quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cap 14: Wild / Love Will Remember

Fiquei dormindo a viagem do outro trem inteiro, acordei com o apito final do trem, e aí pulei para o outro trem, onde dormi mais duas horas e meia.
 Acordei com meu despertador tocando nos fones de ouvido. Faltava mais ou menos meia hora pra essa viagem toda acabar. Levantei do meu sofazinho, fui ao banheiro no fim do corredor, lavei o rosto, me troquei, tomei meu remédio e voltei pra cabine. Assim que estava entrando, passou a garçonete perguntando se eu queria almoço - já que já era quase meio-dia - e eu disse que não precisava, e peguei só uma água. Eu tinha combinado de ir almoçar com Joe, assim que chegássemos. E, além do mais, eu tinha acabado de tomar meus remédios contra o inchaço a mais da gravidez e a tontura da viagem. Fiquei ouvindo música e jogando jogos no meu celular, olhando pela janela, até que comecei a ver o final da estrada cheia de árvores e o começo da cidadezinha, e isso me deu alegria e ao mesmo tempo um aperto no coração.
Alguns minutos depois, o trem tocou 3 vezes o apito, o que indicava a chegada à estação, onde eu desceria. Já levantei, peguei minhas malas que estavam nas gavetas de cima, peguei minha bolsa, conferi pra ver se não estava esquecendo nada, coloquei o celular no bolso e coloquei óculos escuros. E saí da cabine, esperando as portas do trem abrirem para eu sair. Os portões abriram, peguei o folheto que entregavam na saída, e tentando não deixar nenhuma mala cair, saí do trem. Fui mais para o cantinho e olhei o folheto, que na verdade era um mapa da estação. Eu tinha combinado com Joe de nos encontrarmos na saída da estação, que dava pra Rua Springs, mas eu não sabia como chegar lá, então fui seguindo o mapa.
Desci umas escadas rolantes até chegar no térreo da estação. Olhei para os lados, vendo o quanto as ruas eram mais calmas e menos movimentadas do que em Londres, e como as pessoas eram mais sorridentes e menos estressadas, e quantas árvores haviam em volta, e o sol que batia nas ruas, e lembrando o quanto eu amava aquele lugar. Eu costumava ir para lá todas as férias, passava uma ou duas semanas lá, desde os meus primeiros meses até quando eu tinha 10 ou 11 anos, que foi quando Noah nasceu, e aí paramos um pouco de ir. A última vez que eu tinha ido foi há, mais ou menos, 5 anos atrás. E não tinha mudado nada, continuava uma pequena e alegre cidade. Eu estava olhando o mapa quando alguém começou a fazer cócegas em mim por trás, e apesar do susto, comecei a rir. Quando me virei, lá estava ele.
Eu: JOE! - disse, pulando em seus braços e jogando as malas e mochilas no chão.
Joe: Que saudades, Annie! - disse, me abraçando forte e sem me deixar tocar no chão.
Nós dois ríamos como abobados, ainda sem acreditar que estávamos nos vendo. Ele me colocou no chão finalmente, me olhou da cabeça aos pés e soltou um suspiro:
Joe: Você está enorme! - sorriu.
Eu: Você também! Olha isso! - disse, apontando para ele. Ele riu.
 Joe tinha um ano "e meio" a mais do que eu, então enquanto eu tinha 18 anos, ele já tinha quase 20. Ninguém - além de Lottie e, antes, Aria - sabe, mas eu e ele tínhamos uma amizade colorida. Eu o conhecia desde beeem pequena, então, perdi meu bv com ele - e ele comigo -, ele já me viu de lingerie - assim como já vi ele - e quase chegamos a perder a virgindade juntos, mas eu era muito cagona na época e dei pra trás, e acabei perdendo minha virgindade com o Harry. Ele sempre foi e sempre será meu melhor amigo. Eu digo que Harry é meu melhor amigo, mas na verdade eu sempre senti amor por ele, e não amizade, como eu sentia com Joe. Eu podia beijá-lo quantas vezes fosse, eu ia continuar sentindo amizade. Eu sempre contava tudo para ele e ele sempre contava tudo para mim, mesmo distantes mantínhamos contato pelo Facebook e Whatsapp, mas nenhum de nós gostava de ligar a câmera, então eu só o via por fotos e fiquei realmente impressionada com o homem que ele havia se tornado.
Joe: Foi bem de viagem? - disse, me tirando de meus devaneios.
Eu: Sim, muito bem! - respondi, feliz. - Sem vômitos, sem tonturas, só remédios e cochilos.
