quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Cap. 15: The One That Got Away / Just Give Me A Reason / Can't Have You

Lottie's POV
Chegamos no quarto correndo, já que estávamos ansiosos, e assim que eu abri a porta ele já me jogou na parede, me beijando.
Ele ia tirando a camisa, quando eu o parei. O beijei mais umas vezes e sussurrei:
Eu: Seu pai tá aí do lado, não vai dar certo.
 Ele assentiu com a cabeça, colocou a cabeça para fora da janela, olhou para os dois lados, e me pegou pela mão, me levando pelo corredor novamente.
 Descemos as escadas de novo, e fomos para o banheiro. Chegamos lá, ele fechou a porta, trancou-a, me encostou na pia dela e disse, sussurrando sensualmente em meu ouvido:
Ian: Longe o suficiente pra você?
 Eu assenti. Ele, então, deu um chupão em meu pescoço, apertando minha bunda. Eu levantei da pia e fui levando ele até o banco de metal que tinha no canto do banheiro.
Não era o lugar mais romântico para transar, mas como não era a primeira - nem a segunda, nem a terceira, nem a quarta (...) - que eu transava, não liguei. Eu já estava ciente que ele ia me fuder forte, mas eu também não estava dando a mínima. Eu só queria aproveitar meu momento de rebeldia e indecência. Ele, que já estava sem blusa, foi tirando a minha blusa, me deixando apenas de sutiã. Eu fui descendo, meio que fazendo um pole dance no ar, até chegar ao shorts dele, que desci com tudo. Como a cueca não saiu junto, eu ia arrancá-la naquele instante, mas ele me puxou - delicadamente, óbvio - pelos cabelos, me fazendo levantar.
 Ele estava à todo vapor. Eu o beijei mais algumas vezes, e desci novamente. Eu estava louca para fazer "aquilo", que John nunca me deixou fazer, e Ian dessa vez me deixou descer. Enquanto descia, já abaixei a cueca, o que levantou o "amigo" dele, que, como eu pensava, era enorme - não que eu pensasse nisso, eu só... hã... ah, talvez eu pensasse um pouquinho sim. Ele colocou a mão na minha cabeça e foi me conduzindo, embora eu não tivesse falado que nunca tinha feito aquilo - e eu levantei as mãos pro céu, porquê assim eu não faria nada errado. Ele parecia estar gostando, já que gemia "mais, mais, caralho, que bom", com a cara mais safada - e satisfeita - que eu já tinha visto.
E não é que é bom?! O boquete durou mais ou menos uns 5 minutos, apenas ouvindo o gemido abafado dele, e eu, de olhos fechados, sentindo seu volume dentro de minha boca. Foi quando eu percebi que ele ia gozar que tirei minha cabeça, derramando aquilo sobre meu ombro. Eu levantei, ele passou seus dedos sobre meus lábios, e voltamos a nos beijar, encostados à parede.
Nós estávamos num ritmo bom, mas eu queria mais, óbvio. Eu queria sexo. Ele pareceu ter captado meus pensamentos, pois me beijou mais algumas vezes, enquanto já tirava meu sutiã.
Ian: Tira a calcinha. - ele disse, me virando de costas para ele. Enquanto eu virava, ele pegou uma camisinha e colocou nele mesmo.
 Eu fiquei com medo de ele querer meter atrás, porquê eu nunca tinha feito aquilo, mas tirei a calcinha de costas para ele, sensualizando. Eu só vi ele passando a língua pelos lábios, e seu amigo pareceu ficar mais reto ainda. Ele me pegou pela cintura, grudou perto dele - sem deixar o amigo dele entrar em mim -, e deu uns tapas na minha bunda.
Ian: Que gostosa. - disse, ofegante.
Eu: Olha quem fala. - Consegui dizer, quase sem fôlego também.
 Ele me virou de frente, me beijou mais umas vezes, e olhou para mim como que pedindo permissão. E eu assenti, óbvio. E, então, ele entrou.
 O dele era maior do que o do John, com certeza. E, com isso, o prazer veio em dobro. Eu gemi de prazer, tentando não fazer sons altos. Ele começou dando estocadas leves, depois mais fortes, gemendo junto comigo.
 Já estávamos num ritmo bom quando ele gozou pela primeira vez. Ele pegou minhas mãos, colocou para trás como se estivessem algemadas, e me levou para a outra parte do banheiro. Sentamos na mesa da pia, que era grande - por sorte - e ele ficou me metendo pela frente, mas logo depois já trocamos de posições e ele me meteu por trás, e eu devo dizer que não foi tão doloroso quanto eu pensei que seria. Foi, aliás, bem prazeroso.
Ficamos mais um pouco naquela posição, até que gozamos de novo.
 Nós, então, voltamos para o banco de metal - sim, cada vez que gozávamos mudávamos de lugar, por causa dele. Como estávamos indo rápido a noite toda, assim que ele sentou, eu ia sentar junto, mas ele me segurou pela cintura e me parou.
Ian: Tá cansada?
Eu: Um pouco, mas tô chegando lá, vamos logo! - disse, ofegante.
Ian: Eu quero que desça devagarzinho. - disse, com um sorriso safado no rosto.
Eu: Ah, é? - eu cheguei meu tronco para perto dele, deixando meus peitos bem na cara dele, e sussurrei: - só se gemer meu nome.
Ian: Só quando você sentar.
 Eu cedi, senão ia acabar tendo um orgasmo sozinha! Fui descendo devagar, me encaixando quase que em slow motion, e ele ia gemendo e dando suspiros abafados. Quando finalmente sentei, comecei a rebolar, devagar, fazendo ele "saborear"
Ian: Ahhh - gemeu. - Agora sssiiimmm...
Eu: Diga meu nome, Ian. Rápido! - dizia quase gemendo, com uma voz hiper sensual, o que o deixava masi excitado ainda.
Ian: Vai, Lottie, vai. Sua gostosa! - dizia, apertando meus peitos e me fazendo rebolar.
Ficamos fazendo aquilo até quase chegarmos ao ápice, quando ele começou a sentir que ele também ia ficar, comecei a galopar em cima dele, rápida, e ele gemia alto. Eu tentava pará-lo com beijos, mas ele não conseguia. Estava excitado demais, o que fazia com que eu gemesse alto também. Seu amigo quase tremia dentro de mim de tanto tesão que ele sentia. Eu não sabia se Ian era fraco assim com todas as garotas, mas me senti especial. Algo me dizia que ele não era assim com as outras, o que me fez ter ainda mais vontade de transar com ele.
 Chegamos ao orgasmo juntos, mas, quando eu ia parar, ele fez que não com a cabeça, e eu continuei rebolando e pulando em cima dele, até não aguentar mesmo.
 Deitei no banco gelado, com as pernas em cima das pernas dele pela falta de espaço no banco. Ele tinha um sorriso estampado no rosto, o que me fazia sorrir também. Eu estava de olhos fechados, mas os abri quando senti ele colocar a mão em minha coxa. Ele apenas a apertou uma vez, e ficou fazendo carinho nela, sem malícia - embora estivéssemos pelados.
Ian: Você tem certeza que era virgem há 5 meses atrás? - disse, rindo. Dava pra ver em sua voz que ainda estava um pouco ofegante.
Eu: Quem te disse que eu era virgem 5 meses atrás? - fiz uma cara de indiferença.
Ian: Eu sei que você não teve outro namorado sem ser o John, e eu sei perceber quando a menina é "dadinha" ou simplesmente gosta de transar. E você, com certeza, é a segunda opção. Mas, puta que pariu, você é boa. Muito boa.
Eu: Eu posso dizer o mesmo de você. - disse, olhando para ele. Ele me encarou, sorrindo. - Bem, tirando a parte sobre ser virgem há 5 meses atrás, porquê obviamente você não é.
 Ele riu, me fazendo rir também. A risada dele é super gostosa de ouvir. Levantamos, finalmente, e fomos andando devagar e silenciosamente até o andar de cima. Fui para o meu quarto e, quando fui ver, ele estava lá também, já deitando na minha cama.
Eu: O que está fazendo aqui?! - sussurrei, pois estávamos já perto do quarto do pai dele novamente. - Se seu pai te pega aqui, nos mata!
Ian: Ele nem iria se importar - disse, já levantando -, mas se você acha isso, deixa comigo.
 Ele pegou uma caneta, roubou duas notas adesivas limpas minha, e começou a escrever:
"Não sei se ouviu ou viu algo ontem, mas eu trouxe uma 'amiga' aqui em casa, saí cedo pra levá-la para casa, volto na hora do almoço. Caso você perca o senso do ridículo, não abra a porta do quarto de Lottie como fazia com Annie, ou vai levar um soco na cara."
"Ah, eu também já vou fazer a compra da feira.
Seu parceiro"
Ele foi até o quarto dele, colocou isso na porta, e voltou para o meu quarto, fechando a porta delicadamente.
Ian: Feliz?
Eu: Aham. - disse, beijando-o.
 E, assim, deitamos lado a lado, de conchinha, e dormimos.
 Eu estava dormindo com um cara que não era meu namorado, após transar com ele, sem me dar conta do absurdo que eu estava fazendo.

Harry's POV
Acordei nessa manhã do dia 20 de janeiro com uma puta dor de cabeça, e, pra melhorar, acordei com o telefone tocando sem parar.. Eu ainda não tinha parado de pensar para onde a Annie tinha ido, se estava bem, se isso tudo era culpa minha... Eu apenas havia aberto os olhos, e todos aqueles pensamentos invadiram minha mente. E já fazia uma semana que ela tinha ido! Tentei me levantar, mas caí na cama de novo, cansado.
Eu tinha estado de férias o último mês, e esse mês havia começado a dar entrevistas sobre o novo disco que havia sido lançado dia 5 ou 6 - nem me lembro mais -, a fazer aquelas seções de fotos ridículas e a rever meus companheiros de banda, que era a única parte positiva. Olhei pro relógio, e já eram onze da manhã!
 O telefone, que já estava começando a tocar pela 3ª ligação em 5 minutos, foi interrompido pela minha mão. Peguei o telefone e falei, com a voz mais rouca e sonolenta do mundo:
Eu: Que é?
Louis: Harry? Oi! Que voz rouca!
Eu: Óbvio, eu tava dormindo, porra! Acordei com o telefone tocando! Foi você que me ligou TRÊS vezes?? - perguntei, irritado.
Louis: Claro que foi! Em dez minutos temos uma entrevista na HotTunes TV, aquele programa de comidas! Sério que você AINDA tava dormindo!?
 Eu nem ouvi mais as reclamações dele. Fiquei tentando lembrar que raio de programa era aquele. HotTunes TV? HotTunes Tv... Eu não tinha aquilo marcado na minha agenda, com certeza. Aí, me dei conta do porquê: Annie cuidava da minha agenda.
