domingo, 25 de outubro de 2015

Iris - Cap. 4 War is Love

Cherry's POV
- Valeu, meninos! - disse, saindo do carro com as minhas malas. Eles acenaram de volta e foram embora.
 Entro em casa, toda feliz, faço um café, dou oi para meus bebês - Hiro, Annie e Pearl foram alimentados pela empregada esses dois dias, mas mesmo assim estava preocupada e cheia de saudades deles! Tweeto muito feliz que estou aqui novamente, e vou verificar minha agenda para a semana... e, puxa, quanta coisa!
 Essa semana saio numa pequena turnê pelos EUA, e, quando voltar, daqui dois meses, tenho outra premiação em que os meninos do One Direction também vão estar! E, o melhor: eles têm alguns compromissos na Califórnia bem quando eu vou estar lá, e já planejamos algumas bagunças para fazermos...
 Ligo para Selena e digo para ela ir jantar em casa, que tínhamos que botar o papo em dia. Obviamente, só não contaria o fato de Larry ser fucking real, mas, de resto, queria contar tudo!
Ela chegou em menos de uma hora, pedimos pizza e passamos a noite conversando, eu contando sobre os meninos, sobre os planos que fizemos e tudo mais.
- Puxa, parece que você ficou a best friend da banda, hein, espertinha? - disse, num tom malicioso.
- Deus, você não presta! - digo, rindo. - Você sabe, eu os amo desde, tipo, sempre, e eu acho que eles gostaram do meu jeito louca-mas-equilibrada, e sei lá... Eu gosto muito deles. Tipo, eu já gostava deles, mas agora, eu os conheço, sabe? É tão estranho isso... E, diferente do que muitos me falaram que aconteceria, eu não me decepcionei. São generosos e simpáticos e fofos como eu imaginei que fossem, e se irritam com as coisas que eu imaginei que se irritavam, e se amam do jeito que eu imaginei que se amavam. Isso é incrível!
- Incrível mesmo! De verdade! Queria eu ter tido a sorte de ter vindo ao sucesso com foco em quem queria conhecer, de quem eu queria me tornar amiga... É tudo tão de repente, né?
- Eu que a diga. Ai, Sel, como vou durar sem você por dois meses longe?!
- A gente aguenta, amore, a gente aguenta! - ela disse, me abraçando e rindo. A campainha tocou. - PIZZA! VAI, VAI ATENDER!


No meio da semana, peguei o avião e comecei a turnê, Muitos shows, muitas entrevistas, muitos meetings, muitas caretas para fotos, muitos papparazzis, muitos fãs desesperados, muitas cartinhas fofas, muita comida boa. Era sempre assim em solo estado-unidense. Todos os shows deram muito certo, a galera é bem receptiva. E, claro, não deixei de falar com os meninos pelo celular. Cheguei a ser gravada pelos fãs conversando com o Harry pelo Facetime! Eu e ele estávamos bem próximos, a gente se identificava bastante.
 No dia da premiação, nos encontramos novamente. Abracei os meninos super forte e ficamos grudados a premiação toda, já que nos colocaram bem perto uns dos outros - eu na fileira da frente, e os cinco atrás. E, claro, levei muitos cascudos deles ao longo da noite.
 Ganhamos vários prêmios e condecorações - todos comentando sobre o meu modelito, que ganhou, novamente, como melhor look da noite -, posamos no tapete vermelho e tudo mais, e a noite acabou. Dessa vez, nenhum de nós foi para alguma after party, e acabamos nos reunindo e jantando em um restaurante conhecido. E, como sempre, não pudemos prolongar demais, porque o lugar começou a ficar muito rodeado de fãs e papparazzis. Antes de irmos, eu no meu carro e eles no carro da banda, Liam virou e disse:
- Ei, amanhã faremos um show aqui, não quer vir conosco? No backstage, claro.
- Claro! - disse. - Apenas me passe as informações e estarei lá.

 

  Cinco meses se passaram, e fomos ficando cada vez mais próximos. Até que os meninos começaram uma nova turnê, e eu fui convidada para abrí-la, primeiramente só na Europa, mas quem sabe...
 Liguei para Selena e a avisei, e depois liguei para os meus pais, já que ficaria muito tempo sem vê-los. Peguei um avião e fui até minha cidade natal, e passei três dias com eles, para matar a saudade, cuidando dos preparativos para a turnê à longa distância. Depois, voltamos os três para minha casa, e eu ia trabalhar enquanto eles aproveitavam a cidade. Eu corria atrás de figurino, setlist, passagem de som, horários na agenda, e tudo mais. E, claro, ainda haviam todas aquelas entrevistas do tipo "ai meu deus, você vai abrir o show do One Direction".

 Depois de dois meses, a turnê começou. E eu iria, pela primeira vez, abrir um show dos meninos. Eu estava tão feliz, tão animada, que não conseguia parar quieta. Cheguei no estádio, fui para o camarim, começaram a me arrumar, e depois de uma hora os meninos chegaram. Nos comprimentamos, conversamos por alguns minutos, e eles foram se arrumar, e eu fui para trás do palco. Todos me desejaram boa sorte.
- Você é a nossa sorte, então acho difícil você não ter sorte para si mesma - brincou Louis.
- Você vai se sair muito bem, Chloe. Relaxe - disse Nial, sorrindo carinhosamente.
 Os abracei, e me preparei para entrar.

- Vocês estão aí?
 Gritos histéricos me responderam.
- E vocês estão prontos?
 Mais gritos. E, então, eu entrei. E os gritos aumentaram ainda mais. O show era deles, mas gritavam o meu nome. Gostavam de mim.
 Eu fiquei com receio de que, por andar muito com os meninos, me odiassem. Mas nã
o. Elas gostavam de mim. Entrei, desfilando ao som da batida, e comecei meu show. Comecei com as músicas mais conhecidas, e as garotas cantavam comigo.
 Parei uma hora para "conversar". Perguntei como eles estavam, se estavam cansados, e se queriam ver o One Direction - e, nessa hora, quase fiquei surda. Voltei a cantar, e, quando olhei pro lado, os meninos estavam ao lado do palco, pulando, gritando, cantando e batendo palmas. Eu sorri para eles.
No fim do show, todos gritaram e aplaudiram por mais de um minuto. Eu esperei as coisas se acalmarem para falar.
- Muito, muito obrigada por terem me recebido tão bem, eu me sinto muito acolhida por vocês. Que seja um show inesquecível. Amo vocês!
 Voltaram a gritar mais e mais, e eu saí do palco. Os cinco já estavam me esperando logo na saída, e me abraçaram, me beijaram, me pegaram no colo, fizeram uma bagunça. Me agradeceram por estar lá, e eu agradeci de volta. Agora, era a vez deles. Eles tinham vinte minutos antes de entrar. Aproveitamos para tirar fotos, fazer vídeos, rir, conversar, fazer bagunça.
 Quando eles entraram no palco, muitos gritos. Cantaram duas músicas e depois fizeram uma pausa não programada.
- Vocês estão bem? Estão gostando? - Gritos. - E vocês gostaram do show de abertura? - Os gritos, por incrível que pareça, ficaram mais altos. - Que ótimo! Porque ela estará por aqui por muito tempo! Vem cá, Cherry, venha rever seus amiguinhos da plateia!
 Eu fiquei pasma e entrei de novo no palco, rindo.
- Palmas para Cherry, pessoal! Nosso trevinho!
 Muitas palmas e gritos surgiram. Eu os abracei, feliz.
- Você quer cantar uma música com a gente? - perguntou Zayn.
- Claro!
 E, então, cantamos Infinity juntos. Me deixaram nas partes agudas, com Zayn. Nos divertimos muito, zoando pelo palco e recebendo a aceitação do público como resposta. Quando a música acabou, mandei um beijo generalizado no ar e saí novamente.
- Essa menina é incrível - disse Harry para os meninos, mas no microfone. O público gritou. E eu corei.



 Duas semanas depois, acabamos a maior parte da Europa. Fui chamada para abrir os shows dos Estados Unidos, também. Me arrumei no camarim, dessa vez com roupas mais confortáveis porque estava calor. Chegando lá, estavam todos muito feliz, Louis e Harry agarradinhos no camarim, se arrumando, Zayn afinando a voz, Niall sorrindo todo feliz por me ver.
- Algum motivo especial para os dois ali estarem tão grudados? - pergunto, apontando para eles.
- Hoje eles fazem aniversário de namoro, ou aniversário de quando se beijaram, ou sei lá o que eles comemoram... ninguém entende o relacionamento deles - diz Liam, dando de ombros e sorrindo.
 Sorrio e concordo, e vejo alguns produtores do show olhando feio para eles. Isso é tão ridículo, não deixarem os dois se exporem.
 Eu fiz o meu show, tudo deu certo, e depois eles fizeram o show deles, eu fiquei nos bastidores, gritando, rindo, ajudando eles na pausa, gravando tudo e postando no Twitter, no Snapchat, no Instagram. Eu estava tão feliz, me sentia tão agradecida... Poder estar no backstage da sua banda preferida, ser convidada deles, cara, é inestimável. Louis e Harry inclusive se abraçaram, só os dois, no meio do show, uma hora. E Harry cantou "I'm in love with Lou", de novo. E Louis sorriu, todo orgulhoso. E os produtores atrás de mim ficavam inquietos.
 Quando eles saíram, os abracei, feliz. Embora estivessem suados e aquilo fosse nojento - pra quê pular tanto no palco, Deus? Estávamos todos conversando sobre o show, logo na saidinha do palco, quando um dos produtores "maiorais" chegou perto e falou, sério:
- Louis. Harry. Simon. Agora.
 E foi embora, sem mais. Todos nós nos entreolhamos, e os meninos se dispersaram. Harry pegou Louis pela mão e os dois foram em direção ao camarim do Simon, soltando as mãos antes de entrar. Fui beber água, ir ao banheiro, ver minhas notificações no celular, tirar umas fotos naquele espelho de camarim super legal com os meninos. Quando passei em frente a porta do camarim de Simon, ouvi choro. E berros irritados de Harry. Não aguentei e parei para escutar.
- Vocês estão passando dos limites! - gritou Simon.
- Não, vocês estão tirando nossos limites! Não podemos mais fazer nada, e você sabe disso! - gritava Harry, com uma voz mais furiosa do que a daquela briga com Louis.
- Simon, nos deixe em paz... - disse Louis, em meio o choro. Harry bufou.
- Louis, cale a boca. Pare de chorar. - disse Simon, sério. - Harry, eu estou falando sério. Vocês foram longe demais hoje.
- É nosso aniversário! - Harry gritou, deseperado. - Você já arrumou show para não nos deixar comemorar, e nós não podemos mais nem nos sentirmos felizes?
- Já está decidido, Harry. Você vai ter outra namorada. E essa vai durar.
- Simon, eu não vou me submeter à uma "Eleanor" na minha vida, também. Não quero nenhuma garota como minha sombra. Isso é ridículo.
- Eu vou arranjar uma amiga sua.
- NÃO IMPORTA SE É CONHECIDA OU NÃO, EU NÃO VOU FAZER ISSO!
- OU É ISSO, OU É RUA - berrou Simon, fazendo Louis parar de chorar e Harry se calar. - E vários meses separados, também. Você sabe que é esse o castigo. E eu posso deixá-lo cada vez pior. Eu separo os dois por um bom tempo, arranjo uma briga, os dois saem da banda. Eu faço o que quiser. Você vai fazer isso.
 Ouço passos, que suponho ser Harry indo até Simon.
- Me obrigue, seu merda.
 Eu sei que Simon não resistirá provocações por muito mais, então entro na sala, sem pensar mais sobre o que devo fazer.
- Eu serei a garota.
Os três param e olham para mim. Suspiro e continuo:
- Eu estava ouvindo a conversa. - Olho para Simon. - Sinto muito. Foi sem querer. - Olho para Harry. - Eu sei que você não quer isso, mas você ouviu Simon. E eu não quero que nem 1% daquilo aconteça. Chega de castigos, Harry. Eu serei a garota.
- Ótimo. Menos trabalho - diz Simon.
- Não faça isso - diz Harry, olhando para mim com uma cara de incerteza.
- Harry, eu estou falando sério.
- Eu também. Bem mais sério que você. Esse cara - diz ele, apontando para Simon - é um manipulador, um mal caráter, ele vai dizer que é por uns meses, e vai aumentando tudo, e vai nos enrolar nisso para sempre. Eu não quero mais gente nisso.
- Você ainda não percebeu que eu não ligo pro que você quer ou deixa de querer, Harry? - diz Simon, passando por Harry para falar comigo. -  Escuta, eu teria que fazer um contrato, tudo dentro das regras, para um ano, com pagamento, sincronismo nas agendas, e tudo mais. Não é só uma brincadeirinha, é trabalho.
- Eu faço até de graça, Simon.
- Não faz, não - diz Louis, rindo sarcasticamente, como se dissesse "Se soubesse o que vem por aí..."
- Cale a boca, Louis - disse Simon, novamente. - Eu te levo o contrato no máximo amanhã, no seu hotel, e você tem que assiná-lo e trazê-lo de volta para mim. É para ser namorada do Harry, não amiguinha fofa, entendeu, amorzinho?
- Entendi - disse, e, quando ele ia se virar, segurei seu ombro. - Mas você tem que entender também, que eu vou ter minhas condições. Você vai tratá-los melhor de agora em diante, com ou sem a minha presença, porque isso pode ser considerado homofobia sim, sua e de toda a equipe que fica de complô com você. E eu não vou doar todos os meus finais de semana para ele. E nós não somos Barbies, nós agimos como quisermos, contanto que estejamos dentro do quesito "namorados". Entendeu, amorzinho? - digo, imitando ele. Vejo Harry e Louis darem um pequeno sorriso atrás de Simon.
 Simon assente, com uma cara meio desconfiada e preocupada.
- Entendi. - Ele olha para trás. - Vocês três, caiam fora daqui.
 Harry e Louis saem na minha frente, e eu vou depois, fechando a porta com força.
Quando me viro novamente, vejo Louis e Harry abraçados. Harry consola Louis, que começa a chorar de novo. Os deixo a sós por um minuto, mas logo depois Harry vem atrás de mim.
- Cherry...
- Pode me chamar de Chloe, sabia? - digo, sorrindo fraco. Ele sorri de volta.
- Chloe... Você tem certeza de que quer fazer isso? Quer dizer, ele vai virar tudo de alguma forma.
- Não, ele não vai.
- Você não está entendendo... Você acha que está no controle, mas não está, entende? Ele já fez isso antes.
 Eu o olho, com calma.
- Foi o que ele fez com vocês dois, não foi? - pergunto, com delicadeza. Harry assente, abaixando a cabeça e diminuindo o tom de voz.
- Eu achei que seria melhor para nós dois. Que isso nos salvaria, e que logo poderíamos voltar a nos aproximar. Mas foi ficando cada vez pior. - Ele olha para mim. - Eu só não quero envolver mais gente que eu gosto nisso.
- Harry, preste atenção... - eu chego mais perto dele e coloco minha mão em sua bochecha, acariciando-o - ... Nós vamos reverter tudo isso, ok? Eu juro. Agora vai dar certo.
- Eu só quero que você nos traga mais sorte do que já trouxe, Cherry - diz ele, me abraçando.
 Nós temos um longo caminho para percorrer.


