domingo, 25 de outubro de 2015

Iris - Cap. 4 War is Love

Cherry's POV
- Valeu, meninos! - disse, saindo do carro com as minhas malas. Eles acenaram de volta e foram embora.
 Entro em casa, toda feliz, faço um café, dou oi para meus bebês - Hiro, Annie e Pearl foram alimentados pela empregada esses dois dias, mas mesmo assim estava preocupada e cheia de saudades deles! Tweeto muito feliz que estou aqui novamente, e vou verificar minha agenda para a semana... e, puxa, quanta coisa!
 Essa semana saio numa pequena turnê pelos EUA, e, quando voltar, daqui dois meses, tenho outra premiação em que os meninos do One Direction também vão estar! E, o melhor: eles têm alguns compromissos na Califórnia bem quando eu vou estar lá, e já planejamos algumas bagunças para fazermos...
 Ligo para Selena e digo para ela ir jantar em casa, que tínhamos que botar o papo em dia. Obviamente, só não contaria o fato de Larry ser fucking real, mas, de resto, queria contar tudo!
Ela chegou em menos de uma hora, pedimos pizza e passamos a noite conversando, eu contando sobre os meninos, sobre os planos que fizemos e tudo mais.
- Puxa, parece que você ficou a best friend da banda, hein, espertinha? - disse, num tom malicioso.
- Deus, você não presta! - digo, rindo. - Você sabe, eu os amo desde, tipo, sempre, e eu acho que eles gostaram do meu jeito louca-mas-equilibrada, e sei lá... Eu gosto muito deles. Tipo, eu já gostava deles, mas agora, eu os conheço, sabe? É tão estranho isso... E, diferente do que muitos me falaram que aconteceria, eu não me decepcionei. São generosos e simpáticos e fofos como eu imaginei que fossem, e se irritam com as coisas que eu imaginei que se irritavam, e se amam do jeito que eu imaginei que se amavam. Isso é incrível!
- Incrível mesmo! De verdade! Queria eu ter tido a sorte de ter vindo ao sucesso com foco em quem queria conhecer, de quem eu queria me tornar amiga... É tudo tão de repente, né?
- Eu que a diga. Ai, Sel, como vou durar sem você por dois meses longe?!
- A gente aguenta, amore, a gente aguenta! - ela disse, me abraçando e rindo. A campainha tocou. - PIZZA! VAI, VAI ATENDER!


No meio da semana, peguei o avião e comecei a turnê, Muitos shows, muitas entrevistas, muitos meetings, muitas caretas para fotos, muitos papparazzis, muitos fãs desesperados, muitas cartinhas fofas, muita comida boa. Era sempre assim em solo estado-unidense. Todos os shows deram muito certo, a galera é bem receptiva. E, claro, não deixei de falar com os meninos pelo celular. Cheguei a ser gravada pelos fãs conversando com o Harry pelo Facetime! Eu e ele estávamos bem próximos, a gente se identificava bastante.
 No dia da premiação, nos encontramos novamente. Abracei os meninos super forte e ficamos grudados a premiação toda, já que nos colocaram bem perto uns dos outros - eu na fileira da frente, e os cinco atrás. E, claro, levei muitos cascudos deles ao longo da noite.
 Ganhamos vários prêmios e condecorações - todos comentando sobre o meu modelito, que ganhou, novamente, como melhor look da noite -, posamos no tapete vermelho e tudo mais, e a noite acabou. Dessa vez, nenhum de nós foi para alguma after party, e acabamos nos reunindo e jantando em um restaurante conhecido. E, como sempre, não pudemos prolongar demais, porque o lugar começou a ficar muito rodeado de fãs e papparazzis. Antes de irmos, eu no meu carro e eles no carro da banda, Liam virou e disse:
- Ei, amanhã faremos um show aqui, não quer vir conosco? No backstage, claro.
- Claro! - disse. - Apenas me passe as informações e estarei lá.

 

  Cinco meses se passaram, e fomos ficando cada vez mais próximos. Até que os meninos começaram uma nova turnê, e eu fui convidada para abrí-la, primeiramente só na Europa, mas quem sabe...
 Liguei para Selena e a avisei, e depois liguei para os meus pais, já que ficaria muito tempo sem vê-los. Peguei um avião e fui até minha cidade natal, e passei três dias com eles, para matar a saudade, cuidando dos preparativos para a turnê à longa distância. Depois, voltamos os três para minha casa, e eu ia trabalhar enquanto eles aproveitavam a cidade. Eu corria atrás de figurino, setlist, passagem de som, horários na agenda, e tudo mais. E, claro, ainda haviam todas aquelas entrevistas do tipo "ai meu deus, você vai abrir o show do One Direction".

 Depois de dois meses, a turnê começou. E eu iria, pela primeira vez, abrir um show dos meninos. Eu estava tão feliz, tão animada, que não conseguia parar quieta. Cheguei no estádio, fui para o camarim, começaram a me arrumar, e depois de uma hora os meninos chegaram. Nos comprimentamos, conversamos por alguns minutos, e eles foram se arrumar, e eu fui para trás do palco. Todos me desejaram boa sorte.
- Você é a nossa sorte, então acho difícil você não ter sorte para si mesma - brincou Louis.
- Você vai se sair muito bem, Chloe. Relaxe - disse Nial, sorrindo carinhosamente.
 Os abracei, e me preparei para entrar.