Eu: Eu não sei onde a Annie tá, cara. - disse, interrompendo qualquer papagaiada que ele estava falando.
Louis: Quê? Como assim? Ela tá... Ah, deixa pra lá! Pega uma roupa qualquer aí e desce em cinco minutos, a gente tá parando no Starbucks pra comprar um café pra você e você se troca no carro. Fechado?
Harry: Falô então, vou desligar. Té mais.
Louis: Até!
 Eu desliguei, pulei da cama e fui correndo pro closet. A droga de ter um closet gigante é que fica super difícil de achar uma roupa qualquer rápido. Eu peguei uma blusa de manga curta, um moletom moderno, uma jeans e meu famoso sapato surrado, com umas meias que já estavam enterradas dentro deles. Provavelmente eram usadas, mas quem liga?! Ninguém vai ficar cheirando meu pé!
 Desci a escadaria pro segundo apartamento, tentando achar um perfume e minha escova de dentes, tirando meu shorts de pijama, procurando meu iPhone nº 3 que era para coisas de trabalho, desligando o rádio que estava ligado desde a noite anterior, procurando uma água pra beber... A droga de morar num duplex é que, se você está atrasado como eu, se fode pra caramba, porquê até você achar 1 das 10 coisas que tá procurando, você perde já uns cinco minutos. Louis ligou de novo no iPhone que estava no andar de cima.
Eu: Ah, vai se foder! - disse, subindo correndo novamente. - Por que justo nesse celular?!
 Tropecei em algo nas escadas, que quando fui ver era meu secador e minha escova de cabelo, e eu lembrei que ainda tinha que tomar banho! Subi correndo com a escova e o secador na mão.
Eu: O QUE É AGORA, CARALHO?! - gritei no telefone.
Louis: Primeiro: não grite comigo porquê estou sendo legal em vez de deixar o Simon ligar e matar você via Telefone. Segundo: o Starbucks tá com fila, dá pra esperar um pouco aí? O programa é meio-dia, a gente chega aí mais ou menos vinte pra meio dia e corre pra chegar lá a tempo.
Eu: Ótimo! Perfeito! Assim tenho uma meia hora pra me arrumar! Ótimo! Magnífico! Valeu! Beijo na bunda! Tô indo!
Louis: Beijo onde?!?!?!
 Tarde demais, já tinha desligado. Achei meu perfume jogado num canto do quarto, e aproveitei e levei pro banheiro também.
Tomei um banho de dez minutos, saí do banho, percebi que tinha esquecido a toalha, saí correndo pelo quarto pelado pra poder pegar a toalha na cadeira, quase escorreguei, voltei correndo já enrolado na toalha pro banheiro, sequei meu cabelo, coloquei uma cueca, passei meu perfume, passei meu creme pra espinhas - que ao mesmo tempo que prevenia as futuras escondia as presentes -, coloquei minha calça, coloquei minha blusa, estava terminando de escovar os dentes quando tocaram a campainha. Cuspi a pasta correndo, coloquei água na boca e fui correndo pro andar de baixo. Cuspi na pia da cozinha mesmo e atendi a porta, e lá estavam Louis, Liam, Zayn e Niall, já entrando no meu apartamento.
Zayn: E aí, cara? - disse, dando uns tapas nas minhas costas. - Firmeza?
Eu: Hã... O que...
Niall: Ei! - chamou, já na cozinha. - Não tem comida nessa casa?!
Eu: Eu sempre...
Liam: Minha nossa! Que desordem! - ele pegou uma cueca que estava jogada no chão da escadaria e jogou longe, com nojo.
Eu: Você parece...
Louis: E eu não gostei do "beijo na bunda" que você me mandou! - disse, chegando do banheiro com uma cerveja. - Não foi legal.
Eu: Onde...
Zayn: Tem certeza que isso tá na validade, Louis? - Louis olhou para a garrafa com nojo e a colocou na mesa, desistindo de tomar.
Eu: ESCUTEM! - gritei. Todos ficaram imóveis, olhando para mim. Arrumei a blusa. - Obrigada. O que caralhos vocês tão fazendo aqui?!
Niall: Eu tava morrendo de fome e avisei o motorista que ia subir pra comer alguma coisa.
Louis: Eu aproveitei e disse que vinha usar o banheiro, porquê eu tava apertado.
Zayn: Eu vim acompanhar o Niall e perguntar se você queria ir naquela loja de CDs comigo hoje à tarde, pra vermos umas coisas e fazermos hora, até chegar à noite, que temos um show...
 Puts, eu nem lembrava que a gente tinha show!
Eu: Pode ser. - disse, dando um HiFive com ele.
Liam: E eu só vim para não ficar sozinho no carro.
Niall: Que gay. - falou, baixinho. Mas nós escutamos. Zayn e Louis deram risada, eu tentei esconder o riso e Liam olhou feio pra ele.
Liam: Pelo menos não sou eu que tinjo meu cabelo com cor de patricinha.
Niall: Isso se chama loiro fino e é para homens, seu imbecil!
Zayn: Ei! Não chama meu Liam de imbecil! - disse, abraçando a cabeça dele.
 Enquanto eles discutiam, eu e Louis olhamos o relógio ao mesmo tempo, e também tomamos um susto ao mesmo tempo.
Eu/Louis: PUTA QUE PARIU SÃO DEZ PRA MEIO DIA!!!!
 Todos olharam o relógio, desesperados, e ficamos correndo de um lado para o outro do quarto, procurando meu perfume, um chiclete, meu iPhone...
Niall: Porra! Derrubei o refri na camisa!
Eu: Pega uma no meu armário! - disse, ainda jogando meus travesseiros pelos ares em busca do iPhone.
 Foi aí que eu achei a carta de Annie, e sentei na cama, triste. Louis veio até mim, provavelmente para brigar comigo, mas quando viu a carta na minha mão, sentou do meu lado.
Louis: Que que é isso aí? - disse, arrancando a carta da minha mão e lendo.
Eu: A Annie. Foi embora.
 Ele terminou de ler em menos de um minuto e olhou para mim, triste. Ele guardou a carta no bolso, levantou e me puxou junto.
Louis: Não vamos desanimar, não agora! Vamos rápido pra lá e depois conversamos sobre isso!
Liam: Achei o iPhone! - gritou de lá de baixo. - Corram!
 E, assim, fomos descendo a escadaria, se arrumando.

Annie's POV
Depois daquele beijo, eu fiquei realmente sem graça. Levantamos, demos uma risada meio "então, né..." e fomos para o restaurante. Lá conversamos sobre assuntos variados - e fiz uma baita força para não falar sobre o bebê ou sobre o pai dele -, bebemos bem pouco, e voltamos para casa conversando. Ninguém tocou no assunto do beijo também. E, por sorte, eu não custei a dormir.
 No dia seguinte, eram nove da manhã e eu já estava em pé. Havia preparado um chá de camomila para mim, e estava lendo mais um livro sobre gestação segura, e comecei a ficar entendiada. Sabe quando você realmente não quer ler aquele livro, e aí sua imaginação começa a voar, sua mente vai pra longe, e não importa quantas vezes você leia aquela linha, você não presta atenção no que está lendo? Pois é, estava acontecendo isso comigo. Então, eu resolvi pegar um livro que eu amava: The Last Song. Eu amava aquele livro. Harry que havia me dado, ainda com autógrafo do próprio autor, Nicholas Sparks! Eu abri no capítulo que eu mais gostava, quando tudo começa a dar certo depois de ela ter perdido a esperança - que, aliás, eram os dois últimos capítulos - e comecei a reler, embora eu já soubesse todo aquele livro de cor.
 Depois de meia hora, cheguei às páginas finais.
"Ele já estava perto o suficiente para pegar na calça dela. Quando ele a puxou para perto, ela sentiu tudo ao seu redor desmoronar. Will ia estudar lá. Em Nova York. Com ela.
 E, com isso, ela o abraçou, sentindo o corpo dele encaixar-se perfeitamente ao seu, sabendo que não havia nada para fazer para tonar aquele momento melhor do que estava.
- Por mim, tudo bem. Mas não vai ser nada fácil para você. Não há pesca nem lama aqui.
Os braços dele deslizavam por sua cintura.
- Já imaginava.
- E nem muito vôlei de praia. Principalmente em janeiro.
- Acho que vou ter que fazer alguns sacrifícios.
- Talvez, se tiver sorte, podemos pensar em outras maneiras de ocupar seu tempo livre.
 Inclinando-se, ele a beijou delicadamente, primeiro no rosto, depois nos lábios. Quando seus olhares se encontraram, ela viu o jovem que tinha amado no verão passado e que ainda amava.
- Eu nunca deixei de te amar, Ronnie. E nunca deixei de pensar em você. Mesmo que o verão tenha acabado.
- Eu também te amo, Will Blakelee - ela sussurrou, inclinando-se para beijá-lo novamente.
.........."
E era assim que acabava o livro. Eu era completamente apaixonada por aquele livro, e aquele autor, e tudo que envolvia esse clima romântico de sacrifícios amorosos. Quando eu estava para fechar o livro, a página virou, indo para aquela última página que todos os livros têm, antes da contracapa, que indica o lugar onde houve a impressão e acabamento do livro e etc. E, lá, havia algo que eu não me lembrava que existia. Havia uma mensagem de Harry, escrita à mão, com uma caneta que tinha a tintura igual àquelas canetas-pena, de antigamente.
"Querida Annie Müller", dizia. "Me desculpe por ter ficado tanto tempo fora, em turnê. Me desculpe por ainda estar fora, mesmo no seu aniversário, mas Simon não me permitiu ir, já que esta noite tenho show. Quer dizer, eu te mandei isso três dias atrás, espero que chegue exatamente no dia de seu aniversário... Caso não tenha visto, na primeira página eu consegui um autógrafo do próprio autor do livro, Nicholas Parks!! Eu sei o quanto você ama ele, e eu sei que eu te amo muito mais do que você ama ele - e rezo pra que você me ame mais do que o ame, também. Feliz seis meses de namoro escondido, que completaremos amanhã. Eu te amo muito. Muito muito muito muito muito. Não sou bom em escrever coisas melosas como esse Nick aí, mas este é meu cartãozinho de amor para você :) eu te amo muito mesmo, mesmo estando longe, mesmo tendo que namorar escondido, mesmo que não seja para sempre, eu te amo.
Com amor, do seu Curly Boy."