 Volto para o hotel com tudo aquilo na cabeça. Passo horas e horas pensando no que dissemos. Nenhum dos meninos me chama para conversar esta noite, e eu não os chamo. Fico só pensando em tudo que eu reivindicaria, e como tudo isso seria. Como nós agiríamos. Como ficaríamos, nossa verdadeira relação. O que eu teria que falar até mesmo para os meus maiores confidentes. Será que eu sei mentir à esse ponto? Será que tudo isso vale a pena?
Deito, mas não durmo. Fico me revirando e pensando, pensando e me revirando. Levanto, vou ao banheiro, deito novamente. Levanto, vou comer algo, deito novamente. Me reviro mais um pouco. Não, eu não vou dormir.
 Lá pelas quatro da manhã, consegui dormir, e às dez eu já estava de pé. Tive uma entrevista, em que tentei relaxar ao máximo. Almocei em um programa local de culinária para o qual fui convidada, fiz um pocket show e voltei ao hotel, só para trocar de roupa e sair novamente. Conversei com Selena sobre coisas aleatórias, para tirar o estresse. Quando tive um momento de paz, de volta ao hotel, já eram seis da tarde. Coloquei moletons e me joguei debaixo das cobertas, me preparando para ligar pra recepção e pedir algo quentinho para beber, mas, então, me interfonaram. Harry Styles estava lá em baixo me esperando.
- ... Pode subir, obrigada - disse, desligando rapidamente. Dei mais umas remexidas na cama antes de tomar coragem e levantar.
 Vou até a porta e abro, sem esperar ninguém bater, mas, por coincidência, Harry já estava com a mão fechada, pronta para bater na porta. Ele sorri.
- Visita surpresa? - pergunto, realmente surpresa.
- Sim! Tipo, é, eu precisava trazer isso - disse ele, mostrando uma pasta na mão dele -, mas ele disse que seu advogado precisa ver, então ele está vindo do quarto ao lado. E, bem, como isso deve demorar, porque são muitas folhas e ele precisa pensar e aí vocês precisam conversar e pensar e só depois assinar, eu pensei de irmos jantar em algum lugar. Eu pago - ele sorriu.
- Claro que não, louco - digo, séria. Seu sorriso murcha. - ... quem paga sou eu! Entra aí, vou botar alguma coisa nos pés.
 Ele olha para baixo, me vê com meias de flanela e ri, assentindo. Ele entra e eu ponho a primeira bota que vejo na frente, prendo meu cabelo e pego meu celular. Não, eu não me importava de estar usando um moletom de dois anos atrás, nem de nada estar combinando, e muito menos do meu cabelo estar uma droga. Afinal, agora eu vou ter um namorado, e ele vai ter que me amar de qualquer jeito.
 Saímos e fomos com o carro dele para o restaurante mais casual e bonitinho que achamos por perto. Claro que muitos nos viram pelo caminho, e isso incomodou Harry, mas eu não ligava. Paramos o carro e logo vários fãs vieram atrás de nós. Mas, em vez de deixar Harry escapar como sempre, o puxei e cumprimentamos todas, tiramos fotos e conversamos um pouco - eram umas 20 pessoas, não ia fazer mal.
- Vocês estão namorando??
- Estão saindo?
- Isso é um encontro??
- Se beijem?!?!
- Sim, se beijem!
- Eles são namorados agora?
 Essas foram algumas das perguntas soltas que ouvimos, mas não respondemos nenhuma, só conversamos casualmente, sorrimos e tiramos fotos. Uma última pessoa perguntou sobre nós antes de entrarmos, e Harry disse:
- Dois amigos não podem mais sair para comer? Se eu sair com um dos meninos, vou estar namorando ele também?
- Só amigos, queridas, só amigos - disse, carinhosamente. Não que Harry tenha tido a intenção de ser grosso, mas do jeito que a mídia é, é melhor sempre darmos uma acalmada nas coisas.
 Jantamos, conversamos, tiramos fotos e rimos a noite toda. Mas chegou a hora de ir pra casa. Embora não tivessem se passado nem três horas, já era tempo o suficiente para o meu advogado terminar de ler a papelada pelo menos umas cinco vezes, então era melhor voltarmos.
Voltamos, e, ao entrarmos no quarto, já vimos meu advogado.
- Ei, olá, Doutor - disse, entrando no quarto e apertando sua mão. Harry a apertou logo atrás. - Esse é...
- ... Harry Styles -, completou ele. - Como não saber, não é mesmo? Sente-se aí, senhorita Chloe, porque temos muito o que conversar.

 Dei um copo de bebida para Harry e peguei outro para mim. O Dr. me explicou tudo que estava escrito lá: pelo menos oito meses namorando o Harry, com afetos públicos, sincronização das agendas - para nenhum de nós perdermos eventos com isso -, segurança nos observando o tempo todo que estivermos juntos, liberdade do modo de demonstrar o amor - como eu tinha pedido -, respeito das duas partes - também como exigi -, três dias por semana de "folga"... Enfim, muitas coisas. Mas estávamos de acordo. O advogado me deu a caneta para assinar, mas, antes de encostá-la no papel, Harry se pronunciou pela primeira vez desde que havíamos chego. Ele segurou minha mão no ar e disse:
- Você tem certeza de que quer fazer isso? - pergunta ele, com calma, mas apreensivo. - Você entende que não vai ser assim, não é? E que ele não pode mudar isso depois - ele aponta para o advogado.
- Harry, eu disse que iríamos fazer isso. Então nós vamos. Nós vamos mudar esse jogo. Você vai ver. - tiro minha mão da dele e começo a assinar o papel.
- Isso não é jogo - diz ele, baixo. - Jogos tem regras. Isso é guerra declarada.
- Guerra é amor, Harry. E com amor se vence a guerra.
 Terminei de assinar os papéis, o advogado os recolheu e os entregou para Harry. Nos levantamos.
- Parabéns para nós, um minuto de namoro. Cheers! - brindou ele com o copo.
Guerra declarada, pensei comigo mesma. E nós temos que ganhar.


Estávamos melhor não dizendo nada do que um milhão de milhas de distância
É uma tortura aqui neste espaço entre você estar amando-me e deixando-meVocê só ganha se você não desiste; porque guerra é amor, e amor é guerra.

Desculpem - de novo

Gente, tá ficando ridículo eu vir pedir desculpas por sumir já, né? Desculpem, desculpem, desculpem!! Eu já tinha capítulos feitos e não tinha tempo de colocá-los aqui, muita - muita - coisa mudou na minha vida nos últimos meses, e eu não tava legal, enfim, altas tretas, mas vou tentar regular agora, estou nas últimas provas essa semana e depois só em dezembro, então acho que vai dar... Me perdoem, por favorzinho! Amo vocês!

Iris - Cap 3. Friends

 Chloe's POV
Quando saíram do quarto, mais ou menos meia hora depois, tudo parecia bem. Eles estavam bem grudados no começo da escada, mas depois se afastaram e deram um sorriso tímido. Louis estava com os chocolates em mãos, e Harry segurava o buquê.
- E aí, amorecos? - perguntei, ansiosa.
- Está tudo bem. - Louis olhou para Harry e sorriu. - Estamos bem.
- Ótimo!! - gritou Liam, realmente muito feliz. - Já me desculpei com todos eles por aqui, também.
- Sim, estamos todos de boa agora, certo, pessoal? - disse, batendo palminhas e dando um hi-five com Niall.
- Certo, mas será que agora podemos pedir as pizzas? Já passou das nove! - disse Niall.
- Com certeza, estou com muita fome - disse Harry.
 Pedimos nossas pizzas e tivemos um fim de noite maravilhoso, com muita risada, muitos abraços, muito videogame e muita pizza!


As semanas foram passando, e eu e os meninos fomos ficando cada vez mais próximos: todos nós estávamos num pequeno intervalo de compromissos, a não ser algumas entrevistas ou coisas do tipo, então fomos em alguns shows juntos, em um festival que rolou em LA, fui com Harry, Louis e Eleanor à um desfile, e sempre me divertia muito com eles. 
 Eles me apresentaram vários amigos deles, famosos - como Ed, Justin, Sam Smith etc -, outros "meros mortais", como chamamos. E eu também apresentei meus amigos - muitas meninas bonitas para Liam e Harry - que não pareceu se interessar por nenhuma -, e amigos de longa data meus. Inclusive, saímos um dia eu, Harry, Louis, Niall e Selena. Foi incrível! Milhares de fotos e lembranças maravilhosas.