- Vocês estão aí?
 Gritos histéricos me responderam.
- E vocês estão prontos?
 Mais gritos. E, então, eu entrei. E os gritos aumentaram ainda mais. O show era deles, mas gritavam o meu nome. Gostavam de mim.
 Eu fiquei com receio de que, por andar muito com os meninos, me odiassem. Mas nã
o. Elas gostavam de mim. Entrei, desfilando ao som da batida, e comecei meu show. Comecei com as músicas mais conhecidas, e as garotas cantavam comigo.
 Parei uma hora para "conversar". Perguntei como eles estavam, se estavam cansados, e se queriam ver o One Direction - e, nessa hora, quase fiquei surda. Voltei a cantar, e, quando olhei pro lado, os meninos estavam ao lado do palco, pulando, gritando, cantando e batendo palmas. Eu sorri para eles.
No fim do show, todos gritaram e aplaudiram por mais de um minuto. Eu esperei as coisas se acalmarem para falar.
- Muito, muito obrigada por terem me recebido tão bem, eu me sinto muito acolhida por vocês. Que seja um show inesquecível. Amo vocês!
 Voltaram a gritar mais e mais, e eu saí do palco. Os cinco já estavam me esperando logo na saída, e me abraçaram, me beijaram, me pegaram no colo, fizeram uma bagunça. Me agradeceram por estar lá, e eu agradeci de volta. Agora, era a vez deles. Eles tinham vinte minutos antes de entrar. Aproveitamos para tirar fotos, fazer vídeos, rir, conversar, fazer bagunça.
 Quando eles entraram no palco, muitos gritos. Cantaram duas músicas e depois fizeram uma pausa não programada.
- Vocês estão bem? Estão gostando? - Gritos. - E vocês gostaram do show de abertura? - Os gritos, por incrível que pareça, ficaram mais altos. - Que ótimo! Porque ela estará por aqui por muito tempo! Vem cá, Cherry, venha rever seus amiguinhos da plateia!
 Eu fiquei pasma e entrei de novo no palco, rindo.
- Palmas para Cherry, pessoal! Nosso trevinho!
 Muitas palmas e gritos surgiram. Eu os abracei, feliz.
- Você quer cantar uma música com a gente? - perguntou Zayn.
- Claro!
 E, então, cantamos Infinity juntos. Me deixaram nas partes agudas, com Zayn. Nos divertimos muito, zoando pelo palco e recebendo a aceitação do público como resposta. Quando a música acabou, mandei um beijo generalizado no ar e saí novamente.
- Essa menina é incrível - disse Harry para os meninos, mas no microfone. O público gritou. E eu corei.



