.
Harry: Pra quê? Elas já sabem disso! Já sabem que são minhas bebês.
Eu: Algumas... Algumas não sabem. - disse, tentando convencê-lo. - Prometa, Haz. Por favor.
Harry: Tudo bem, minha linda. - disse, beijando minha testa. - Eu prometo. Sem problemas.
Eu: E promete que também não vai deixar elas me matarem? - disse, dando um sorrisinho.
Harry: Eu prometo, meu amor. Nem elas, nem ninguém. Nada vai nos separar de novo, eu já te disse. (gif) Eu vou cuidar de você.
"Contanto que eu tenha meu terno e minha gravata, vou deixar tudo na pista esta noite. E você se arrumou com todo o estilo! Deixe que eu lhe mostre algumas coisas...
Todo arrumadinho em preto e branco, e você está usando aquele vestido que eu gosto... O amor paira no ar esta noite! Deixe que eu lhe mostre algumas coisas sobre o amor"

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Cap. 10: Safe And Sound / Stronger / Devastated

Obs¹: Annie's POV & Harry's POV são considerados como uma só música de cap ;)
Obs²: Sim, Daisy e Pheebs têm os mesmo gifs pq são gêmeas *-*
Obs³: Eu chamo o padrasto do Louis (existente na fic) de "pai"

Obs4: Mudei o signo da Annie - agora ela é de Libra (Outubro, mês atual da fic)
Obs5: Me desculpem mas o capítulo ficou do tamanho de um T-Rex kkkkk

Annie's POV
Acordei no dia seguinte, cansada por nada. Desliguei o despertador, que me chamava para mais um dia entediante de aula. Cheguei na cozinha e Ian já estava lá.
Ian: Hã, bom dia.
Eu: Que cara de zumbi, Ian. - debochei.
Ian: Olha só quem fala, Srta Eu Caí Da Cama Durante a Madrugada. - disse, rindo, se referindo ao meu estado também. Nós dois rimos.
Eu: Já fez seu lanche?
Ian: Não, quer que eu faça a sua?
Eu: Eu ia perguntar o mesmo, mas beleza, faz a minha aí. - disse, me jogando no banco, colocando os pés em cima da bancada, colocando os óculos escuros do papai e cruzando os braços like a boss. Ele riu. Papai chegou de surpresa.
Pai: Tire os pés de cima da mesa e tire meus óculos, tá pensando que isso aqui é o quê?! - disse, meio irritado mas se esforçando para não rir. Ian ria da minha cara e eu dei um soco no ombro dele. Começamos uma lutinha até que, sem querer, batemos nossas mãos na mesa. Ops.
Era leite, pão e doces para todos os lados, sem dizer que eu e Ian fomos parar no chão e meu pai deu um grito de mulherzinha. Quando fui ver, estava sobre o tanquinho desnudo de Ian.
Eu: Hã, eu...
Ian: Hã... S-Sai de c-cima, balofa! - ele gaguejava, tentando esconder a vergonha, mas sua cara-pimentão não ajudou muito.
Eu fingi não estar desconfortável, dei mais um soco nele e levantei, sem querer colocando a mão "naquele lugar" dele (eu juro que foi sem querer mesmo).
Eu: Olha o que fez com minhas roupas, Ian! - disse, apontando para minha blusa manchada.
Ian: Eu?! Quem foi a delicada elefantinha que bateu a pata na mesa??
Eu: O único animal com patas aqui é você, seu macaco raivoso!
Ian: Ei! Mas foi você qu...
Pai: CHEGA! NÃO RECLAMEM! - disse. Quando olhamos para ele, ele tinha leite nos sapatos, doces até dentro do bolso da camisa, farinha no cabelo, e mais um monte de coisas.
 Eu e Ian tentamos nos segurar, mas não aguentamos e caímos na gargalhada. Ele olhou irritado para nós tentamos parar.
Pai: Vocês vão arrumar tudo isso, agora. Eu vou me trocar.
Eu: Mas e a escola?
Pai: Vocês que fizeram isso, vocês que arrumem! - disse, já saindo pela porta da cozinha. Ouvimos ele de longe, subindo as escadas, resmungando - Tem pedaço cupcake no meu cinto! Arg!