Eu o chamei de Curly Boy logo no primeiro dia que o conheci, no parque. Eu havia começado aquele apelido, apelido esse que agora a maioria das Directioners usavam. Isso havia sido há, mais ou menos, 3 anos atrás. Estávamos em 2014, e o livro havia sido lançado em 2009, mas a primeira turnê dele foi em 2011. Depois disso, namoramos mais ou menos mais um ano e meio, e depois ele começou a namorar uma modelo. Depois voltamos, escondidos de novo, e ele namorou outra modelo. Aí voltamos de novo, e nós terminamos de novo, para ele namorar Taylor Swift. E agora, que tínhamos finalmente assumido um namoro ao vivo para o mundo, eu tive que terminar com Harry Styles por causa de uma estúpida barriga, culpa de nós dois. Eu sentia falta daquele tempo, em que eu tinha 15 anos e, ele, 16/17 anos. Sentia falta do tempo que éramos inocentes, e quando nós perdemos a virgindade juntos, voltando do The X Factor. Eu sentia falta daquilo tudo. Dei um suspiro triste, pensando em tudo que eu tinha deixado para trás, e tudo que eu deixaria para trás daqui mais alguns meses.
Mas Joe apareceu lá na sala, sorrindo, com um pedaço de bolo na mão, e isso me tirou dos meus pensamentos.
Por incrível que pareça, só de olhar para Joe eu já me sentia bem. Com Harry, eu sempre tinha que ter esse cuidado de "não olhe apaixonada enquanto estiver na rua" "não tweete nada romântico para ele" "sempre minta sobre nosso relacionamento" "se alguém perguntar, você está solteira", e com o Joe obviamente eu não precisava disso. Eu podia beijá-lo na noite anterior, eu podia beijá-lo no parque hoje também, e amanhã poderíamos dizer que somos só amigos, que todos acreditariam, não me taxariam de chupa-fama, aproveitadora nem nada do tipo. Ele sentou do meu lado e me deu um beijo na bochecha, me desejando um Bom Dia.
Eu: Que horas são?
Joe: Umas dez horas. - disse, com a boca cheia de bolo. - Quer fazer alguma coisa hoje?
Eu: Podíamos ir ao parque, depois à livraria, e voltaríamos por volta da uma da tarde, e eu prepararia um almoço bem gostoso para nós dois. - disse, passando minha cabeça por seu braço que não estava segurando o prato do bolo, deixando nós dois entrelaçados. - Que tal?
Joe: Eu... - ele terminou de mastigar. - ... Eu adorei essa ideia, querida. - disse, me dando um beijinho na testa.
 Esse "querida" dele parecia como os homens chamavam as esposas antigamente. Eu não sei se ainda chamam assim, faz séculos que eu não vejo um casal junto há muito tempo, mas eu sempre achei isso fofo. Um jeito de carinho, atenção, proteção, afeto. Enfim, nós terminamos o bolinho, e pegamos um ônibus para a cidade grande, que ficava uns minutos daqui, mas queríamos ir até o centro dela.
Eu estava lá, de boa, quando Joe pegou alguma coisa no bolso. Ele tirou um pirulito do bolso, abriu e começou a chupar.
Eu: Que feio.
Joe: O quê? - disse, confuso.
Eu: Não oferecer seu doce pra sua amiguinha. - fiz cara de santinha, só de brincadeira.
Joe: Não vou mesmo!! Você sempre acaba ficando com tudo!
Eu: Você, por acaso, já ouviu dizer que se você não dá a comida que a mulher grávida quer, o neném dela nasce defeituoso OU pior, com a cara da comida que você não deu?? - sim, eu estava apelando para uma chantagem emocional barata.
Joe: Ah, não vem com essa.
Eu: Mas eu estou com vontade de comer pirulito.
Joe: Chegando no centro eu te compro um, esse daqui é de morango especial.
Eu: Mas eu quero esse pirulito, que era da doceria que fechou há anos! Eu nunca mais vou achar um pirulito igual! Meu filho vai nascer com cara de Pirulito De Morango Especial da NhamNham!!
 Ele olhou feio pra mim, tirou o pirulito da boca e estendeu para mim, ainda na mão dele. Eu dei uma lambida rápida, pedindo permissão para ele parar dar mais uma. Ele fez que sim com a cabeça, então eu coloquei na boca. Fiquei um tempinho com ele na boca.
Joe: Tudo bem, pode me devolver.
Eu: Só mais um pouquinho.
Joe: Já saciou sua vontade, Annie, seu filho não vai nascer com cara de Pirulito.
Eu: Mas espera mais um pouco
Joe: Annie...
Eu: Espera
Joe: Annie.
Eu: Só mais um pouco
Joe: ANNIE DEVOLVE MEU PIRULITO! - ele gritou no meio do ônibus, completamente sem paciência.
 Era exatamente isso que eu queria, que ele passasse mico. Ele sempre gostava de passar despercebido, e é óbvio que eu nunca deixava. Eu precisava fazer isso. Desde pequenos, sempre discutíamos por causa de pirulito, eu só deixei o negócio mais emocionante. Eu finalmente soltei o pirulito, sorrindo. Ele levou o pirulito até a boca dele, e não pude deixar de notar que ele também sorria.
Eu: Que pena que tinha pouca gente no ônibus. - disse, rindo.
Joe: Você é tão ridícula, Annie Müller. Tão infantil. - disse, dando um leve sorriso.
Eu: Mas você gosta.
Joe: Eu amo. - disse, me dando um selinho.
Eu: Nós podíamos ter uma amizade colorida. - soltei rápida.
 Eu nem faço ideia de onde saiu aquilo! Eu ainda amava o Harry! Não amava? Ah, sei lá, meus hormônios estavam malucos por causa da gravidez. Mas eu não amava o Joe também, não é? É. É, né? Ah, sei lá também. Mas eu nunca nem sequer tinha cogitado uma amizade colorida! Ah, vai ver, uma vez ou outra, lá no fundo... Ah, não. Não, ou sim, ou talvez. Mas que droga de hormônios! Eu olhei para Joe e ele olhava para mim, meio assustado pela aquela ideia. Eu olhei para baixo, para os lados, para trás, tentando achar uma saída. Graças a Deus, só haviam alguns idosos que prestavam mais atenção no jornal do que no ponto em que precisariam descer. Quando olhei novamente para ele, ele encarava o chão com uma cara meio assustada, ainda.
Eu: Me desculpe. - falei, baixo e rápido. - Eu não... Eu só...
Joe: Tudo bem. - ele disse, sem me deixar terminar. - Nós podemos deixar isso pra lá... ou... - ele olhou para mim, para dentro dos meus olhos como sempre fazia -... Ou podemos levar isso adiante.
 Meu queixo caiu. Ele... Tava falando sério?
Eu: Como é que é?! - disse, alto, o que o deixou assustado.
Joe: E-Eu pensei qu-que estava falando-o s-sério... Han... - ele tomou fôlego, olhou sério para mim e disse: - escuta, eu tô há anos tentando receber seu amor, seu carinho, e mesmo que sejamos só uma amizade colorida, já tá bom pra mim. Eu só preciso sentir que me ama.
 Eu suspirei, feliz e triste ao mesmo tempo. Eu não sabia o que fazer, então, fiz o que me veio à cabeça.
Eu: Então teremos uma amizade colorida. - disse, séria, de olhos fechados. Quando os abri, ele sorria feliz ao meu lado.
Joe: Mas você quer isso? - disse, pegando na minha mão.
 Um arrepio me veio à espinha, e eu lembrei que isso significava que eu gostava dele. E isso era um bom sinal, eu acho. Eu sorri e fiz que sim com a cabeça, e ele então apenas largou minha mão e voltou a olhar pela janela.
Eu: Só não força a barra, garotão. - disse, rindo. - Tudo ao seu tempo.
Joe: Fechado, mamãe. - disse, rindo também. E saímos do ônibus no nosso ponto, felizes, conversando como pessoas normais.
Chegamos ao centro da cidade vizinha - cujo o nome eu não me lembro agora -, e fizemos várias coisas legais. Primeiro almoçamos, aí depois fomos à uma loja de roupas para grávidas - o que infelizmente foi necessário -, aproveitei e me troquei com algumas das roupas que eu tinha comprado. Depois, fomos à sorveteria, e depois à livraria, e depois ao pequeno parque que ficava no mesmo centro, e logo depois fomos ao cinema. Foi bem divertida essa tarde, afinal.
 Quando já eram quase cinco e meia da tarde e começou a escurecer, fomos correndo pro ponto de ônibus para pegar o das cinco e meia. Graças a Deus, deu tempo. Ficamos conversando o caminho todo, e chegamos em casa novamente. Mas, como o ponto é longe de casa, ainda tivemos que andar uns 5/10mins a pé, conversando enquanto escurecia.
Eu: Foi super legal, Joe!
Joe: Foi mesmo, meu amor. - disse, me enlaçando com o braço. Eu dei um pequeno arrepio e ele notou. - O que foi?
Eu: Eu só... Eu queria pedir desculpas pelo o que eu falei lá no ônibus de manhã, eu não sei se é exatamente isso o que eu quero... Digo... Ah, você sabe. - eu tirei o braço dele de cima de mim, e paramos no meio da calçada deserta. - Eu ainda amo o Harry, eu só o abandonei porquê eu o amo e eu o quero bem, mesmo que seja longe de mim. Mas eu amo muito você, só que sempre te vi... Como amigo, sabe? Eu não sei se consigo mudar isso. Ele já me deixou ir várias vezes, já me abandonou várias vezes, mas eu não consigo simplesmente abandoná-lo.
 Ele ficou olhando para o chão o tempo todo em que eu falava. Depois olhou para as árvores atrás de mim, ficou mudando o peso do corpo de um pé para o outro... Até que ele parou. E olhou para mim, sério, meio triste.
Joe: (gif) Eu só queria que você soubesse que, se eu fosse ele, eu nunca te deixaria ir.
Eu: Porque você é... Você. E eu amo você, como meu melhor amigo, para me apoiar sempre.
Joe: Eu posso te apoiar para sempre como seu namorado. Sem ter que te esconder, te negar na frente dos outros. Você nunca mais precisaria ficar terminando e reatando, tendo que aturar namoros fictícios meus só por mídia. É óbvio que eu nunca vou poder te dar as joias caríssimas que ele te dava, mas eu tô aqui, com todo o meu amor e carinho, tô me oferecendo pra ser até o pai do seu bebê, se você não for embora, se você não voltar pra ele.
 Eu respirei fundo. Isso era difícil de ser dito. Eu o amava pra caralho, mas eu queria ele como meu melhor amigo! Será possível que eu nunca vou poder ser amiga de um homem?! Ele é quase 2 anos mais velho que eu e não consegue entender que eu não tô afim?!
Eu: Joe, me escuta... Eu... 
Joe: Não, escuta você. - ele disse, chegando mais perto e colocando sua mão em meu pescoço. - Eu não vou suportar te perder mais uma vez.