 Duas semanas depois, acabamos a maior parte da Europa. Fui chamada para abrir os shows dos Estados Unidos, também. Me arrumei no camarim, dessa vez com roupas mais confortáveis porque estava calor. Chegando lá, estavam todos muito feliz, Louis e Harry agarradinhos no camarim, se arrumando, Zayn afinando a voz, Niall sorrindo todo feliz por me ver.
- Algum motivo especial para os dois ali estarem tão grudados? - pergunto, apontando para eles.
- Hoje eles fazem aniversário de namoro, ou aniversário de quando se beijaram, ou sei lá o que eles comemoram... ninguém entende o relacionamento deles - diz Liam, dando de ombros e sorrindo.
 Sorrio e concordo, e vejo alguns produtores do show olhando feio para eles. Isso é tão ridículo, não deixarem os dois se exporem.
 Eu fiz o meu show, tudo deu certo, e depois eles fizeram o show deles, eu fiquei nos bastidores, gritando, rindo, ajudando eles na pausa, gravando tudo e postando no Twitter, no Snapchat, no Instagram. Eu estava tão feliz, me sentia tão agradecida... Poder estar no backstage da sua banda preferida, ser convidada deles, cara, é inestimável. Louis e Harry inclusive se abraçaram, só os dois, no meio do show, uma hora. E Harry cantou "I'm in love with Lou", de novo. E Louis sorriu, todo orgulhoso. E os produtores atrás de mim ficavam inquietos.
 Quando eles saíram, os abracei, feliz. Embora estivessem suados e aquilo fosse nojento - pra quê pular tanto no palco, Deus? Estávamos todos conversando sobre o show, logo na saidinha do palco, quando um dos produtores "maiorais" chegou perto e falou, sério:
- Louis. Harry. Simon. Agora.
 E foi embora, sem mais. Todos nós nos entreolhamos, e os meninos se dispersaram. Harry pegou Louis pela mão e os dois foram em direção ao camarim do Simon, soltando as mãos antes de entrar. Fui beber água, ir ao banheiro, ver minhas notificações no celular, tirar umas fotos naquele espelho de camarim super legal com os meninos. Quando passei em frente a porta do camarim de Simon, ouvi choro. E berros irritados de Harry. Não aguentei e parei para escutar.
- Vocês estão passando dos limites! - gritou Simon.
- Não, vocês estão tirando nossos limites! Não podemos mais fazer nada, e você sabe disso! - gritava Harry, com uma voz mais furiosa do que a daquela briga com Louis.
- Simon, nos deixe em paz... - disse Louis, em meio o choro. Harry bufou.
- Louis, cale a boca. Pare de chorar. - disse Simon, sério. - Harry, eu estou falando sério. Vocês foram longe demais hoje.
- É nosso aniversário! - Harry gritou, deseperado. - Você já arrumou show para não nos deixar comemorar, e nós não podemos mais nem nos sentirmos felizes?
- Já está decidido, Harry. Você vai ter outra namorada. E essa vai durar.
- Simon, eu não vou me submeter à uma "Eleanor" na minha vida, também. Não quero nenhuma garota como minha sombra. Isso é ridículo.
- Eu vou arranjar uma amiga sua.
- NÃO IMPORTA SE É CONHECIDA OU NÃO, EU NÃO VOU FAZER ISSO!
- OU É ISSO, OU É RUA - berrou Simon, fazendo Louis parar de chorar e Harry se calar. - E vários meses separados, também. Você sabe que é esse o castigo. E eu posso deixá-lo cada vez pior. Eu separo os dois por um bom tempo, arranjo uma briga, os dois saem da banda. Eu faço o que quiser. Você vai fazer isso.
 Ouço passos, que suponho ser Harry indo até Simon.
- Me obrigue, seu merda.
 Eu sei que Simon não resistirá provocações por muito mais, então entro na sala, sem pensar mais sobre o que devo fazer.
- Eu serei a garota.
Os três param e olham para mim. Suspiro e continuo:
- Eu estava ouvindo a conversa. - Olho para Simon. - Sinto muito. Foi sem querer. - Olho para Harry. - Eu sei que você não quer isso, mas você ouviu Simon. E eu não quero que nem 1% daquilo aconteça. Chega de castigos, Harry. Eu serei a garota.
- Ótimo. Menos trabalho - diz Simon.
- Não faça isso - diz Harry, olhando para mim com uma cara de incerteza.
- Harry, eu estou falando sério.
- Eu também. Bem mais sério que você. Esse cara - diz ele, apontando para Simon - é um manipulador, um mal caráter, ele vai dizer que é por uns meses, e vai aumentando tudo, e vai nos enrolar nisso para sempre. Eu não quero mais gente nisso.
- Você ainda não percebeu que eu não ligo pro que você quer ou deixa de querer, Harry? - diz Simon, passando por Harry para falar comigo. -  Escuta, eu teria que fazer um contrato, tudo dentro das regras, para um ano, com pagamento, sincronismo nas agendas, e tudo mais. Não é só uma brincadeirinha, é trabalho.
- Eu faço até de graça, Simon.
- Não faz, não - diz Louis, rindo sarcasticamente, como se dissesse "Se soubesse o que vem por aí..."
- Cale a boca, Louis - disse Simon, novamente. - Eu te levo o contrato no máximo amanhã, no seu hotel, e você tem que assiná-lo e trazê-lo de volta para mim. É para ser namorada do Harry, não amiguinha fofa, entendeu, amorzinho?
- Entendi - disse, e, quando ele ia se virar, segurei seu ombro. - Mas você tem que entender também, que eu vou ter minhas condições. Você vai tratá-los melhor de agora em diante, com ou sem a minha presença, porque isso pode ser considerado homofobia sim, sua e de toda a equipe que fica de complô com você. E eu não vou doar todos os meus finais de semana para ele. E nós não somos Barbies, nós agimos como quisermos, contanto que estejamos dentro do quesito "namorados". Entendeu, amorzinho? - digo, imitando ele. Vejo Harry e Louis darem um pequeno sorriso atrás de Simon.
 Simon assente, com uma cara meio desconfiada e preocupada.
- Entendi. - Ele olha para trás. - Vocês três, caiam fora daqui.
 Harry e Louis saem na minha frente, e eu vou depois, fechando a porta com força.
Quando me viro novamente, vejo Louis e Harry abraçados. Harry consola Louis, que começa a chorar de novo. Os deixo a sós por um minuto, mas logo depois Harry vem atrás de mim.
- Cherry...
- Pode me chamar de Chloe, sabia? - digo, sorrindo fraco. Ele sorri de volta.
- Chloe... Você tem certeza de que quer fazer isso? Quer dizer, ele vai virar tudo de alguma forma.
- Não, ele não vai.
- Você não está entendendo... Você acha que está no controle, mas não está, entende? Ele já fez isso antes.
 Eu o olho, com calma.
- Foi o que ele fez com vocês dois, não foi? - pergunto, com delicadeza. Harry assente, abaixando a cabeça e diminuindo o tom de voz.
- Eu achei que seria melhor para nós dois. Que isso nos salvaria, e que logo poderíamos voltar a nos aproximar. Mas foi ficando cada vez pior. - Ele olha para mim. - Eu só não quero envolver mais gente que eu gosto nisso.
- Harry, preste atenção... - eu chego mais perto dele e coloco minha mão em sua bochecha, acariciando-o - ... Nós vamos reverter tudo isso, ok? Eu juro. Agora vai dar certo.
- Eu só quero que você nos traga mais sorte do que já trouxe, Cherry - diz ele, me abraçando.
 Nós temos um longo caminho para percorrer.