 Outro dia, Niall me ligou me perguntando se não queria aproveitar os últimos dois dias de folga deles para ir para uma praia privada perto de lá, onde eles sempre passavam alguns dias. E eu, obviamente, aceitei! Logo tweetei "fazendo minhas malas para uns dias na praia :) x"
 Em poucas horas, já estava pronta. Deixei os cuidadores com meus bebês - afinal, não dava pra deixar toda aquela galera animal sozinha! Fiz uma malinha com três biquinis, um shorts, uma calça, duas blusas e um casaco - afinal, estávamos na Europa. Cheguei na casa de Niall às cinco da tarde.
- Ding dong, loirinho! - gritei, do lado de fora.
 Niall abriu, todo sorridente, com um Zayn todo descabelado atrás dele.
- E aí, cherry pie? - "Cherry pie" tinha se tornado o apelido dos meninos para mim. - Pronta para irmos?
- Prontíssima! - respondi, animada.
- Tudo bem. - Ele pegou as malas que já estavam na entrada e fomos para o carro - Louis e Harry já estão chegando. Nós vamos em dois carros, já que Perrie e Eleanor resolveram ir, também. São só duas horas de viagem, a gente vai ficar hoje, amanhã e voltamos depois de amanhã, mais para a noite.
- Sem problemas.
 Dividimos o carro como eu, Niall, Zayn, e Perrie em um, e Harry, Louis, Liam e Eleanor em outro.

 Chegamos lá no finzinho da tarde, com um pôr do sol maravilhoso. Sorri ao ver aquele lugar lindo, enorme e deserto, todo para nós. Tinha acesso de wi-fi em todos os cantos da praia, e três cabanas para todos nós. Isso seria muito legal.
- Bem-vinda ao Daydream! - disse Niall, abraçando-me pelo ombro. Eu sorri e o abracei de volta, como que agradecendo.
 Guardamos as malas e logo saímos. Decidimos que iríamos fazer uma fogueira, e assim fizemos. Quer dizer... tentamos.
Decidimos que íamos deixar para Louis terminar o trabalho, já que ele destruiu nossa fogueira quase pronta. Nos dispersamos, e eu fui andar na beira da água. Niall veio logo atrás de mim.
- Posso me juntar à você?
- Claro! - disse, sorrindo. - Então... há quanto tempo vocês vêm aqui?
- Ah, tem mais de uns 4 anos! Mais ou menos um ano depois da banda ser formada, quando estávamos no ápice, conseguimos dinheiro o suficiente e realizamos esse sonho de virmos para um lugar privado, que desse para sermos, ao mesmo tempo, livres e desconectados. É bem difícil achar um lugar assim.
- Concordo plenamente. E vocês não podiam ter escolhido lugar melhor, tipo, olha só essa vista! - disse, apontando para tudo. Ele riu. - Eu mal consigo ver o fim da praia.
- Quer achá-lo?
- Achar o fim da praia?! A gente vai demorar mais meia hora!
- ... Não se a gente for correndo - respondeu ele, dando um sorriso sacana para mim.
 Eu olhei ele pelo canto do olho e sorri.
- O último que chegar vai ter que entrar de roupa na água! - gritei, correndo. Ele riu e saiu correndo atrás, como se fôssemos dois adolescentes despreocupados, com as gaivotas ao nosso redor, o mar em nossos pés, e a lua começando a tomar conta do céu.
 A gente demorou cerca de meia hora para chegarmos. Eu dei uma derrapada bem no final, e ele me passou.
- Ganhei!! Ganhei!! Ahhhhh, você tá ferrada! - disse ele, me indicando o mar.
- Ai, Deus! Por que eu fui inventar isso... - fui indo em direção do mar, e ele foi me seguindo, ainda debochando.
- Meu deus, deve estar muito gelada a água! Tenha uma boa mergulhada aí! Aqui é o máximo que eu chego - disse, parando com a água perto dos joelhos.
- Tudo bem, vamos lá. - Eu disse, virada para ele. - Um... Dois... - e, então, o susto: - TRÊS!
 Eu me joguei em cima dele e o derrubei na água, me equilibrando para ficar de pé. Ele caiu todo desajeitado na água, e voltou à superfície assustado. Ele olhou para mim com uma falsa cara de bravo, e eu rindo muito.
- Ah, acha que vai ficar assim, é??
 Comecei a correr, mas não deu: ele me pegou pelo pé e me puxou para baixo com ele. Acabamos os dois encharcados. Quando consegui me levantar e apertar minhas roupas, Niall me pegou no colo e ameaçou me jogar de novo na água, e eu comecei a gritar, ainda rindo.
- Agora vai ver só, Cherry!! Vai ver só!! Revanche, queridinha!
 Ele acabou me jogando mesmo, mas eu o levei comigo, e ficamos nessa brincadeira por pelo menos mais meia hora. Para voltarmos, entretanto, foi um terror: ficava muito frio conforme ia anoitecendo, e estávamos encharcados. Mas fomos tremendo e rindo, nos empurrando e pulando marolas, contando histórias engraçadas e às vezes apenas apreciávamos o silêncio.
 Voltamos perto das nove horas, e os meninos já estavam com a fogueira pronta. As meninas não estavam por lá, mas eles pareciam rir e se divertir juntos. Era um clima tão família entre eles, que eu me sentia como se estivesse em casa. Fomos diminuindo o som de nossas risadas conforme chegávamos mais perto, tentando não quebrar o clima dos meninos. E eu tive quase certeza de que havia visto Louis e Harry de mãos dadas, mas então Louis foi olhar para Harry, e acabou olhando por cima do ombro dele, e nos avistou. Ele mudou de posição rapidamente e sorriu, feliz.
- Olha aí, os sumidos!
- Oi, gente - disse, com a voz tremida de frio. - Eu vou entrar, mas logo volto aqui. - Corri para o chalé, sem querer ficar nem mais um segundo naquele frio.
- Vocês estão encharcados! - viu Liam - Niall, vai trocar essa roupa agora!
- ... Daddy... - murmurou Niall, indo se trocar.

 Quando voltei, os meninos estavam reunidos novamente. Esperei Perrie e Eleanor para sairmos todas juntas. Eu adorava conversar com elas; Perrie me dava dicas ótimas de maquiagens e jeitos de arrumar o cabelo, enquanto Eleanor era a rainha da moda, sabia o cardápio inteiro do Starbucks e era apaixonada por livros, assim como eu. Assim que ficamos prontas, saímos juntas, conversando e rindo, e novamente diminuímos o volume ao vermos os meninos juntos. Harry e Louis pareciam, novamente, muito colados, mas antes que eu tentasse ver novamente, Eleanor gritou:
- Boa noite, senhores!
 Eles se viraram, Harry e Louis se ajeitaram, e Louis sorriu.
- Boa noite, senhorita.
 Ela se sentou na cadeira ao lado dele, eu sentei entre Niall e Harry, e Perrie sentou entre Zayn e Liam.
- Trouxeram marshmallows? - perguntou Niall.
- Claro que sim, seu fominha - mostrei o pacote em minhas mãos.
- Então, abre aí!
 E passamos o fim da noite assim, comendo marshmallows, rindo, contando histórias e fazendo gracinhas.

 No dia seguinte, acordei cedo, e as meninas ainda estavam dormindo. Como só o chalé principal tinha cozinha, coloquei um roupão, meus fones de ouvido com música no último volume e fui delicadamente até a porta, a abrindo e indo em direção à cozinha. Fui verificando todas as mensagens no meu celular, até que cheguei ao chalé. Abri a porta devagar, também, porque não sabia se Louis e Harry ainda estavam dormindo. Fui andando na ponta dos pés até a cozinha e tirei meus fones apenas alguns segundos antes de chegar na porta. Quando os tirei, percebi que havia gente acordada, então abri a porta devagar, para não assustar a pessoa. Mas quem se assustou fui eu.
 Ao abrir a porta, havia nada mais, nada menos do que um Louis Tomlinson, sentado em cima da mesa, se pegando com um Harry Styles. Eu fiquei sem reação. Tudo que consegui dizer foi:
- Ai. Meu. Deus.
Só de ouvirem a primeira palavra, os dois pararam, pularam de susto e se afastaram. Louis desceu da mesa rapidamente e olhou para mim, com os olhos arregalados. Harry se afastou de Louis e arrumou sua calça, ficando extremamente vermelho. Ele abaixou a cabeça rapidamente e assim ficou, sem me olhar nos olhos.
- Eu não sei se dizer que não é o que você pensa vai fazer muito efeito agora - disse ele, coçando a nuca de preocupação.
- E-Eu volto mais tarde - disse, me virando e saindo da cozinha rapidamente.
- Não! Cherry, agora você vai voltar aqui! - disse Louis, vindo até mim, também rápido, porém apreensivo. Harry veio correndo atrás, ultrapassando ele e me pegando pelos ombros.
- Chloe, volte aqui, vamos conversar.
- NÃO ENCOSTA EM MIM, VOCÊS ESTAVAM QUASE TRANSANDO, DEUS! - berrei, assustada.
 Os dois recuaram um pouco, olhando para mim desapontados. E então eu me toquei que eu falei aquela frase de forma impulsiva e assustada, mas pareceu extremamente... homofóbica. O que é irônico, já que sou bissexual e uma das famosas que mais apoia e incentiva os movimentos LGBTs. Mas, talvez, exatamente por isso tivesse me assustado tanto. Eu achava estranha a intimidade deles, mas daí até achar os dois ficando na cozinha é um salto enorme. Eu pensava num amor não correspondido de um deles, ou medo de se abrir, ou sei lá, mas, gente, eles estavam mesmo quase transando na mesa da cozinha. Foi um choque. Respirei com calma, botando as ideias no lugar, e finalmente voltei à consciência sã.
- Me desculpem. Eu tô só... chocada. O que está acontecendo aqui?
- Se você puder vir conosco, a gente senta e conversa.
- Contanto que não sentemos na mesa da cozinha, tudo bem.
 Assim, fomos para a sala. Eu sentei no sofá e os dois continuaram de pé, perto um do outro, mas parecendo não querer se tocar. Talvez estivessem com medo da minha reação. Então, Harry começou a contar a história, com Louis quietinho do seu lado, ficando mais vermelho a cada frase, e sorrindo ao lembrar de certos momentos. Harry contava tudo passivamente, com calma e com carinho em sua voz.
- É o que todos já sabem, nos conhecemos no banheiro, e depois nos vimos nas audições, e tivemos uma conexão muito forte. Isso todo mundo já sabia. Mas, até o momento do TXF, eu só havia beijado dois meninos na minha vida. Mas eu tinha gostado. E Lou... Bem, Louis era hétero quando o conheci. Nós fomos nos aproximando mais e mais durante o programa, e, bem... Uma noite estávamos juntos, só nós dois, e chegamos ao assunto de beijar garotas, transar, sexualidade. E, então, eu o disse que gostava de meninos e meninas. E ele disse que nunca havia beijado um menino. E, então, eu disse "e você um dia vai querer beijar um?", e ele respondeu "acho que por curiosidade, não; mas se eu me apaixonar por um...". Aí fomos nos aproximando mais, sabe, tendo um carinho que não era só de amigo. E começaram a surgir os rumores de nosso relacionamento, e no começo assentíamos só de brincadeira, e os nossos empresários nem imaginavam essa possibilidade. Até que um dia Zayn me disse que eu estava apaixonado por Louis, e, como ele é muito perceptivo, acabei prestando atenção no que ele disse, e prestando atenção no que eu sentia. E vi que ele estava certo. E aí me afastei de Louis, porque fiquei com medo do que ele iria achar, mas um dia estávamos novamente só os dois, vendo um desenho, e ele deitado no meu colo, eu fazendo carinho no seu cabelo... E então ele me disse "Harry, eu acho que vou beijar um menino". E eu gelei de ciúmes e de raiva, porque, cara, eu queria beijá-lo, e ele ia perder o "bv gay" dele com outro cara?? E aí eu disse só "hm, é? E por quê você diz isso?"... E aí ele disse "Porque eu estou apaixonado por um garoto. Tipo, apaixonado mesmo. E... Acho que ele também está apaixonado por mim. Mas tenho medo.", e eu disse "Bom, não deveria ter medo, se você está apaixonado, beije ele. Se jogue de cabeça.", e aí ele me perguntou, todo inocente: "Harry, se você gostasse de mim, você me beijaria?". E aí eu respondi: "Bem, se você consentisse, acho que sim.", e ele disse "E se eu consentisse? Me beijaria agora?" - ele olhou para Louis, que estava super vermelho, e deu um sorriso todo apaixonado. - E, então, eu me liguei que eu era o garoto pelo qual ele estava apaixonado. E eu senti que aquela última pergunta era mais uma afirmação. E então eu pensei "Deus, que eu não esteja enlouquecendo", e fui até ele e o beijei. E aí ficamos a noite toda nos beijando. E então foi Natal, e voltamos para nossas famílias, mas nenhum de nós dois conseguia parar de pensar no que havia acontecido, e no quanto nós gostávamos um do outro, e os dois estavam se cagando de medo. Quando voltamos a nos ver, abracei ele muito forte, e ele também a mim, e eu vi que estava tudo bem. Aos poucos, fomos lidando com isso, contamos primeiro aos meninos, depois à nossa família mais próxima, para que não tivesse o perigo de se espalhar. E aí, para Simon - dito isso, seu sorriso desapareceu. - Ele quase nos matou. Começou a berrar e dizer que ninguém nos aceitaria, que acabaríamos com a fama da One Direction, que traríamos atenção negativa e tudo mais. E nos proibiu de termos qualquer coisa. Mas, cara, a gente se via todos os dias. Era impossível. E, então, ele começou a implantar planinhos que nos mantivessem escondidos. Aí surgiu Eleanor, que já era amiga de Louis de longa data, em quem ele confiava muito. Eles já haviam tido um namorico antes, e ele pediu para ela voltar a namorar com ele "de mentirinha", com uma pequena taxa por isso, ela aceitou, e eu fui empurrado também para outras garotas, às vezes Simon tentava acabar de verdade com nosso relacionamento, mas não dá. Até hoje ele tenta, mas não vai conseguir. Nós nos mantemos em segredo, como bons amigos, que antes eram bem mais carinhosos um com o outro. Mas quando estamos assim, só com quem sabe da verdade, não ligamos de ficarmos próximos. É que... esquecemos que você ainda não sabia a verdade, e não sabíamos que você acordava tão cedo - disse ele, dando um sorriso envergonhado. Louis deu uma risada.
 Eu olhei para os dois ainda por alguns segundos, digerindo toda aquela Love Story que eu tinha acabado de ouvir. Eles me olhavam ainda apreensivos, esperando minha reação. E, então, eu sorri de orelha a orelha, me levantei e os abracei, quase chorando.
- Eu sabia. Sabia que estava certa - disse, baixinho no ouvido deles.
 Quando saímos do abraço, eles me olharam, curiosos.
- ... Sabia?
- Garotos, eu sou directioner, vocês sabem... Mas acho que não sabiam que também sou larry shipper - disse, sorrindo com carinho. - Gente, aquelas fotos, aqueles vídeos, mesmo sem nem conhecê-los eu podia ver o amor transbordando de vocês dois. Só não vê quem não quer, sinceramente. Vocês deviam ter me dito antes. Cara, deviam mesmo! Olha só pra isso! Vocês são lindos!! - parei, por um segundo. - ... Mas vocês são o quê um do outro, afinal?
 Eles se entreolharam, sorriram e deram as mãos, voltando os rostos para mim.
- Nós somos amigos - disse Louis, pela primeira vez na conversa. Ele piscou para mim, e Harry riu. Realmente, não podia existir casal mais perfeito.
 