 E, assim, eu fiquei calada. Eu não podia falar mais nada e, dessa vez, eu não queria. Ele, de repente, ficou lindo àquela meia luz, seus olhos castanhos brilhando, seu ar sério que me deixava louca desde menor, aquelas palavras que ele havia dito e que só agora haviam entrado na minha cabeça... Tantos dias, tantos meses, tantos anos ele havia tentado me mostrar isso, ele havia deixado nas entrelinhas, e eu simplesmente fui cega demais. Fui cega a ponto de não conseguir ver que meu melhor amigo é apaixonado por mim há anos. E, sinceramente, me merece mais do que o Harry. Embora eu mereça algo até pior, embora ele até possa ser muita areia no meu caminhão, eu simplesmente o amava daquele jeito, e quando eu disse que eu não sabia se podia mudar os meus sentimentos, eu estava falando sério. Mas, quando ele disse tudo aquilo e isso finalmente entrou na minha cabeça, parecia que o tempo tinha parado e nós finalmente podíamos ter uma chance. E, quem sabe, eu poderia tentar. Assim, simplesmente deixei que ele viesse até mim, e fizesse o que queria. E ele fez.
 Nós, finalmente, nos beijamos de verdade. Com calor, com paixão, com saudades e harmonia. Não foi um beijo surpresa, pelo contrário: parecia que ele estava planejando isso desde que eu cheguei aqui, uma semana atrás. Mas, mesmo assim, eu não conseguia me sentir... bem. Não era o beijo do Harry. Não era o beijo do meu amor.
Em uma outra vida, eu seria sua garota. Nós manteríamos todas as nossas promessas, seriamos nós contra o mundo.
Em uma outra vida, faria você ficar. Então, não teria que dizer que você foi aquele que se foi

Lottie's POV
Desde o dia em que eu transei com Ian, uma semana atrás mais ou menos, eu tenho evitado um pouco o John. Eu não sei, parece que tudo mudou. Ah, e mudou mesmo.
Eu estava me encontrando às escondidas com o Ian. Bom, não tão às escondidas: eu dizia que ia ajudar na casa de Annie, como fiz todos os últimos meses, mas ao invés disso, eu ia fazer um pique-nique num lugar deserto com o Ian, ou estão saímos para jantar com o Noah, ou assistíamos um filme chato na TV, abraçados, nos beijando.
Isso era extremamente errado, e eu sabia disso, mas era tão... viciante! Era como se eu estivesse num livro, num filme, num jogo, onde eu sabia que uma hora teria fim, mas eu nem me importava com aquilo! Eu queria curtir o presente, e se Annie e Aria sempre puderam aproveitar a puberdade - digo, desde os seus 14 anos -, por quê eu, de 16, não poderia? Eu amo o John. Eu amava ele, digo. Agora, ele mais parece meu amigo, isso tudo não parece mais certo, e eu não quero mais isso pra mim. Eu estava feliz com o Ian. Eu só não terminava com John por dois motivos: medo/dó - porquê nós tínhamos perdido a virgindade juntos e compartilhamos vários segredos, sem dizer que ele sempre me apoiou nos meus momentos mais difíceis - e  insegurança - não saber se Ian realmente me queria como namorada ou só como amantezinha dele, se John um dia descobrisse isso ia dar uma surra em Ian e etc... Eu amo como ele me faz sentir. Como se tudo fosse possível, tipo... como se a vida valesse a pena.
 Um dia, fui passar na casa de John - aproveitar que às sextas ele sempre vai à academia de tarde e não de noite - para pegar uns livros que eu tinha deixado na casa dele, mas, sem querer, o encontrei lá.
Eu: John! - disse, tomando um susto de verdade. - O que está fazendo aqui?
John: É... a minha casa?
Eu: Han, ah, é verdade. Desculpe. - disse, agarrando os livros mais perto de mim.
John: Vem aqui me dar um beijo, amor! - disse, me chamando com a mão.
 Eu fui, toda sem jeito, e dei um selinho nele. Ele me puxou pelo braço, quase me fazendo cair em cima dele, mas eu dei um sorriso desajeitado e fiz que não com a cabeça. No início, ele também estava rindo, mas depois ficou sério.
Eu: O que foi?
John: Eu é que pergunto, Lottie. - disse, ainda sério. - Por que simplesmente não acabamos logo com isso?
Eu: O-O quê?! - disse, com a voz tremida.
John: É! - ele disse, já com os olhos mareados. Ele suspirou. - Sabe, eu tentei fingir que não estava vendo isso, mas dá pra sentir. Você sente, sente quando a pessoa começa a te tratar diferente, com indiferença. Sente quando a pessoa fica fria e começa a dar qualquer desculpa esfarrapada para não falar com você. Sente quando você está incomodando, quando anteriormente, a pessoa pedia para você ficar e conversar o dia todo com ela. Sente quando ela vai se afastando pouco a pouco, enjoando. Você sente, e o pior é que não pode fazer nada... Porque amor, saudade, carinho, afeto, isso não se pede. Você não pode se ajoelhar e pedir para a pessoa ficar quando na verdade a maior vontade dela é ir embora. Temos que aceitar os fatos.
 Eu fiquei parada, sem dizer nada, sem mal respirar direito. Se afastando pouco a pouco, enjoando. Acho que era exatamente isso que tinha acontecido. Eu tinha enjoado de tudo aquilo. Como se aquilo não me agradasse mais. E ele havia percebido aquilo. Pelo jeito, eu havia deixado isso bem claro. E eu me senti extremamente mal por isso, pois ele até chorava enquanto dizia aquilo tudo, e é óbvio que eu chorava junto. Eu apenas respirei fundo, tentando achar alguma resposta, alguma saída.
Eu: P-Podemos dizer que o corpo da mulher é como um bebê. - soltei, rápida, sem saber direito o que eu estava falando. - Assim que aprende a falar "mamãe", já quer aprender a falar uma frase inteira. E, quando consegue uma frase inteira, quer fazer várias frases inteiras, quer fazer o que os outros fazem. O corpo da mulher também é assim, eu também sou assim. Vamos... Vamos fingir que a palavra "mamãe" seria o primeiro beijo. - disse, gesticulando com as mãos. - Quando você beija, você começa a querer algo mais. Quer mais beijos. E depois, quando consegue isso, quer algo que todos fazem: sexo. Sexo é normal, embora muitos encarem como tabu. Enfim, você faz sexo. E aí, se acostuma, faz sexo várias vezes, quer ser igual aos outros. Mas, uma hora, você vê que não é exatamente aquilo que quer. É como as palavras: pra que insistir, se você fala, fala, mas não diz nada?
John: ... Você está comparando nosso amor com sexo, ou "primeiras vezes" com bebês? - perguntou, confuso.
Eu: Eu... - suspirei e sentei na cama dele, colocando a mão na testa - ... Eu nem sei o que eu estou falando! Me perdoa por te deixar mal! - disse, já caindo aos prantos.
Ele foi, devagar, e colocou a mão no meu ombro. Só a mão, meio que um consolo frio. Ele ainda estava sério, então eu tentei me recompor. Eu respirei fundo algumas vezes, enquanto via ele abrir e fechar a boca, como se quisesse dizer algo mas não sabia como.
Eu: Posso ser sincera com você?
John: Eu tenho outra escolha? - disse, meio irônico.
Eu: Eu... Eu acho que tô gostando do Ian. - disse, meio com medo.
Eu não ia dizer "ah, estou te traindo com Ian", porquê eu realmente ainda  nem sabia se aquilo era amor mesmo. Ele apenas ficou me olhando, esperando que eu dissesse algo mais, mas quando viu que eu ia parar ali, ficou cheio de raiva.
John: Então é isso?! - ele se levantou da cama, bravo. - Estamos terminando porquê você acha que gosta do Ian?! Você se afastou de mim porquê acha que tá gostando daquele babaca?!
Eu: (gif) Eu o amo. - e soltei uma bomba mais uma vez. - Estamos juntos.
Ele ficou me olhando, embasbacado.
John: Me traiu com ele. - ele estava praticamente paralisado, lágrimas rolando pelo seu rosto.
Eu: Eu só... O beijei. Mas ele disse que me ama. E eu o amo também.
John: Mas... Você... Ah, meu Deus. - ele disse, sentando-se na cama novamente, meio que para não desmaiar. - ... Você transou com ele.
Eu: Não! - foi minha vez de levantar, assustada. - Por que está dizendo isso?!
John: Porque eu te apoiei todo o tempo que precisou, eu tirei sua virgindade, eu fui te visitar no hospital quando quase morreu, e era à mim que você amava esses anos todos, e simplesmente mudou de ideia e tá trocando o primeiro amor da sua vida por um cara qualquer?! Faça-me favor, não sou tão idiota!
 Eu sentei novamente na cama, boquiaberta, sem saber o que dizer. Eu apenas assenti, meio que afirmando que havia transado com Ian, e ele olhou para o teto, sem saber o que fazer. Eu também não sabia como melhorar a situação, mas sabia que qualquer coisa a mais que eu dissesse podia piorá-la. Então, levantei e peguei minha bolsa novamente, com meus livros, e fui andando até a porta.
John: Onde pensa que vai? - disse, com uma voz firme.
Eu: Embora. - tentei fazer voz firme também, mas falhou.
John: Você vai mesmo ficar com esse idiota?
Eu: Eu não tenho mais escolha, já vim aqui, já te disse que transei com ele, você já está furioso comigo, já terminamos, e eu não tenho mais nada a perder agora.
John: Mas eu disse que terminamos?
 Eu olhei para ele, confusa, apavorada, e feliz ao mesmo tempo.
Eu: Disse... Não disse??
John: Não, eu não disse. - ele falou, sério ainda.
 Eu apenas fiquei olhando para ele, com a boca aberta, esperando algo. Ele então olhou para o chão e deu um sorriso fraco.
John: ... Você tem ideia do quanto eu te amo, Lottie? - falou, baixinho. Ele levantou, ficando de frente para mim. - Se quiser ir, pode ir. Se quiser ficar... Eu faço tudo o que você quiser para você não querer ir novamente.
 Eu comecei a chorar de novo, descontrolada. Eu disse que tinha transado com o Ian, e mesmo assim ele me perdoou! Vocês tem ideia de quantos homens fazem isso hoje em dia?! Praticamente nenhum! Eu comecei a chorar, coloquei a mão no meu rosto, largando todos os meus pertences no chão, e fiquei chorando em pé, de frente a porta dele. Ele veio até mim, e me embalou no abraço mais perfeito do mundo.
John: Eu te amo, Lottie.
Eu: Eu também te amo, John. Me desculpe, vamos dar um jeito em tudo isso.
Bem desde o começo você foi um ladrão, você roubou meu coração e eu, sua vítima condescendente. Deixei que você visse partes de mim que não eram tão bonitas, e, a cada toque, você as consertou.