 Volto para o hotel com tudo aquilo na cabeça. Passo horas e horas pensando no que dissemos. Nenhum dos meninos me chama para conversar esta noite, e eu não os chamo. Fico só pensando em tudo que eu reivindicaria, e como tudo isso seria. Como nós agiríamos. Como ficaríamos, nossa verdadeira relação. O que eu teria que falar até mesmo para os meus maiores confidentes. Será que eu sei mentir à esse ponto? Será que tudo isso vale a pena?
Deito, mas não durmo. Fico me revirando e pensando, pensando e me revirando. Levanto, vou ao banheiro, deito novamente. Levanto, vou comer algo, deito novamente. Me reviro mais um pouco. Não, eu não vou dormir.
 Lá pelas quatro da manhã, consegui dormir, e às dez eu já estava de pé. Tive uma entrevista, em que tentei relaxar ao máximo. Almocei em um programa local de culinária para o qual fui convidada, fiz um pocket show e voltei ao hotel, só para trocar de roupa e sair novamente. Conversei com Selena sobre coisas aleatórias, para tirar o estresse. Quando tive um momento de paz, de volta ao hotel, já eram seis da tarde. Coloquei moletons e me joguei debaixo das cobertas, me preparando para ligar pra recepção e pedir algo quentinho para beber, mas, então, me interfonaram. Harry Styles estava lá em baixo me esperando.
- ... Pode subir, obrigada - disse, desligando rapidamente. Dei mais umas remexidas na cama antes de tomar coragem e levantar.
 Vou até a porta e abro, sem esperar ninguém bater, mas, por coincidência, Harry já estava com a mão fechada, pronta para bater na porta. Ele sorri.
- Visita surpresa? - pergunto, realmente surpresa.
- Sim! Tipo, é, eu precisava trazer isso - disse ele, mostrando uma pasta na mão dele -, mas ele disse que seu advogado precisa ver, então ele está vindo do quarto ao lado. E, bem, como isso deve demorar, porque são muitas folhas e ele precisa pensar e aí vocês precisam conversar e pensar e só depois assinar, eu pensei de irmos jantar em algum lugar. Eu pago - ele sorriu.
- Claro que não, louco - digo, séria. Seu sorriso murcha. - ... quem paga sou eu! Entra aí, vou botar alguma coisa nos pés.
 Ele olha para baixo, me vê com meias de flanela e ri, assentindo. Ele entra e eu ponho a primeira bota que vejo na frente, prendo meu cabelo e pego meu celular. Não, eu não me importava de estar usando um moletom de dois anos atrás, nem de nada estar combinando, e muito menos do meu cabelo estar uma droga. Afinal, agora eu vou ter um namorado, e ele vai ter que me amar de qualquer jeito.
 Saímos e fomos com o carro dele para o restaurante mais casual e bonitinho que achamos por perto. Claro que muitos nos viram pelo caminho, e isso incomodou Harry, mas eu não ligava. Paramos o carro e logo vários fãs vieram atrás de nós. Mas, em vez de deixar Harry escapar como sempre, o puxei e cumprimentamos todas, tiramos fotos e conversamos um pouco - eram umas 20 pessoas, não ia fazer mal.
- Vocês estão namorando??
- Estão saindo?
- Isso é um encontro??
- Se beijem?!?!
- Sim, se beijem!
- Eles são namorados agora?
 Essas foram algumas das perguntas soltas que ouvimos, mas não respondemos nenhuma, só conversamos casualmente, sorrimos e tiramos fotos. Uma última pessoa perguntou sobre nós antes de entrarmos, e Harry disse:
- Dois amigos não podem mais sair para comer? Se eu sair com um dos meninos, vou estar namorando ele também?
- Só amigos, queridas, só amigos - disse, carinhosamente. Não que Harry tenha tido a intenção de ser grosso, mas do jeito que a mídia é, é melhor sempre darmos uma acalmada nas coisas.
 Jantamos, conversamos, tiramos fotos e rimos a noite toda. Mas chegou a hora de ir pra casa. Embora não tivessem se passado nem três horas, já era tempo o suficiente para o meu advogado terminar de ler a papelada pelo menos umas cinco vezes, então era melhor voltarmos.
Voltamos, e, ao entrarmos no quarto, já vimos meu advogado.
- Ei, olá, Doutor - disse, entrando no quarto e apertando sua mão. Harry a apertou logo atrás. - Esse é...
- ... Harry Styles -, completou ele. - Como não saber, não é mesmo? Sente-se aí, senhorita Chloe, porque temos muito o que conversar.

 Dei um copo de bebida para Harry e peguei outro para mim. O Dr. me explicou tudo que estava escrito lá: pelo menos oito meses namorando o Harry, com afetos públicos, sincronização das agendas - para nenhum de nós perdermos eventos com isso -, segurança nos observando o tempo todo que estivermos juntos, liberdade do modo de demonstrar o amor - como eu tinha pedido -, respeito das duas partes - também como exigi -, três dias por semana de "folga"... Enfim, muitas coisas. Mas estávamos de acordo. O advogado me deu a caneta para assinar, mas, antes de encostá-la no papel, Harry se pronunciou pela primeira vez desde que havíamos chego. Ele segurou minha mão no ar e disse:
- Você tem certeza de que quer fazer isso? - pergunta ele, com calma, mas apreensivo. - Você entende que não vai ser assim, não é? E que ele não pode mudar isso depois - ele aponta para o advogado.
- Harry, eu disse que iríamos fazer isso. Então nós vamos. Nós vamos mudar esse jogo. Você vai ver. - tiro minha mão da dele e começo a assinar o papel.
- Isso não é jogo - diz ele, baixo. - Jogos tem regras. Isso é guerra declarada.
- Guerra é amor, Harry. E com amor se vence a guerra.
 Terminei de assinar os papéis, o advogado os recolheu e os entregou para Harry. Nos levantamos.
- Parabéns para nós, um minuto de namoro. Cheers! - brindou ele com o copo.
Guerra declarada, pensei comigo mesma. E nós temos que ganhar.


Estávamos melhor não dizendo nada do que um milhão de milhas de distância
É uma tortura aqui neste espaço entre você estar amando-me e deixando-meVocê só ganha se você não desiste; porque guerra é amor, e amor é guerra.

Desculpem - de novo

Gente, tá ficando ridículo eu vir pedir desculpas por sumir já, né? Desculpem, desculpem, desculpem!! Eu já tinha capítulos feitos e não tinha tempo de colocá-los aqui, muita - muita - coisa mudou na minha vida nos últimos meses, e eu não tava legal, enfim, altas tretas, mas vou tentar regular agora, estou nas últimas provas essa semana e depois só em dezembro, então acho que vai dar... Me perdoem, por favorzinho! Amo vocês!

