terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cap 16: A Thousand Years / Without You

Lottie's POV
Ian tinha ido viajar com o pessoal da faculdade dele, eles haviam ido para uma excursão sobre a matéria que eles estavam aprendendo (ele estava fazendo Cinema e foram até um dos estúdios famosos da França), onde ele ficaria por duas semanas, e isso ia me ajudar a refazer meu namoro com o John.
 Eu fiquei cerca de duas ou três semanas com o Ian, mesmo estando com o John, e isso já fazia duas semanas e meia. Eu fiquei uma semana sem falar muito com Ian - já que nós dois estávamos em provas e eu arranjei essa desculpa para ficar em casa - e, na semana seguinte, ele foi viajar. Eu ia bastante à casa de John, nós víamos filmes animados, jogávamos videogame, transávamos antes de seus pais e seu irmão chegarem, eu jantava lá, e depois eu ia para a minha casa. E tinha dias que ele vinha na minha casa também, mas fazíamos as mesmas coisas. Estava realmente divertido - e maravilhoso - namorar o John desse jeito, de um jeito maduro e sincero. Nós íamos para a escola separados, mas voltávamos juntos, e nos encontrávamos de tarde dia sim, dia não - como se fosse para "não enjoar", era meio que uma coisa maluca que tínhamos inventado, como "um dia nosso, e um dia 'deles' " (deles = amigos).
Tínhamos acabado de sair da escola, era semana de prova então apenas íamos para a escola 9 horas, fazíamos a prova em duas ou três horas e íamos embora. Como hoje eu tinha grupo de teatro musical, demorei mais meia hora, então saímos meio dia como sempre - a diferença é que, Graças a Deus, podíamos acordar mais tarde nessa época. Saímos felizes, abraçados, e fomos almoçar.
 Almoçamos no restaurante por quilo. Eu não peguei nada mais que arroz, frango e salada. Eu queria ficar bem magrinha para caber no meu vestido de formatura no fim do ano, agora que estava finalmente no meu último ano letivo (yaaaay!!!)... Eu sei que ainda faltam oito meses para a formatura, mas eu estava ansiosa!
Me sentei com John na mesa do restaurante. Ficamos conversando sobre assuntos variados, até que tocamos no assunto de sempre.
John: ... E como está Annie? Têm recebido alguma mensagem dela?
Eu: Uma carta por semana. - suspirei. - Ela sempre diz em todas elas que está sem tempo para escrever porquê está fazendo seu chá de bebê e indo muitas vezes ao médico e tudo mais, que está sem paciência pelos hormônios à mil e sem dinheiro para mandar, tipo, mil cartas por dia!
John: Entendi... Eu lembrei que hoje fazem quatro meses que ela já foi. Estamos no dia 19 de maio... E ela descobriu a gravidez com um mês e meio... Em novembro... Então...
Eu: Sim, ela já está com sete meses de gestação. Por isso o chá de bebê, e a correria com os médicos. Faltam só dois meses ou três, já que o médico disse que, por ela ser nova, pode ser que demore mais para as contrações se tornarem motivo de cuidado e atenção. "Yoopi". - disse, irônica.
 John olhou para mim, meio confuso, e riu. Eu olhei para ele com cara de "que é?!" e ele disse, ainda sem conseguir conter um sorriso:
John: Você tá com ciúmes de alguém que nem nasceu ainda. Impressionante.
Eu: Não tô com ciúmes! - disse, largando o garfo, indignada. - É que... É que... Ela é minha desde sempre! E saiu daqui por causa de uma gestação simples! É tão chato!
John: E você não chama isso de ciúmes?! - disse, rindo alto. - Chama isso de quê?!
 Eu até teria ficado irritada, se não fosse o John que estivesse falando isso. E se não fosse verdade. Então, simplesmente comecei a rir e concordei com a cabeça, colocando mais salada na boca.
 Saímos felizes do restaurante, e fomos para a estação de ônibus pegar uma tia do John que estava chegando na cidade agora e tínhamos prometido pegá-la em 10 minutos, então saímos correndo e, chegando lá, John foi direto perguntar à algum funcionário se o ônibus 54 já tinha chegado. Eu disse que ia pegar um milkshake por aí e o encontrava naquele lugar novamente em cinco minutos. Mas meus planos mudaram assim que eu trombei em alguém.