Joe: Bem melhor assim, né? - disse, rindo. - Eu lembro de quando fomos pescar, há algumas horas daqui, e você passou muito mal! - ele ria como criança. Eu fechei a cara, de brincadeira.
Eu: Isso não vale! Foi há muitos anos atrás! - eu dei um soquinho no ombro dele.
Joe: Tudo bem, tudo bem. Vamos almoçar? Estou cheio de fome!
Eu: Claro! Eu também tô morta de fome!

Lottie's POV
Eu estava na casa dos Müller ainda, passando a mão nos cabelos de Noah, enquanto ele jogava videogame com Ian, quando começaram a bater na porta furiosamente.
Eu: Mas o quê é isso?!
Ian: Deve ser o Harry - disse, meio preocupado, tirando os olhos do jogo. - Meu pai está dormindo, vai acordar se ele continuar assim.
Eu: Então vou atender.
Ian: Não! - disse, rápido. - Ele vai querer destruir tudo aqui até dizerem onde... - ele olhou para Noah. - ... onde ela está.
Noah: Eu sei de quem estão falando. - disse, sem tirar os olhos do jogo, com ar de indiferença.
Eu: O que eu faço, então?
Ian: (gif) Você pode mandar ele ir se fuder.
Eu: Sem ser isso, Ian.
Noah: Diz onde a Annie está, ué.
Ian: Não podemos, Noah.
Noah: Mas ela mesma tinha falado pra ele pra onde ia! Eu ouvi!
Eu: Ouviu?! - disse, preocupada. Esse não era o plano.
Noah: Claro! - disse, pausando o jogo e virando para mim e Ian. - Ela disse que foi para Nova York, passar um ou dois meses!
 Eu e Ian suspiramos, aliviados. Ele deu um pedala na cabeça de Noah, e eu ri.
Ian: É, mas é um pouco mais... hã... complicado do que isso.
 Enquanto conversávamos, as batidas se tornavam mais fortes e rápidas, meio assustadoras. Ian suspirou e mandou eu apenas perguntar quem era no olho mágico, e se fosse Harry, deixar ele batendo na porta e apenas encostar a porta do quarto onde o pai dele dormia, para ele não acordar. Assenti e desci as escadas rumo à porta da frente.
Eu: Quem é? - olhei no olho mágico. - Ah, oi Harry. - disse, já me afastando da porta.
Harry: "Oi Harry", nada! - gritou de lá de fora. - Quero saber onde a Annie está!
Eu: Que pena, vai ficar sem saber. - gritei já subindo as escadas, mas ele continuou batendo e chutando na porta, gritando palavrões, que até o Noah ficou confuso.
Noah: Essa palava existe?
Ian: Não! Fica quieto! Aumenta o volume da TV! Tranca essa porta! - ele já estava em seu limite.
Noah: Mas eu não quero trancar a porta.
Eu: Noah, isso é sério. - disse, fechando a porta. - Tranque-a por dentro. Agora.
Noah: Chatões. - disse de lá de dentro, eu ouvindo seus passos até a porta e, depois, a fechadura se trancando.
 Segui Ian, que descia as escadas, até a porta. Ele a abriu já empurrando Harry, forçando-o a descer as escadas do quintal, senão ele cairia.
Ian: O que você quer aqui?! É manhã de sábado, nem é meio dia ainda, por quê tá enchendo o saco aqui?! Meu pai quer dormir!
Harry: E eu quero saber onde está minha namorada!
Ian: Ela não é mais sua namorada! - gritou, empurrando Harry novamente.
 Harry geralmente ataca as pessoas, tanto fisicamente quanto verbalmente, mas hoje ele não estava assim; estava tão impressionado, frustado, triste, autômato, que nem sabia como se defender, como reagir à tudo. Ele só queria saber onde estava sua namorada - ex namorada - e sua reação me deixava triste, mas tive que ter pulso firme com ele. Pela Annie.
Puxei o ombro de Ian, para ele voltar em si, e fui para frente dele, ficando cara a cara com Harry.
Eu: Ela não está mais aqui, Harry. Ela deixou um bilhete pra você, eu sei. Você sabe o que dizia lá. Você sabe que vocês terminaram. Pare com isso. - eu o confrontava com os olhos, e de repente, ele voltou a ser o antigo Harry.