Iris - Cap 3. Friends

 Chloe's POV
Quando saíram do quarto, mais ou menos meia hora depois, tudo parecia bem. Eles estavam bem grudados no começo da escada, mas depois se afastaram e deram um sorriso tímido. Louis estava com os chocolates em mãos, e Harry segurava o buquê.
- E aí, amorecos? - perguntei, ansiosa.
- Está tudo bem. - Louis olhou para Harry e sorriu. - Estamos bem.
- Ótimo!! - gritou Liam, realmente muito feliz. - Já me desculpei com todos eles por aqui, também.
- Sim, estamos todos de boa agora, certo, pessoal? - disse, batendo palminhas e dando um hi-five com Niall.
- Certo, mas será que agora podemos pedir as pizzas? Já passou das nove! - disse Niall.
- Com certeza, estou com muita fome - disse Harry.
 Pedimos nossas pizzas e tivemos um fim de noite maravilhoso, com muita risada, muitos abraços, muito videogame e muita pizza!


As semanas foram passando, e eu e os meninos fomos ficando cada vez mais próximos: todos nós estávamos num pequeno intervalo de compromissos, a não ser algumas entrevistas ou coisas do tipo, então fomos em alguns shows juntos, em um festival que rolou em LA, fui com Harry, Louis e Eleanor à um desfile, e sempre me divertia muito com eles. 
 Eles me apresentaram vários amigos deles, famosos - como Ed, Justin, Sam Smith etc -, outros "meros mortais", como chamamos. E eu também apresentei meus amigos - muitas meninas bonitas para Liam e Harry - que não pareceu se interessar por nenhuma -, e amigos de longa data meus. Inclusive, saímos um dia eu, Harry, Louis, Niall e Selena. Foi incrível! Milhares de fotos e lembranças maravilhosas.

 Outro dia, Niall me ligou me perguntando se não queria aproveitar os últimos dois dias de folga deles para ir para uma praia privada perto de lá, onde eles sempre passavam alguns dias. E eu, obviamente, aceitei! Logo tweetei "fazendo minhas malas para uns dias na praia :) x"
 Em poucas horas, já estava pronta. Deixei os cuidadores com meus bebês - afinal, não dava pra deixar toda aquela galera animal sozinha! Fiz uma malinha com três biquinis, um shorts, uma calça, duas blusas e um casaco - afinal, estávamos na Europa. Cheguei na casa de Niall às cinco da tarde.
- Ding dong, loirinho! - gritei, do lado de fora.
 Niall abriu, todo sorridente, com um Zayn todo descabelado atrás dele.
- E aí, cherry pie? - "Cherry pie" tinha se tornado o apelido dos meninos para mim. - Pronta para irmos?
- Prontíssima! - respondi, animada.
- Tudo bem. - Ele pegou as malas que já estavam na entrada e fomos para o carro - Louis e Harry já estão chegando. Nós vamos em dois carros, já que Perrie e Eleanor resolveram ir, também. São só duas horas de viagem, a gente vai ficar hoje, amanhã e voltamos depois de amanhã, mais para a noite.
- Sem problemas.
 Dividimos o carro como eu, Niall, Zayn, e Perrie em um, e Harry, Louis, Liam e Eleanor em outro.

 Chegamos lá no finzinho da tarde, com um pôr do sol maravilhoso. Sorri ao ver aquele lugar lindo, enorme e deserto, todo para nós. Tinha acesso de wi-fi em todos os cantos da praia, e três cabanas para todos nós. Isso seria muito legal.
- Bem-vinda ao Daydream! - disse Niall, abraçando-me pelo ombro. Eu sorri e o abracei de volta, como que agradecendo.
 Guardamos as malas e logo saímos. Decidimos que iríamos fazer uma fogueira, e assim fizemos. Quer dizer... tentamos.
Decidimos que íamos deixar para Louis terminar o trabalho, já que ele destruiu nossa fogueira quase pronta. Nos dispersamos, e eu fui andar na beira da água. Niall veio logo atrás de mim.
- Posso me juntar à você?
- Claro! - disse, sorrindo. - Então... há quanto tempo vocês vêm aqui?
- Ah, tem mais de uns 4 anos! Mais ou menos um ano depois da banda ser formada, quando estávamos no ápice, conseguimos dinheiro o suficiente e realizamos esse sonho de virmos para um lugar privado, que desse para sermos, ao mesmo tempo, livres e desconectados. É bem difícil achar um lugar assim.
- Concordo plenamente. E vocês não podiam ter escolhido lugar melhor, tipo, olha só essa vista! - disse, apontando para tudo. Ele riu. - Eu mal consigo ver o fim da praia.
- Quer achá-lo?
- Achar o fim da praia?! A gente vai demorar mais meia hora!
- ... Não se a gente for correndo - respondeu ele, dando um sorriso sacana para mim.
 Eu olhei ele pelo canto do olho e sorri.
- O último que chegar vai ter que entrar de roupa na água! - gritei, correndo. Ele riu e saiu correndo atrás, como se fôssemos dois adolescentes despreocupados, com as gaivotas ao nosso redor, o mar em nossos pés, e a lua começando a tomar conta do céu.
 A gente demorou cerca de meia hora para chegarmos. Eu dei uma derrapada bem no final, e ele me passou.
- Ganhei!! Ganhei!! Ahhhhh, você tá ferrada! - disse ele, me indicando o mar.
- Ai, Deus! Por que eu fui inventar isso... - fui indo em direção do mar, e ele foi me seguindo, ainda debochando.
- Meu deus, deve estar muito gelada a água! Tenha uma boa mergulhada aí! Aqui é o máximo que eu chego - disse, parando com a água perto dos joelhos.
- Tudo bem, vamos lá. - Eu disse, virada para ele. - Um... Dois... - e, então, o susto: - TRÊS!
 Eu me joguei em cima dele e o derrubei na água, me equilibrando para ficar de pé. Ele caiu todo desajeitado na água, e voltou à superfície assustado. Ele olhou para mim com uma falsa cara de bravo, e eu rindo muito.
- Ah, acha que vai ficar assim, é??
 Comecei a correr, mas não deu: ele me pegou pelo pé e me puxou para baixo com ele. Acabamos os dois encharcados. Quando consegui me levantar e apertar minhas roupas, Niall me pegou no colo e ameaçou me jogar de novo na água, e eu comecei a gritar, ainda rindo.
- Agora vai ver só, Cherry!! Vai ver só!! Revanche, queridinha!
 Ele acabou me jogando mesmo, mas eu o levei comigo, e ficamos nessa brincadeira por pelo menos mais meia hora. Para voltarmos, entretanto, foi um terror: ficava muito frio conforme ia anoitecendo, e estávamos encharcados. Mas fomos tremendo e rindo, nos empurrando e pulando marolas, contando histórias engraçadas e às vezes apenas apreciávamos o silêncio.
 Voltamos perto das nove horas, e os meninos já estavam com a fogueira pronta. As meninas não estavam por lá, mas eles pareciam rir e se divertir juntos. Era um clima tão família entre eles, que eu me sentia como se estivesse em casa. Fomos diminuindo o som de nossas risadas conforme chegávamos mais perto, tentando não quebrar o clima dos meninos. E eu tive quase certeza de que havia visto Louis e Harry de mãos dadas, mas então Louis foi olhar para Harry, e acabou olhando por cima do ombro dele, e nos avistou. Ele mudou de posição rapidamente e sorriu, feliz.
- Olha aí, os sumidos!
- Oi, gente - disse, com a voz tremida de frio. - Eu vou entrar, mas logo volto aqui. - Corri para o chalé, sem querer ficar nem mais um segundo naquele frio.
- Vocês estão encharcados! - viu Liam - Niall, vai trocar essa roupa agora!
- ... Daddy... - murmurou Niall, indo se trocar.