Eu: Ai, desculpa! Eu só... - eu me virei, vendo o rosto da pessoa que eu menos queria ver no momento. - Ian. Oi. - eu fiz uma voz de desinteresse.
Ian: Oi, Lottie. Eu vi seu Instagram. Suas fotos melosas com John, e os comentários dele, e tudo mais. E eu acho que precisamos conversar.

Harry's POV
Eu chorei até dormir, no sofá mesmo, com o celular entre as pernas, caído. No dia seguinte, acordei com uma dor de cabeça da porra e olhei no relógio: meio dia. Eu teria surtado - e sido morto pelo Simon - se não fosse domingo.
Garotos geralmente não fazem isso, mas eu peguei um saco de marshmallows e fui direto para a casa de Louis. Ele, de todos, sempre foi meu melhor amigo, e eu não sabia pra onde ir, por onde começar, então resolvi pegar meus óculos escuros, meu casaco de gorro para ninguém me ver muito, peguei meu carro e dirigi até a casa dele.
 Toquei a campainha, quem atendeu foi nossa maquiadora, Lou. Eu dei um sorriso, já quase chorando, e ela apenas fez uma cara triste por me ver triste, e disse para eu entrar.
Lou: Ele está no quarto dele, brincando com a Lux. Eu vou trazê-la para cá, já estávamos indo embora, mesmo.
Eu: Podem ficar se quiserem, eu volto mais tarde.
Lou: Não, não, nós só passamos para falar com o "tio Louis" e pegar uma mala emprestada antes de irmos para a Disney, sua conversa com ele parece ser... um pouco mais importante. - ela disse, me guiando até o quarto do Louis, como se eu não soubesse onde era.
Ela bateu na porta, pediu licença, pediu para Lux vir até ela que estavam indo embora, e disse à Louis que ele tinha visita, me mandando entrar. Eu entrei sorrindo, tentando não demonstrar muita emoção, meio confuso ainda.
Louis: Harry! Que bom te ver, cara! Já estava com saudades, só nesses quatro dias de folga que não te vi! - disse, me dando um abraço amigo, que quase me fez começar a chorar naquele mesmo instante.
Mas foi aí que Lux chegou, eu a abracei, a beijei e tal, e ela e Lou foram - finalmente - embora. Não que eu não gostasse das duas, a Lux é minha afilhada, é que eu tinha coisas mais importantes pra fazer.
 Elas saíram, eu fechei a porta e já sentei cansado na cadeira da escrivaninha, levando minhas mãos ao rosto, cobrindo-o. Louis estava na cama e me olhou preocupado, levantando o tronco e ficando sentado.
Louis: ... Haz? Cê tá chorando? - disse, colocando a mão no meu ombro. Eu levantei meu rosto. - Ah, você tá chorando. O que houve, cara? Acabou a cerveja em casa?
Eu: Vai se fuder, Louis! - disse, chorando mais. Eu suspirei, tentando me recompor.- A Annie me ligou ontem à noite. Ela disse que algumas pessoas já sabem onde ela está, mas ela não pode contar para mim! Eu tô... sem chão. (gif)
Louis: Eu sei que é difícil, cara, mas tem que superar. Não é o fim do mundo.
Eu: Diz isso porquê não é sua namorada que se foi.
Louis: Mano, a gente não fica sempre 8 meses ou mais viajando por aí, cantando para milhares de pessoas, abandonamos nossas namoradas e nossa família, para o nosso próprio bem?! Então, ela tá fazendo o mesmo! Se ela disse que vai voltar, ela vai! Só confia nela, mano!
Eu: Mas eu queria saber onde ela tá, se está bem, com quem está! Nós sempre damos nossa localização, todos sabem onde estamos, eu estou há quatro meses sem saber onde o amor da minha vida se meteu! Eu queria saber onde ela está!
 Louis coçou o cabelo e disse, baixinho:
Louis: Queria poder contar... (gif)
Eu olhei para ele, com um acesso de fúria me possuindo por dentro.
Eu: Você sabe onde ela está?
Louis: Não. - disse, sério, sem olhar para mim.
Eu: Louis. - Ele continuou fingindo não ouvir. Então gritei. - LOUIS WILLIAM TOMLINSON, OLHE NOS MEUS OLHOS E DIGA QUE NÃO SABE ONDE ELA ESTÁ.