Harry: Escuta aqui, pirralha. - ele andou mais para perto de mim, me fazendo recuar. - Não me interessa se é irmã do meu melhor amigo, se é melhor amiga da minha namorada, ou qualquer caralho à quatro, se você não me disser onde Annie está ou não sair da frente desse idiota - ele apontou para Ian, com ar de nojo -, eu não respondo por mim. (gif)
Ian: Ex namorada, seu babaca! - ele me empurrou para trás dele novamente. - Ela é sua ex namorada, ela era sua namorada, não é mais! Ela não vai dizer onde Annie está porquê nós também não sabemos, e mesmo que soubéssemos, não diríamos, porquê ela não quer que você a encontre nunca mais. E o único idiota que estou vendo aqui é você - ele apontou o dedo bem no meio da cara de Harry, deixando-o ainda mais irritado. - Então, Cabelo de Miojo, cai fora daqui e deixa minha família em paz!
 Ele deu um último empurrão em Harry quando terminou a última frase, virou-se, colocou seu braço sobre meu ombro, me abraçando, e entramos em casa novamente, com Ian fechando a porta com os pés.
Eu: Ele não vai desistir tão fácil. - disse, meio tímida.
Ian: Eu sei. - ele afirmou, com voz de cansado. - Mas as coisas se ajeitam sozinhas com o tempo. - ele me abraçou mais forte.
 Toda vez que eu ia na casa da Annie, eu passava grande parte do tempo brincando com Noah, já que ele me adorava e eu sempre amei ver sorrisos nos rostos dos outros - principalmente de crianças -, e eu havia notado que Ian sempre ficava me olhando, como se estivesse com a cabeça nas nuvens e apenas estivesse olhando para um ponto fixo, eu, mas agora eu não sabia mais. Ele me abraçou forte, como que me protegendo, sendo que eu não precisava ser protegida. Mas eu me senti protegida. E eu tenho namorado, só para lembrar (à mim mesma), mas eu estava gostando daquele cuidado todo. É óbvio que o John também era legal comigo, mas meu sonho sempre foi namorar um cara mais velho - eu até era apaixonada pelo Harry alguns meses atrás -, e o Ian parecia ser uma pessoa boa. Ele tinha história, tanto histórias de vida quanto histórias apenas para descontrair, ele é alto e forte, mas ao mesmo tempo cuidadoso e gentil, de modo que, quando te abraça, parece estar te isolando do mundo, de protegendo de tudo e de todos, e agora eu entendia o porquê da Annie achar o abraço dele tão bom. E o porquê de Aria ter dado em cima dele. Mas Aria só ligou pra beleza, e Aria só contou meu segredo pelo John, isso mostra que eu amo muito - ou devo amá-lo, ou deveria amá-lo, ou... eu não sei. Eu estava confusa, e nem estava rolando nada entre mim e Ian!
 Ele disse algo, que meio que me tirou de meus devaneios, e aí eu acordei rapidamente.
Eu: Quê - disse, ainda meio no mundo da lua.
Ian: Perguntei se quer sair.
Eu: C-Como assim? - perguntei, com uma voz esganiçada e meio assustada. Ele parecia ser vidente, será mesmo que estava acontecendo algo entre nós?!
Ian: Eu, você, e Noah, almoçar fora.
Eu: Ah! - suspirei aliviada. - Sim. Claro! - sorri. - Vou chamar Noah.
Ian: Tudo bem, eu vou esperar no sofá.
Eu: Ok! - disse, subindo as escadas.
 Eu cheguei lá e disse à Noah que íamos sair para almoçar fora. Ele fez um careta, e escondeu seu rosto debaixo das cobertas.
Eu: O que foi, Noah?
Noah: Eu tô com preguiça. Eu tô triste. Eu não quero sair sem ela.
Eu: Ela quem? - disse, me dando conta da situação na mesma hora. - Ah. Entendi. Mas Annie não poderá sair conosco por um tempo.
Noah: Não quero saber se quer ou se pode, ela têm que sair com a gente! Eu só tenho mais um dia aqui!
Eu: Eu sinto muito, Noah. Ela não pode vir, ela está viajando.
 Ele ia protestar, quando Ian bateu na porta, já entrando. Ele viu a cara emburrada de Noah, suspirou, tentou sorrir e se sentou no canto da cama, do meu lado, de frente para o Noah. Noah se levantou e foi sentar-se na mesa, talvez sentindo-se intimidado. Ian deu um sorriso mais amigável, e com uma voz doce e confortadora, começou a conversar com ele.
Ian: Por que essa cara, garotão?
Noah: Não quero sair. (gif)
Ian: Ah, não quer? - disse, sentando-se na mesa em frente à ele. - E se eu disser que vamos almoçar no Mc Donalds? Todos nós?
Noah: Annie também vai? - disse, esperançoso.