Lottie's POV
Acordei rapidamente, por incrível que pareça. Eu estava com um pressentimento que algo aconteceria hoje - não sei seria bom ou ruim. Enfim, arrumei minha mala, tomei banho, me troquei, me arrumei, e desci. Todos já estavam acordados também.
Eu: Só são 7:30 da manhã, o que estão fazendo acordados?
Mãe: Seu irmão vai ligar o Skype conosco.
Eu: Louis?! - disse, já dando pulinhos até o computador aberto na bancada da cozinha.
Fizzy: Não não, seu irmão antony... óbvio que é o Louis! - disse, irônica.
Eu: Nossa, que engraçada, estou morrendo de rir, tá vendo? - disse, fazendo um sorrisão falso.
Phoebe: Ah, já vai começar... - disse, segurando as mãos da minha mãe. - Elas não vão parar nunca?
 Nós todos rimos, ela apenas ficou olhando com uma carinha de "ué" para todos. Eu dei um super abraço nela e a peguei no colo.
Eu: Tem razão, sinto muito Phoebs... Bom diiaaa!! - disse, beijando ela e fazendo cócegas. Ela riu. Me virei pra Daisy. - Bom dia pra você também, Daisy!
Daisy: Bom Dia! Você tá atrasada!
Eu: Não tô, não. Só falta tomar meu café da manhã, até meu lanche já está pronto!
Fizzy: Quer carona?
Eu: Eu vou de bike com o John, obrigada.
Fizzy: Há - ela fez um riso irônico -, acho que não.
Pai: Está chovendo para caramba lá fora, não viu?
 Olhei para janela e estava tudo nublado, com várias gotas na janela e pessoas ao longe andando com guarda-chuva.
Eu: Ok, então eu aceito a carona, Fizzy. Vou avisar o John que obviamente não vamos juntos.
 Quando eu estava para sair da cozinha, o Skype começou a tocar.
Fizzy: É ELE!
Mãe: EU ATENDO!
Eu: VOCÊ NEM SABE MEXER, SAI!
Pai: SEM BRIGA, O HOMEM DA CASA ATENDE!
Fizzy, Mãe, Eu: SAI DAQUI Ô SEU GORDO!
Daisy: Mas como o Louis vai falar por aí?
Eu: ME DÊEM O LAPTOOOOOP
Phoebe: Magia, duuuh...
Fizzy: EU QUERO ATENDER!
Pai: VOCÊS VÃO QUEBRAR O LAPTOP, CARAMBOLAS!
Mãe: ACHO QUE É AQUI QUE CLICA! - ela clicou um monte de lugares e, de repente, a tela mudou. Louis estava na linha. - AH, EU CONSEGUI, CHUPEM!
Fizzy: Chupem?? Que que é isso manhê?!
Louis: O que diabos está acontecendo aí?
Daisy/Phoebs: LOUIIIIS (gif)
Rachel Cuddy Audition 3Rachel Cuddy Audition 3
Louis: Oi! O que vocês est...
Mãe: EU LIGUEI A FILMAGEM VOCÊS VIRAM?!?!
Fizzy: NÃO É UMA FILMAGEM É SKYPE, É AO VIVO MÃE!
Pai: Tipo essa tal de twitcam?
Eu: Não, essa é..
Fizzy: Ah deixa quieto, eles não vão entender, são noobs.
Mãe: Me chamou de quê?!
Pai: noiado?
Eu: não! "noobs"! - me virei pra câmera - Ah, Louis, socorro!
Mãe: Para de falar com a câmera, que menina noobada.
Fizzy: "Noiada", não "noobada", mãe.
Pai: Mas não era "noobs"?
Fizzy: AH ESQUECE ESSA PALAVRA!!
 Louis apenas se divertia com a nossa desgraça.
Louis: Ok, por favor parem de brigar, eu tenho pouco tempo!!
 Todos finalmente ficaram quietos, e Louis sorriu. 
Mãe: Onde você está, meu amor?
Louis: Veneza, mãe.
Pai: E é legal aí?
Louis: Eu não consegui ver muito, tem MUITOS fãs, mas pelo pouco que eu vi já vi que é maravilhoso! Achamos um Hard Rock aqui, eu e Liam nos divertimos muito!
Eu: Harry está ai também?
Louis: Claro, temos uma premiação mais um ou dois shows, ele tinha que vir. Por quê? Sua amiguinha já está com saudades dele?
Eu: Ela não é mais... Ah, deixa pra lá. Manda um oi pra ele.
Louis: Ok, será mandado, mana.
Fizzy: Como foi o show de ontem?
Louis: Bem legal, as italianas e as brasileiras são as mais agitadas, gritam muito alto, é divertido!
Mãe: Está se cuidando bem? Não vai pegar um resfriado né?!
Louis: Você sabe que eu já tenho 21 anos né, mãe?
Pai: Mas não têm idade para se pegar um resfriado!
Louis: Ok! - ele disse, chegando mais perto da tela e sussurrando: - Eu estou bem, muito bem, tô tomando minhas vitaminas e tudo mais, eu tô bem, me deixem em paz!
 Eu e Fizzy rimos, mas papai e mamãe pareceram não acreditar muito nele. Ouvimos gritos e batidas, e nos assustamos.
Eu: O que é isso?!
Mãe: Parece que tem uma equipe de futebol americano entrando aí!
Louis: Quase isso, são os meninos. - ele virou para o lado e gritou: - Ei! Pessoal! Façam silêncio, eu estou no Skype!
Harry: É com alguma gatinha? Eu quero gatinhas!
Louis: NÃO! SHIU! - disse, desesperado.
Liam: Pelo desespero, deve ser a Els...
Louis: Na verdade não, são m...
Niall: AH SAI DAÍ 'XA EU VER SÁPOHA! - disse, empurrando Louis da cama. Ouvimos um estrondo e, de repente, Niall apareceu na tela. - OOOOOOOIIII FAMÍLIA TOMLINSON! QUE SAUDADES!
Fizzy: Oiii, Niallerrrrr!! - disse Fizzy, rindo. - Também estamos com saudades!
Mãe: Niall, você machucou meu filho?
Niall: Hã... Acho que não... Peraí. - disse, olhando para baixo, onde provavelmente estava o Louis. - Você está machucado, campeão?
Louis: Aii... Vou... Te... Aii... Matar... Aii... Seu fdp... Aii...
Liam: Ah, ele tá vivo.
Harry: Eu quero ver eles também! Dá licença!
Liam: Não! Minha vez, cai fora Niall! - ele empurrou Niall, que caiu junto com Louis. - Oiee!
Eu: oiii! Que saudades, Liammmm!
Liam: Também estou com saudades, pessoal!
Daisy: ONEDI DADDYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY! - disse, brotando entre nós e pulando na tela.
Liam: ONEDI DAISYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY!! QUE SAUDADES, MINHA FOFURA!
Eu: Pelo jeito, ela também sente a sua.
Phoebs: Eu também! Eu também!
Liam: Oi, Pheebs!
Zayn: Que bagunça é essa aqui? O que o Josh tá fazendo aqui? O que vocês tão vendo no laptop? - disse ele, entrando no quarto. - VAS HAPPEEEEEEEEENNNNNNIIIIIIIIIIIN?!?!??!?!
 
Fizzy: Zaza!!! Que saudades, Sunshine!
Mãe: Ah, eu falei com sua mãe ontem, ela tá morrendo de saudades de você e pediu pra você trazer uma lembrancinha de Veneza pra ela.
Zayn: Ok, obrigada Sra Tomlinson! Eu... 
 A imagem foi cortada por um tempo, só ouvimos gritos e batidas, e Louis apareceu sozinho novamente.
Louis: Eles neeem roubaram meu laptop, neeem me jogaram no chão, neeeem jogaram um elefante chamado Niall em cima de mim... Mas enfim, né.
Eu: "Enfim" nada, BooBear! Aqui já são 5 pras 8, minhas aulas começam 8:10, eu preciso ir!
Louis: Mas Já??!?!! - disse, fazendo cara triste. Eu sorri triste também.
Eu: Eu tô com saudades, cara.
Louis: Eu também, "cara". 
Fizzy: Eu tenho que levar ela, mas eu volto rápido...
Pai: Falando em "voltar rápido", que dia você volta filhão?
Louis: Só daqui uma semana mais ou menos, aí vou pro Caribe com a Els porquê fazemos 3 anos de namoro.
Pai: Ah, sim.
Eu: Eu to com saudadeeeees!! Te vejo daqui 2 semanas, então?
Louis: 3, mas passam rápido.
Pheebs: Ele diz isso seeempre. - disse Pheebs, dispersa.
Louis ficou triste, e essa foi a última cena que vi antes de sair de casa.
 No carro com Fizzy, ficamos conversando sobre ele.
Fizzy: Não o pressione sobre o tempo que ele vai passar fora, Lottie.
Eu: Mas eu sinto falta dele, porra!
Fizzy: É claro que sente, eu também sinto! Mas ele está trabalhando, não se divertindo, ele é obrigado a ir e ele já é maior de idade, ele faz o que quiser.
Eu: Ir pro Caribe com a Els não é trabalho.
Fizzy: Mas é obrigação, porque eles combinaram isso há meses, muito antes desses shows em Veneza surgirem. Você sabe disso.
Eu: Mas não entra na minha cabeça. Ele não pode ter um descanso?!
Fizzy: Ele sempre tem descanso de 6 meses depois de turnê, e aí até a próxima turnê eles dão entrevistas, fazem photoshoots, vão...
Eu: ... à premiações e blah blah blah. É, eu sei. Mas os 6 meses passaram rápido demais!
 Fizzy riu, e dessa vez não era um riso irônico.
Fizzy: A culpa não é dele se o tempo tá meio desajeitado.
 Eu sabia que John não ia à escola hoje pois estava meio mal, então nem me preocupei em saber se ele queria carona.
Chegamos na escola, ela me deixou lá, e encontrei justo Annie na porta.