(...) Dê-me apenas um motivo, só um pouquinho já basta, só um segundo, não estamos quebrados, apenas curvados, e podemos aprender a amar novamente.
Está nas estrelas, foi escrito nas cicatrizes dos nossos corações. Não estamos quebrados, apenas curvados, e podemos aprender a amar novamente.

Harry's POV
Fomos no tal do programa, cantamos, conversamos e blá blá blá, e terminou o programa com todos nós comendo sushi.
Louis: Alguém quer isto aqui? - disse, apontando pra panela perto dele.
Eu: O que é isso? - perguntei, tentando identificar.
 Não que eu não gostasse de sushi, eu adoro, é um dos meus pratos preferidos, mas eu sou realmente péssimo pra identificar esses pratos japoneses e chineses. São quase tão iguais quanto as caras de quem preparam!
 Mais à noite tivemos um show e tudo mais, e aí, quando cheguei em casa umas dez da noite, um dos meus iPhones estava tocando. Eu corri para atendê-lo, antes que desligassem, mas vi que era número restrito, e resolvi deixar tocando.
 Depois de me ligarem umas 5 vezes desse maldito número restrito, resolvi atender.
Eu: Cara, não me interessa se vocês são minhas fãs, vocês não podem ficar me ligando de 5 em 5 minutos! - O telefone ficou mudo do outro lado. - Parem com isso, tá legal? Eu tenho minha vida. - O telefone continuou mudo. Eu suspirei. - Sinto muito se estou sendo grosso, é que já é a quinta vez que me ligam de número restrito, eu não sei se é a mesma pessoa, mas... - eu parei de falar. A linha não estava silenciosa, havia um barulho nela.
 Era alguém chorando.
Eu fiquei apenas ouvindo o choro da pessoa - que me parecia uma menina - e cheguei a conclusão de que realmente devia ser uma fã. Resolvi respirar fundo, e dei uma risada da minha própria idiotice.
Eu: Eu sinto muito mesmo por ter sido grosso. Ainda está aí? -  Eu ouvi umas fungadas, o que queria dizer um "sim", imagino eu. - Muito bem... Qual seu nome?
 "Você sabe meu nome, Harry.", disse uma voz conhecida do outro lado da linha. Eu parei de andar pela casa, ficando imóvel. Não podia ser ela. Mas... Não, não podia. Eu estava esperando tudo, menos isso. Justo quando eu tinha parado com minha maluquice, isso volta! Não era possível.
Apenas respirei fundo, e, com o ar mais sério que eu conseguia, disse:
Eu: Você me deve explicações, Annie Müller.
...
Eu não podia acreditar que ela havia me ligado! Depois de uma semana e meia da partida dela, ela resolve me ligar?! Que diabos é isso?! Eu estava simplesmente morrendo sem ela comigo, e ela só me liga agora?!
 Eu fiquei meia hora tentando descobrir onde ela estava, o que tinha acontecido, mas ela só dava umas fungadas e dizia coisas como "eu não posso contar" "é para o seu bem" "eu estou bem" "eu não posso te dizer isso", às vezes com a voz trêmula. A minha voz estava trêmula! Eu estava chorando do outro lado do telefone, embora ela não soubesse. Eu estava sentado na mesa da cozinha, com a mão no rosto, implorando por informações, mas ela não dizia nada.
Eu: Por que não pode me dizer para onde foi?!
Annie: Porque não. Eu sinto muito, Harry.
Eu: Mas você nem me explicou o porquê! Eu fiquei super preocupado quando todos disseram que não sabia, sua localização!
Annie: E eu não posso explicar ainda, Harry. Por favor, só deixe como está. Eu só liguei para... Ah, sei lá. Para dizer que estava bem. Para poder ouvir sua voz de novo. Porquê agora, eu só vou poder te ligar daqui... han, deixa eu ver... - ela ficou quieta por um tempo, e depois voltou. - ... mais ou menos três meses.
Eu: TRÊS MESES?! - gritei. - Impossível! Não! Você disse que voltaria em poucas semanas!
Annie: Eu disse isso ANTES de escrever a carta, Harry. A carta é que dizia a verdade. Apenas ela.
Eu: Isso... Eu... Mas... - eu suspirei. - (gif) Apenas volte pra casa.
Annie: Eu... Eu não posso.
Eu: Por que não?! Pelo amor de Deus, me diga!
Annie: Eu... - de repente, ouvi uns barulhos na linha, com um apito de outra pessoa na linha e um homem perguntando "quem é?" - Só um minuto - ela distanciou a boca do telefone e falou bem baixo (mas deu para entender) "É Cowell". Eu não sei se era exatamente isso, mas fiquei aflito. - Eu preciso desligar, Harry. Tem outra pessoa na linha.
Eu: Cowell?? Você disse Cowell, tipo Simon Cowell??
Annie: Por favor, Harry. Apenas me deixe desligar.
 Eu respirei fundo, deixando as lágrimas caírem pelo meu rosto. Fiquei ouvindo a respiração pesada e densa dela, como se ela estivesse em algum lugar frio. Fiquei tentando imaginar para onde minha princesa tinha ido, enquanto ela não se manifestava. Eu apenas esperei mais uns segundos, e então disse, mais calmo, mesmo com as lágrimas descendo como sei lá o quê:
Eu: Apenas... Apenas prometa que um dia voltará para mim.
 Eu consegui ouvir ela dar umas risadinhas, que vieram junto com alguns soluços, o que me fez ver que ela também estava chorando, e eu tentava entender como ela estava conseguindo ficar com aquela voz tão fofa mesmo chorando de soluçar.
Annie: Eu prometo, Harry, eu prometo que voltarei para você... Adeus, Curly Boy.
Eu: Eu te amo, minha Princesa. Eu sempre vou te amar, por favor, não esqueça disso. Beleza? Eu te amo e estou te esperando aqui.
 Ela ficou mais um tempo no telefone, apenas ouvindo eu me declarando mesmo que em vão. E, então, ela desligou o telefone, e eu conseguia imaginar ela dando aquele sorriso bobo que ficava no rosto dela quando ela desliga o telefone, e quase conseguia ouvir ela respondendo "Eu também te amo, Curly Boy". Eu não sei o que estava acontecendo comigo, de repente fiquei completamente viciado nessa garota, e viver sem ela... Não era viver. Eu, que ainda estava com o telefone no ouvido apitando aquele barulho de "não há ninguém na linha, seu babaca, me desliga logo", resolvi desligá-lo depois de um minuto sozinho. Eu o coloquei no meu colo, chorando incrivelmente como nunca chorei antes, e sussurrei "Eu te amo, Annie. Ah, meu Deus, eu te amo"
Olhando para a carta que você deixou, 1uerendo saber se nunca terei você... de volta... Sonhando com quando eu te verei de novo (...) Eu não quero adormecer, porque eu não sei se vou acordar.
E eu não quero fazer cena, mas eu estou morrendo sem o seu amor, implorando pra ouvir sua voz dizer que também me ama, porque eu prefiro ficar sozinho se eu sei que eu não posso te ter.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cap 14: Wild / Love Will Remember

Fiquei dormindo a viagem do outro trem inteiro, acordei com o apito final do trem, e aí pulei para o outro trem, onde dormi mais duas horas e meia.
 Acordei com meu despertador tocando nos fones de ouvido. Faltava mais ou menos meia hora pra essa viagem toda acabar. Levantei do meu sofazinho, fui ao banheiro no fim do corredor, lavei o rosto, me troquei, tomei meu remédio e voltei pra cabine. Assim que estava entrando, passou a garçonete perguntando se eu queria almoço - já que já era quase meio-dia - e eu disse que não precisava, e peguei só uma água. Eu tinha combinado de ir almoçar com Joe, assim que chegássemos. E, além do mais, eu tinha acabado de tomar meus remédios contra o inchaço a mais da gravidez e a tontura da viagem. Fiquei ouvindo música e jogando jogos no meu celular, olhando pela janela, até que comecei a ver o final da estrada cheia de árvores e o começo da cidadezinha, e isso me deu alegria e ao mesmo tempo um aperto no coração.
Alguns minutos depois, o trem tocou 3 vezes o apito, o que indicava a chegada à estação, onde eu desceria. Já levantei, peguei minhas malas que estavam nas gavetas de cima, peguei minha bolsa, conferi pra ver se não estava esquecendo nada, coloquei o celular no bolso e coloquei óculos escuros. E saí da cabine, esperando as portas do trem abrirem para eu sair. Os portões abriram, peguei o folheto que entregavam na saída, e tentando não deixar nenhuma mala cair, saí do trem. Fui mais para o cantinho e olhei o folheto, que na verdade era um mapa da estação. Eu tinha combinado com Joe de nos encontrarmos na saída da estação, que dava pra Rua Springs, mas eu não sabia como chegar lá, então fui seguindo o mapa.
Desci umas escadas rolantes até chegar no térreo da estação. Olhei para os lados, vendo o quanto as ruas eram mais calmas e menos movimentadas do que em Londres, e como as pessoas eram mais sorridentes e menos estressadas, e quantas árvores haviam em volta, e o sol que batia nas ruas, e lembrando o quanto eu amava aquele lugar. Eu costumava ir para lá todas as férias, passava uma ou duas semanas lá, desde os meus primeiros meses até quando eu tinha 10 ou 11 anos, que foi quando Noah nasceu, e aí paramos um pouco de ir. A última vez que eu tinha ido foi há, mais ou menos, 5 anos atrás. E não tinha mudado nada, continuava uma pequena e alegre cidade. Eu estava olhando o mapa quando alguém começou a fazer cócegas em mim por trás, e apesar do susto, comecei a rir. Quando me virei, lá estava ele.
Eu: JOE! - disse, pulando em seus braços e jogando as malas e mochilas no chão.
Joe: Que saudades, Annie! - disse, me abraçando forte e sem me deixar tocar no chão.
Nós dois ríamos como abobados, ainda sem acreditar que estávamos nos vendo. Ele me colocou no chão finalmente, me olhou da cabeça aos pés e soltou um suspiro:
Joe: Você está enorme! - sorriu.
Eu: Você também! Olha isso! - disse, apontando para ele. Ele riu.