Ian: Não, Annie não vai. - ele nem sequer parava sua voz amigável. - Por favor, Noah, ela só volta daqui meses, você sabe disso, mas vai continuar podendo vir aqui um fim de semana por mês e nos encontrar, e vamos aproveitar esses fins de semana que ficaremos juntos para brincar! Só que sem Annie, beleza? - disse, estendendo a mão para um Hi5.
 Noah parecia pensativo. Ele olhava de um lado para o outro, se evitando à olhar para Ian, e de repente olhou para mim. Eu sorri e fiz sinal positivo para ele, o que pareceu encorajá-lo a virar para Ian e, finalmente, responder:
Noah: ... Beleza! - disse, se levantando da cadeira com um pulo e respondendo ao Hi Five do Ian. Nós rimos e fomos almoçar no mc Donalds como prometido.

Annie's POV
Depois de almoçarmos uma deliciosa comida saudável e vegetariana - embora eu não fosse vegetariana, estava evitando gorduras extras -, Joe me levou para casa com o carro dele. Estacionamos em frente à casa, que estava como sempre foi: beeem branquinha, conservada, com cara de antiga, mas por dentro cheia de coisa. Além das lareiras que eram perfeitas para aquela época do ano que era sempre "calor" de tarde e frio de noite e de manhã, tinham as camas gigantes e os sofás confortáveis, a cozinha bem organizada e um banheiro completo, nada fora de validade, com uma faxineira que vinha 3 vezes por semana, uma casa de dois andares só para mim e Joe, que ia morar comigo esses meses.
 Ele morava num apartamento pequeno, então às vezes usava nossa casa de campo, e agora, ele tinha ficado realmente feliz de ir para a casa de campo por quase um ano. Ele tinha faculdade de manhã, e como eu suponho que vou sempre acordar umas 10/11 horas, ele pode chegar 13 horas como sempre e eu posso preparar nossa comida.
A louça e a roupa a própria faxineira arrumava, e na casa de campo ia ser mil vezes melhor para a gestação. Na minha casa, teria Noah gritando, Ian querendo dar festas sendo que eu não poderia ser vista, meu pai teria que saber a verdade e tudo mais. Aqui, posso colocar músicas lentas que ajudem na inteligência do bebê durante a gestação, tem vários livros sobre gestação e bebês que eram da minha vó paterna e da minha mãe, que deram para ela quando estava grávida de Noah, que eu poderia ler, sem dizer que o PC seria inteiramente meu, assim como o resto da casa. Um banheiro só pra mim, um quarto inteiro meu que não seria desarrumado por nenhum irmão pestinha... A verdade é que eu amo Noah, Ian, meu pai, Lottie e tudo mais, isso é óbvio, mas eu estava um pouco cansada da minha rotina ser "evitar" meu pai, andar sempre com Lottie, brigar com Ian por suas malandragens e sempre dar uma de babá do Noah. Eu só queria poder chegar em casa depois de um dia longo saindo por aí, jogar minha bolsa no sofá, subir umas escadas e deitar na minha cama ouvindo música do meu celular, e isso não era possível na minha antiga casa. Agora minha casa era essa, minha casa era em Harrogate.
 Eu cheguei, segurando uma mala em cada mão, e olhando do chão ao teto, abismada.
Eu: Meu Deus, eu não lembrava do quão grande era aqui!
Joe: Mas é! - ele chegou atrás com mais duas de minhas malas e uma mochila de costas minha também. - Grande, aconchegante, e toda nossa por 10 meses! - disse, feliz.
Eu: Pois é! Eu nem acredito!
Joe: Nem eu, vai ser bem legal. - Ele passou na minha frente e foi subindo as escadas. - Vamos lá, você fica com o último quarto que é o maior, e eu fico com o penúltimo.
Eu: Não precisa!
Joe: Claro que precisa! Fiz uma preparação especial para você!
 Ele pegou uma das malas que eu estava levando e me ajudou, ficando com 3 malas e uma mochila e eu só com 1 mala e 1 mochila, e subimos até nossos quartos. Ele largou as malas na frente da porta e entrou correndo, e eu, sem entender nada, fui indo atrás devagar. Chegando lá, haviam rosas na minha cama, um bercinho do lado dela, um rádio tocando "All You Need Is Love", minha estante de sempre com um cartão escrito "Welcome!", e ele parado na frente da cama com um buquê de rosas. Eu sorri, fui até ele, e fiquei parada, apenas esperando ele dizer algo. Ele estava com um sorriso imenso.
Joe: Bem, o quê posso dizer? - ele disse, olhando em volta. Entregou-me as flores. - Bem-vinda novamente, Annie!