Aria's POV
Já estava na escola faz teeempo, procurando a tonta da Annie. Esbarrei em Brad.
Brad: Oi, gatinha.
Eu: Não me chame de gatinha, objeto sexual escroto. - disse, arrumando meu cabelo e andando. Mas ele me segurou.
Brad: Ei, espera, pra quê pressa?
Eu: Tô procurando a Annie porque ela tá com o nosso... Ah, não te interessa, vagabundo! - disse, jogando a mão dele pra longe. Dei uma apressada no passo, mas ele correu atrás e logo me alcançou, e foi andando rápido comigo até a parte de fora do Royal.
Brad: Pra quê tanto ódio? Já espalhou meu segredinho com sua irmã, já não é o suficiente?
Eu: Já te disse que não fui eu, pode ter sido qualquer um mas não fui eu. E eu estou te ignorando porque agora você é um rebaixado na sociedade, então vai andar com aquela nerd de cabelo preso que eu nem me importo de saber o nome, e me deixa em paz. Ela é uma "ralé" agora. Simples assim. Não entendeu ainda? - disse, sem aumentar o tom de voz, apenas dando um sorriso sarcástico e cruel para ele.
Me virei e fui, deixando ele para trás, imóvel. Dei um sorriso devastador, catei um menino babaca qualquer e fiz ele levar minha mochila e meus livros. Fui até a secretaria.
 Eu raramente ia para lá, mas eu tinha que reiniciar minhas matrículas.
Eu: Alguém aqui?
Secretária: Pois não?
 A mulher era ridícula: um uniforme velho, que não combinava em nada, sem maquiagem, coque todo certinho, óculos velho e torto... Aff, mereço.
Eu: Hã, oi. Eu vim refazer minhas matrículas.
Sec: Ah, tudo bem. Sente-se.
 Me sentei, desconfortável, na cadeira minúscula.
Eu: Bom, só preciso refazer a matrícula da escola e da yoga. Só.
Sec: Tem certeza? - perguntou, meio preocupada.
Eu: Como assim? - disse, confusa.
Sec: Você nunca sabe o dia de amanhã, não é mesmo?
Eu: Deixa de ser idiota e refaz a droga da matrícula. Já sabe em que conta tem que colocar. Fui. - disse, me levantando da cadeira e saindo. Mulher doida, eu hein.
 Fui para o centro do Royal, e Annie e Lottie estavam conversando sem parar, bem próximas, e pareciam não querer fazer estardalhaço.
E foi por isso mesmo que eu fiz um estardalhaço.
Eu: O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO FALANDO COM ESSA TRAIDORA, ANNIE?! - disse, segurando o braço dela e trazendo para mais perto de mim.
Lottie: Sem drama, por favor. - disse, revirando os olhos.
Annie: Ela estava me contando que...
Eu: Não quero saber! Saia de perto! Vai pegar germes dessa menininha escrota!
Lottie: Às vezes acho que se estivesse morta tudo seria mais fácil.
Eu: Ha ha, digo o mesmo à você, pirralha falsa.
Annie: Pare! Não fale assim com ela!
Eu: Eu falo como eu quiser com essa zinha, ela não é da nossa classe social.
Annie: É sim, mas você não quer falar com ela.
Lottie: Isso é verdade, na verdade meu irmão é mais rico que sua família toda.
Eu: Ah, claro. - disse, irônica. - Bom, vá com seus amigos pirralhos e seu namoradinho, não é mais bem vinda no nosso reino.
Lottie: Desde de quando você é rainha? Só se for Rainha da Falsidade.
 Annie deu uma risada, mas logo se conteve. O pessoal começou a se aglomerar.
Eu: Eu? Rainha da Falsidade? Olha só quem fala... - estreitei meus olhos à ela e disse fortemente: - Senhorita Dedo-Amigo.
 Todos ficaram em silêncio, se entreolhando. Ela me olhou, surpresa. Annie me olhava, confusa e brava. Ou triste, sei lá, tanto faz.
Annie: Senhorita... O quê?
Eu: Ah, então você não sabe dos segredinhos da sua amiguinha? - me virei de novo para Lottie. - Não contou para sua "Best Friend Forever" seus segredinhos mais sórdidos?
Lottie: Pare. Estão todos olhando.
Eu: Ah, jura? - disse olhando em volta. - Nem tinha percebido!
Lottie: Falsa! Vadia! Escrota! Cruel! Você vai ver!
Eu: Não, querida. Você vai ver. - me virei para a multidão. - Vocês querem saber o segredo de Lottie, a ex-queridinha?
"SIM!", todos gritaram, batendo palmas. Eu sorri.
Annie: Aria, pare. - disse, sussurrando para mim, colocando a mão no meu ombro. - Depois da aula você me conta.
Eu: Não não, eu quero que todos saibam! Vocês sabem o que é uma pessoa Dedo-Amigo?
"Não", responderam.
Eu: Hm,  que legal. Bem, uma pessoa Dedo-Amigo...
Lottie: PARE! - gritou ela, com os olhos já deixando cair lágrimas. -  PARE! POR FAVOR! QUER QUE EU FAÇA O QUÊ, ME AJOELHE PARA VOCÊ?! PARE!
Eu: Nem se ajoelhar nem me dar todo o dinheiro do seu querido irmão vai fazer diferença agora. Você que pediu por tudo isso. Brigou comigo, me intimidou, agora sofra as consequências. - me virei novamente para o pessoal. - Uma pessoa Dedo-Amigo geralmente tem problemas com seu peso. Come, come, come. Come igual um sei-lá-o-quê. E depois, se sente culpada por comer tanto, se sente inchada. E com razão né, pois depois de tanta comida, fica balofa mesmo. Mas aí, a pessoa acha um jeito prático de ficar magra. Sem pilates, sem academia, sem dietas, sem laxantes, sem comprimidos. E, bem, resumindo... Alguns chamam isso de bulimia.
 Todos fizeram cara de surpresos. Todos gritavam e/ou sussurravam entre si, olhando assustados para Lottie. Annie parecia desconcertada, mas foda-se. Lottie estava destruída agora, e é isso que importa. Infeliz, inferior, insignificante. Tudo "in". Alguns tentavam falar com ela, diziam "que escrota" "dramática" "burra", mas ela só chorava. Até que Annie resolveu dar um passo à frente na nossa rodinha de 3 no meio e o resto fechando passagem.
Annie: Isso... Isso é verdade, Charlotte?
 Ela não conseguia dizer nada, chorava demais, mas a resposta já estava óbvia.
Annie: Aria, como você sabia disso e eu não?! - ela se virou para Lottie novamente. - Como ela sabia disso e eu não?! (gif)
Lottie: M-Me desculpa! E-Ela desc-cobriu s-sem qu-querer...
Eu: pois é, eu cheguei no quarto dela e a doidinha tava com uma escova de dente na garganta.
 Todos riram, eu ri junto. Annie tentava esconder as lágrimas, e estava hiper confusa. Lottie só chorava. Aff que drama, só chora!
Lottie: Você não podia ter feito isso.
Eu: É, ah, mas eu fiz.
Lottie: Vadia.
Eu: Dedo-Amigo.
Lottie: Falsa.
Eu: Bulímica.
Lottie: T-traid-dora... - dizia, já perdendo a força pelas minhas palavras.
Eu: Fraquinha.
Lottie: S-sem coraç...
Eu: Forçadora de vômito.
Lottie: Irrit-tante...
Eu: Patética.
Lottie: P-p-pare...
Eu: Sem-noção.
Lottie: C-Chega.
Eu: Patinho feio. Irreversível. Suicida. Dramática. Iludida. - dizia, sem nem sequer aumentar minha voz, e sem expressão facial. Todos assistiam deslumbrados minha vitória contra ela.
Lottie: Pare! - gritou por fim. - Você fez da minha vida um pesadelo! (gif) 
Eu: Era essa a intenção. - ainda no tom de voz normal, embora ela gritasse.
Lottie: Eu nunca vou te perdoar!
Eu: Eu não quero seu perdão.
Lottie: Espero que tenha uma morte lenta e dolorosa e vingativa, sua ordinária! - disse gritando, abrindo espaço na multidão e indo embora.
Eu: jumentinha. - disse, por fim, mais baixo. - Agora que já sabem as news da semana, caiam fora daqui, vão procurar outras pessoas para espalhar a novidade e me digam se terá festa essa semana.
 Eles foram se afastando aos poucos, felizes e conversando entre si sobre o ocorrido. Eu estava andando quando Annie me puxou pelo braço. Ela chorava.
Annie: Por quê fez isso?!
Eu: Porque foi preciso, você não viu? Ela estava me provocando.
Annie: Ela estava me pedindo desculpas quando você chegou!
Eu: Ah, então eu fiz uma boa ação em tirar ela de perto de você.
Annie: Você não está entendendo.
Eu: Não, você não está entendendo. - disse, sem deixar ela falar. - Ela nos traiu. Ela te trocou por aquele cosplay de Justin Bieber. Ela te menosprezou. Ela não dividiu os segredos dela com você, embora você tenha dito todos os seus segredos para ela. Ela é uma doente, problemática, cheia de germes. Eu não quero você perto dela.
Annie: Ela era minha amiga. Há anos. - disse ela, secando as lágrimas. - Eu a conhecia bem. Ou achava que conhecia, mas isso não importa! Você expôs a realidade dela para todos esses dementes!
Eu: Está me dizendo que eu estou errada? (gif)
Annie: Só estou dizendo que acho que devia ter pensado melhor. - disse.
 Todos sabem que eu odeio que me digam que estou errada. É pedir para morrer
Eu: Hm. Mas bem, eu pensei, sim. Estou guardando esse segredinho há anos. Eu sei o que faço. Sou Aria Candellari, eu sei o que faço. Sofro as consequências que forem.
Annie: Sim, eu sei.
Eu: Então vamos, que o sinal já vai tocar.
 Peguei ela pela mão, e fomos juntas para a sala, com dois rapazes levando nossas coisas. É assim que tem que ser.