 Ele então levantou seu rosto, olhou para mim, abriu a boca para falar e, então, seus olhos encontraram os meus. Sua boca continuou aberta, mas ele não disse nada. Era como se ele tivesse se aprofundado nos meus olhos e ido para outra dimensão. Ele tinha um olhar triste que de repente havia surgido em seu rosto, e ele fechou sua boca, suspirando e tirando seus olhos de mim, fitando o chão novamente.
Eu: Então você sabe onde ela está.
Louis: Fui o terceiro a saber, Harry. Eu estava com ela quando ela decidiu o que fazer.
Eu: O que fazer sobre o quê?! O quê todos estão escondendo de mim?! Para onde minha namorada foi?!
Louis: Eu não posso falar! - gritou. - Você acha que, se eu pudesse, eu não teria te contado?! Se eu achasse que era uma coisa banal, eu teria prometido que não ia contar e te contaria do mesmo jeito, como já fiz com você várias vezes! Você sabe que, quando posso, eu tento ajudar. E eu estou tentando te ajudar agora não contando. Ela vai te explicar tudo quando voltar!
Eu: Vocês são um bando de filhos da puta. (gif)
Louis ficou tentando me convencer, mas eu não houvia mais nada: eu só queria minha namorada de volta.

Annie's POV
Depois daquela ligação para o Harry, ficou difícil não pensar mais nele. A cada minuto do meu dia eu pensava nele. Eu sonhava com ele, acordava pensando nele, acariciava minha barriga pensando onde o pai dessa criança estava agora, beijava o Joe pensando no Harry, saía sozinha pelas ruas imaginando o que Harry diria se visse todo aquele cenário de filme antigo...
 Passaram-se alguns dias, eu fui ao médico fazer mais um ultrassom com Joe.
Nesse dia, Joe me acordou com um café na cama, reforçado.
Joe: Bom dia, raio de sol!
Eu: Bom dia, meu príncipe! - disse, beijando-o. - Que bondade toda é essa?
Joe: Hoje vamos ver como está a nos... a sua Melanie, esqueceu? - disse, dando um sorriso fraco.
 Era difícil para Joe assim como era difícil para mim. Só que eu tinha que viver longe de Harry, tendo outro para me ajudar. Ele era apaixonado pela mulher que já estava envolvida com outro homem. E pior: agora, estava fazendo de tudo para não se envolver também com a criança que não era dele.
 Eu tinha dado o nome de Melanie como um nome provisório, afinal, era uma menina, e a pessoa que a adotasse podia dar o nome que quisesse. Eu tinha todas as filmagens dos ultrassons gravadas e guardadas numa caixinha colorida especial, e em todas elas, desde a primeira, eu disse "se for menina, vai ser Melanie". E era. E agora seu nome era Melanie, para mim.
Era difícil aceitar que, em alguns meses, eu teria que dar Melanie para um desconhecido e uma desconhecida. Era difícil aceitar que Harry nem sequer poderia saber da existência desse bebê. Era difícil aceitar que eu teria que fingir que tudo não passava de um sonho, que Melanie nunca havia existido, que todo esse tempo eu estava na Austrália, e tudo mais. Era difícil, mas era necessário. Era melhor do que destruir a carreira de Harry, melhor que destruir aquilo que Harry demorou anos para construir, destruir aquilo de maior valor para ele. Aquilo era a vida dele. E eu teria que sacrificar outra vida para salvar a dele. Era o preço a se pagar por cometer erros de grande porte.
 Enquanto pensava tudo isso, terminei de me arrumar e fomos para o médico.

 Chegando lá, fizemos o ultrassom. Eu chorava de emoção, como todas as outras vezes.
Joe: Ela está gigante!
Doutora: Olha só! - disse, entusiasmada. - Como a Melanie cresceu! Está cada vez maior e mais bonita! O lacinho digital que colocamos no último ultrassom parece combinar bastante com esse futura menininha! Ela está muito saudável, os batimentos estão no ritmo, o foco de sangue está indo para o coração, o cérebro está começando a ser desenvolvido... Tudo na linha!
Eu: Ai, meu Deus! - eu dizia, entre as lágrimas quentes que caíam em meu rosto. - Olha como ela tá grandinha... Minha Melanie, minha linda e doce Melanie!
Joe: Toda sua, meu amor. - disse, docemente, apertando minha mão. - Ela vai ser uma grande mulher, igual à mamãe. Certo, Melanie? - ele sorriu, acariciando a minha barriga.
 Ela começou a chutar e se mexer violentamente assim que ele começou a acariciar a barriga. Eu e ele ficamos assustados, mas a Doutora deu um grande sorriso.