 Eu cheirei as flores, as deixei na estante, e pulei em cima dele, os dois caindo na cama. Começamos a rir, e eu não parava de abraçar ele - na verdade, estava quase o estrangulando, mas beleza - e eu estava realmente feliz.
Eu: Isso tudo é muito fofo, Joe! - disse, sem soltar ele do abraço ainda. - Obrigada, cara! Eu te amo!
Joe: Eu também te amo, Annie! - disse, meio pausadamente. - A-Agora pode me soltar, porrrr f-favor??
 Eu o soltei, e nós levantamos juntos, eu ficando sentada nele, encaixada. Fiquei, de repente, um pouco tímida, mas ele parecia não se importar com aquela posição, nem com a minha vergonha. Apenas continuava sorrindo, fofo.
Joe: Valeu.
Eu: Por nada. - dei um sorriso envergonhado. Comecei a me mexer. - Eu, hã... Vou... Sair daqui né... Porquê... Hã...
Joe: Não precisa. - ele disse, me puxando de volta e me encaixando novamente. - A gente sempre fez isso, qual a diferença, Annie?
Eu: A diferença é que eu tô com um filho do Harry Styles na barriga. - disse, agora séria.
Joe: Então tá. - ele disse, me desencaixando delicadamente e me colocando na cama. Ele se levantou, foi andando em direção à porta, colocou todas as minhas malas para dentro e, fechando a porta, disse: - Se precisar de ajuda para arrumar os armários por causa desse filho do Harry Styles em você, me chame.
 Eu sempre soube que ele tinha uma queda por mim. Uma queda, não, muito mais que isso! Eu ficava com ele porquê ele era lindo, e gentil, e eu sinceramente o achava meu melhor amigo. Mas ele ficava comigo porquê me amava, me pediu em namoro já umas 5 vezes, mas eu sempre negava, eu sempre fui louca pelo Harry, absolutamente cega de amor, sem olhos para outras pessoas. Mas eu sabia, sempre soube que Joe era cego de amor por mim assim como eu era pelo Harry, por isso sempre tentava não machucá-lo emocionalmente, mas eu ainda amava Harry, mesmo ele tendo, hã, atrasado e adiantado algumas partes da minha vida, como minha faculdade e um filho para nós. E Joe tinha que entender isso, não podia ficar bravo comigo.
Eu levantei, fui até a porta do quarto dele, bati 3 vezes e abri.
Eu: Joe.
Joe: Aí está a namorada do Harry. - disse irônico, com um copo de bebida na mão.
Eu: Pare com isso. Eu não sou namorada dele.
Joe: Jura? Então por quê teve que sair do meu colo?
Eu: Porquê sou uma mulher grávida, Joe. Mas eu... Eu... Ah, que seja. - disse, fazendo um gesto de "esquece" com a mão. - Quero sua ajuda para arrumar meu quarto, por favor.
Joe: Claro. - disse, se levantando, e indo comigo.
 O bom da pessoa apaixonada é que faz tudo por você, não importa o quanto você a machuque. Não que eu queria o machucar mas, diferente de Harry, mesmo irritado comigo ele continua me amando e falando comigo e pede desculpas por coisas que nem sequer foram culpa dele, ele apenas deixa os problemas para lá e continua me amando. Eu acho isso lindo.
 Depois de arrumarmos tudo, e fui um pouco para o banco do jardim e decidi ligar para Lottie. Chamou um pouco, e ela logo atendeu.
Lottie: Alô?
Eu: Lottie! Oi!
Lottie: Annie? Por quê está com um número desconhecido??
Eu: Para o Harry não me ligar, eu mudei de número, sinto muito! Mas eu precisava te ligar!
Lottie: Claro que precisava! Vou deixar seu nome marcado como Jessy, porquê... ah, porquê sim! Mas enfim, conte-me como está sendo!!
Eu: Muito bom, Joe me recebeu extremamente bem, fomos almoçar fora, e agora terminei de arrumar minhas coisas no quarto e vim para fora te ligar! Como estão todos aí?
Lottie: Seu pai ainda está meio mal pela menininha dele ter partido... Noah estava mal, mas convencemos ele à ir ao Mc Donalds almoçar conosco e ele deu uma animada, e agora está jogando videogame com Ian, que tá cuidando muito bem dele, por sinal. Ele estava estressado, meio frio e grosso pela sua partida, mas eu o convenci a ser legal e ele pareceu melhorar mais.
Eu: Ah, isso é ótimo! Eu estou morta de saudades deles! E de você, também! Como você está?