Quando o pessoal chegou para o café da manhã, mais tarde, estávamos eu, Harry e Louis sentados à mesa - sim, aquela mesa, mas fiz os dois desinfetarem antes -, eles me contando várias histórias fofas deles, eu também compartilhando da minha vida amorosa para eles, etc. Quando Liam chegou e viu os dois de mãos dadas enquanto conversavam comigo, só faltou os olhos dele saltarem para fora. Ele tentou ser discreto e fazer gestos para eles desfazerem as mãos dadas, mas nós só rimos e explicamos que eles já tinham contado tudo. Com Niall foi a mesma coisa. Quando Zayn chegou, no entanto, e viu a cena, só disse:
- Já vi que seguiram meu conselho e contaram para ela, certo?
- Na verdade, fomos meio obrigados, mas tudo bem - respondeu Louis, sorrindo e agradecendo Zayn.
 Eleanor, quando chegou e soube que não precisaria mais ficar grudada nele, ficou muito feliz, também. E assim, ficamos todos conversando à mesa, fazendo tudo voltar ao normal. Porque, afinal, tudo estava normal.

Harry's POV
Quando começou a entardecer, fomos para nossos chalés arrumar as malas. Louis estava arrumando minha mala quando cheguei no quarto e o abracei por trás, beijando seu pescoço. Ele se eriçou, como um gatinho.
- Você acha que fizemos certo de contarmos para a Cherry sobre nós? - perguntei.
- Mas o que você está falando? Claro que sim. Ela é maravilhosa -, disse ele, gentil e carinhoso como sempre.
 Eu olhei para a arrumação que ele fazia.
- Você sabe que não precisa fazer tudo isso, né? Eu vou desarrumar tudo depois.
- Eu sei, mas não custa ter a ilusão de que isso o incentiva a ser um pouco mais organizado - ele sorriu.
- Tudo bem, não vou discutir com a dona de casa - disse, rindo. Ele se virou e olhou feio pra mim, depois voltou a dobrar a blusa que segurava.
- Só acho que será difícil dizer a Simon que contamos a mais uma pessoa - continuou ele, voltando ao assunto de Cherry. - Ele odeia quando fazemos isso. Mas... eu sinto que ela vai ser importante.
- Como assim, boo? - pergunto, me sentando na cama.
- Não sei, sinceramente. Mas sabe quando você sente uma conexão com a pessoa?
- Tipo eu e você?
- Menos intensa, digamos assim - ele ri. - Eu acho que ela vai ajudar bastante a gente. Ela parece ser uma fã fiel, não louca. E... eu senti um clima entre ela e Niall. Você não?
- Sei lá, não prestei atenção.
- Você nunca presta atenção. Eles são muito fofos juntos. Ficam brincando e se provocando... Agora mesmo estão só os dois, brincando pela praia.
- Jura?? Deus, eu preciso ver isso! - disse, saindo do quarto.
- Harry! Deixe os dois em paz! - ele grita do quarto, rindo.
- Sem chance! Não é todos os dias que vemos um Niall apaixonado!

 Saio do chalé e ando pela areia. Começa a ficar escuro e frio, e eu penso que precisamos ir logo embora. Ando mais um pouco e encontro os dois sentados na toalha, conversando e se provocando, como Louis disse. As gargalhadas de Chloe ecoam pela praia vazia, e eu vejo que os dois estão se divertindo brincando de se insinuar. Ela joga o cabelo para o lado e finge ser alguma menina fácil, e ele vem até ela, por cima. Quando eu penso que eles vão se beijar, ela o empurra, rindo, e ele ri também, caindo no chão e ficando por lá.
Quando percebo uma deixa que não atrapalharia a intimidade deles, chego mais perto.
- Ei, crianças. Já fizeram as malas?
- Claro que já! - diz Cherry, feliz. - Fomos os primeiros a ficar sem nada pra fazer, por isso estamos aqui, jogando conversa fora. Quer se juntar a nós?
- Não, obrigada, estou com Louis no chalé esperando Liam... Logo já temos que ir, fiquem mais perto do chalés, senão deixaremos vocês aqui mesmo! - digo, rindo.
- Não seria uma má ideia, afinal -, diz Niall, enquanto me afasto.
  É, o Louis estava certo. Talvez ele não seja tão perceptivo quanto Zayn, mas aquilo não era tão normal de acontecer.

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Não somos amigos e nunca seremos, nós apenas tentamos manter esse segredo em nossas vidas; e se eles descobrirem, tudo vai dar errado, e o céu sabe, ninguém quer que isso aconteça
Assim eu poderia tomar o caminho de volta, mas seus olhos vão me levar de volta para casa; e se você me conhece, como eu te conheço, você deve me amar, você deve saber
Amigos apenas dormem em camas separadas, e os amigos não me tratam como você me trata. Bem, eu sei que há um limite pra tudo, mas meus amigos não vão me amar como você
Não, meus amigos não me amam como você

terça-feira, 14 de julho de 2015

Iris - Cap. 2: I'm a Mess

(HARRY'S POV)

Eu sabia que teria que ir à after party e abandonar Louis desde que estava me arrumando, em casa. Eles disseram que iam avisar Louis também, e eu, relutante, disse que tudo bem. Mas, depois, eles disseram que não avisariam ele, porque ele ia protestar, dar chilique, ia querer ir também, e a ideia era nos ter separados. E não era para eu contar para ele, também. Mas eu contei. Ver meu amor se decepcionando comigo mais uma vez era doloroso demais. E não era cem por cento culpa minha, no final. Eu precisava dizer isso a ele. Precisava dizer que eu queria estar com ele. E eu disse. E ele se decepcionou do mesmo jeito.
 Tudo melhoraria se eu arranjasse a maldita namorada falsa que eles querem que eu arrume. Aí eles me deixariam fazer coisas com Louis. Tudo melhoraria se Louis parasse com esse drama contra namoradas falsas e se eu não tivesse medo que ele me deixasse por causa dessa namorada falsa. Tudo melhoraria se eu não precisasse de namoradas falsas, aliás. Se eu pudesse ser eu mesmo, para variar. Mas, como eu disse na entrevista, Larry está longe de ser assumido. É um sonho distante, mas, por enquanto, eu me contento com a realidade frustante.
 Enquanto penso tudo isso, Niall, Cherry, Zayn e Liam se divertem no meu carro, mesmo que Liam esteja dirigindo. Eu estou no banco de caronas, com a cara no vidro a viagem inteira. A casa de Miley é longe, então dá tempo de mandar umas 126 mensagens pedindo desculpas para Louis, que ele não responde, ligar umas 5 vezes até perceber que ele não quer atender e desistir, e pensar e todas essas bobeiras sobre a culpa ser minha de tudo isso estar acontecendo. Mas ao menos eu tento.
 No começo, era tudo liberal. Tudo ótimo. Até porque começou como uma amizade, e ninguém da produção realmente acreditava que os boatos eram reais. Quando eles descobriram, até fizeram cara feia, mas não negaram. Mas aí vieram os julgamentos, a mídia, tudo mais. E eles nos afastaram como se fôssemos fantoches que eles podem controlar numa mexida nos pauzinhos. E eu entrei no jogo deles. Aceitei ser manipulado, mas não por uma aumentada no salário; porque eu sabia que teria uns momentos de liberdade. Se eu não aceitasse, eles pichariam caveiras em nossos currículos de algum jeito. Eles nos fizeram acreditar que sermos gays era errado, que ia acabar com nossas carreiras. Aceitando, podemos pelo menos fazer trocas. Eles disseram que, se eu fosse à festa hoje, eu poderia ficar algum outro dia com ele, como amanhã, que não temos nada.
 Mas eu queria mais, e ele sabe disso. E eu sei disso. E nós dois sabemos que não podemos fazer nada sobre isso.
 Chegamos à casa de Miley e, como sempre, a festa era daquelas. De um lado, as janelas abertas brilhavam com luz forte de todas as cortes, onde eu supunha que estavam os drogados, pelas janelas abertas. Do outro, as luzes também piscavam, mas tinha bastante neblina, que indicava gelo seco. Dava para ouvir os gritos do pessoal na piscina, e eu queria saber quem em sã consciência vai pra piscina com vestido caro depois de uma premiação.
 Assim que estacionamos o carro, todos saímos, animados. Eu puxo Cherry para perto de mim, assim como Niall, e digo:
- Olha, este cara aqui é o único desta festa que não vai dar PT. Ele nem sequer chega a ficar bêbado. Então fique. perto. dele. Ouviu bem?
 Ela dá uma risadinha irônica.
- Se ele não quer ficar bêbado, tudo bem, mas e se eu quiser?
- Não fique -, digo, ríspido.  - Sério, nessa festa só tem gente louca, é só julgar pela anfitriã. Fica esperta, de verdade. - Eu olho para Niall. - Cuida dessa garota. - E vou andando
- Ei, onde você vai?
- Pegar um whisky, me sentar no gramado e beber até dormir. Tô cansado.
Ao entrar na casa, vejo Selena Gomez dançando, aquela modelo beijando alguém e depois outro alguém, e ouço alguém gritar que Justin Bieber está liderando a pool party. Apenas passo reto e dou um meio sorriso quando todas aquelas pessoas me comprimentam.
 