Joe: Parece que ela não reconhece só sua voz, Joe, mas seu carinho também! Ela ficou agitada porque sabe que é o papai dela que está dando carinho.
 Ele desmanchou o sorriso, soltou um pouco a mão da barriga, e logo em seguida deu um sorriso fraco, sincero. acho que a palavra "papai" nessa frase não o deixou tão feliz.
Doutora: Podem ir lá para fora, que eu já entrego o resultado.
 Fomos para fora e, depois de 15 minutos, ela deu toda a papelada. Mas o que mais me interessava era o último envelope. O ultrassom.
Joe: E aí está... - ele disse, chegando mais perto de mim, me abraçando por trás.- ... Sua linda Melanie.
Eu: Não, Joe... - disse, apertando a mão dele mais forte.- ... Essa é a nossa Melanie.
 Ele abriu um grande sorriso e nos beijamos, já indo para o carro.

Lottie's POV
Eu: Eu também acho que devemos conversar, Ian.
Ian: Na verdade, nem tem tanto o que conversar, não é? Eu aposto que só ficou com aquele zé mané esse tempo porque eu tava fora, né, minha gostosura? - disse, já me agarrando e apertando minha bunda.
Eu: Sai, Ian! - disse, saindo dos braços dele. - No meio de todo mundo?!
Ian: Desde quando liga pra isso?!
Eu: Eu queria é saber como eu não ligava pra isso enquanto eu tava contigo! - eu suspirei, tentando manter a calma. Tudo que eu menos queria era causar no meio de um lugar público, com meu namorado por perto. - Escuta, Ian...
Ian: Não vou escutar porra nenhuma, sua vadia. - ele disse, bravo. - Tô caindo fora.
Eu: O quê?! - disse, me virando. - Como assim, Ian?! (gif)
 Mas ele fingiu que não ouviu, e continuou andando. E andando. E andando. Até que eu vi que aquele não era o caminho da saída, mas levava... À John.
Eu: Puta merda. - disse baixinho, correndo atrás dele.
Ian já chegou empurrando John, que ainda estava esperando o ônibus chegar.
John: Que por... Ian! - disse, fuzilando Ian com os olhos. Já dava pra sentir a irritação em sua voz.
Ian: E aí, gazela? Como tá sendo sua vida de corno?
John: Cala a boca, seu desgraçado. A Lottie é minha agora.
Ian: ah, é? Então eu transar com a sua namorada não significa nada?
John: Eu já sei do caso estúpido e sem importância que vocês tiveram, eu perdoei a Lottie porque eu a amo e ela estava sendo imatura e inocente, mas você não tem motivos pra ficar me enchendo mais o saco, cara.
Ian: Imatura? Inocente? Cara, você nunca deixou ela te pagar um boquete e ela é a imatura e inocente?! Tem que ver quando ela...
Eu: IAN! - gritei, brava. - Para com isso! As pessoas estão olhando!
Ian: Agora se importa?! Que foi, tá com medo? Tá com medo de todo mundo descobrir que a irmãzinha de Louis Tomlinson é uma vadia, traidora, que sai dando pra to...
 Nem deu tempo de terminar. John tacou um soco na cara de Ian, que eu teria até me preocupado, se não fosse minha irritação. John botou um dos pés no peito de Ian, o forçando a ficar no chão.
John: Puta seria a sua mãe, se ela estivesse viva, seu idiota! Cai fora das nossas vidas, não atrapalha mais nosso namoro, senão da próxima vez eu chamo é a polícia por pedofilia, já que você tem 18 e ela, 16. Você tá me entendendo, seu nojento?!
 Ele pressionava forte seu pé contra o peito de Ian, e eu via que isso dificultava a respiração dele. O nariz dele sangrava e já haviam alguns paparazzis ali, e uns guardas chegando. Dei ao John um olhar de censura, então ele se afastou, permitindo que Ian se levantasse, mesmo que com um pouco de dificuldade.
Guarda: O que está acontecendo?
John: Nada, senhor. Apenas um maluco dando em cima da minha namorada.
 Eu assenti, pegando na mão de John e apertando forte. Ian apenas fungava, talvez tentando ver se aquilo que escorria era suor ou sangue. O guarda começou a dispersar as pessoas que estavam em volta, embora os paparazzis já tivessem tirado muitas fotos e ainda continuassem tirando.