Annie's POV
Fiquei com dó de Lottie, porque eu acho que ela não merecia isso.
 Mas resolvi não me preocupar com isso. Fui pra aula com a Aria.

 O dia custou a passar, mas foi até bom porque, mesmo sem eu prestar atenção nas aulas, eu sabia que terão meninos que se mataram para dar um caderno para eu copiar. Eu fiquei pensando no meu aniversário, que é daqui 2 semanas. E sobre o Dia Das Crianças, que é daqui 5 dias, no sábado, e que eu tenho que dar um jeito de encontrar Noah nesse dia.
Falando em Noah, eu tive umas ideias muito loucas.
Eu tô morta de saudades dele, obviamente minha mãe não vai dar ele pro meu pai. Mas, se eu conseguir trabalho, moradia estável, mostrar responsabilidade e pedir ajuda pro Harry e pro meu pai, talvez eu consiga ficar com ele para mim, com a guarda totalmente minha, como meu filho. É uma ideia extremamente maluca, eu sei, mas eu achei a melhor saída. Depois posso passar a guarda pro meu pai. Mas só o processo de troca de guarda da minha mãe para mim pode durar meses, até anos. Seria cansativo para todos nós - eu, Harry, Noah... todos. Mas, por outro lado, quando tudo acabasse, Noah estaria comigo, e eu cuidaria hiper bem dele.
 Só queria que os dias passassem rápido, até porque sexta terá uma festa de Halloween adiantada - porque na semana do Halloween tem feriado nacional, e muita gente vai viajar e blah blah blah- , feito por sei lá quem, e será demais! Principalmente para tirar todas essas ideias e preocupações da minha cabeça.

Lottie's POV
Inventei estar mal, e pedi para ir embora da escola.
 Fiquei o resto da manhã em casa, chorando, sem ligar para minhas irmãs menores batendo na porta por uma meia hora, antes de minha mãe tirá-las, perguntando "o que houve?" "o que aconteceu?" "por quê tá chorando?"...
Decidi ir tomar um banho. Deitei na banheira e fiquei cerca de uma hora naquele lugar quentinho e aconchegante, cheio de espuma, com meu CD Tranquilizador, massageando meu cabelo, pensando num paraíso. Foi muito bom.
E depois eu voltei pra realidade, infelizmente.
 Almocei ao meio dia, e logo depois fui para a casa de John.
Bad idea.

Toquei a campainha. Ninguém respondeu. Toquei de novo, depois de uns minutos. E finalmente uma mulher atendeu.
Eu: Oi?
Moça: Pois não?
Eu: Eu gostaria de falar com o John... Quem é você?
Moça: A nova governanta, prazer. Você deve ser a Senhorita Charlotte, certo?
Eu: Aham.
Moça: Muito prazer, Senhorita. Pode entrar, vou avisar que a Senhorita chegou. Um minuto.
 Cheguei e me sentei no sofá da sala, olhando ao redor. Ouvi barulho de porta, e era John depois de uns 10mins, olhando da escadaria para mim.
Eu: Oi, querido! Que demora!
John: Desculpa.
Eu: Tão de empregada nova? Ficou bem chique aqui! Agora fica mais protegido, né?
John: Sim. Desculpa.
 Eu não entendi o "desculpa", mas beleza.
Eu: Você nem me avisou que tinham contratado alguém para abrir as portas. - eu disse, dando uma risadinha. Ele permaneceu sério.
John: Desculpa.  - disse de novo, descendo as escadas.
Eu: Não precisa pedir desculpas, é só uma governanta... - disse, meio desconfiada. - Ah, e eu vim sem avisar, me...
John: ... Desculpa. - disse, terminando de descer as escadas e correndo até mim.
 Ele ficou apenas alguns centímetros de distância do meu rosto, e tinha lágrimas em seus olhos. Ele ainda estava sério, como que tentando controlar uma avalanche interna. Ele pegou minhas mãos e as apertou. Eu as olhei, e depois olhei novamente para os olhos dele.
Eu: O que está acontecendo, John? - perguntei, confusa.
John: Me contaram sobre hoje.
 Eu gelei. Puta merda. Mas por quê diabos alguém liga pro cara só pra falar isso?! Só porquê sou namorada dele?! Só porquê ele é o mais famoso da classe?! Ah, ok, tem vários motivos sim.
Eu: Oh. - foi a única coisa que saiu.
John: "Oh", não. Eu sinto muito por nunca ter percebido o motivo de comer tão pouco, e de ir tantas vezes ao banheiro às vezes, e sinto muito por você não confiar em mim o suficiente para mim contar isso, eu sinto muito se eu não sou o cara perfeito pra você, eu sinto muito se você merece muito mais do que eu posso oferecer. Eu realmente sinto muito por tudo. - disse, já chorando.
Eu: ... oh... - novamente, não saiu nada.
 Eu realmente nunca tinha visto um homem chorar. Nem meu pai, nem Louis, nem ninguém. Eu me amaldiçoo e ele se culpa?! QUE FOFURA! QUE CORAGEM! QUE... que amor. Ninguém jamais fez isso por mim. Tudo que fizeram foi me julgar.
Eu: Ah, meu Deus, John... - disse, quando finalmente tirei o nó na minha garganta e comecei a chorar. - Não peça desculpas por nada, eu que peço desculpas por dificultar tanto a sua vida!
John: Você não é um peso, você que me livra do mal do mundo!
Eu: O mesmo que eu sinto contigo, meu anjo. Eu te amo!
John: Eu também te amo, pra caralho.
 Eu e ele ficamos conversando um bom tempo, passamos a tarde juntos, eu passei pra ele o que ele tinha perdido de lição hoje, e ele até ligou na diretoria da escola e pagou pra eles calarem a boca, tanto dos professores quanto dos alunos, sobre aquele assunto. O professor que visse um aluno fazendo esse tipo de brincadeiro comigo, o levava para a diretoria. Eu disse "não precisa, não pague, eu posso fazer isso, não...", mas ele não me ouvia, ele queria meu bem, mas sem minha opinião "chula". Eu o amava demais.