Eu estou realmente cansado de toda essa loucura de festas. Eu até curto baladas, mas essas festas estilo Miley Cyrus... Não são pra mim. Passo por todos e eles parecem bêbados sem a festa ter nem começado direito. A maioria parece ter ido até em casa e se trocado, ou levaram roupas na bolsa, eu sei lá. Mas metade da festa está com roupa de gala, e metade da festa está vestida como vadias da esquina e go go boys. Eu dou uma risada sem som ao pensar nessa classificação para meus próprios amigos. Em seguida, penso no porquê de eu ser amigo deles. Não obtenho respostas, então deixo pra lá, porque acho que não terei respostas para nada hoje. Vou até o barman e peço quatro doses de whisky e duas de tequila, e ele enche vários copos seguidos.
- Só vale se virar tudo, Styles. - diz o barman, enquanto enche os copos.
- Apenas faça o seu trabalho - digo, irritado.
Me afasto já virando a primeira dose de tequila e vou pela porta que dá até a piscina, para chegar no jardim. Ele está fechado, mas eu tomo as três primeiras doses de whisky para liberar a mão e escalo com os outros dois copos. Ao chegar do outro lado, sento no gramado e fico pensando na vida. Olho o horário no celular: já são duas horas. Tento ligar para Boo mais uma vez, mas ele não atende. Agora não sei se ele está dormindo ou me ignorando, mas tento respeitá-lo por um tempo. Acho umas cervejas inacabadas no gramado, e eu as pego e bebo também.
- Mas que merda... - digo à mim mesmo. - Como fui chegar a este estado? - tomo mais cerveja. - Isso não é justo. - tomo uma dose de whisky. - Merda, merda, merda, merda...



(CHERRY'S POV)

 Depois de tantas conquistas na vida, consigo ir à uma festa com o One Direction. Mas não dá tão certo quanto eu imaginei.
 Como Harry disse, Niall foi o único sóbrio da festa. Eu dancei, conversei, bebi e curti até umas quatro, cinco horas da manhã. Mas aí o pessoal começou a dar PT, vomitar, alguns "iam mais além" no meio da festa mesmo, me agarravam, agarravam o Niall... O cheiro das drogas do salão ao lado invadiam o salão da pista de dança, mas ninguém parecia de fato perceber, além de mim e de Niall. Ele ainda ficou meio zonzo por causa do cheiro, mas ele não me afetou. Quando começou a amanhecer e todas essas coisas começaram a acontecer, eu disse que queria ir embora, e Niall concordou. Mas, ao procurarmos todos...
- Onde os outros estão?! - perguntei, tentando soar mais alta que a música
- Eu não sei! - disse Niall, dando de ombros. - Liam deve estar com alguém; Harry deve estar jogado em algum lugar, bêbado; Zayn deve estar totalmente.... - ele para a frase na metade, me olhando, como se tivesse se lembrado de última hora com quem estava falando.
- Totalmente o quê?!
- ... Perdido? -, tenta ele. Ele olha nervoso para algumas direções, como se procurasse pelos outros, mas ele demora um pouco mais encarando a sala das drogas.
 E então eu conecto tudo.
- Filho da puta - digo, indo até a sala.
- Ei, ei ei ei ei eiii! - ele me puxa de volta. - O que está fazendo? Quer se drogar?
- Eu tenho que tirar ele dali!
- Ele sai sozinho, Cherry. Acredite, ele está acostumado com esses lugares.
- MAS NÃO DEVERIA, PORRA! - grito, quase chorando. - Como podem deixar o amigo de vocês se estragar dessa maneira?! Fumar um maço de cigarro tudo bem, agora, deixar ele entrar em boca de fumo no meio de uma festa cheia de gente que pode dedurar ele e não fazer nada?! Vocês têm alguma doença? Que tipo de humanos, que tipo de amigos, vocês são?
 Ele não responde, então eu só me viro e continuo indo em direção à sala.
Eu chego e lá está ele, com mais quatro gatos-pingados fumando e rindo, falando coisas sem sentido e lacrimejando de tanta fumaça. Ainda bem que dei uma grande respirada antes de entrar aqui.
- Zayn, vamos embora - digo, parada na porta. Ele olha devagar para mim e sorri.
- Não, obrigada - ele ri, tragando mais uma vez.
- Não foi um pedido, Zayn. Vamos embora agora.
 Ele tira a maconha da boca e olha para mim.
- Acha que pode cuidar de mim? Acha que sou um bebê? Acha que sou irresponsável? Acha que pode me fazer de marionete? Não dessa vez, Modest!, não dessa vez. Caiam fora daqui, seus inúteis. - ele assopra na minha cara, e os outros riem. Ele coloca o negócio de novo na boca.
Eu me irrito de vez. Meu pai morreu porque fumava demais, e eu não tinha uma grande conexão com ele, mas eu senti sua perda. Principalmente por ele ter sido estúpido o suficiente a ponto de se matar com essa estupidez. Eu vou até ele, arranco a maconha de sua boca e jogo no chão, cuspindo em cima e pisando com força. Todos os caras da sala param de falar, de rir e de fumar enquanto eu faço isso. Zayn só olha para mim, chocado e bravo. Quando termino,  olho pra ele com determinação e agarro a gola de sua camisa, puxando-o para bem perto de mim.
- Escuta aqui, ô rebelde: se tem uma coisa que eu odeio nesse mundo, são cigarros. Se tem um tipo de pessoa pela qual eu tenho preconceito, são fumantes. Então você vai vir comigo agora, entrar na merda daquele carro e ficar quietinho até sua doideira passar. Entendeu?
- ... Ou? - perguntou ele, querendo saber a minha ameaça, porém já se levantando.
- Não tem "ou", Zayn. Isso não é uma chantagem. Não sou da Modest!; não sou uma chantagista. Você vai e PONTO.
 Quando ele se levanta totalmente, o agarro pelo braço e o puxo para fora, com ele cambaleando e eu já meio tonta. Assim que encontro Niall, jogo Zayn para ele, e os dois quase caem.
- Vamos procurar o Harry lá fora. Se não se importar, eu fico sentada no gramado com o Zayn e você procura, porque eu estou meio zonza.
- Sem problemas! Cara, você foi incrível tirando ele de lá. Deu para ouvir o seu discurso daqui. Foi incrível.
- Obrigada - digo, sorrindo. - Agora, vamos. Quero sair logo daqui.

 Niall encontra Harry do outro lado da cerca, no jardim, deitado em cima de cacos de copos e ao lado de garrafas de cerveja, sangrando e inconsciente. Eu simplesmente não consigo acreditar na ignorância que eles têm a ponto de não impedirem uns aos outros de fazerem essas burradas. Niall corre novamente para dentro, acha o chaveiro e tenta todas as chaves, até conseguir uma. Ele abre o portão e rola Harry para fora dos cacos. Limpa o smoking dele com uns pedaços de planta para tirar os cacos em segurança, e então o arrasta até mim. 
- E agora? - pergunta ele.
- Nós podemos chamar um táxi, dirigir até a casa de alguém e abrigá-los, ou esperar aqui até que pelo menos um deles recobre a consciência e nos ajude.
- Eu acho que a terceira opção vai demorar um pouco - diz ele, meio impaciente. - Acho melhor entrarmos no carro, eu dirijo até a casa de Louis e ficamos por lá. Liam deve estar com alguém e pode muito bem chamar um táxi ou coisa do tipo.
- Tudo bem, então. À casa do Louis.
 Decidimos, por fim, deixar os dois idiotas lá atrás e irmos eu e Niall na frente, para não correr o risco de um deles estar no banco do passageiro e atrapalhar o Niall na direção. Niall me pede para procurar o celular de Harry e ligar para Louis, que ele atenderia mais rápido. Eu acho o celular, procuro por "Louis", e nada. Procuro por "Lou", e nada também. Desisto, e recorro ao Niall.
- Você sabe como o Harry têm o Louis nos contatos? Eu não consigo achar.
 Ele para no sinal vermelho, dá um sorriso constrangido e olha para mim, tímido e meio receoso.
- E-Eu... acho que é Boo.
 Eu olho para ele, achando que ele está brincando, e então olho para o celular, procurando os contatos de letra "B". E lá está ele, Booboo, e uma foto dos dois abraçados, beeem antiga e, até onde eu me lembre, nunca revelada.
- Que loucura - digo, apertando a tecla ligar.
 Chama e cai, chama e cai, chama e cai. Só na quarta tentativa que ele nos atende.
São sete da manhã, me deixe dormir.
Louis, não é o Harry, sou eu.
... "Eu" quem?
 Cherry, da premiação, se lembra? É importante.
 Aconteceu alguma coisa com Harry?!
Mais ou menos... Harry
está inconsciente. Ele dormiu em um jardim. E Zayn
está totalmente drogado. Precisamos de ajuda.
Vai abrigar os marginaizinhos aqui?? Ai,
tudo bem, tragam eles para cá. Vou preparar os
remédios pra dor de cabeça e tudo mais.
Obrigada, Louis! Estaremos aí em vinte minutos.