Eu ia indo embora com John, quando Ian passou por trás de mim, me pegou pelo braço vago e disse:
Ian: Isso não vai ficar assim, sua puta miserável. Agora todo mundo já sabe que você é uma dadinha, e você não pode reverter isso. Você se fudeu de qualquer jeito, Charlotte.
 Eu simplesmente não aguentei mais, ainda mais pelo fato de ele ter me chamado de Charlotte, e fiz o que deveria ter feito antes mesmo do "O quê?!", do início da conversa. Me desvincilhei dos braços dele, irritada, e rebati:
Eu: Escuta aqui você, Ian. Nunca mais, nunca mais se meta na minha vida, eu só quero te ver de novo quando Annie voltar para cá, e saiba que você é a pessoa mais idiota, sem classe e ridícula que eu já conheci, e eu espero mesmo que você morra sozinho no meio da estrada.
Ian: Eu não ligo, putinha.
 Até que gritei de raiva - o que não foi muito bom, porque atraiu a atenção de todos novamente -, soltei a mão de John e dei um super soco em Ian, já farta de tudo aquilo.
Eu comecei a bater nele, fazendo-o cair no chão. E eu fui junto, chutando-o e estapeando-o pela primeira vez na vida, e com muita vontade. Eu já estava cheia desse jeito metido dele, e dessa grosseria, e de tudo mais. Eu havia tentado o botar na linha, mas não houve jeito.
Só parei de bater nele quando John me levantou e me segurou, eu ainda dando socos no ar. O guarda levantou Ian e o obrigou a se dirigir para fora da estação, e que depois nós resolveríamos isso na cabine policial da estação por desacato. E, quando finalmente todos nos recompomos, fomos procurar a droga do ônibus onde estaria a tia do John.
Enquanto andávamos, John me parou e me beijou, do nada. Um beijo demorado e fofo. Quando terminamos, eu sorri, mesmo sem entender nada.
John: É só pra te lembrar que, não importa o que digam e o que façam, eu sempre vou te amar.
 Eu sorri mais ainda, e o beijei novamente.
Eu: E esse foi só para lembrar que a nossa ideia de ficarmos juntos para sempre ainda está de pé, não se esqueça disso.

"Quando olho em seus olhos é como observar o céu de noite, ou um belo amanhecer: eles carregam tanta coisa e, como as estrelas antigas, vejo que você evoluiu muito para estar bem aonde está. Qual a idade da sua alma?
Não desistirei de nós, mesmo que os céus fiquem violentos. Estou lhe dando todo meu amor, e ainda olho para cima"




Annie's POV
Joe me convidou para ir à uma festa que ele havia sido convidado, mas eu recusei, porque só iria ter gente que ele conhecia e eu queria ficar um pouco sozinha.
Ele saiu por volta das nove horas, dizendo que voltava lá pela meia noite, pois não queria me deixar sozinha caso eu precisasse de algo. Essa é aquela época da gravidez que você pensa "meu bebê pode nascer adiantado, há qualquer minuto!" e também "quando essa tortura de dor vai acabar?!" e também "ah meu deus, logo logo meu filho nasce!", então é época de tomar muitas precauções.
 Já eram umas dez quando o filme que eu estava assistindo acabou. Eu ainda estava com a roupa que fui fazer o ultrassom, estava com preguiça de tirá-la, e desisti de tomar banho. Fiquei olhando o berço vazio de minha futura filhinha, que eu nem sabia se teria tempo de deitar nele quando chegasse ao mundo, ou se teria logo que dá-la ao orfanato. Mesmo sabendo que Joe a visitaria às vezes, eu ficava preocupada.
A chuva caía forte lá fora. Quando eu fui pegar um cobertor no quarto, percebi que as janelas da sala estavam abertas. Mas eu não as tinha aberto.
Fui para mais perto e me deparei com um bilhete.
"Te deixar sozinha numa sexta chuvosa à noite? No meio do nada? Que péssima ideia do seu namoradinho substituto, não é mesmo? Agora, quem cuidará de você sou eu."
Sem assinatura. Eu gelei. Logo pensei na moça que matou Aria, que eu nem sequer sabia se era mesmo uma moça, com aquelas mudanças de vozes que ela fazia. Aquilo me veio à cabeça e me deu uma dor de cabeça tremenda, juntamente com um embrulho do estômago. Eu fiquei parada, sem saber o que fazer. Até que ouvi um barulho na cozinha. Sem conseguir pensar direito, corri em direção para a cozinha, fechei a porta, corri para o meu quarto e me tranquei lá. Literalmente, peguei a chave do quarto, tranquei a porta, e joguei a chave pela janela. Fui para o banheiro do quarto, me tranquei lá e mandei uma mensagem para Joe.