 Joe tinha um ano "e meio" a mais do que eu, então enquanto eu tinha 18 anos, ele já tinha quase 20. Ninguém - além de Lottie e, antes, Aria - sabe, mas eu e ele tínhamos uma amizade colorida. Eu o conhecia desde beeem pequena, então, perdi meu bv com ele - e ele comigo -, ele já me viu de lingerie - assim como já vi ele - e quase chegamos a perder a virgindade juntos, mas eu era muito cagona na época e dei pra trás, e acabei perdendo minha virgindade com o Harry. Ele sempre foi e sempre será meu melhor amigo. Eu digo que Harry é meu melhor amigo, mas na verdade eu sempre senti amor por ele, e não amizade, como eu sentia com Joe. Eu podia beijá-lo quantas vezes fosse, eu ia continuar sentindo amizade. Eu sempre contava tudo para ele e ele sempre contava tudo para mim, mesmo distantes mantínhamos contato pelo Facebook e Whatsapp, mas nenhum de nós gostava de ligar a câmera, então eu só o via por fotos e fiquei realmente impressionada com o homem que ele havia se tornado.
Joe: Foi bem de viagem? - disse, me tirando de meus devaneios.
Eu: Sim, muito bem! - respondi, feliz. - Sem vômitos, sem tonturas, só remédios e cochilos.
Joe: Bem melhor assim, né? - disse, rindo. - Eu lembro de quando fomos pescar, há algumas horas daqui, e você passou muito mal! - ele ria como criança. Eu fechei a cara, de brincadeira.
Eu: Isso não vale! Foi há muitos anos atrás! - eu dei um soquinho no ombro dele.
Joe: Tudo bem, tudo bem. Vamos almoçar? Estou cheio de fome!
Eu: Claro! Eu também tô morta de fome!

Lottie's POV
Eu estava na casa dos Müller ainda, passando a mão nos cabelos de Noah, enquanto ele jogava videogame com Ian, quando começaram a bater na porta furiosamente.
Eu: Mas o quê é isso?!
Ian: Deve ser o Harry - disse, meio preocupado, tirando os olhos do jogo. - Meu pai está dormindo, vai acordar se ele continuar assim.
Eu: Então vou atender.
Ian: Não! - disse, rápido. - Ele vai querer destruir tudo aqui até dizerem onde... - ele olhou para Noah. - ... onde ela está.
Noah: Eu sei de quem estão falando. - disse, sem tirar os olhos do jogo, com ar de indiferença.
Eu: O que eu faço, então?
Ian: (gif) Você pode mandar ele ir se fuder.
Eu: Sem ser isso, Ian.
Noah: Diz onde a Annie está, ué.
Ian: Não podemos, Noah.
Noah: Mas ela mesma tinha falado pra ele pra onde ia! Eu ouvi!
Eu: Ouviu?! - disse, preocupada. Esse não era o plano.
Noah: Claro! - disse, pausando o jogo e virando para mim e Ian. - Ela disse que foi para Nova York, passar um ou dois meses!
 Eu e Ian suspiramos, aliviados. Ele deu um pedala na cabeça de Noah, e eu ri.
Ian: É, mas é um pouco mais... hã... complicado do que isso.
 Enquanto conversávamos, as batidas se tornavam mais fortes e rápidas, meio assustadoras. Ian suspirou e mandou eu apenas perguntar quem era no olho mágico, e se fosse Harry, deixar ele batendo na porta e apenas encostar a porta do quarto onde o pai dele dormia, para ele não acordar. Assenti e desci as escadas rumo à porta da frente.
Eu: Quem é? - olhei no olho mágico. - Ah, oi Harry. - disse, já me afastando da porta.
Harry: "Oi Harry", nada! - gritou de lá de fora. - Quero saber onde a Annie está!
Eu: Que pena, vai ficar sem saber. - gritei já subindo as escadas, mas ele continuou batendo e chutando na porta, gritando palavrões, que até o Noah ficou confuso.
Noah: Essa palava existe?
Ian: Não! Fica quieto! Aumenta o volume da TV! Tranca essa porta! - ele já estava em seu limite.
Noah: Mas eu não quero trancar a porta.
Eu: Noah, isso é sério. - disse, fechando a porta. - Tranque-a por dentro. Agora.
Noah: Chatões. - disse de lá de dentro, eu ouvindo seus passos até a porta e, depois, a fechadura se trancando.
 Segui Ian, que descia as escadas, até a porta. Ele a abriu já empurrando Harry, forçando-o a descer as escadas do quintal, senão ele cairia.
Ian: O que você quer aqui?! É manhã de sábado, nem é meio dia ainda, por quê tá enchendo o saco aqui?! Meu pai quer dormir!
Harry: E eu quero saber onde está minha namorada!
Ian: Ela não é mais sua namorada! - gritou, empurrando Harry novamente.
 Harry geralmente ataca as pessoas, tanto fisicamente quanto verbalmente, mas hoje ele não estava assim; estava tão impressionado, frustado, triste, autômato, que nem sabia como se defender, como reagir à tudo. Ele só queria saber onde estava sua namorada - ex namorada - e sua reação me deixava triste, mas tive que ter pulso firme com ele. Pela Annie.
Puxei o ombro de Ian, para ele voltar em si, e fui para frente dele, ficando cara a cara com Harry.
Eu: Ela não está mais aqui, Harry. Ela deixou um bilhete pra você, eu sei. Você sabe o que dizia lá. Você sabe que vocês terminaram. Pare com isso. - eu o confrontava com os olhos, e de repente, ele voltou a ser o antigo Harry.
Harry: Escuta aqui, pirralha. - ele andou mais para perto de mim, me fazendo recuar. - Não me interessa se é irmã do meu melhor amigo, se é melhor amiga da minha namorada, ou qualquer caralho à quatro, se você não me disser onde Annie está ou não sair da frente desse idiota - ele apontou para Ian, com ar de nojo -, eu não respondo por mim. (gif)
Ian: Ex namorada, seu babaca! - ele me empurrou para trás dele novamente. - Ela é sua ex namorada, ela era sua namorada, não é mais! Ela não vai dizer onde Annie está porquê nós também não sabemos, e mesmo que soubéssemos, não diríamos, porquê ela não quer que você a encontre nunca mais. E o único idiota que estou vendo aqui é você - ele apontou o dedo bem no meio da cara de Harry, deixando-o ainda mais irritado. - Então, Cabelo de Miojo, cai fora daqui e deixa minha família em paz!
 Ele deu um último empurrão em Harry quando terminou a última frase, virou-se, colocou seu braço sobre meu ombro, me abraçando, e entramos em casa novamente, com Ian fechando a porta com os pés.
Eu: Ele não vai desistir tão fácil. - disse, meio tímida.
Ian: Eu sei. - ele afirmou, com voz de cansado. - Mas as coisas se ajeitam sozinhas com o tempo. - ele me abraçou mais forte.
 Toda vez que eu ia na casa da Annie, eu passava grande parte do tempo brincando com Noah, já que ele me adorava e eu sempre amei ver sorrisos nos rostos dos outros - principalmente de crianças -, e eu havia notado que Ian sempre ficava me olhando, como se estivesse com a cabeça nas nuvens e apenas estivesse olhando para um ponto fixo, eu, mas agora eu não sabia mais. Ele me abraçou forte, como que me protegendo, sendo que eu não precisava ser protegida. Mas eu me senti protegida. E eu tenho namorado, só para lembrar (à mim mesma), mas eu estava gostando daquele cuidado todo. É óbvio que o John também era legal comigo, mas meu sonho sempre foi namorar um cara mais velho - eu até era apaixonada pelo Harry alguns meses atrás -, e o Ian parecia ser uma pessoa boa. Ele tinha história, tanto histórias de vida quanto histórias apenas para descontrair, ele é alto e forte, mas ao mesmo tempo cuidadoso e gentil, de modo que, quando te abraça, parece estar te isolando do mundo, de protegendo de tudo e de todos, e agora eu entendia o porquê da Annie achar o abraço dele tão bom. E o porquê de Aria ter dado em cima dele. Mas Aria só ligou pra beleza, e Aria só contou meu segredo pelo John, isso mostra que eu amo muito - ou devo amá-lo, ou deveria amá-lo, ou... eu não sei. Eu estava confusa, e nem estava rolando nada entre mim e Ian!
 Ele disse algo, que meio que me tirou de meus devaneios, e aí eu acordei rapidamente.
Eu: Quê - disse, ainda meio no mundo da lua.
Ian: Perguntei se quer sair.
Eu: C-Como assim? - perguntei, com uma voz esganiçada e meio assustada. Ele parecia ser vidente, será mesmo que estava acontecendo algo entre nós?!
Ian: Eu, você, e Noah, almoçar fora.
Eu: Ah! - suspirei aliviada. - Sim. Claro! - sorri. - Vou chamar Noah.
Ian: Tudo bem, eu vou esperar no sofá.
Eu: Ok! - disse, subindo as escadas.
 Eu cheguei lá e disse à Noah que íamos sair para almoçar fora. Ele fez um careta, e escondeu seu rosto debaixo das cobertas.
Eu: O que foi, Noah?
Noah: Eu tô com preguiça. Eu tô triste. Eu não quero sair sem ela.
Eu: Ela quem? - disse, me dando conta da situação na mesma hora. - Ah. Entendi. Mas Annie não poderá sair conosco por um tempo.
Noah: Não quero saber se quer ou se pode, ela têm que sair com a gente! Eu só tenho mais um dia aqui!
Eu: Eu sinto muito, Noah. Ela não pode vir, ela está viajando.
 Ele ia protestar, quando Ian bateu na porta, já entrando. Ele viu a cara emburrada de Noah, suspirou, tentou sorrir e se sentou no canto da cama, do meu lado, de frente para o Noah. Noah se levantou e foi sentar-se na mesa, talvez sentindo-se intimidado. Ian deu um sorriso mais amigável, e com uma voz doce e confortadora, começou a conversar com ele.
Ian: Por que essa cara, garotão?
Noah: Não quero sair. (gif)
Ian: Ah, não quer? - disse, sentando-se na mesa em frente à ele. - E se eu disser que vamos almoçar no Mc Donalds? Todos nós?
Noah: Annie também vai? - disse, esperançoso.
Ian: Não, Annie não vai. - ele nem sequer parava sua voz amigável. - Por favor, Noah, ela só volta daqui meses, você sabe disso, mas vai continuar podendo vir aqui um fim de semana por mês e nos encontrar, e vamos aproveitar esses fins de semana que ficaremos juntos para brincar! Só que sem Annie, beleza? - disse, estendendo a mão para um Hi5.
 Noah parecia pensativo. Ele olhava de um lado para o outro, se evitando à olhar para Ian, e de repente olhou para mim. Eu sorri e fiz sinal positivo para ele, o que pareceu encorajá-lo a virar para Ian e, finalmente, responder:
Noah: ... Beleza! - disse, se levantando da cadeira com um pulo e respondendo ao Hi Five do Ian. Nós rimos e fomos almoçar no mc Donalds como prometido.