*4 dias depois*
Annie's POV
Sexta, 7 horas da tarde, 2 horas para o início da festa. Hora de me arrumar.
 Eu tinha ido ao cabeleireiro + manicure + pedicure com a Aria, e estávamos divas. Eu e ela ficamos no Skype a tarde toda, e agora havíamos desligado para nos arrumarmos.
 Primeiro, um banho de banheira bem calmo e com uma touca especial, para não estragar meu penteado. Depois, passei meu creme brilhante. Aí, hora de vestir a fantasia. Ficou fantástica! eu dediquei a semana toda procurando minhas coisas na internet, encomendando e tudo mais! Ia arrasar corações e pisotear as roupinhas meia-boca das outras meninas. Há! Quem ri por último? Annie Müller ri por último.
 Depois de pronta, perguntei - mais uma vez - se Harry queria ir, e ele disse que achava que não, mas que se quisesse ele ia sozinho - mais uma vez. Então, decidi ver se Aria precisava de carona. Ela aceitou a carona (novidade), então eu fui até lá.

Aria's POV
 Terça passou muito devagar, pois a diretora brigou comigo pelo segredinho compartilhado, mas o resto da semana passou voando. Sem provas, quase sem lições, sem trabalhos... Foi simples! 
Fui na manicure + pedicure + cabeleireiro com a Annie, nos divertimos pra caramba! Mas alguns dias da semana a vadia me abandonou para ficar com o Harry. Babaca.
 Mas enfim, eu tomei meu banho divo, arrumei minha bolsa diva, coloquei minha fantasia diva e fui esperar Annie lá na frente de casa.
Eu: Oiee!!
Annie: Finalmente, né?! - ela me olhou de cima a baixo. - Wow, que gostosa!
Eu: A única gostosa que eu estou vendo aqui é você, diabinha - disse, dando um peteleco na minha tiara de chifrinhos diabólicos.
Annie: Então, vamos começar a festa! (gif)
E lá fomos nós, para um prédio abandonado de 10 andares, para uma festa de Halloween adiantada, às 8 e meia da noite.

Lottie's POV
A semana passou muito devagar: tive que ir na diretoria umas 5 vezes, por causa do meu problema divulgado - uma vez com o John, outra com os meus pais, e outras 2 ou 3 porque estavam me zoando, e mandaram eu subir com eles e explicar o que havia acontecido. Todos olhavam de um jeito estranho, diferente, mas não o diferente bom com que eu estava acostumada há anos e larguei só para ficar com John. Eu também tive que ir ao terapeuta, comecei a fazer academia, criaram uma dieta especial para mim e mais um monte de coisas, para eu ficar magra como eu quero mas sem usar aquele método.
 No final, meu sonho estava certo: eu estava me afundando, eu estava em desespero e estava fazendo todos os dias. E, quando Aria contou, foi como se meu mundo desabasse. Era umas 10 vezes pior. Todos rindo de mim, zoando, e eu chorando na frente de todos. Tive que contar aos meus pais, foi inevitável, e horrível. Louis ainda não sabe, obviamente. E, na verdade, estou impressionada em como ainda não saiu em todos os jornais - provavelmente meus pais pagaram eles também para ficarem quietos. Mas, apesar de tudo isso, havia um anjo-vivo que me fez lutar e acreditar em mim mesma: John. Digo, além do One Direction. Mas o 1D eram como irmãos para mim (sem contar que um deles realmente era meu irmão), eu não conseguia vê-los como objetos de amor, como as outras meninas. Eu simplesmente os amava demais. Mas John, era como se fosse meu ídolo, minha inspiração, meu namorado e meu melhor amigo, tudo ao mesmo tempo. Maaaaas, voltando à festa...
 Saindo de meus pensamentos que já estavam viajando longe demais, me maquiei, fiz meu cabelo em casa mesmo - e ficou lindo -, e coloquei minha fantasia. Eu optei por "Amor Assombrado" porque eu amo rosa, mas eu também amo preto, e não dá pra ir de rosa numa festa de Halloween, então fiz uma mistura de tudo  ficou bem legal! Coloquei uma lente totalmente preta, para ficar mais macabro, mas deixei o lado cute aparecer também - como a sombrinha transparente com coração rosa.
 Liguei para John para ver se ele estava pronto, e sim, ele estava. Disse que já estava a caminho no carro do pai dele.
Eu ouvi buzinas, e quando vi, John estava sozinho, no banco do volante, com um sorrisão no rosto, e o carro desligado me esperando.
Eu: O que é isso? Cadê seu pai? - disse, descendo as escadas de casa enquanto minhas irmãs estavam nas janelas do 2º andar observando a cena.
John: Essa era a minha surpresa para você, que eu tava preparando desde semana passada! Eu ganhei minha carteira de motorista!!
Eu: MENTIRA!
John: Verdade! - Ele buzinou mais uma vez. - Esse é improvisado, amanhã iremos comprar um carrão de verdade. Se quiser ir junto, tá convidada. Afinal, vai ser a 2ª pessoa que mais vai andar nele. - disse, rindo.
Eu: Awwwwwwwwwwwwwwwwwnnn!!! Que perfeito amooor!! - disse, encostando na porta do carro, antes de abrí-la. - Será perfeito.
 Olhei para cima e acenei para Fizzy, que estava hiper feliz por mim.
Eu: Até mais! Não me esperem para dormir!
Fizzy: Tá brincando?! Vou ficar acordada até às 5 da manhã se for preciso! Quero saber de tu-do! Tchauuu!! (gif)
Eu ri, entrei no carro, beijei John, e fomos para a festa.