"Joe, por favor volte para casa, eu estou com medo."
Assim que enviei, decidi que era melhor explicar direito.
"Acho que tem alguém em casa. Achei um bilhete e ouvi uns barulhos na cozinha. Estou trancada no banheiro do meu quarto. Volte rápido, por favor, estou com muito medo mesmo! Chame a polícia com você, ou sei lá!"
Eu só rezava para o barulho da festa não estar muito alto e ele visse as mensagens que eu estava mandando.

Harry's POV
Sexta à noite, como sempre eu estava reunido com todos da banda. Niall, Louis, Liam, Zayn, Dan, Josh, John e Sandy, todos na cada do Zayn assistindo ao jogo de futebol, comendo besteira, falando besteira, jogando videogame... Tudo de bom e de melhor. De repente, o celular do Zayn tocou.
Zayn: Alô?
Perrie: Oii! Tudo bem, meu amor?
Zayn: Oi, querida! Tudo ótimo, e com você?
Louis: Ih, é a esposa ligando, lá vem treta! - disse ele, zombando.
Niall: Fica quieto! - disse, sério. Depois abriu um sorriso debochado. - Afinal, em briga de marido e mulher não se mete a colher!
 Todos caímos na gargalhada, menos Zayn, que ficava mandando a gente calar a boca. A maioria de nós já estávamos bêbados então é claro que não obedecemos ao Zayn.
Zayn: Tudo bem então amor, beijos pra você.
Perrie: Outro beeeem grande pra você, manda um oi para os meninos também.
Zayn: Beleza. Tchau!
 Ele desligou e olhou para nós, sorrindo.
Liam: Que animação toda é essa?
Zayn: Temos mais uma premiação! Será quarta à tarde, Teens Choice Awards, público enorme assistindo tanto no local como pela TV, porque na maioria dos países não será horário escolar! A Perrie me ligou pra avisar porque o Simon já avisou elas e ele pediu que ela comunicasse à nós.
Josh: Beleza! Vou levar minha guitarra 47, que é a mais legal para usar à tarde.
Niall: Por que não a 52?
Josh: Porque a 52 eu usei no último show matutino, que eu não lembro qual foi, mas foi recente.
Niall: Então usa a 35!
Josh: Qual o problema de eu usar a 47?!
Niall: Nenhum! Nenhum!
Josh: Niall... - ele disse, olhando para o Niall bem no fundo dos olhos -... Você quebrou a 47?
Niall: Não! Claro que não! Que absurdo! Não! - ele olhou para o chão. - Talvez um pouquinho...
Josh: NIALL JAMES HORAN, VOCÊ QUEBROU A GUITARRA 37?!?!?!?!
Louis: Ei! Parem! Ninguém tá nem entendendo o quê vocês tão falando! E você acha mesmo que alguém presta atenção na cor da guitarra? Usa a 43 aí que o Niall falou e para de encher!
Niall: Mas eu disse...
Josh: Ei, seu bêbado! - interrompeu. - Não vem me dar ordens, não!
Liam: SILÊNCIO, SEUS MACACOS! - gritou Liam, irritado. - TÁ NA MELHOR PARTE DO FILME!
 E, então, todos voltamos ao silêncio para assistir o final de Toy Story 2. De novo.

Não pude deixar de pensar o quanto a Annie adoraria ir conosco. Ela sempre adorava esse tipo de festa, essas premiações matutinas que éramos convidados, ela sempre ia cheia de energia como convidada de ouro, vendo quem parecia mais feliz e animado para pegar autógrafos e tirar fotos... Ela era tipo uma gerente de público. Talvez eu obrigasse Louis a pelo menos ligar para Annie, sem me dar o número, e perguntar se ela não podia mesmo vir nos acompanhar. Quem sabe.

Annie's POV
Eu ouvi um barulho de porta se abrindo com chave. Já havia se passado uns 20 minutos desde que eu havia mandado aquela mensagem para Joe, então logo pensei que ele havia chegado. Mas antes perguntei.
Eu: Joe? - sem resposta. - Joe? - gritei mais alto.