 Quando voltei, os meninos estavam reunidos novamente. Esperei Perrie e Eleanor para sairmos todas juntas. Eu adorava conversar com elas; Perrie me dava dicas ótimas de maquiagens e jeitos de arrumar o cabelo, enquanto Eleanor era a rainha da moda, sabia o cardápio inteiro do Starbucks e era apaixonada por livros, assim como eu. Assim que ficamos prontas, saímos juntas, conversando e rindo, e novamente diminuímos o volume ao vermos os meninos juntos. Harry e Louis pareciam, novamente, muito colados, mas antes que eu tentasse ver novamente, Eleanor gritou:
- Boa noite, senhores!
 Eles se viraram, Harry e Louis se ajeitaram, e Louis sorriu.
- Boa noite, senhorita.
 Ela se sentou na cadeira ao lado dele, eu sentei entre Niall e Harry, e Perrie sentou entre Zayn e Liam.
- Trouxeram marshmallows? - perguntou Niall.
- Claro que sim, seu fominha - mostrei o pacote em minhas mãos.
- Então, abre aí!
 E passamos o fim da noite assim, comendo marshmallows, rindo, contando histórias e fazendo gracinhas.

 No dia seguinte, acordei cedo, e as meninas ainda estavam dormindo. Como só o chalé principal tinha cozinha, coloquei um roupão, meus fones de ouvido com música no último volume e fui delicadamente até a porta, a abrindo e indo em direção à cozinha. Fui verificando todas as mensagens no meu celular, até que cheguei ao chalé. Abri a porta devagar, também, porque não sabia se Louis e Harry ainda estavam dormindo. Fui andando na ponta dos pés até a cozinha e tirei meus fones apenas alguns segundos antes de chegar na porta. Quando os tirei, percebi que havia gente acordada, então abri a porta devagar, para não assustar a pessoa. Mas quem se assustou fui eu.
 Ao abrir a porta, havia nada mais, nada menos do que um Louis Tomlinson, sentado em cima da mesa, se pegando com um Harry Styles. Eu fiquei sem reação. Tudo que consegui dizer foi:
- Ai. Meu. Deus.
Só de ouvirem a primeira palavra, os dois pararam, pularam de susto e se afastaram. Louis desceu da mesa rapidamente e olhou para mim, com os olhos arregalados. Harry se afastou de Louis e arrumou sua calça, ficando extremamente vermelho. Ele abaixou a cabeça rapidamente e assim ficou, sem me olhar nos olhos.
- Eu não sei se dizer que não é o que você pensa vai fazer muito efeito agora - disse ele, coçando a nuca de preocupação.
- E-Eu volto mais tarde - disse, me virando e saindo da cozinha rapidamente.
- Não! Cherry, agora você vai voltar aqui! - disse Louis, vindo até mim, também rápido, porém apreensivo. Harry veio correndo atrás, ultrapassando ele e me pegando pelos ombros.
- Chloe, volte aqui, vamos conversar.
- NÃO ENCOSTA EM MIM, VOCÊS ESTAVAM QUASE TRANSANDO, DEUS! - berrei, assustada.
 Os dois recuaram um pouco, olhando para mim desapontados. E então eu me toquei que eu falei aquela frase de forma impulsiva e assustada, mas pareceu extremamente... homofóbica. O que é irônico, já que sou bissexual e uma das famosas que mais apoia e incentiva os movimentos LGBTs. Mas, talvez, exatamente por isso tivesse me assustado tanto. Eu achava estranha a intimidade deles, mas daí até achar os dois ficando na cozinha é um salto enorme. Eu pensava num amor não correspondido de um deles, ou medo de se abrir, ou sei lá, mas, gente, eles estavam mesmo quase transando na mesa da cozinha. Foi um choque. Respirei com calma, botando as ideias no lugar, e finalmente voltei à consciência sã.
- Me desculpem. Eu tô só... chocada. O que está acontecendo aqui?
- Se você puder vir conosco, a gente senta e conversa.
- Contanto que não sentemos na mesa da cozinha, tudo bem.
 Assim, fomos para a sala. Eu sentei no sofá e os dois continuaram de pé, perto um do outro, mas parecendo não querer se tocar. Talvez estivessem com medo da minha reação. Então, Harry começou a contar a história, com Louis quietinho do seu lado, ficando mais vermelho a cada frase, e sorrindo ao lembrar de certos momentos. Harry contava tudo passivamente, com calma e com carinho em sua voz.