Annie's POV
Depois de almoçarmos uma deliciosa comida saudável e vegetariana - embora eu não fosse vegetariana, estava evitando gorduras extras -, Joe me levou para casa com o carro dele. Estacionamos em frente à casa, que estava como sempre foi: beeem branquinha, conservada, com cara de antiga, mas por dentro cheia de coisa. Além das lareiras que eram perfeitas para aquela época do ano que era sempre "calor" de tarde e frio de noite e de manhã, tinham as camas gigantes e os sofás confortáveis, a cozinha bem organizada e um banheiro completo, nada fora de validade, com uma faxineira que vinha 3 vezes por semana, uma casa de dois andares só para mim e Joe, que ia morar comigo esses meses.
 Ele morava num apartamento pequeno, então às vezes usava nossa casa de campo, e agora, ele tinha ficado realmente feliz de ir para a casa de campo por quase um ano. Ele tinha faculdade de manhã, e como eu suponho que vou sempre acordar umas 10/11 horas, ele pode chegar 13 horas como sempre e eu posso preparar nossa comida.
A louça e a roupa a própria faxineira arrumava, e na casa de campo ia ser mil vezes melhor para a gestação. Na minha casa, teria Noah gritando, Ian querendo dar festas sendo que eu não poderia ser vista, meu pai teria que saber a verdade e tudo mais. Aqui, posso colocar músicas lentas que ajudem na inteligência do bebê durante a gestação, tem vários livros sobre gestação e bebês que eram da minha vó paterna e da minha mãe, que deram para ela quando estava grávida de Noah, que eu poderia ler, sem dizer que o PC seria inteiramente meu, assim como o resto da casa. Um banheiro só pra mim, um quarto inteiro meu que não seria desarrumado por nenhum irmão pestinha... A verdade é que eu amo Noah, Ian, meu pai, Lottie e tudo mais, isso é óbvio, mas eu estava um pouco cansada da minha rotina ser "evitar" meu pai, andar sempre com Lottie, brigar com Ian por suas malandragens e sempre dar uma de babá do Noah. Eu só queria poder chegar em casa depois de um dia longo saindo por aí, jogar minha bolsa no sofá, subir umas escadas e deitar na minha cama ouvindo música do meu celular, e isso não era possível na minha antiga casa. Agora minha casa era essa, minha casa era em Harrogate.
 Eu cheguei, segurando uma mala em cada mão, e olhando do chão ao teto, abismada.
Eu: Meu Deus, eu não lembrava do quão grande era aqui!
Joe: Mas é! - ele chegou atrás com mais duas de minhas malas e uma mochila de costas minha também. - Grande, aconchegante, e toda nossa por 10 meses! - disse, feliz.
Eu: Pois é! Eu nem acredito!
Joe: Nem eu, vai ser bem legal. - Ele passou na minha frente e foi subindo as escadas. - Vamos lá, você fica com o último quarto que é o maior, e eu fico com o penúltimo.
Eu: Não precisa!
Joe: Claro que precisa! Fiz uma preparação especial para você!
 Ele pegou uma das malas que eu estava levando e me ajudou, ficando com 3 malas e uma mochila e eu só com 1 mala e 1 mochila, e subimos até nossos quartos. Ele largou as malas na frente da porta e entrou correndo, e eu, sem entender nada, fui indo atrás devagar. Chegando lá, haviam rosas na minha cama, um bercinho do lado dela, um rádio tocando "All You Need Is Love", minha estante de sempre com um cartão escrito "Welcome!", e ele parado na frente da cama com um buquê de rosas. Eu sorri, fui até ele, e fiquei parada, apenas esperando ele dizer algo. Ele estava com um sorriso imenso.
Joe: Bem, o quê posso dizer? - ele disse, olhando em volta. Entregou-me as flores. - Bem-vinda novamente, Annie!
 Eu cheirei as flores, as deixei na estante, e pulei em cima dele, os dois caindo na cama. Começamos a rir, e eu não parava de abraçar ele - na verdade, estava quase o estrangulando, mas beleza - e eu estava realmente feliz.
Eu: Isso tudo é muito fofo, Joe! - disse, sem soltar ele do abraço ainda. - Obrigada, cara! Eu te amo!
Joe: Eu também te amo, Annie! - disse, meio pausadamente. - A-Agora pode me soltar, porrrr f-favor??
 Eu o soltei, e nós levantamos juntos, eu ficando sentada nele, encaixada. Fiquei, de repente, um pouco tímida, mas ele parecia não se importar com aquela posição, nem com a minha vergonha. Apenas continuava sorrindo, fofo.
Joe: Valeu.
Eu: Por nada. - dei um sorriso envergonhado. Comecei a me mexer. - Eu, hã... Vou... Sair daqui né... Porquê... Hã...
Joe: Não precisa. - ele disse, me puxando de volta e me encaixando novamente. - A gente sempre fez isso, qual a diferença, Annie?
Eu: A diferença é que eu tô com um filho do Harry Styles na barriga. - disse, agora séria.
Joe: Então tá. - ele disse, me desencaixando delicadamente e me colocando na cama. Ele se levantou, foi andando em direção à porta, colocou todas as minhas malas para dentro e, fechando a porta, disse: - Se precisar de ajuda para arrumar os armários por causa desse filho do Harry Styles em você, me chame.
 Eu sempre soube que ele tinha uma queda por mim. Uma queda, não, muito mais que isso! Eu ficava com ele porquê ele era lindo, e gentil, e eu sinceramente o achava meu melhor amigo. Mas ele ficava comigo porquê me amava, me pediu em namoro já umas 5 vezes, mas eu sempre negava, eu sempre fui louca pelo Harry, absolutamente cega de amor, sem olhos para outras pessoas. Mas eu sabia, sempre soube que Joe era cego de amor por mim assim como eu era pelo Harry, por isso sempre tentava não machucá-lo emocionalmente, mas eu ainda amava Harry, mesmo ele tendo, hã, atrasado e adiantado algumas partes da minha vida, como minha faculdade e um filho para nós. E Joe tinha que entender isso, não podia ficar bravo comigo.
Eu levantei, fui até a porta do quarto dele, bati 3 vezes e abri.
Eu: Joe.
Joe: Aí está a namorada do Harry. - disse irônico, com um copo de bebida na mão.
Eu: Pare com isso. Eu não sou namorada dele.
Joe: Jura? Então por quê teve que sair do meu colo?
Eu: Porquê sou uma mulher grávida, Joe. Mas eu... Eu... Ah, que seja. - disse, fazendo um gesto de "esquece" com a mão. - Quero sua ajuda para arrumar meu quarto, por favor.
Joe: Claro. - disse, se levantando, e indo comigo.
 O bom da pessoa apaixonada é que faz tudo por você, não importa o quanto você a machuque. Não que eu queria o machucar mas, diferente de Harry, mesmo irritado comigo ele continua me amando e falando comigo e pede desculpas por coisas que nem sequer foram culpa dele, ele apenas deixa os problemas para lá e continua me amando. Eu acho isso lindo.
 Depois de arrumarmos tudo, e fui um pouco para o banco do jardim e decidi ligar para Lottie. Chamou um pouco, e ela logo atendeu.
Lottie: Alô?
Eu: Lottie! Oi!
Lottie: Annie? Por quê está com um número desconhecido??
Eu: Para o Harry não me ligar, eu mudei de número, sinto muito! Mas eu precisava te ligar!
Lottie: Claro que precisava! Vou deixar seu nome marcado como Jessy, porquê... ah, porquê sim! Mas enfim, conte-me como está sendo!!
Eu: Muito bom, Joe me recebeu extremamente bem, fomos almoçar fora, e agora terminei de arrumar minhas coisas no quarto e vim para fora te ligar! Como estão todos aí?
Lottie: Seu pai ainda está meio mal pela menininha dele ter partido... Noah estava mal, mas convencemos ele à ir ao Mc Donalds almoçar conosco e ele deu uma animada, e agora está jogando videogame com Ian, que tá cuidando muito bem dele, por sinal. Ele estava estressado, meio frio e grosso pela sua partida, mas eu o convenci a ser legal e ele pareceu melhorar mais.
Eu: Ah, isso é ótimo! Eu estou morta de saudades deles! E de você, também! Como você está?
Lottie: É bem difícil estar nas férias sem minha melhor amiga, mas logo me acostumo, não se preocupa! - disse, rindo. - E... Eu acho que tô apaixonada.
Eu: Não brinca! Por quem??
Lottie: Eu não vou falar até ter certeza. Mas te juro que falo rápido, não vou demorar muito. Mas não é o Harry, relaxa.
Eu: Beleza, sem problemas... E... E ele? Como tá?
Lottie: Logo de manhã veio bater aqui na porta "exigindo" saber onde você estava, Ian e ele brigaram, e agora eu só recebo algumas mensagens dele pedindo para eu contar, para ligar para ele, e etc. Ele não aceitou muito bem.
Eu: Ah, meu Deus, meu Hazz tá sofrendo... - disse, triste. - Eu sinto tanta falta de todos vocês, mas dele é uma saudades tão grande que parece que vai explodir do peito! Eu só quero que ele fique bem. (gif)
Lottie: Ele vai ficar, não se preocupa. Ele supera. Todos nós vamos aguentar firmes esse tempinho sem você, eu espero que passe rápido.
Eu: Eu também espero! Eu ainda não liguei o computador porquê tô me instalando, mas até amanhã eu deixo tudo bem arrumado e aí nos falamos por Skype, que mesmo essa ligação sendo promocional deve sair caro. Beleza?
Lottie: Beleza, pode voltar pro seu conforto, então. Manda um beijo pro Joe! Faz anos que não vou para aí!
Eu: Fazia anos que eu não vinha também! E pode deixar, vou mandar seu beijo.
Lottie: Beijos! Se cuida!
Eu: Você também! Tchau!
 E, assim, desligamos os telefones.
Voltei devagar para casa, e ele estava assistindo TV, na sala. Eu sorri e me sentei do lado dele. Isso poderia começar a ficar repetitivo, mas eu nunca me canso de ficar abraçada com Joe. Seu cheiro, seu jeito de abraçar, é tudo tão perfeito que eu mal sei descrever. Quando eu encostei minha cabeça no ombro dele, vi com o canto do olho que ele sorriu e me abraçou mais forte. E, assim, ficamos assistindo um programa qualquer, sem prestar muita atenção, apenas percebendo o quanto eu me sentia segura com ele.

Lottie's POV
Fomos comer no bendito Mc Donalds, aproveitamos para ir ao cinema e jogar uns jogos do Shopping, aproveitando que era o último dia de Noah lá em casa. Nós ficamos assistindo Toy Story na Disney até a Kate chegar e arrancar ele brutalmente de casa, ele já chorando novamente. Eu fui com ele até lá fora, o abracei, beijei sua testa, disse que ia ficar tudo bem e logo ele estaria de volta, tentando acalmá-lo. Mal deu tempo de Ian sair de casa para se despedir, e ela arrancou com o carro, Noah com as mãos no vidro de trás, olhando para nós com ar de saudades instantâneas. Eu apenas fiquei olhando para o carro se afastando. Ian chegou por trás, me abraçando e beijando meu pescoço - o que me deixou "levemente" arrepiada.