Annie's POV
Chegamos, e a festa estava lotada. Não só a nossa classe de 80 alunos, como TODAS as classes do Royal College INTEIRO. Eu fiquei paralisada por um instante, até me tocar que a música que estava tocando era Don't Stop The Party, e Aria veio gritando:
Aria: DON'T STOP THE PARTHEEEEE!!
 Eles diminuíram o som e disseram:
DJ: Hey galera, já chegaram os reis e rainhas do 9º e 2º colegial... Agora, com vocês, as rainhas do 3º colegial: Annie Müller e Aria Candellari!!
 Todos aplaudiram e assobiaram, eu senti alguém colocar a mão na minha bunda, e aí ele aumentou o som de novo.
 Bebemos, dançamos, pulamos, beijamos mil caras, conversamos com os outros "reis e rainhas", e descobrimos que ganharíamos um kit de presente como escolhidos para Reis e Rainhas, e ainda teria o Grande Ganhador da noite. Eu e Aria já sabíamos que uma de nós duas ia ganhar, óbvio.
Mais ou menos uma hora depois, abaixaram o som de novo.
DJ: Ora vejam só, o Rei e a Rainha da festa chegaram! A gatíssima Charlotte Tomlinson e o campeão John Ryder!
 Todos aplaudiram e gritaram e assobiaram, menos Aria, que ficou quieta no canto, de braços cruzados.
Eu: Pelo menos finja ser gentil! - disse, tentando fazer ela ouvir no meio da multidão.
Aria: Eu não! - disse ela, resmungando. - Como ela foi nomeada Rainha da classe? Até a Looser é melhor do que ela!
Eu: É "Loosy", e não "Looser", Aria. E deixa ela em paz!
Aria: Tá defendendo a mina, é? Você vai ver.
 Ficamos mais um tempo na festa, quando de repente senti meu celular vibrar. Mensagem de número desconhecido.
"ooi amor, é o Haz, eu troquei de celular e de num. tô aqui na party hard hahahah, sobe com a aria e com a lottie até o 10º andar, tenho uma surpresa pra vcs"
 Eu respondi:
"a lottie n é mais minha amg, pode ser só a aria?"
 Em menos de 2 minutos, veio a resposta:
"nn, pede pra lottie vir pfv, eu sei que a aria é a única que odeia ela... pfv... ah, e só tem escada, n tem elevador nessa bagaça ok? >-<"
Eu resmunguei um pouco, mas respondi "Claro, te vejo em 10mins +-, bjss"
 Me virei para Aria, que estava enchendo a cara de bebida, e disse que Harry nos queria no 10º andar.
Aria: Com ela eu não vou! - disse ela.
Eu: Aria, para com isso! É importante! O haz que tá pedindo!
Ela resmungou, reclamou, disse não umas mil vezes, mas acabei convencendo ela.
 Fui até Lottie, expliquei tudo, e ela aceitou na hora, Graças à Deus.
Chegamos até a escadaria. Ela era escura, nojenta, escura, assustadora, escura, de cimento, escura, não parecia muito confiável.
Lottie: Agora eu sei porquê isso aqui é abandonado.
Aria: Vem cá, você tem certeza de que isso é seguro, Annie?
Eu: Você acha que o Harry subiu como? De vassoura mágica?
Aria: Se fosse o Potter até podia ser, mas como é o Styles...
Lottie: Tudo bem, vamos acender uma lanterna de celular e vamos subir.
 Pegamos nossos 3 celulares, e iluminamos o caminho. Tinha até baratas mortas, foi a pior sensação da minha vida. Eu pensei que nunca ia me sentir pior do que aquilo.
 Mas, como sempre, eu estava errada.
Chegando lá em cima, só havia uma lâmpada de luminária acesa num canto do andar, lá no fundo. Olhamos em volta, e não havia ninguém. Lottie se agarrou no meu braço.
Lottie: A-Annie... Cadê o Harry?
Eu: Eu não sei. - sussurrei.
Aria: Ele falou no 10º andar mesmo?
Eu: Aham, tem aqui o sms dele se quiser conferir ainda.
Aria: Me dá aqui.
 Ela pegou o celular e visualizou a mensagem.
Aria: Que número é esse? - sussurrou ela.
 Lottie pegou o celular.
Eu: Número novo do Harry, ele trocou de aparelho.
Lottie: Harry tem cinco celulares, se ele quisesse falar contigo, por quê ele não usou um dos 5? - sussurrou ela de volta, olhando para mim e Aria.
 Peguei o celular da mão dela e comecei a enviar um sms para Harry. "Haz, vc tá com cll novo?", enviar. "Eu recebi uma mens..."
 Não pude terminar, pois a lâmpada da luminária se apagou. Aria gritou. Lottie fez "shiiish" e eu só fiquei calada, agarrando meu celular. A luz da sala toda se acendeu. Haviam 3 caixas grandes, algumas coisas jogadas no chão, e um celular.
Aria: O que é isso? - sussurrou, como todas nós estávamos fazendo.
Lottie: ... uma emboscada. - disse, em voz alta. - Essa pessoa também assiste Pretty Little Liars. Alguém vai morrer hoje. - ela olhou para mim, preocupada.
Antes que pudéssemos falar qualquer coisa mais, a luz se apagou. Aria, mais uma vez, gritou. Lottie parecia rezar em voz baixa. Eu só fiquei olhando desesperada para o escuro, tentando me adaptar à pouca luz e tentar achar a saída.
Eu: qualquer coisa, corram.
Aria: Depois de subir dez andares, eu não tenho ar pra fazer isso de novo, né col...
 Ela não terminou a frase. Ouvimos um murmuro. E então, um barulho de batida. E Aria se calou.
Lottie: PUTA MERDA A GENTE VAI MORRER!
Eu: Não grita!
Lottie: SOCORRO! - disse, correndo para longe.
 Eu só ouvia os passos de várias pessoas, e aquilo me deixava ainda mais desesperada.
De repente, alguém me pegou pelo braço. E bateu minha cabeça na parede. E, aí, tudo ficou escuro.

Lottie's POV
Eu não sei o que estava pensando quando simplesmente comecei a correr no meio do escuro. Eu sentia/ouvia alguém me seguindo, e rezava para ser Annie. Tropecei em algo, mas tentei continuar correndo. Parecia uma cabeça, mas tentei não pensar nisso.
 Fui tentar descer as escadarias, mas não deu certo. Digamos que eu mal consigo descer escadas correndo com luz, então no escuro... Eu capotei, saí rolando, me machuquei inteira, e acabei sendo pega.
Eu: me soltem! Me soltem, vagabundos! - gritava, desesperada. Em vão. - ANNIE! - ela não respondia. Ninguém respondia. Eu me soltei dos braços do cara e corri mais, mas eu estava muito ferida e acabaram me pegando novamente.
Fui levada para um quarto fechado, após me baterem várias vezes na parede, tentando me fazer parar. Eu sangrava nas pernas, nos braços, na boca... Eu sentia o sangue escorrendo e se misturando com as lágrimas e com o suor, e eu estava desesperada.
 Me trancaram naquele quarto fechado e abafado, sem luz e pelo jeito sem ventilação. Eu batia na porta desesperada, gritando, pedindo perdão por qualquer coisa. Ninguém me ajudava, ninguém dava um simples sinal de vida. Eu estava acabada. Não tinha mais saída.