Lottie: É bem difícil estar nas férias sem minha melhor amiga, mas logo me acostumo, não se preocupa! - disse, rindo. - E... Eu acho que tô apaixonada.
Eu: Não brinca! Por quem??
Lottie: Eu não vou falar até ter certeza. Mas te juro que falo rápido, não vou demorar muito. Mas não é o Harry, relaxa.
Eu: Beleza, sem problemas... E... E ele? Como tá?
Lottie: Logo de manhã veio bater aqui na porta "exigindo" saber onde você estava, Ian e ele brigaram, e agora eu só recebo algumas mensagens dele pedindo para eu contar, para ligar para ele, e etc. Ele não aceitou muito bem.
Eu: Ah, meu Deus, meu Hazz tá sofrendo... - disse, triste. - Eu sinto tanta falta de todos vocês, mas dele é uma saudades tão grande que parece que vai explodir do peito! Eu só quero que ele fique bem. (gif)
Lottie: Ele vai ficar, não se preocupa. Ele supera. Todos nós vamos aguentar firmes esse tempinho sem você, eu espero que passe rápido.
Eu: Eu também espero! Eu ainda não liguei o computador porquê tô me instalando, mas até amanhã eu deixo tudo bem arrumado e aí nos falamos por Skype, que mesmo essa ligação sendo promocional deve sair caro. Beleza?
Lottie: Beleza, pode voltar pro seu conforto, então. Manda um beijo pro Joe! Faz anos que não vou para aí!
Eu: Fazia anos que eu não vinha também! E pode deixar, vou mandar seu beijo.
Lottie: Beijos! Se cuida!
Eu: Você também! Tchau!
 E, assim, desligamos os telefones.
Voltei devagar para casa, e ele estava assistindo TV, na sala. Eu sorri e me sentei do lado dele. Isso poderia começar a ficar repetitivo, mas eu nunca me canso de ficar abraçada com Joe. Seu cheiro, seu jeito de abraçar, é tudo tão perfeito que eu mal sei descrever. Quando eu encostei minha cabeça no ombro dele, vi com o canto do olho que ele sorriu e me abraçou mais forte. E, assim, ficamos assistindo um programa qualquer, sem prestar muita atenção, apenas percebendo o quanto eu me sentia segura com ele.

Lottie's POV
Fomos comer no bendito Mc Donalds, aproveitamos para ir ao cinema e jogar uns jogos do Shopping, aproveitando que era o último dia de Noah lá em casa. Nós ficamos assistindo Toy Story na Disney até a Kate chegar e arrancar ele brutalmente de casa, ele já chorando novamente. Eu fui com ele até lá fora, o abracei, beijei sua testa, disse que ia ficar tudo bem e logo ele estaria de volta, tentando acalmá-lo. Mal deu tempo de Ian sair de casa para se despedir, e ela arrancou com o carro, Noah com as mãos no vidro de trás, olhando para nós com ar de saudades instantâneas. Eu apenas fiquei olhando para o carro se afastando. Ian chegou por trás, me abraçando e beijando meu pescoço - o que me deixou "levemente" arrepiada.
Ian: Ele vai ficar bem (gif)
Eu: Eu sei, eu acredito nisso. Logo ele se conforma, ele se ajeita...
Eu mal liguei pelo fato de estarmos entrelaçados. Nos últimos meses, com a Annie grávida, tive que ficar praticamente todos os dias na casa deles, e eu e Ian cuidávamos de tudo juntos: eu ajudava a Annie com as coisas de gravidez - como remédios, preparar o banho, escolher roupas que não mostrassem a barriga, marcar as consultas, lembrar de verificar os remédios etc - e fazia a comida e lavava a roupa enquanto ele cuidava de tudo do Noah - levar para a escola quando ele vinha, dar a mesada, passear, jogar videogame, ajudar na lição, trabalho infantil em geral -, ajudava o pai dele no trabalho e em casa. De fim de semana nós até cozinhávamos juntos às vezes, ou ele fazia alguma bebida para acompanhar a janta. Ele havia me contado bastante sobre a vida dele, assim como eu contei bastante da minha. Se depender, acho que sei mais coisas sobre ele do que a própria irmã dele sabe!
 Entramos na casa novamente. Eu disse que ia fazer um chocolate quente, ele perguntou se eu podia fazer para ele também, e eu disse que tudo bem. Fui até a cozinha e separei os ingredientes. Ian, alguns minutos depois, entrou na cozinha, agora sem sua jaqueta e sem seus tênis, apenas com a regata e seu shorts jeans.
Ian: Não precisa mais fazer meu chocolate quente.