- É o que todos já sabem, nos conhecemos no banheiro, e depois nos vimos nas audições, e tivemos uma conexão muito forte. Isso todo mundo já sabia. Mas, até o momento do TXF, eu só havia beijado dois meninos na minha vida. Mas eu tinha gostado. E Lou... Bem, Louis era hétero quando o conheci. Nós fomos nos aproximando mais e mais durante o programa, e, bem... Uma noite estávamos juntos, só nós dois, e chegamos ao assunto de beijar garotas, transar, sexualidade. E, então, eu o disse que gostava de meninos e meninas. E ele disse que nunca havia beijado um menino. E, então, eu disse "e você um dia vai querer beijar um?", e ele respondeu "acho que por curiosidade, não; mas se eu me apaixonar por um...". Aí fomos nos aproximando mais, sabe, tendo um carinho que não era só de amigo. E começaram a surgir os rumores de nosso relacionamento, e no começo assentíamos só de brincadeira, e os nossos empresários nem imaginavam essa possibilidade. Até que um dia Zayn me disse que eu estava apaixonado por Louis, e, como ele é muito perceptivo, acabei prestando atenção no que ele disse, e prestando atenção no que eu sentia. E vi que ele estava certo. E aí me afastei de Louis, porque fiquei com medo do que ele iria achar, mas um dia estávamos novamente só os dois, vendo um desenho, e ele deitado no meu colo, eu fazendo carinho no seu cabelo... E então ele me disse "Harry, eu acho que vou beijar um menino". E eu gelei de ciúmes e de raiva, porque, cara, eu queria beijá-lo, e ele ia perder o "bv gay" dele com outro cara?? E aí eu disse só "hm, é? E por quê você diz isso?"... E aí ele disse "Porque eu estou apaixonado por um garoto. Tipo, apaixonado mesmo. E... Acho que ele também está apaixonado por mim. Mas tenho medo.", e eu disse "Bom, não deveria ter medo, se você está apaixonado, beije ele. Se jogue de cabeça.", e aí ele me perguntou, todo inocente: "Harry, se você gostasse de mim, você me beijaria?". E aí eu respondi: "Bem, se você consentisse, acho que sim.", e ele disse "E se eu consentisse? Me beijaria agora?" - ele olhou para Louis, que estava super vermelho, e deu um sorriso todo apaixonado. - E, então, eu me liguei que eu era o garoto pelo qual ele estava apaixonado. E eu senti que aquela última pergunta era mais uma afirmação. E então eu pensei "Deus, que eu não esteja enlouquecendo", e fui até ele e o beijei. E aí ficamos a noite toda nos beijando. E então foi Natal, e voltamos para nossas famílias, mas nenhum de nós dois conseguia parar de pensar no que havia acontecido, e no quanto nós gostávamos um do outro, e os dois estavam se cagando de medo. Quando voltamos a nos ver, abracei ele muito forte, e ele também a mim, e eu vi que estava tudo bem. Aos poucos, fomos lidando com isso, contamos primeiro aos meninos, depois à nossa família mais próxima, para que não tivesse o perigo de se espalhar. E aí, para Simon - dito isso, seu sorriso desapareceu. - Ele quase nos matou. Começou a berrar e dizer que ninguém nos aceitaria, que acabaríamos com a fama da One Direction, que traríamos atenção negativa e tudo mais. E nos proibiu de termos qualquer coisa. Mas, cara, a gente se via todos os dias. Era impossível. E, então, ele começou a implantar planinhos que nos mantivessem escondidos. Aí surgiu Eleanor, que já era amiga de Louis de longa data, em quem ele confiava muito. Eles já haviam tido um namorico antes, e ele pediu para ela voltar a namorar com ele "de mentirinha", com uma pequena taxa por isso, ela aceitou, e eu fui empurrado também para outras garotas, às vezes Simon tentava acabar de verdade com nosso relacionamento, mas não dá. Até hoje ele tenta, mas não vai conseguir. Nós nos mantemos em segredo, como bons amigos, que antes eram bem mais carinhosos um com o outro. Mas quando estamos assim, só com quem sabe da verdade, não ligamos de ficarmos próximos. É que... esquecemos que você ainda não sabia a verdade, e não sabíamos que você acordava tão cedo - disse ele, dando um sorriso envergonhado. Louis deu uma risada.
 Eu olhei para os dois ainda por alguns segundos, digerindo toda aquela Love Story que eu tinha acabado de ouvir. Eles me olhavam ainda apreensivos, esperando minha reação. E, então, eu sorri de orelha a orelha, me levantei e os abracei, quase chorando.
- Eu sabia. Sabia que estava certa - disse, baixinho no ouvido deles.
 Quando saímos do abraço, eles me olharam, curiosos.
- ... Sabia?
- Garotos, eu sou directioner, vocês sabem... Mas acho que não sabiam que também sou larry shipper - disse, sorrindo com carinho. - Gente, aquelas fotos, aqueles vídeos, mesmo sem nem conhecê-los eu podia ver o amor transbordando de vocês dois. Só não vê quem não quer, sinceramente. Vocês deviam ter me dito antes. Cara, deviam mesmo! Olha só pra isso! Vocês são lindos!! - parei, por um segundo. - ... Mas vocês são o quê um do outro, afinal?
 Eles se entreolharam, sorriram e deram as mãos, voltando os rostos para mim.
- Nós somos amigos - disse Louis, pela primeira vez na conversa. Ele piscou para mim, e Harry riu. Realmente, não podia existir casal mais perfeito.
 