Aria's POV
Eu acordei devagar, abrindo os olhos, e aí percebi que... eu não conseguia abrir os olhos.
Havia uma venda na minha boca, e meus olhos estavam na parede do lugar minúsculo onde tinham me colocado. Eu comecei a me debater, mas não tinha muito lugar para fazer barraco. Eu estava desesperada. Com minhas mãos, mesmo amarradas, consegui tirar a venda da minha boca, e foi aí que eu percebi que minha cabeça e minha boca sangravam, e muitos lugares doíam, e provavelmente estavam sangrando também. Eu tentava me liberar, mas não conseguia. A caixa balançava de um lado pro outro, e eu ouvia homens conversando bem perto.
Eu: E-ei! - tentei gritar, mas saiu mais como um gemido. Eu parecia estar despedaçando. - M-me tirem d-daqu-iiii... - tentei dizer. Apenas umas gargalhadas malévolas vieram do lado de foram do lugar.
Xx: Está confortável essa sua caixinha, Aria Candellari?
 Eu gelei. Eu sabia que eu conhecia aquela voz, só não sabia de quem era. Merda. 
Eu: Sair... Daqui... - eu estava perdendo até a convicção das frases, pois o ar estava muito pouco lá dentro, sem dizer a dor.
Xx: Ah, não, você ainda não pode sair, querida. Ainda não chegamos onde queremos.
 Depois de uns minutos, enquanto eu estava tentando me concentrar para pegar todo o ar possível, a voz conhecida disse "Aqui.", e me jogaram de mais ou menos 1 metro do alto para o chão. A caixa bateu com tudo no chão, e eu caí rolando. Voltei para dentro da caixa, tentando respirar e raciocinar. A luz me cegava, o ar me congelava, e o medo me dominava.
Xx: Qual é, Senhorita Candellari, tá com medinho? Logo você, que sempre diz "posso fazer tudo"? Que menininha mais falsa. Nós odiamos pessoas falsas, não é mesmo pessoal?
 Dois "armários de quatro portas" assentiram. Sério, eles eram enormes.
Eu: O... O q-que querem d-de mim?
Xx: Que tal sua vida?
Eu: Que tal meu celular?
Xx: Já está bem o suficiente para fazer gracinhas? Muito bem, saia daí.
 Eu continuei no meu lugar, de olhos fechados. Ela estalou os dedos, e um dos caras quebrou a caixa em cima de mim. O outro me pegou por um ombro e simplesmente me levantou, em um ombro. Troglodita.
Olhei em volta, mas todos estavam emcapuzados. Apenas a menina estava com uma máscara especial, que dava para aparecer os cabelos dela.
Eu: Você não vai nos manter aqui por muito tempo, Harry vem salvar a gente.
Xx: Senhorita Aria... Você é uma assassina, não a mulher do Harry. (gif)
Eu: Eu não disse que sou a mulher do Harry, essa é a Annie e... mas, pera, assassina? Eu não matei ninguém!
Xx: Não? - ela deu uma risada demoníaca - Você mata as pessoas por dentro, Candellari. E agora queremos matar você também.
Eu: ... Por dentro?
Xx: Por todos os lados possíveis.
Eu: Não.
Xx: Sim, meu amor. Agora você vai pagar por todas as pessoas que você menosprezou. E, olha, são muitas.
Eu: Quem são vocês?
Xx: Acha mesmo que vou falar? Eu não sou burra como você, Aria. Mesmo você estando praticamente morta, eu não vou dizer quem sou eu.
Eu: Eu conheço você.
Xx: Possivelmente.
Eu: Você é da escola.
Xx: Nada confirmado.
 Ela me confundia a cada pergunta que eu fazia. Eu estava exausta.
Eu: Já podemos pular pro final? Onde vocês me libertam depois de um susto?
Xx:  Não vamos te soltar, já disse. Agora, vou te contar por todos que você vai morrer.
 Tô fudida.

Annie's POV
Acordei bem devagar, em um lugar fechado, escuro, quase sem ventilação. Eu suava e sangrava. Me sentia dolorida por todo o corpo. O lugar era, pelo menos, mais do que as caixas que havíamos visto. Eu olhei para os lados e vi que ainda estava naquele pesadelo.
 Eu estava perdida. Eu não sabia onde estava, não sabia que horas eram, não sabia quem ainda estava vivo. Eu estava sem esperanças, então nem tentei gritar, ou me debater, ou qualquer coisa do tipo.
 De repente, coloquei a mão no bolso e senti algo: meu celular.
Eu tirei, e vi que ele tava com 1 pontinho de sinal, dependendo de pra onde eu apontava. Eu vi um pouco de esperança no meio do nada. Chorei desesperada - mas em silêncio -, e comecei a digitar uma mensagem.
"Harry, é a Annie. Pelo amor de deus, eu tô presa no 10º andar do predio abandonado que ia ter a festa, eu nao sei se voce veio mas PRECISA ME TIRAR DAQUI! uns maníacos pegaram a gente e eu to presa num quartinho sem ventilação e por um milagre de deus n confiscaram meu cll, e ele só tem 10% de bateria, quase nada de sinal, PFV liga pra polícia e pros pais das meninas, vem me salvar, eu te amo, eu não quero morrer, eu te amo demaisss"
Eu: Por favor... - dizia à mim mesma, bem baixo. - ... Faça com que envie, pelo amor de deus... Enviar.
 Carregou, carregou, carregou... Fail. Eu não sabia se meu celular mandava a mensagem assim que achasse sinal ou se eu tinha que ficar apertando enviar, então decidi gastar o resto das minhas forças tentando levantar e achar sinal.
Eu caí na primeira tentativa, fiz um esforço do caralho para não gritar, e tentei de novo. Com o celular, iluminei o quarto em volta e só haviam alguns insetinhos pequenos e uma pia quebrada. Resolvi que era melhor eu não tentar encostar na pia, ou eu mesma me mataria com aquela porcelana pontiaguda. Me apoiei nas paredes cheias de limo, e comecei uma escalada de vida ou morte. Eu precisava nos salvar.

Lottie's POV
Eu estava sentada no chão, procurando ar, quando abriram a porta. Eu ia levantar de supetão, se eu ao menos tivesse forças. Dois "gigantes" chegaram. Um deles entrou no quartinho - pois só um cabia -, me pegou pelo braço, e me levou pra fora. A luz me cegava. E era luz do dia. Quando fomos levadas era mais ou menos 2/3 da manhã, e agora já era de dia! Dormimos por mais de 3 horas!
 Ele foi me levando à força, vendada, até chegarmos à uma outra sala, que era bem clara e fria. Na verdade, era uma cobertura totalmente acabada, cheia de mofo e sem paredes, só o frio de começo de manhã sobre nós, com vestidos curtíssimos.
Meu medo, na verdade, é que eu fosse estuprada. Ou morta. Mas os dois seriam ruins. Cheguei lá, e Aria estava ajoelhada, chorando, tentando gritar "pare, pare", com sangue escorrendo pelo chão se misturando com as lágrimas. Eu fiquei desesperada.
Eu: Aria! Não! - disse, tentando me soltar deles, mas um dos caras me deu um puta soco na barriga, que me fez encolher de dor.
Eles não me soltavam por nada, ia com certeza ficar marca das mãos deles. Eu olhei para a mulher que torturava Aria só com palavras - igual ela fazia com todos -, e identifiquei a voz dela. Impossível.
Eu: Não pode ser. É você.
 Ela me olhou. Mesmo com a máscara, eu consegui ver o desespero no rosto dela. Ela colocou o cabelo para dentro da máscara e continuou falando, mudando um pouco a voz. O cara que me segurava veio e sussurrou no meu ouvido "ela muda de voz a cada hora, você não sabe quem é ela". Eu apenas assenti, para não levar outro soco, mas eu não concordava com isso.

Aria's POV
Meu desespero era infinito. Ela me atingia com palavras. Ela sabia cada palavra que eu tinha falado com cada pessoa. Eu chorava as lágrimas dos outros, eu me machucava pelos outros, eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Realmente não sabia. Eu estava sangrando, chorando, caindo, sendo devastada. Era horrível. Eu sentia eu me despedaçando por dentro. Era impossível lidar com isso.
Xx: Está muito desconfortável?
 Eu não conseguia responder. Eu fiz que sim com a cabeça, bem devagar. Ela riu. Os capangas riram também. Eu sabia que Lottie estava atrás de mim, mas eu não podia olhar para ela, ou eu me mataria. Eu não sabia onde estava Annie, e eu não sabia se tinham a matado ou sei lá o quê. Eu não sabia onde estava, com quem estava, que horas eram, ou qualquer outra noção importante. Eu apenas estava vítima da morte lenta e dolorosa que cada pessoa que um dia eu magoei queria que eu tivesse. Aliás, Lottie havia dito isso quando estávamos juntas, quando eu contei seu segredo. Se a moça deixasse, provavelmente ela me mataria. Eu não sei se Annie me mataria, mas eu só conseguiria fazer uma lista de "Quem Provavelmente Deseja Me Matar" se eu tivesse mais 1 ano de vida. Pois é.