Quando estacionamos, Louis já está parado na porta, nos esperando. Ele ainda está de pijamas e pantufas - não fez questão de se arrumar para cuidar de seus amigos -, e parece preocupado, atordoado.
- Ai, meu Deus! Como foram deixar isso acontecer?! - disse ele, descendo as escadarias para nos ajudar a tirar Harry e Zayn do carro.
- Eu pensei que vocês fossem à essas festas o tempo todo! Harry mandou eu ficar com Niall e só não me perder do Niall, e foi o que nós fizemos. Mas essa coisa aqui - disse, apontando para Niall, que se encolheu - não fez questão nenhuma de prestar atenção nos amigos.
- Você sabe como eles são Lou -, se defendeu Niall. - Eles só querem liberdade. Só querem extravasar. Cada um encontra a sua forma, e nós nunca impedimos eles de fazer nada, você sabe disso. Eu não sabia que, dessa vez, eles iam além da conta.
- Harry sempre vai além da conta - diz ele, ofegante, enquanto traz Harry em seus ombros com minha ajuda para dentro de sua casa. - Eles não sabem se comportar e, em dias ruins, devem evitar festas ao máximo.
- Eu também acho - digo, também arfando. - Não entendo como alguém pode estar tão bravo ou chateado com algo, como Harry, e querer se livrar dos problemas indo numa festa que ele nem mostrou interesse, pra só beber até cair.
 Louis dá uma gemida de dó, enquanto acaricia o rosto do amigo.
- Ai, Hazz, como podem fazer isso com você... Ai, coitadinho. Ele tá todo ralado dos cacos de vidro. Ai, Deus. - ele passa algodões com algum remédio nos ferimentos de Harry, que geme, ainda inconsciente.
- Pelo menos, sabemos que ele não morreu -, brinca Niall. Eu dou um riso e o empurro, e ele sorri de volta.
- Eu cuido dos ferimentos do Harry, podem deixar. Algum de vocês precisa ir comprar alho, atum, chá de hortelã, espinafre e gengibre.
- Caraca... Sem querer soar grosso, Lou, mas não acho que eles vão acordar com tanta fome... - diz Niall, encolhido.
- Não soou grosso, só soou ignorante, babaca - diz ele, na brincadeira. - São coisas que melhoram ressaca, tanto de drogas quanto de bebedeira. Recomendo que você e Cherry também tomem os chás mais tarde.
- Por mim tomo o de hortelã assim que Niall chegar com as coisas! - digo, sorrindo para Niall.
- Tudo bem, tudo bem. Eu vou comprar as coisas. Estou de volta em poucos minutos, pessoal.

 Ele sai para fazer as compras, e eu e Louis ficamos sozinhos com os outros dois. Zayn ainda está falando sozinho, coisas meio sem nexo. Olho para Louis, perdida.
- Tem alguma coisa que possamos fazer pra melhorar isso? - pergunto, apontando para Zayn.
- Claro que tem, docinho - ele diz, sorrindo gentilmente para mim, embora eu veja que ele ainda está aflito. - Se aguentar chegar perto dele sem pirar, tire as roupas dele, nem que você deixe ele só de cueca, caso não queira despi-lo por completo, e coloque-o debaixo do chuveiro. Pode sentá-lo no chão do box mesmo e deixe a cabeça fora da água, enquanto a água jorra pelo corpo. Depois de uns 10 minutos, eu subo lá para colocar uma essência na água. Vou preparar umas ataduras pro Harry e preparar ovos e chá de camomila... Procure por machucados no Zayn também, nunca se sabe. Ok?
- Okay, obrigada, Louis. - digo sorrindo.
 Vou até Zayn, prendendo a respiração, e tiro as roupas dele até ficar só de calça e cueca, pro cheiro ficar menos forte. Louis diz que colocará a roupa de molho depois e que não preciso me preocupar, então apenas subo com Zayn a escadaria - uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida -, e coloco ele debaixo da saída de água do chuveiro, apoiando a cabeça nele na parede com cuidado e tirando a calça dele. Ligo o chuveiro com calma, abrindo aos poucos, e ele começa a se remexer. Eu o seguro delicadamente pelos ombros, fazendo ele se acalmar, enquanto canto uma nina suave. Ele parece dormir com o barulhinho de chuva e minha canção, e aos poucos vou parando de cantar.
- Eu só espero que você não fique com vontade de fazer xixi por ouvir esse barulhinho de água, porque se mijar em mim, eu desisto de você - falo baixinho, mais para mim mesma do que para ele.

 Depois de 10 minutos, desço metade das escadas, procurando por Louis para ele colocar a essência que ele disse que colocaria. Mas, quando vou gritar seu nome, ouço ele falando baixinho. Penso que Niall pode ter chego, ou Harry acordado, então decido não gritar, e vou devagar até a cozinha, de onde vem os sussurros.
Chego na cozinha e vejo um Louis com olhos marejados, debruçado contra Harry e de costas para mim, assim, não percebe minha presença. Ele conversa aos sussurros embargados com um Harry inconsciente, o que faz meu coração explodir em mil pedacinhos de tanta dó.
- Ai, Hazz... Por que isso, meu anjo? Ah, Curly Boy... Se você tivesse noção do quanto aquelas fãzinhas precisam de você bem... Se você tivesse noção do quanto eu preciso de você bem, babe... Por que você ainda faz isso? Por que insiste em resolver nossas brigas com a bebida? Por que insiste em se destruir? Nossa, se a Cherry não estivesse lá pra cuidar de todos vocês... Aquela garota é um anjo, um anjo que veio concertar a merda que vocês fazem com a vida de vocês. Sempre gostei dela! Agora gosto ainda mais, sabe? E... - ele inspira, deixando os ombros caírem - ... você está cheirando à bebida. Meu Deus, como eu te odeio, Styles. Mas... - ele não termina a frase, abaixando a cabeça.
 A leiteira no fogão começa a fazer barulho, e ele se levanta de cima do Harry inconsciente e vai até o fogão, secando as lágrimas. Eu tomo coragem e finjo que acabei de chegar, batendo na porta de leve. Ele dá um pulo.
- Oh, desculpe - digo, sentindo corar. - Eu... Hã... Já passaram dez minutos. Você disse que ia colocar algo no banho do Zayn.
- Ah, sim, sim... - diz ele, fungando e secando mais umas lágrimas, e sorrindo para disfarçar. - Será que pode me ajudar a levar esse troço lá pra cima? - pergunta, apontando para Harry e sorrindo. - Vou deixar os dois na cama. Harry na minha, porque ele se mexe muito; Zayn na de visitantes.
- Claro, claro - digo, indo até Harry.
 Cada um levanta ele de um lado, e vamos arrastando o Harry até as escadas, parando pra respirar antes de subir tudo aquilo. O cristinho nem mesmo resmunga algo; está num sono profundo, típico de ressaca. Nesse momento, Niall entra sorridente pela porta com as compras, e ele é a salvação.
- Niall! - sussurro, com urgência. - Vem ajudar a gente, larga as coisas aí.
 Niall larga as coisas na entrada e corre até nós. Louis carrega a parte de cima de Harry pelos ombros, Niall segura Harry pelas pernas, passando elas por seus  ombros, e eu vou segurando ele pelo meio, e vamos subindo a escada de lado. Chegando lá em cima, Louis pede que eu e Niall coloquemos Harry na cama dele, enquanto ele vai cuidar de Zayn. E assim fazemos, agora sem mais dificuldades. Pego um ursinho que está em cima da cama e coloco mais perto de Harry, só para adocicar o momento. Ele se remexe um pouco ao ser colocado na cama, mas logo volta a hibernar.
- ... Ele vai dormir com as roupas da festa? - pergunto, meio em dúvida se isso é a coisa certa.
- Não, com certeza não. O Louis deve trocá-lo, não se preocupe - diz ele, sorrindo e me puxando pelo ombro. Observamos Harry por uns segundos, abraçados. E então Louis disse que Zayn já está pronto, devidamente vestido, mas precisa de ajuda para levá-lo para o quarto de hóspedes.
- Hey, Louis, você irá trocar o Harry? - pergunto, de longe, enquanto Niall vai até Louis e Zayn.
- Han... A-Acho que sim, por que? - ele pergunta, corando.
- Nada, é que você está fazendo muitas coisas ao mesmo tempo... Será que não quer que eu vá fazendo as comidas enquanto você cuida dos garotos?
- Isso! É uma ideia maravilhosa! Obrigada, Cherry! - diz ele, sorrindo realmente agradecido. Enquanto desço as escadas, ouço sem querer ele falando com Niall: - Essa garota é um anjinho, Niall! Ela é um amor de pessoa! Quero ela sempre conosco!
 E, então, desço as escadas sorrindo, feliz. Eu estarei sempre aqui para vocês, meus príncipes, penso baixinho. Está na hora de fazer a comida.

...

Niall fica lá na cozinha comigo enquanto Louis cuida dos garotos, e depois ele se junta a nós. Ficamos conversando e rindo, eles me contam histórias épicas sobre o One Direction e eu conto minhas histórias, de antes e depois da fama. Cantamos juntos, batemos palmas no ritmo das músicas, dividimos opiniões, e tudo vai perfeitamente bem, até um grunhido ser ouvido de lá de cima. Louis já se levanta para ir ver, mas Niall o impede.
- Deixe que eu ou Cherry vamos. Você já fez coisas demais por hoje, Lou.
 Louis parece triste por ser vetado, mas assente. Eu digo que vou - não aguento mais pilotar o fogão! -, e Niall assume as comidinhas por mim. Subo as escadas cantarolando. Vou primeiro conferir se foi Zayn, porque é o quarto mais próximo. Abro a porta devagar, mas ele dorme feito um anjinho, agora com roupas limpas, cheirando à lavanda, com um ursinho de pelúcia ao seu lado. Eu sorrio ao ver aquela cena maravilhosa.
Fecho a porta e dou passos mais apressados até Harry, já que só pode ter sido ele.
- Hazz? - digo baixinho, abrindo a porta devagar.
E é aí que vejo um Harry Styles de 20 anos agarrado à um ursinho de pelúcia (que foi colocado lá mais cedo por euzinha aqui), grunhindo e se remexendo, como se tentando abrir os olhos e acordar.
Eu sento na beiradinha da cama, esperando ele acordar. Quando ele finalmente coça seus olhos e se espreguiça, em seguida abrindo seus olhos pela primeira vez no dia, eu sorrio, aliviada. Ele deve estar confuso e irritado e cansado e acabado, mas está ali. Respirando. Vivo. A salvo.
- Hmm... brghd sfhakf sfhalfa efhkj? - grunhe ele, ainda meio zonzo, piscando pesado.
- Hã... Bom dia, pra você também.
 Ele demora mais uns trinta segundos para voltar a abrir os olhos com firmeza, e então ele olha ao redor, confuso.
- ... Amor? - chama ele, sonolento. Meu coração aperta. Eu nem sabia que ele estava com alguém, que ele tinha um "amor"
- N-N-Não, H-Harry... Sou eu... Cherry. Eu te trouxe à casa de Louis.
- ... Tô com sono -, sussurra ele. - Chame meu amor para voltar a dormir comigo.
- Eu não sei quem é seu amor, Harry. Mas você precisa recobrar seus sentidos.
- É --
- Não, Harry. - digo, repreendendo-o. - Você precisa descansar, ok? Eu vou ficar aqui, sentada, esperando você acordar de verdade. Aí conversamos, tudo bem? Você precisa dormir, agora. - Sou o mais delicada que consigo. Minhas palavras saem doces e suaves de minha boca, e percebo que isso o acalma. Ele relaxa os músculos conforme falo, e mesmo de olhos fechados vejo que sua expressão suaviza. Ele cochila de novo, e eu aproveito para ir até a escadaria e chamar por Niall.
- Será que pode me trazer o leite quente de Harry agora? Ele cochilou de novo, mas logo vai acordar. Coloque mel no leite também, porque eu senti que a voz dele está bem rouca, ele parecia sentir dor quando falava.
- Okay, pode deixar, Cherry. Eu já levo aí em cima.
- Ok, obrigada.
 Subo de novo e fico sentada no chão, olhando pro teto, pensando em várias coisas, até que Harry acordasse de novo. Fico pensando quem pode ser o amor dele, mas não vimos ele saindo com ninguém, ultimamente. Isso é estranho. Ele não chamaria a pessoa que ele ama de "amor" se eles não tivessem uma intimidade. Porém, ele não tem tido nenhuma garota íntima na vida dele...
 Sem poder chegar a conclusão nenhuma, a cama se mexe, e vejo Harry acordando novamente, dessa vez um pouco mais decidido. Ele coça os olhos, pisca várias vezes para focar a visão, olha em volta, mexe no cabelo... E aí ele me vê. E começa a sentar na cama, confuso.
- Pensei que estivesse no Louis - diz ele, com uma voz sonolenta.
- E está. Eu estou cuidando de você, enquanto Louis faz a comida e Niall cuida de Zayn... Vocês deram um trabalhão, hoje, sabia? - digo, sorrindo.
 Ele dá um sorrisinho sem mostrar os dentes, enquanto se ajeita sentado na cama, olhando em volta, e então ele cai/se joga de novo na cama, deitando.
- Eu quero dormir.
- Você já dormiu por 10 horas, Harry. São três da tarde. Você precisa tomar seu leite e levantar, para podermos cuidar da sua ressaca. Tudo bem por você?
 Eu sinto como se minhas palavras estivessem enfeitiçadas, porque ele assente, se senta de novo, pega o copo da minha mão e bebe, sem reclamar. Às vezes dá umas resmungadas enquanto toma o leite, mas deve ser porque era leite puro com mel, e não porque ele quisesse realmente discordar da opção que dei a ele. Ele fica mais um tempo sentado, recobrando os sentidos, e assim que coloco o copo de leite na mesa, volto até ele e lhe estendo a mão, o ajudando a levantar.
- Vou te levar até o banheiro, e lá você lava o seu rosto, "faz o que você tem que fazer", arruma o cabelo, e eu te encontro lá em baixo para o café "da manhã", ok?
- Ok.
 Eu já estou indo embora quando ele me chama, meio que sem forças.
- Espere, Cherry.
 Eu me viro para ele.
- Sim? - E aí percebo que seu olho está marejado.
- ... Obrigada. Por aguentar o "trabalhão". E por me aguentar.
 Eu sorrio de volta, doce, mas triste por vê-lo naquele estado. Provavelmente estava triste por causa da ressaca.
- Não foi nada.
 Chego lá em baixo e aviso à Louis que Harry acordou, e ele sorri.
- Niall ainda está com Zayn, mas se quiser posso cuidar da comida agora.
- Ótimo. Faz um café da manhã para Hazz, já que o almoço que fiz está quase pronto. Vou ver como ele está, dar uma bronquinha nele
- Ah, e eu peguei uma camisa sua emprestada, porque meu vestido estava um lixo. Tudo bem?
- Tudo ótimo, anjinho. Não se preocupe com isso - diz ele, saindo da cozinha e indo para as escadas.
 Ligo o meu celular num amplificador - ainda que baixo, para não acordar os outros - e começo a trabalhar. Faço uns waffles, umas torradas, frito bacon, faço omeletes e preparo um leite com chocolate para mim. Ouço passos na escadaria e encontro Niall.
- Que cheiro bom é esse? - pergunta ele, feliz.
- É cheiro de café da manhã americano, colega - digo, sem tirar os olhos dos waffles e sem parar de dançar.
- Isso é que é café da manhã... Um banquete! Quanta fritura, Cherry!
- Ai, não começa, magrelo.
- Magrelo nada... Eu tô em forma, só. E você, com essa camisa aí?
- Ah, meu vestido cheirava a maconha e drinks... Simplesmente insuportável.
- Você tem razão. Precisa de ajuda?
- Só prepara os pratos, que a comida é por conta da chef aqui.
- Você tá se divertindo com toda essa situação, né? - pergunta ele, pegando os pratos no armário.
- Pareço me divertir? - digo, dançando igual louca. Ele ri.
 Alguns minutos depois, Zayn desce só de cueca, tonto.
- Bom dia, buddies - diz ele, animado.
 Na hora, eu paro de dançar, e Niall para de sorrir. Desligo a música e continuo fazendo o café, quieta. Niall encara a bancada, também quieto.
- O que foi? O que aconteceu?
- O que aconteceu? - digo, me virando para ele. - O que aconteceu é que vocês perderam completamente a linha ontem, Zayn Malik!
 Ele revira os olhos e pega um copo d'água.
- Não foi completamente, você que não está acostumada.
- Não, Zayn. Dessa vez, foi foda mesmo - diz Niall, ainda sem olhar para ele.
- Não comece, ok?! Acabei de acordar, porra - diz ele, sentando bruscamente e tomando a água.
 Chego perto dele, dou um tapa na sua cabeça e jogo o omelete no prato em frente à ele. Niall traz os waffles.
- Coma ou eu enfio por goela abaixo.