 E, então, eu ouvi a sua voz conhecida: "Oi! Joe aqui!" "Oláá?".
Eu suspirei aliviada, e saí do banheiro que estava trancado. A porta do meu quarto estava aberta. Ah, que bom, ele havia destrancado a porta com a chave dele! Então era realmente ele!
Eu: Joe! Ah meu Deus, eu fiquei com tanto medo!
 "Olááá?", ele repetiu.
Eu: Eu tô aqui, bobo! - disse, indo até a sala, de onde saía o som.
Mas, chegando lá, uma surpresa: ele não estava lá. Nem na cozinha. Nem em lugar nenhum. Eu ouvi o "Oi! Joe aqui!" novamente, e quando me dei conta, vi que era a caixa de recados com a voz de Joe gravada, que pausava e recapitulava antes que ele dissesse "Deixe seu recado!"
 Eu gelei. Então, quem havia aberto a porta? E colocado aquilo para tocar? Eu comecei a tremer, e voltei correndo para o quarto, que estava com as luzes apagadas. Fui acendê-las, mas os fios estavam cortados. Fiquei parada no centro, esperando algo. Até que "algo" veio até mim, me dando um susto. Eu só senti alguém me empurrando enquanto eu gritava e caía no chão.
A batida machucou minha lombar, o que me impossibilitou de levantar, com o peso da barriga. Meu nariz sangrava. E o suor frio escorria sobre mim.
Eu: Por favor, pare!
 Mas a coisa nem parecia me escutar. Começou a quebrar tudo pela casa, tacando ainda algumas coisas em mim. Eu me protegia com meus braços, mas acabava cortando-os com as coisas que ela jogava. Ela jogou algo que só meus braços não conseguiram impedir e o negócio se estilhaçou sobre mim. Cortou minha testa e eu sentia mais alguns lugares ardendo, não sabia se era pelo impacto da explosão ou pelos cortes que haviam sido criados. Eu já estava de olhos fechados, com medo do que viria a seguir. A coisa, porém, parecia bem corajosa e determinada. Ela veio até mim, me pegou pelos braços e me levantou, me machucando pela força dela. Foi me levando desse jeito até o fim do quarto, sem me deixar colocar os pés no chão, quase triturando meus ossos dos braços.
Eu: Voc... Você... Você vai matar meu filho desse jeito! - gritei, tentando me tirar das mãos dela. - Pare! Pare por favor! Vai matar meu filho!
 Chegamos à varanda, onde ela me jogou no chão e eu senti uma dor tremenda dentro de mim. Ela começou a chutar minha barriga, mas eu prendi duas pernas com minhas mãos logo no terceiro chute, jogando-a para longe. Mas ela permaneceu de pé, e antes que eu conseguisse levantar, ela mesma me levantou da mesma maneira que antes.
Eu: Pare, por favor! Vai matar o meu filho!
Ela me encostou na mureta de concreto, me forçando para trás, mas ao mesmo tempo me segurando. Ela me olhava, me encarava, embora eu não conseguisse ver seus olhos direito. Eu conseguia ver que eram brilhantes, cor de mel, quase dourados. Ela apertou meus braços ainda mais forte e, com uma voz rouca, disse no meu ouvido:
"É essa a intenção"
E, assim, fui jogada do segundo andar da minha casa, direto para o gramado frio e molhado da madrugada. Eu sentia uma dor incalculável, e isso era até que bom, pois significava que eu ainda não havia morrido, e ouvia um carro chegando ao longe, mas eu já não sabia se podia me alegrar com isso. Muito menos conseguia ver quem era. Olhei para cima, que era o único lugar que conseguia ver, e a coisa já havia sumido. Ouvi Joe - agora o verdadeiro - gritar meu nome, ouvi o carro ir mais rápido, como se corresse contra o tempo. Mas eu já não sabia calcular o tempo. Já via tudo se desligando. A última coisa que consegui perceber que era real e concreto era Joe me levando até o piso da casa, me tirando do gramado.
 Eu estava desmaiando. De novo

Acordei já em outro lugar. O hospital, claro. Eu sempre ia parar naquele lugar quando eu recebia uma dessas visitinhas misteriosas. Pelo menos, era melhor do que o cemitério. Mas era o que eu achava, até esse dia.
 Eu ouvi novamente o barulho do regulador cardíaco ao meu lado, enquanto eu retomava meus sentidos. A enfermeira deu um sorriso triste para mim.