Annie's POV
Eu estava quase sem ar, quando eu finalmente consegui mandar a mensagem. Eu apaguei todas as mensagens, tanto as enviadas quanto as da caixa de entrada. Eu exclui os aplicativos e tirei todos os apelidos da agenda, caso eles pegassem eu celular. Eu estava sentada novamente quando eu ouvi Lottie gritando o nome de Aria, e um arrepio subiu pela minha espinha.
 Dois caras bombados abriram a porta do meu quartinho, mas deu tempo de eu guardar o celular no casaco. Eles me arrastaram - literalmente, me arrastaram por um braço pelo chão - até chegar em uma sala fria, onde estavam Lottie e Aria. Aria.
 Aria estava jogada no chão, sangrando e chorando, como que morrendo de dentro para fora. Era horrível de ver. Eu queria que os policiais chegassem logo para acabar com tudo isso.
 Fiquei ao lado de Lottie, depois de levar alguns socos dos capangas, e resolvi ficar quieta. Uma hora, ela estalou os dedos, e eles nos levaram para fora do lugar. Lottie se rebatia, querendo ajudar Aria. Eu também queria, mas resolvi não me debater - levei muito mais chutes e socos do que a Lottie, eu sangrava em todos os lugares possíveis.
Nos jogaram no canto de uma sala, com as mãos e os pés amarrados. Nos amarraram também ao pé da mesa e uma na outra, pelos pés. E, depois, eles fugiram. Estávamos quietas, apenas chorando, quando eu ouvi a mulher de lá de dentro gritar, com uma voz masculina totalmente diferente:
Xx: ISSO É POR TUDO QUE JÁ FEZ POR TODOS, VADIA! - e, então, alguns gemidos e grunhidos. E silêncio. 
 Ela abriu a porta, sorriu para nós, e foi embora, fazer parkour junto com os capangas. Eu e Lottie tentávamos sair, mas o quarto também não tinha ventilação, e como estávamos grudadas, se uma tentasse, as duas desmaiavam.
 Ficamos esperando, e finalmente, ouvimos barulho de sirenes. E ambulâncias. E uma voz conhecida. Harry.

Harry's POV
Quando recebi a mensagem da Annie, entrei em desespero.
Liguei para John e Fizzy, e Kim, irmã de Aria. Disse à todos para esperarem no térreo do prédio que eu ia subir com a polícia, mas John quis ir junto. Os policiais disseram "Não façam perguntas, não gritem, não as assustem, não os abracem muito forte, não diga nada constrangedor, revelador ou tocante. Elas provavelmente estão em maus estados, e eu não quero nenhuma das duas mariquinhas se matando de chorar pelas garotas. Ouviram?
Eu: Sim, claro.
John: Tudo bem. - disse ele. Ele já parecia meio tocado.
 Subimos pelos elevadores acabados do lugar - 10 pessoas em cada elevador. Dois elevadores. Não sabíamos o que esperar.
Tinham, além dos policiais de armamento, policiais de perícia, enfermeiros, médicos, um pessoal autorizado pra tirar foto dos lugares e das coisas pra fazerem teste depois, e mais uma porrada de coisas do tipo.
 Nós subimos correndo, e eu era o segundo, entre dois policiais.
Assim que entramos, o cheiro de sangue. mofo e bicho morto dominava o lugar. Era quase sem ventilação, com exceção de dois quartos que tinham janelas, e um deles era a escada que dava na cobertura enorme do lugar.
Entrei no 1º quarto: nada. John entrou no segundo, também não as achou. Até que eu ouvi um "mrmrmhrmhrr" vindo do quarto do outro corredor. Corri e abri a porta. Eu as vi jogadas num canto do quarto, amarradas de todas as formas possíveis e fui correndo soltá-las.
Eu: O que houve aqui?! Vocês estão dois palitos! Que pálidas! O que foi isso?!
Policial 1: Sem perguntas, rapaz. Vai piorar a situação delas. As solte e já deixe os médicos levarem elas.
 Eu assenti. Terminei de desamarrar Lottie, e ela caiu no chão novamente. Um dos médicos a pegou e a levou para a maca. Eu terminei de me desamarrar Annie e a coloquei de pé com toda a minha força, pois ela não tinha nenhuma. Ela só conseguiu me abraçar e dizer:
Eu: S-S-Soz-zinha... Eu... Q-q... Morri... V-você... Salvou... Ah... Anjo. Te amo.
 Ela parecia apavorada, e com razão: estava bem mais magra, pálida, suando, cheia de machucados e cortes, chorando demais, com sangue pelo corpo todo, roupas sujas como se tivesse rolado no chão... Foi horrível vê-la naquele estado, mas mandaram eu não as importunar, então, antes de levá-la para os médicos, a abracei e disse, com calma e carinho:
Harry: Calma querida, vai ficar tudo bem, eu estou contigo. Eu não vou mais me separar de você, nunca mais. Eu vou estar contigo para sempre. Nada de mal vai acontecer mais. Você está protegida. Calma...
"Eu me lembro das lágrimas escorrendo pelo seu rosto quando eu disse 'nunca te deixarei ir embora', quando todas as sombras quase acabaram com a sua luz. Eu me lembro que você disse 'não me deixe aqui sozinho'.
Mas nesta noite tudo está morto, acabado e já passou."

Lottie's POV
Quando vi Harry chegando e me desamarrando, era como se um sonho tivesse se tornado realidade. Eu não ia morrer. Não hoje. E eu estava tremendamente feliz. Eu abracei o médico com todas as minhas forças e fui para a maca. Assim que deitei, John apareceu do lado dela.
Eu: A-Amor...
John: Não fala nada, querida. Você está muito mal. Mas vai ficar tudo bem, agora não desgrudo mais de você! Eu te amo, eu te amo e eu te amo! - disse, me dando um selinho. Eu achei fofo, porque isso era um ato de coragem, já que minha cara parecia sei lá o quê.
 Por fim, consegui dizer:
Eu: Eu.. Te amo. (gif)
De repente, um dos policiais chamou todos os outros, eu queria saber o que era mas não podia sair de lá. John correu até lá e deu uma olhada. Ele se assustou, e então voltou com calma até mim.
 Ele olhou para mim, pegou minha mão, suspirou e disse:
John: Lottie, a Aria está morta.
"O que não te mata te faz mais forte, te faz sentir melhor, não significa que estou só quando estou sozinha.
O que não te mata te torna uma lutadora, deixa os passos mais leves, não significa que estou acabada só porque você se foi."

Aria's POV
Quando ela mandou as meninas saírem, ela apenas disse:
Xx: Parabéns, conseguiu destruir sua vida. Viu no que dá pisar nos outros? Viu no que dá se achar? Viu? Que bom, espero que aproveite isso... - ela deu um sorriso cruel - ... Na sua próxima vida.
 Então, ela gritou algo, e me esfaqueou.
 Tudo ficou preto, e, então, adeus.

Insultei as pessoas. As humilhei, as xinguei, as menosprezei, as iludi, as fiz mal... Eu sei disso. E agora estou pagando o preço por essa escolha fria e sem coração de uma menina-mulher horrível. E eu não mudaria nada.
"Ela não vem com nenhuma direção, ela me mantém adivinhando e dói meu cérebro.
Ela pode fazer o que ela quer comigo, eu sou uma vítima disposta. (...) Não tente me salvar, porque eu estou muito, muito longe. 
(...)
Ela sabe como me tocar, e
la me deixa arrasada. "

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Ooi! Gostaram do cap??
Uma pena pela Aria, né? Mas foi bem divertido escrever esse capítulo sfjsafkla eu peço desculpas pelo tamanho gigante, mas é que eu queria compensar a semana que eu não fiz nenhum capítulo, então acoplei dois capítulos em um! O outro será menor, juro.
xoxo