 Uns dez minutos de silêncio depois, Louis chega com Harry atrás dele. Os dois também pareciam ter brigado, porque ambos estavam de olhos vermelhos. Harry se senta ao lado de Zayn. Louis senta em frente Harry, e Niall em frente à Zayn. Eu sento ao lado de Niall, encolhida. Eu realmente não fazia parte daquela conversa. Ia ficar só quieta na minha, caso precisassem de mim.
- Vocês foram duas crianças mimadas do caralho. Eu não consigo acreditar que vocês têm 21 anos.
- Por favor, Louis. Pensei que a conversa já tinha acabado - diz Harry, com uma voz engasgada.
- Não, a conversa não acabou, Harry. O que tivemos lá em cima não foi uma conversa, foi uma discussão. E foi entre nós dois, apenas. Aqui, eu quero falar com vocês dois, e a sorte que vocês deram de terem duas pessoas maravilhosas por perto. Não sabemos nem o idiota do Liam se enfiou. Vocês tem que agradecer à Niall, por ser uma pessoa consciente, e à Cherry, que surgiu dos céus pra salvar vocês dois!
- Se você tivesse ido à festa, nada disso teria acontecido - rebate Harry, se referindo à Louis.
- Ah, dá um tempo. Você sabia que eu não iria, e foi mesmo assim.
- Se você não desse piti igual uma garotinha toda vez que me disponho a algo por nós, eu não teria enchido a cara ontem. Foi culpa dos seus sermões, e você sabe disso.
- Não venha botar a culpa da sua idiotice no Louis, Harry! - rebate Niall, irritado. - Isso sim, é coisa de garotinha mimada. Deixa de agir igual um inconsequente que não quer assumir a culpa! Aja como um homem por vontade própria, e não como o machinho que te vêem por aí. E você, Zayn?! - Niall pergunta, fazendo Zayn levantar a cabeça. - Como pode ser tão criança? A gente ganhou tantos prêmios aquela noite, fomos tão homenageados, fizemos uma apresentação linda, e você vai comemorar se matando?!
- Você sabe que não é assim, Niall. Não é pelo que acontece nos holofotes - disse Zayn, baixinho.
- Não importa, cara - disse Louis. - Quer descontar sua raiva, desconta num saco de pancada, num travesseiro, xingando os empresários. Não em maconha.
- Deixa ele fazer o que ele quiser, porra - disse Harry, revirando os olhos.
- Olha, você fica quieto na sua que essa parte da conversa não menciona você, já que você tava caído bêbado num canto - diz Louis, fuzilando Harry com os olhos, que recai sobre a cadeira de novo.
 Zayn suspira, como que pedindo vez para falar.
- Eu não me orgulho do que fiz, assim como não me orgulhei nenhuma das outras vezes. Vocês sabem disso. São recaídas, momentos realmente infantis e inconsequentes da minha parte. Eu sinto muito. - Ele olha para mim, sério e com os olhos cheios d'água. - E me desculpe, Cherry, por ter dado trabalho. Eu lembro vagamente de você dando chilique na frente de todos aqueles drogados, e eu sendo muito grosso com você. Lembro de eu te batendo, te xingando. Me desculpa mesmo, aquele não sou eu. Eu sei o quanto você gosta e se preocupa com a nossa banda, e eu queria que você soubesse que essa merda toda que você viu não somos nós. Aquilo não sou eu. Eu sinto muito. Espero que possa me perdoar.
 Eu olho para ele, com o olho também marejado, e dou um sorriso triste, assentindo.
- É óbvio que te perdoo, Zayn. Eu sei que você não tem controle do que faz ou fala quando está sobre o efeito das drogas. Mas eu realmente acho que isso não é saída para os problemas, sabe... Não que eu esteja por dentro do que vocês estão falando, mas existem muitos outros jeitos de melhorar as coisas.
 Ele sorri, como que agradecendo.
 Harry se levanta, com um sorriso falso.
- Bom, então a conversa acaba por aqui, certo?
- Errado, Harry. Sente-se novamente e peça desculpas para Cherry - diz Niall, o fuzilando com os olhos.
- O quê? Por quê? Eu não, ué. Não devo desculpas à ninguém.
- Não?????? - Louis bate na mesa, revoltado, e se levanta também. Zayn se encolhe mais na cadeira, e eu fico apenas quieta na minha. - Não deve desculpas à mim, por encher a cara? Por pegar algumas magrelas? Por cair bêbado no jardim da Miley, rodeado por gente louca? Por me deixar doido de preocupação? Por me fazer ir dormir chorando e te odiando, mais uma vez? Por me fazer de idiota, cuidando de você desde às sete da manhã, pra ter essa sua infantilidade como agradecimento? Não mereço desculpas por nada disso??
 Harry o encara, quase sem expressão. Mas é notável o quanto essa conversa o abala, por dentro. Ele franze um pouco as sobrancelhas, tentando parecer mais bravo do que ele realmente está - o que ele está é triste. Louis, ao contrário de Harry, já está bem perto de chorar, com as lágrimas formadas nos seus olhos, o nariz vermelho e a expressão cansada e enfurecida. Harry dá a palavra final.
- Você faz tudo isso porque quer. Eu não te pedi nada.
 E, de repente, tudo vira um caos.
Louis dá a volta na mesa gritando "não pediu nada??" e começa a estapear Harry, xingá-lo de tudo possível e imaginável. Niall vai atrás, tentando segurar Louis, mas ele é forte demais; Harry, por estar ainda de ressaca, cambaleia pra trás e só consegue se proteger de alguns golpes. Eu levanto e vou até Harry, segurando-o por trás, para ele não cair. Niall berra para Zayn ir ajudar, mas ele está estático na cadeira. Louis se solta de Niall e puxa Harry de meus braços pela gola da blusa dele. Harry se solta, recobrando a estabilidade e bem irritado, e confronta Louis.
- Vai, me bate! Me dá um soco bem aqui na cara! Quero ver!
- Você não levanta seu tom de voz comigo!
- Vai, me bate! Me bate, Louis! - ele berrou, indo pra cima de Louis. Eu me meto no meio, tentando separá-los, mas Niall me puxa para trás e me segura, tentando ser delicado.
 Louis para de confrontá-lo, e fica apenas parado na sua frente, encarando-o. Harry, pelo contrário, agora estava nervoso. Ele empurrava os ombros de Louis e gritava.
- Me bate, Louis! Vem! Eu sei que você quer me bater, não é? Então vem! Seu bicha. Seu boiola, que só sabe ficar no sermão. Vem, me xinga! Me bate! Vai, Louis, me bate!
 Louis recua, seu queixo treme e ele parece encolher os ombros toda vez que Harry o xinga. Eles nem pareciam notar que haviam mais pessoas em volta deles. Na verdade, toda vez que eles estavam juntos, pareciam esquecer das outras pessoas.
 Ele vira de costas pra Harry, apoiado na mesa. Ele dá um suspiro e volta a olhar para Harry, agora chorando. 
- Sai da minha casa. Sai agora.
 Harry sai de perto dele e vai em direção à porta.
- Não -, diz Louis, firme. - Vai pegar suas coisas.
- Eu volto depois para pegar - contesta Harry.
- Você não vai voltar, Harry - Louis soa extremamente decidido, apesar da voz de choro e das fungadas. - Sai. Agora. Daqui.
 Harry olha para ele, parecendo perceber que ele estava falando sério. Ele se reaproxima um pouco.
- Isso é sério?
 Louis não responde. Harry assente, irritado, e sai pisando forte até a porta, batendo-a contudo atrás de si. O barulho da porta parece despertar a todos nós: Louis senta em sua cadeira e chora; Niall e eu suspiramos, de certa forma aliviados, por não ser uma briga física; Zayn treme com o barulho da porta, e começa a olhar em volta, como que saindo de um transe.
- Lou... - digo, sentando-me ao seu lado e pegando sua mão. - Não chora, anjinho... Vai ficar tudo bem, viu? Amizades não acabam por coisas assim.
- Eu sei que não, e é por isso que eu choro. Porque eu tô cansado de "coisas assim" acontecerem, e tudo continuar igual - disse ele, tentando parar de chorar.
 Ficamos uns minutos em silêncio. Niall pega um copo d'água para Zayn, que agradece, e Louis tenta parar de chorar algumas vezes.
- Ei, que tal almoçarmos, irmos à minha casa, assistimos uns filmes, jogamos videogame...? - olho para Louis, esperando sua aprovação.
- ... Eu só quero ficar deitado na minha cama.
- Por favor, Louis.
 Ele assente, por fim. Eu sorrio, e ele finalmente para de chorar, dando apenas alguns soluços
- Então vamos. Vou colocar uma roupa.