Enfermeira: Olha só quem acordou. - ela colocou a mão sobre a minha, que estava enfaixada. - Já faz mais de um dia e meio que está aqui.
 Eu mal entendia o que ela falava. Apenas coloquei a mão na cabeça, sentindo uma baita dor. Ela me deu alguns remédios, que eu nem perguntei o que eram, e depois disse que ia me dar uma injeção e eu já seria liberada para visitas.
 Feito tudo isso, comigo ainda deitada e tentando lembrar sequer meu nome, deixaram as visitas entrarem. Joe e minha Doutora, Lea. Os dois pareciam tristes, mas Joe estava mil vezes pior: cabelo desarrumado, olheiras pretas enormes, óculos torto, camisa abotoada errada. Parecia que estava assim há dias.
Eu: Oi...
Lea colocou a mão em minha testa, como se medisse minha temperatura, mas acho que só estava tentando... bem, sei lá, mas não era um diagnóstico. Joe sentou na cadeira ao lado da minha e uma lágrima escorreu de seu rosto.
Eu: O que houve, meu amor? Eu estou bem. Estou viva.
 Lea parecia preocupada.
Lea: Se lembra do que aconteceu nos últimos... hã... Seis meses?
Eu: Claro! - disse, meio óbvia. - Eu estava aqui, cuidando da minha gravidez com Joe, não é, JoeJoe?
 Ele assentiu, olhando o chão.
Lea: E você... Já... Já olhou debaixo dos lençóis?
 Não, eu ainda não havia olhado debaixo dos lençóis. Eu havia sido anestesiada novamente pelo tanto de remédios que havia tomado, só acordei "de verdade" depois de uns 20 minutos da injeção que a enfermeira havia me dado. Eu levantei os lençóis. E não sabia o que significava aquilo.
Eu: Cadê... Minha barriga?
Lea: Eles... Eles tiveram que tirá-la, Annie.
Eu: Jura?! Então Melanie nasceu prematura?! Que fofura! - disse, sorrindo. - Cadê ela??
 Lea e Joe abaixaram a cabeça, sem dizer nada. A enfermeira saiu do quarto. Eu fiquei olhando para eles.
Eu: Me digam que a enfermeira saiu porque foi buscar a Melanie.
Joe: A Melanie não existe mais, Annie. - ele disse, já começando a chorar.
 Eu sentei na maca. Isso não podia ser possível. Não depois de sete meses. Não depois de tudo que eu passei.
Lea: Você caiu do segundo andar da casa, Annie. Aliás, nem caiu: foi empurrada. Haviam marcas de dedos no seu corpo até algumas horas atrás, para você ter ideia. Você chegou aqui na madrugada de sexta pra sábado, e estamos no final de domingo já... Eles precisaram fazer uma cirurgia, e não teve mesmo nenhum jeito de salvar o feto... Ele estava... Acabado. Já estava... Morto. Você... Você também quase morreu... Entende?
 Eu não entendia porra nenhuma. Era muito tarde para entender. Ou muito cedo. Eu não queria explicações agora. Eu só queria... Eu queria...
Eu: Eu quero a Melanie de volta! - gritei, aos prantos. - Quero ela de volta! Não fiquei oito meses aqui para me dizerem que ela morreu! EU QUERO A MELANIE! - o choro já estava misturado com soluços, a dor de cabeça voltara, tudo estava desmoronando. - (gif) EU QUERO A MELANIE!
Joe se levantou conforme eu me levantei também. A diferença é que eu gritava, esperneava, batia nas coisas, batia nas enfermeiras que chegavam com remédios pra pressão e copos d'agua, chorava feito louca. Joe apenas chorava, tentando se controlar e me controlar.
Joe: Annie. Annie, me escuta! - ele tentava falar comigo, mas eu simplesmente não conseguia ouvir nada. - Annie! - ele segurou meus braços. - Estamos juntos nessa, ok? Eu não vou te deixar agora. Eu estou contigo, tenha calma. Vamos passar por isso, ok? (gif) Olhe para mim. Vamos passar por isso.

"Eu não posso vencer, eu não posso reinar, eu nunca vencerei este jogo sem você.
Eu estou perdida, eu sou inútil, eu nunca mais serei a mesma sem você.
Eu não correrei, eu não voarei, eu nunca vou fazer funcionar sem você.
Eu não consigo descansar, Eu não consigo lutar, tudo que preciso é você e eu"

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