Quando o pessoal chegou para o café da manhã, mais tarde, estávamos eu, Harry e Louis sentados à mesa - sim, aquela mesa, mas fiz os dois desinfetarem antes -, eles me contando várias histórias fofas deles, eu também compartilhando da minha vida amorosa para eles, etc. Quando Liam chegou e viu os dois de mãos dadas enquanto conversavam comigo, só faltou os olhos dele saltarem para fora. Ele tentou ser discreto e fazer gestos para eles desfazerem as mãos dadas, mas nós só rimos e explicamos que eles já tinham contado tudo. Com Niall foi a mesma coisa. Quando Zayn chegou, no entanto, e viu a cena, só disse:
- Já vi que seguiram meu conselho e contaram para ela, certo?
- Na verdade, fomos meio obrigados, mas tudo bem - respondeu Louis, sorrindo e agradecendo Zayn.
 Eleanor, quando chegou e soube que não precisaria mais ficar grudada nele, ficou muito feliz, também. E assim, ficamos todos conversando à mesa, fazendo tudo voltar ao normal. Porque, afinal, tudo estava normal.

Harry's POV
Quando começou a entardecer, fomos para nossos chalés arrumar as malas. Louis estava arrumando minha mala quando cheguei no quarto e o abracei por trás, beijando seu pescoço. Ele se eriçou, como um gatinho.
- Você acha que fizemos certo de contarmos para a Cherry sobre nós? - perguntei.
- Mas o que você está falando? Claro que sim. Ela é maravilhosa -, disse ele, gentil e carinhoso como sempre.
 Eu olhei para a arrumação que ele fazia.
- Você sabe que não precisa fazer tudo isso, né? Eu vou desarrumar tudo depois.
- Eu sei, mas não custa ter a ilusão de que isso o incentiva a ser um pouco mais organizado - ele sorriu.
- Tudo bem, não vou discutir com a dona de casa - disse, rindo. Ele se virou e olhou feio pra mim, depois voltou a dobrar a blusa que segurava.
- Só acho que será difícil dizer a Simon que contamos a mais uma pessoa - continuou ele, voltando ao assunto de Cherry. - Ele odeia quando fazemos isso. Mas... eu sinto que ela vai ser importante.
- Como assim, boo? - pergunto, me sentando na cama.
- Não sei, sinceramente. Mas sabe quando você sente uma conexão com a pessoa?
- Tipo eu e você?
- Menos intensa, digamos assim - ele ri. - Eu acho que ela vai ajudar bastante a gente. Ela parece ser uma fã fiel, não louca. E... eu senti um clima entre ela e Niall. Você não?
- Sei lá, não prestei atenção.
- Você nunca presta atenção. Eles são muito fofos juntos. Ficam brincando e se provocando... Agora mesmo estão só os dois, brincando pela praia.
- Jura?? Deus, eu preciso ver isso! - disse, saindo do quarto.
- Harry! Deixe os dois em paz! - ele grita do quarto, rindo.
- Sem chance! Não é todos os dias que vemos um Niall apaixonado!

 Saio do chalé e ando pela areia. Começa a ficar escuro e frio, e eu penso que precisamos ir logo embora. Ando mais um pouco e encontro os dois sentados na toalha, conversando e se provocando, como Louis disse. As gargalhadas de Chloe ecoam pela praia vazia, e eu vejo que os dois estão se divertindo brincando de se insinuar. Ela joga o cabelo para o lado e finge ser alguma menina fácil, e ele vem até ela, por cima. Quando eu penso que eles vão se beijar, ela o empurra, rindo, e ele ri também, caindo no chão e ficando por lá.
Quando percebo uma deixa que não atrapalharia a intimidade deles, chego mais perto.
- Ei, crianças. Já fizeram as malas?
- Claro que já! - diz Cherry, feliz. - Fomos os primeiros a ficar sem nada pra fazer, por isso estamos aqui, jogando conversa fora. Quer se juntar a nós?
- Não, obrigada, estou com Louis no chalé esperando Liam... Logo já temos que ir, fiquem mais perto do chalés, senão deixaremos vocês aqui mesmo! - digo, rindo.
- Não seria uma má ideia, afinal -, diz Niall, enquanto me afasto.
  É, o Louis estava certo. Talvez ele não seja tão perceptivo quanto Zayn, mas aquilo não era tão normal de acontecer.

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Não somos amigos e nunca seremos, nós apenas tentamos manter esse segredo em nossas vidas; e se eles descobrirem, tudo vai dar errado, e o céu sabe, ninguém quer que isso aconteça
Assim eu poderia tomar o caminho de volta, mas seus olhos vão me levar de volta para casa; e se você me conhece, como eu te conheço, você deve me amar, você deve saber
Amigos apenas dormem em camas separadas, e os amigos não me tratam como você me trata. Bem, eu sei que há um limite pra tudo, mas meus amigos não vão me amar como você
Não, meus amigos não me amam como você