Niall passa em sua casa antes para trocar de roupa. Zayn e eu já tínhamos nos trocado, e Louis se troca antes de irmos. Vamos todos no carro de Niall - com interferência de vários paparazzis -, e chegamos à minha casa cerca de seis ou sete horas da noite. Apresento a casa toda à eles e mostro meus animais de estimação: meus quatro cães, meus três gatos e meu porquinho da índia. Sim, eu tinha muitos animais.
- Vocês se importam de eles ficarem soltos? Alguém aqui tem alergia?
 Eles dizem que não há problema, e eu começo a ligar o videogame, dou jogos para eles selecionarem, e Louis me pergunta onde fica o banheiro. Ele ainda estava bem abalado, embora tivesse conseguido mudar um pouco sua feição para passar pelos paparazzis. Eu indico o banheiro, e ele dá uma andada apressada até lá. Eu vou atrás, só para ver se ele está bem. E, como eu imaginava, ele não está.
 Assim que a porta se fecha, ouço ele soltar o ar de modo abafado e volta a chorar, incontrolavelmente, ainda que baixo. Eu decido deixá-lo em seu momento particular e vou preparar seu chá preferido. Pergunto se os meninos querem alguma coisa, e Zayn dá a ideia de pedirmos fast food mais tarde.
- Uma ótima opção, Zaza.
 Niall chega perto de mim e pergunta, baixo:
- Louis está chorando no banheiro, não está?
-  Está -, digo. - Eu fiquei preocupada com ele. Ele sempre se abala assim brigando com vocês?
- Claro que não, com Harry ele é bem mais preocupado... - ele parece interromper sua própria frase, e então muda de expressão para um sorriso meio duvidoso. - Digo, eles são amigos bem mais próximos. É como se fossem irmãos, sabe? Eles se amam muito, e os dois ficam muito tristes quando brigam. O problema é que, ultimamente, isso tem acontecido muito. E isso tem prejudicado a banda, também. - Ele olha com o canto do olho para Zayn, que está mais distante, sentado no sofá vendo meus jogos. - É só ver como Zayn estava ontem. Tudo isso é para fugir da rotina, entende? Mas esse não é o normal da banda, geralmente estamos sempre alegres, rindo, conversando. Estão botando muita pressão em nós.
- Não tem problema nenhum, Niall. Eu agora sou famosa, também, e entendo a pressão, embora em vocês seja muito maior. E, acima de tudo, sou fã de vocês também, né? Nossa missão é ajudar vocês no que precisar, certo? Mas você não tem a obrigação de esclarecer tudo, eu sou a intrusa aqui.
- Muito além disso -, disse Louis, saindo do banheiro com um sorrisinho fraco no rosto. Ele parecia ter ouvido toda a história. A aparição de Louis chamou a atenção de Zayn, que se voltou para nós. - Você, como já disse, foi um anjo. Nós vamos adorar te contar tudo que pudermos, não é mesmo, Niall? - Niall assentiu, sorrindo feliz para mim.
- Então, senta aí, vou pegar seu chá, e a gente conversa. Com muita paz e serenidade, certo?
- Certíssimo! - concordou ele, rindo. Ele parecia bem melhor.

 Louis me contou várias coisas, desde o começo do 1D, até os dias atuais. Sua amizade com o Harry - embora desviasse de todas as perguntas relacionadas a namoros, rolos e shipps que eu fazia -, os meninos em geral, a pressão que Simon e o resto punham sobre eles. Embora fossem coisas mais superficiais, era mais do que o que já havia sido exposto, e eu estava muito feliz de poder jogar com eles e ter uma conversa de gente normal, contando sobre nossas histórias. Contei um pouco de minha história, também, e estávamos compartilhando momentos bons que tivemos durante nossas carreiras quando bateram na porta.
- Eu vou abrir a porta, você já continua a história, Niall.
- Sem problemas, vou roubar seu controle enquanto isso - disse ele, pegando meu controle que estava no sofá.
 Fui até a porta, olhei no olho mágico e só consegui imaginar a merda que isso ia dar.
- O que está fazendo aqui? (gif)
 Harry estava com um buquê na mão e um outro presente em outra, com um sorriso fraco no rosto. Liam estava atrás dele, também com um sorriso fraco, meio envergonhado.
- Vim me desculpar com vocês. Trouxe Liam, também.
- Não sei se ele vai querê-los aqui - disse, sendo sincera.
- Por favor, Cherry. Apenas diga que estou aqui.
 Eu suspirei, deixei a porta semiaberta e disse calmamente para Louis que "ele" estava lá. Ele tirou o sorriso do rosto, ficando sério. Ele balançou a cabeça em negação e levantou, em direção à porta, dizendo um "obrigada" sem som para mim. Podíamos ouvir a conversa deles da sala.

 Louis' POV
Os meus passos eram lentos e sem pressa. Eu abri a porta.
- Oi -, disse Harry, com uma voz suave.
- O que é isso? - perguntei, ríspido, me referindo aos presentes.
- São pra você - respondeu Harry, tímido.
- Não, obrigado. Era só isso?
- Vai, Louis. Me deixe entrar...
- Tchau, Harry - disse, batendo a porta.
Já estava pronto  para me virar e voltar para a sala quando ouvi ele encostar a cabeça com calma na porta, suspirando, e dizendo, baixinho:
- Vamos, blue eyes, abra a porta para mim. Você sabe que eu sinto muito. Eu quero falar isso olhando para você, amor. Eu trouxe seu chocolate preferido e um buquê de peônias. Eu sei que você detesta que eu faça isso, mas por favor, vamos resolver isso juntos, certo?
 Meu coração apertou. Blue eyes, buquê de peônias. Eu realmente odiava quando ele fazia de tudo para me agradar, mas esse era o apelo final dele para eu ceder. E ele estava certo, tínhamos que resolver isso. Eu ouvia um último suspiro seu, e sua cabeça saindo da porta. Alguns passos, e então eu abri novamente a porta, já abalado, mas sem me permitir chorar.
- Entrem.
 Liam entrou primeiro, quase que correndo, e foi para a sala com os outros. Cherry percebeu que precisávamos conversar a sós, e então ela gritou de lá da sala "O quarto das visitas é subindo as escadas, no final do corredor". Ele olhou para mim, ainda apreensivo, e passou por mim, indo para as escadas. Eu tranquei a porta e fui atrás dele.
Nos trancamos lá, e então ele sentou na cama, relaxando os ombros. Deixou o buquê e o outro presente na cama, ao seu lado.
- Escuta, me desculpa, ok? Aquilo foi ridículo. Eu... Eu não sei onde eu estava com a cabeça. Foi inconsequente e infantil.... (gif)
- Harry. - Eu o cortei. Ele olhou para mim. - Você fala tudo isso toda vez que nós brigamos. Eu não quero desculpas esfarrapadas. Eu quero que a gente pare de brigar, você entende? Que você reaja mais com quem merece essa sua fúria toda, e não venha descontar em mim. Passei a manhã toda chorando sobre seu corpo, tomando conta de você, a coitada da Cherry viu a gente no nosso pior estado, e tudo que você fez foi gritar, escandalizar e me provocar! Quantos anos você tem?! Aquilo não foi apena inconsequente e infantil, Harry, foi inaceitável. Se eu não te amasse tanto, eu juro... - parei a frase na metade, para segurar a vontade de chorar. Respirei fundo. - Você entende que isso nos prejudica ainda mais? Você entende que é isso que eles querem? Você está se vendendo e...

- Pare de dizer isso! - ele disse, se levantando e aumentando o tom de voz. Ele respirava rápido, como que cada palavra que eu tivesse acabado de dizer fosse um peso a mais para ele. Ele abaixou o tom de voz novamente. - Pare de dizer que eu estou me vendendo, porque  isso não é verdade, ok?! A única coisa que eu tenho feito ultimamente tem sido pagar preços altíssimos para mantermos nosso relacionamento. Me desculpa se isso não tem sido o suficiente, ok?? Se eu estou passando menos tempo com você, é porque eles me obrigaram. Se eu vou em festas e flerto com garotas, é porque eles me obrigaram. Você não ficou com nenhuma parte pesada desse trabalho sujo de escondermos tudo isso, porque eu escolhi que você ficasse de fora, porque queria te proteger, Boo. - nesse ponto, eu já estava chorando, e ele começava a deixar as lágrimas caírem também. - Eu só queria seu melhor. E por isso estou sofrendo como que no inferno pra mantermos isso de pé. Eu não confronto eles porque você sabe muito bem que isso é pior para nós. Que se eu me viro contra eles, nós é que sofremos. Me mandam para os EUA em todas as folgas e te enchem de Eleanor nas horas vagas. Você sabe disso, nós já tentamos. Agora estamos cercados, Lou. E eu sinto muito por ter feito isso conosco, eu já te falei isso mais de mil vezes. - Ele se levantou, agora chorando quase tanto quanto eu. Foi chegando mais perto e seus olhos suplicavam que eu entendesse. - Me desculpa, amor. Me desculpa de verdade por ter nos metido nisso. Mas eu não queria te perder. Eu não queria que você me perdesse, também. Eu só me contento com o modo torto de nos termos, porque eu sei que se não fosse isso, não seria nada. Eu sinto muito. Muito mesmo. Eu sinto muito, boo bear.

 Eu chorava cada vez mais quando ele dizia que sentia muito. Coloquei a mão na boca e chorei mais e mais.
Nós dois ficamos por um minuto ou dois chorando, apenas no silêncio das lágrimas e da fatalidade em que nos encontrávamos.
- Você me perdoa, amor? - perguntou ele, quando conseguiu.
 Eu assenti, ainda sem conseguir falar.
- E você me ama, amor?
 Assenti novamente, voltando a chorar mais. Quando consegui falar, disse apenas o que estava na minha mente:
- Me abrace, Curly Boy.
 E ele veio até mim e me abraçou forte, me permitindo chorar em seu ombro. Eu nem sabia mais se chorava por dor, por ódio, pela briga, por todo o conjunto da obra, ou por cansaço. Mas eu sabia que o amava. E era tudo que eu precisava saber para suportar a vida, como quer que fosse.
- Eu te amo, boo. Eu te amo muito. Muito muito muito.
- Eu também te amo, curly. - Tirei meu rosto de seus ombros e fiquei olhando em seus olhos. Sorri. - Now kiss me, you fool.
 Ele sorriu, e assim fez.

Eu estraguei tudo desta vez, ontem tarde da noite, bebendo para suprimir a devoção. Não posso me livrar desse sentimento agora, estamos atravessando as emoções, esperando que você parasse. E apesar de só ter te causado dor, você sabe, mas todas as minhas palavras serão baixas; apesar das mentiras que contei quando você era minha estrada, me levando para casa
Veja as chamas em meus olhos, brilham tanto, quero sentir o seu amor. Acalme-se, amor, talvez eu seja um mentiroso, mas por essa noite eu quero me apaixonar e fazê-la confiar em mim