Ian: Ele vai ficar bem (gif)
Eu: Eu sei, eu acredito nisso. Logo ele se conforma, ele se ajeita...
Eu mal liguei pelo fato de estarmos entrelaçados. Nos últimos meses, com a Annie grávida, tive que ficar praticamente todos os dias na casa deles, e eu e Ian cuidávamos de tudo juntos: eu ajudava a Annie com as coisas de gravidez - como remédios, preparar o banho, escolher roupas que não mostrassem a barriga, marcar as consultas, lembrar de verificar os remédios etc - e fazia a comida e lavava a roupa enquanto ele cuidava de tudo do Noah - levar para a escola quando ele vinha, dar a mesada, passear, jogar videogame, ajudar na lição, trabalho infantil em geral -, ajudava o pai dele no trabalho e em casa. De fim de semana nós até cozinhávamos juntos às vezes, ou ele fazia alguma bebida para acompanhar a janta. Ele havia me contado bastante sobre a vida dele, assim como eu contei bastante da minha. Se depender, acho que sei mais coisas sobre ele do que a própria irmã dele sabe!
 Entramos na casa novamente. Eu disse que ia fazer um chocolate quente, ele perguntou se eu podia fazer para ele também, e eu disse que tudo bem. Fui até a cozinha e separei os ingredientes. Ian, alguns minutos depois, entrou na cozinha, agora sem sua jaqueta e sem seus tênis, apenas com a regata e seu shorts jeans.
Ian: Não precisa mais fazer meu chocolate quente.
Eu: Por quê? - perguntei, sem olhar para ele, separando os marshmallows.
Ian: Porque eu tenho outro jeito de esquentar nossa noite... - disse, me pegando forte pelo braço.
 Ele me girou, me deixando de frente para ele e, quando eu vi, já estava o beijando. Nada romântico, nada carismático, mas algo violento, selvagem e delicioso. A língua dele dançava na minha boca, sinceramente nos encaixávamos mais do que com o John, embora eu nem tenha me lembrado dele nessa hora. Apenas fiquei saboreando nossos lábios colados.
 Ele ia parando os beijos aos poucos, para tomar fôlego, ver onde colocava as mãos em meu corpo, e olhar dentro de meus olhos. Eu até poderia pedir para ele parar, explicar que aquilo era errado e tudo mais, mas eu simplesmente estava adorando aquilo. Não pensei em meu namorado, ou na minha própria decência, eu só queria beijá-lo e fazê-lo ficar comigo. Por meses, eu me senti atraída por ele em segredo absoluto, porquê me parecia óbvio que um garoto quase dois anos mais velho que eu não se interessaria por mim, mas parecia que eu estava errada. Muito errada! Tanto é que ele me levantou e me colocou em cima da bancada da cozinha, ainda me beijando sem parar. Eu passava as mãos no pescoço e no cabelo dele, enquanto ele já agarrava uma de minhas coxas bem forte e, com a outra mão, alisava todo o meu corpo.
Eu mal sabia o que estava fazendo, mas já sabia no que ia dar tudo isso. E foi aí que eu pensei em parar.
Eu: I-Iann... - disse, ofegante. - ... M-Melhor pararmos.
Ian: Que... Nada... - dizia, entre os beijos e chupões que me dava. - Vamos... Lá pra... Cima...
Eu: I-I-Ian. - consegui falar, me desvincilhando dele. - Isso é errado. Eu tenho um namorado.
 Ele apenas afastou um pouco o rosto, sem tirar suas mãos de minha coxa e minha bunda, com um ar meio confuso.
Ian: Pensei que estivesse me dando mole esse tempo todo...
Eu: Hã... Mais ou Menos... - disse, meio lenta. - Eu me senti atraída por você, ainda me sinto atraída por você, mas eu tenho um namorado.
Ian: Então vamos resolver assim... - ele disse, chegando perto de mim novamente e apertando minha bunda forte, fazendo eu dar um gemido de prazer baixinho - ... Nós transamos só hoje, se você gostar, fica comigo, se não, pode voltar pro seu namoradinho meloso e irritante.
Eu: Você tem é ciúmes dele. - disse, beijando-o novamente.
Não podia negar que tinha gostado da ideia. E, assim, nós saímos da cozinha e fomos andando até às escadas que davam ao quarto dele, com ele me dando chupões por trás.
Ooh, é uma loucura quando você grita o meu nome!
Adoro quando você me balança todo dia, quando penso nisso, posso enlouquecer!
Aqui estamos, é lindo, estou encantada

Annie's POV
Acabei adormecendo no colo dele a tarde toda. Quando acordei, já eram seis da tarde, e ele penteava meus cabelos com a mão, ainda vendo TV. Quando percebeu que eu estava acordando, subitamente parou de mexer em meus cabelos. Eu dei uma esfregada nos meus olhos, e sorri para ele.
Eu: Oi... - disse, ainda meio sonolenta.
Joe: Oi, Bela Adormecida.
Eu: Por que parou de mexer nos meus cabelos?
Joe: Eu sei lá, pensei que ia me dar uma bronca de novo.
Eu: Eu não te dei uma bronca, só relembrei que estou grávida, e acariciar meus cabelos não fará mal nenhum.
 Ele sorriu, feliz, e voltou a massagear minha cabeça. Eu adorava quando ele fazia aquilo. Ele me contou que horas eram, que ficou a tarde toda lá, sentado, conversando comigo como se eu estivesse acordada, e quando eu disse que não tinha ouvido nada ele suspirou "Graças à Deus". Eu levantei e disse que iria me trocar e, depois,m faria algum lanche para nós, e ele disse que eu já podia me trocar para sairmos, que íamos jantar fora.
Fui até meu quarto, que já tinha sido arrumado, e peguei uma roupa básica de frio: moletom, jeans e salto. Eu não sabia para onde íamos - ele disse que era surpresa -, mas me arrumei como sempre me arrumava parar sair, pelo menos nos últimos meses, para esconder um pouco a barriga. Voltei para o andar de baixo, fui para a cozinha, preparei o chocolate quente com marshmallows, que eu sempre preparei em dias de frio, e senti falta de casa. Sempre fazíamos isso em dias de frio. Às vezes, até rolava guerra de marshmallows entre mim e Noah. Suspirei, triste, e voltei para a sala, com meu copo e o de Joe.
 Nós tomamos, em frente à lareira, ouvindo música do rádio e conversando. Acabamos o chocolate, e eu deitei na perna dele, como um travesseiro, olhando o fogo da lareira, tão grandioso, bonito, talentoso, parecia que tinha sido desenhado. Você nunca percebe essas coisas mínimas quando está preocupada com festas, saídas, estudos e crianças na cidade grande. Ele voltou a passar as mãos em meus cabelos, e eu vi pelo canto do olho que ele sorria, olhando para mim. Eu sorri de leve, e falei:
Eu: Por que gosta tanto de mexer em meus cabelos?
Joe: É gostoso, eles são macios e sedosos, eu sentia falta deles... Do seu sorriso fofo... De... Você... - disse, meio envergonhado.
 Eu parei de encarar o fogo e virei todo o meu corpo em direção ao teto, ficando cara a cara com ele. Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto assim que vi que ele estava vermelho de vergonha.
Eu: ... De mim? - disse, me fazendo de desentendida. - Sentiu falta de mim?
Joe: Hã, é-é, então... - ele dizia, coçando a nuca. Eu ri e ele suspirou, meio que se rendendo. - Sempre cuidei de você melhor do que todos eles. Você sabe disso.
Eu: É, eu sei. - disse, me lembrando dos meus paqueras passados.
Joe: E sabe que eu também sempre te amei mais do que eles te amaram.
Eu: É, eu acho que sim... - disse, sorrindo.
Joe: Sabe que eu te mereço mais do que eles todos.
Eu: Provavelmente...
Joe: E que eu sintia falta de você há todo instante...
Eu: Claro...
Joe: Então...
Eu: Então...? - repeti, curiosa com o que ele ia fazer.
 Ele apenas parou de me encarar, olhou pela janela, depois para o fogo, e sacudiu a cabeça negativamente. Eu fiquei olhando para ele, sem entender.
Joe: Você é muito confusa.
Eu: Eu? - fiz uma voz esganiçada. - Por quê??
Joe: Eu digo que te amo, que você merece algo melhor, digo que sempre te amei, tô aqui te esperando há anos, colocando ilusões na minha cabeça, aí você vêm me pedir favores, eu penso que é só uma desculpa mas você realmente precisava de mim, mas era só pra cuidar desse bebê aí. E eu tento vir pra perto, mas você fica me empurrando pra longe, dizendo que ainda gosta daquele baitola e que tá grávida e tudo mais... Isso é injusto, porra.
Eu: Mas eu gosto mesmo do Harry. Mas eu posso, um dia, parar de gostar dele. - ele, então, voltou a olhar pra mim, com os olhos arregalados e surpreso. - E eu realmente estou grávida, não tá vendo minha barriga? - acariciei minha barriga, mas ele não tirou os olhos dos meus. - Isso não precisa me prender ao pai da criança. Você só precisa me convencer de que isso é o certo. Eu só... Eu só quero o melhor para todos.
Joe: Eu sou o melhor pra você, e vou proporcionar o melhor para todos nós, eu te prometo, Annie. - ele não apenas me encarava, mas eu praticamente nadava em seus olhos azuis, lindos. - Eu tô falando sério quando digo que te amo. E eu posso provar isso.
 E, então, ele chegou delicadamente mais perto de mim. E mais perto. E mais ainda. Até nossos rostos ficarem praticamente colados, e eu já conseguia sentir sua respiração mais acelerada, assim como a minha. Mesmo não sendo nosso primeiro beijo, veio em mim aquela sensação de que eu tinha há anos atrás - de algo proibido, algo errado, mas que parecia certo por um milésimo de segundo. Era algo que eu não conseguia parar. Ele me tinha, mesmo eu não querendo. Tá, talvez ele esteja certo, eu sou um pouco confusa... Mas isso até é uma vantagem para ele. Eu não conseguia parar de olhar aqueles olhos azuis cintilantes dele, e o único momento que eu fechei meus olhos foi para finalmente beijá-lo.
O amor se lembrará de você, o amor se lembrará de mim. Eu sei que dentro do meu coração, para sempre, para sempre será nosso, mesmo se tentarmos esquecer... O amor se lembrará
---------------------------------------------------------------------------------------------------Oioi! Queria pedir desculpas pela demora, e pedir que comentassem o que acharam do capítulo aqui :)