Eu: Por quê? - perguntei, sem olhar para ele, separando os marshmallows.
Ian: Porque eu tenho outro jeito de esquentar nossa noite... - disse, me pegando forte pelo braço.
 Ele me girou, me deixando de frente para ele e, quando eu vi, já estava o beijando. Nada romântico, nada carismático, mas algo violento, selvagem e delicioso. A língua dele dançava na minha boca, sinceramente nos encaixávamos mais do que com o John, embora eu nem tenha me lembrado dele nessa hora. Apenas fiquei saboreando nossos lábios colados.
 Ele ia parando os beijos aos poucos, para tomar fôlego, ver onde colocava as mãos em meu corpo, e olhar dentro de meus olhos. Eu até poderia pedir para ele parar, explicar que aquilo era errado e tudo mais, mas eu simplesmente estava adorando aquilo. Não pensei em meu namorado, ou na minha própria decência, eu só queria beijá-lo e fazê-lo ficar comigo. Por meses, eu me senti atraída por ele em segredo absoluto, porquê me parecia óbvio que um garoto quase dois anos mais velho que eu não se interessaria por mim, mas parecia que eu estava errada. Muito errada! Tanto é que ele me levantou e me colocou em cima da bancada da cozinha, ainda me beijando sem parar. Eu passava as mãos no pescoço e no cabelo dele, enquanto ele já agarrava uma de minhas coxas bem forte e, com a outra mão, alisava todo o meu corpo.
Eu mal sabia o que estava fazendo, mas já sabia no que ia dar tudo isso. E foi aí que eu pensei em parar.
Eu: I-Iann... - disse, ofegante. - ... M-Melhor pararmos.
Ian: Que... Nada... - dizia, entre os beijos e chupões que me dava. - Vamos... Lá pra... Cima...
Eu: I-I-Ian. - consegui falar, me desvincilhando dele. - Isso é errado. Eu tenho um namorado.
 Ele apenas afastou um pouco o rosto, sem tirar suas mãos de minha coxa e minha bunda, com um ar meio confuso.
Ian: Pensei que estivesse me dando mole esse tempo todo...
Eu: Hã... Mais ou Menos... - disse, meio lenta. - Eu me senti atraída por você, ainda me sinto atraída por você, mas eu tenho um namorado.
Ian: Então vamos resolver assim... - ele disse, chegando perto de mim novamente e apertando minha bunda forte, fazendo eu dar um gemido de prazer baixinho - ... Nós transamos só hoje, se você gostar, fica comigo, se não, pode voltar pro seu namoradinho meloso e irritante.
Eu: Você tem é ciúmes dele. - disse, beijando-o novamente.
Não podia negar que tinha gostado da ideia. E, assim, nós saímos da cozinha e fomos andando até às escadas que davam ao quarto dele, com ele me dando chupões por trás.
Ooh, é uma loucura quando você grita o meu nome!
Adoro quando você me balança todo dia, quando penso nisso, posso enlouquecer!
Aqui estamos, é lindo, estou encantada

Annie's POV
Acabei adormecendo no colo dele a tarde toda. Quando acordei, já eram seis da tarde, e ele penteava meus cabelos com a mão, ainda vendo TV. Quando percebeu que eu estava acordando, subitamente parou de mexer em meus cabelos. Eu dei uma esfregada nos meus olhos, e sorri para ele.
Eu: Oi... - disse, ainda meio sonolenta.
Joe: Oi, Bela Adormecida.
Eu: Por que parou de mexer nos meus cabelos?
Joe: Eu sei lá, pensei que ia me dar uma bronca de novo.
Eu: Eu não te dei uma bronca, só relembrei que estou grávida, e acariciar meus cabelos não fará mal nenhum.
 Ele sorriu, feliz, e voltou a massagear minha cabeça. Eu adorava quando ele fazia aquilo. Ele me contou que horas eram, que ficou a tarde toda lá, sentado, conversando comigo como se eu estivesse acordada, e quando eu disse que não tinha ouvido nada ele suspirou "Graças à Deus". Eu levantei e disse que iria me trocar e, depois,m faria algum lanche para nós, e ele disse que eu já podia me trocar para sairmos, que íamos jantar fora.
Fui até meu quarto, que já tinha sido arrumado, e peguei uma roupa básica de frio: moletom, jeans e salto. Eu não sabia para onde íamos - ele disse que era surpresa -, mas me arrumei como sempre me arrumava parar sair, pelo menos nos últimos meses, para esconder um pouco a barriga. Voltei para o andar de baixo, fui para a cozinha, preparei o chocolate quente com marshmallows, que eu sempre preparei em dias de frio, e senti falta de casa. Sempre fazíamos isso em dias de frio. Às vezes, até rolava guerra de marshmallows entre mim e Noah. Suspirei, triste, e voltei para a sala, com meu copo e o de Joe.
 Nós tomamos, em frente à lareira, ouvindo música do rádio e conversando. Acabamos o chocolate, e eu deitei na perna dele, como um travesseiro, olhando o fogo da lareira, tão grandioso, bonito, talentoso, parecia que tinha sido desenhado. Você nunca percebe essas coisas mínimas quando está preocupada com festas, saídas, estudos e crianças na cidade grande. Ele voltou a passar as mãos em meus cabelos, e eu vi pelo canto do olho que ele sorria, olhando para mim. Eu sorri de leve, e falei:
Eu: Por que gosta tanto de mexer em meus cabelos?
Joe: É gostoso, eles são macios e sedosos, eu sentia falta deles... Do seu sorriso fofo... De... Você... - disse, meio envergonhado.
 Eu parei de encarar o fogo e virei todo o meu corpo em direção ao teto, ficando cara a cara com ele. Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto assim que vi que ele estava vermelho de vergonha.
Eu: ... De mim? - disse, me fazendo de desentendida. - Sentiu falta de mim?
Joe: Hã, é-é, então... - ele dizia, coçando a nuca. Eu ri e ele suspirou, meio que se rendendo. - Sempre cuidei de você melhor do que todos eles. Você sabe disso.
Eu: É, eu sei. - disse, me lembrando dos meus paqueras passados.
Joe: E sabe que eu também sempre te amei mais do que eles te amaram.
Eu: É, eu acho que sim... - disse, sorrindo.
Joe: Sabe que eu te mereço mais do que eles todos.
Eu: Provavelmente...
Joe: E que eu sintia falta de você há todo instante...
Eu: Claro...
Joe: Então...
Eu: Então...? - repeti, curiosa com o que ele ia fazer.
 Ele apenas parou de me encarar, olhou pela janela, depois para o fogo, e sacudiu a cabeça negativamente. Eu fiquei olhando para ele, sem entender.
Joe: Você é muito confusa.
Eu: Eu? - fiz uma voz esganiçada. - Por quê??
Joe: Eu digo que te amo, que você merece algo melhor, digo que sempre te amei, tô aqui te esperando há anos, colocando ilusões na minha cabeça, aí você vêm me pedir favores, eu penso que é só uma desculpa mas você realmente precisava de mim, mas era só pra cuidar desse bebê aí. E eu tento vir pra perto, mas você fica me empurrando pra longe, dizendo que ainda gosta daquele baitola e que tá grávida e tudo mais... Isso é injusto, porra.
Eu: Mas eu gosto mesmo do Harry. Mas eu posso, um dia, parar de gostar dele. - ele, então, voltou a olhar pra mim, com os olhos arregalados e surpreso. - E eu realmente estou grávida, não tá vendo minha barriga? - acariciei minha barriga, mas ele não tirou os olhos dos meus. - Isso não precisa me prender ao pai da criança. Você só precisa me convencer de que isso é o certo. Eu só... Eu só quero o melhor para todos.
Joe: Eu sou o melhor pra você, e vou proporcionar o melhor para todos nós, eu te prometo, Annie. - ele não apenas me encarava, mas eu praticamente nadava em seus olhos azuis, lindos. - Eu tô falando sério quando digo que te amo. E eu posso provar isso.
 E, então, ele chegou delicadamente mais perto de mim. E mais perto. E mais ainda. Até nossos rostos ficarem praticamente colados, e eu já conseguia sentir sua respiração mais acelerada, assim como a minha. Mesmo não sendo nosso primeiro beijo, veio em mim aquela sensação de que eu tinha há anos atrás - de algo proibido, algo errado, mas que parecia certo por um milésimo de segundo. Era algo que eu não conseguia parar. Ele me tinha, mesmo eu não querendo. Tá, talvez ele esteja certo, eu sou um pouco confusa... Mas isso até é uma vantagem para ele. Eu não conseguia parar de olhar aqueles olhos azuis cintilantes dele, e o único momento que eu fechei meus olhos foi para finalmente beijá-lo.
O amor se lembrará de você, o amor se lembrará de mim. Eu sei que dentro do meu coração, para sempre, para sempre será nosso, mesmo se tentarmos esquecer... O amor se lembrará
---------------------------------------------------------------------------------------------------Oioi! Queria pedir desculpas pela demora, e pedir que comentassem o que acharam do capítulo aqui :)

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