Cheguei na segunda aula, e todos estavam animados na minha sala.
Eu: O que é isso, Sam? - perguntei para minha colega.
Sam: Estamos falando que não precisamos mais pagar nada, já conseguimos dinheiro o suficiente, já está tudo pago, é só escolher a roupa e se divertir na formatura!
Gelei. Eu nem lembrava mais que a formatura era daqui dois meses! Eu tinha provas trimestrais no fim desse mês, e dia 30 já era oficialmente minha formatura. O ano passou extremamente rápido! Eu tinha que cuidar dos convites pra minha família, de certificar que o One Direction ia poder tocar por um "preço camarada", escolher um vestido pra comprar, um salto, aquele troço que se usa na cabeça, e mais um monte de coisas!
E, do mesmo jeito que esse ano todo passou rápido, os últimos meses de aulas também.
...
Lottie's POV
Eu acordei com meu celular tocando logo às oito da manhã, com o número da Annie, o que era estranho porque ela geralmente dorme até meio dia de sábado.
Eu: ... Alô? - disse, sonolenta.
Annie: LOTTIE SOCORRO!
Eu: ... O quê? O que foi, dessa vez? - disse, desanimada.
Nas últimas semanas, Annie tem me ligado muito por medo da formatura, e hoje era o Grande Dia dela, e eu entendia seu nervosismo, óbvio. Mas precisava ser às oito da manhã?
Annie: Eu tô com medo. Tipo, muuuito medo. E você não entende porquê não é você que vai se formar, mas eu tô com medo, tudo vai mudar, e você sabe que nesses últimos meses eu não tenho passado tão bem, sem dizer que eu tô engordando muito! O que eu faço se eu não couber nos vestidos?!
Eu: Annie, você escolheu eles em Outubro. Estamos no meio de Dezembro, dia 14, para ser mais exata. Faz dois meses já! E você veste eles todos os dias, já ajeitou tudo que tinha que ajeitar, você vestiu ele ontem e tava igual!
Annie: Você sabe que eu nunca pesei mais que 45 quilos, e agora eu tô pesando 51! CINQUENTA E UM! Que diabos está acontecendo comigo?! E eu ainda vou fazer 4 meses de namoro com o Haz, já que a gente já namorava escondido... Eu preciso estar bonita pra ir pro parque aquático que ele quer ir!
Eu: Foca na FORMATURA, primeiro. Você pode estar comendo por ansiedade, comendo sem perceber, e engordando. Feche a boca hoje, só come os salgados que tiverem lá, bebe bem pouca bebida alcoólica pra não passar mal de novo, porquê já faz quase dois meses que você tá assim!
Annie: É, eu sei. Eu vou morrer.
Eu: Vai nada! - disse, rindo. - Que horror! São oito da manhã, dorme até meio-dia ou uma hora da tarde, depois vai pro Perfect Girl e faz absolutamente tudo que deixarem você fazer, tudo que conseguir pagar, e sai de lá só depois das 5 da tarde. A formatura é às seis horas, você tem que tá lá cinco e meia, e o Haz vai te pegar no Spa. Fechado?
Annie: Fechadíssimo! Ah, Lottie, o quê eu seria sem você?? Obrigada, amor! Beijoosss
Eu: Beijoos, durma bem!
Ela foi dormir, acho, e eu também.
Annie's POV
Acordei novamente, meio-dia e meia, com Noah me chamando, super calmo e fofo.
Noah: Annie... Anniiiiie.... Vamos, Annie, a mamãe me deixou aqui só pra ver você se formar, não me faça perder isso!
Eu abri os olhos devagar, ele debochou da minha cara murmurando um "finalmente!", e eu o agarrei e joguei-o na cama comigo, brincando. Papai chegou logo depois, e eu já estava reclamando de dor na barriga.
Papai: Ainda está com isso, filha?
Eu: Parece uma cólica interminável, e eu nem tô menstruando! Só menstruei mês passado, esse mês veio bem pouco! - eu me abria demais com meu pai, e ele sabia tudo sobre mim, então não tinha problemas com isso.
Noah: O que é menstruação?
Ian: Uma coisa que você só vai aprender daqui alguns anos. - ele apareceu na porta do nada, sorrindo. - E aí, dorminhoca, pronta pro seu dia?
Eu: Lembrando que também é o seu dia, né? (gif)
Ian: Ah, eu não sou tão especial quanto você! - disse, se deitando na cama comigo e com Noah. Esse é o bom de ter uma King Side.
Ian ia apenas passar para ver como estava o terno dele na lavanderia, comprar roupas novas pra After Party, e já estava pronto. Eu tinha meio mundo de coisas pra fazer!
Almocei pouca coisa, em meia horinha, e Ian me levou para o Spa.
Eu passei a tarde toda no Spa, e quando deu cinco horas, já saí de lá arrumada. Harry, que foi me pegar, ficou entusiasmado com meu vestido longo.
Harry: Wow! Que gata! - disse, me dando um selinho quando eu entrei no carro. - Seu vestido pra After Party já está aí no banco de trás.
Eu: Ok! Obrigada, Haz!
Chegamos lá vinte para as seis, ou seja, dez minutos atrasados do que eu tinha combinado com a galera. Mas eu acho que eles já imaginavam que isso ia acontecer.
Estávamos certificando o que a diretora ia falar sobre cada um de nós - nome completo (Annie Müller - certo), lucro escolar (alto - certo), para qual faculdade ia (Cambridge - certo) e quando (daqui um ano - certo). Elogiei os vestidos de todas as meninas, assim como elas elogiaram o meu. Os meninos assobiavam onde eu passava, e um deles até disse algo como "que pena que está namorando" para o amigo. Mas nem liguei, já estava acostumada.
Começou a tocar a música escolhida pelo grupo na hora da entrega dos certificados.
Esta é a última vez para acertar, esta é a nossa última chance de torná-la nossa noite.
Temos que mostrar que estamos todos aqui, em equipe, trabalhando em conjunto.
Esta é a última chance de deixar nossa marca
Entramos no palco. Centenas de pais e convidados olhando para nós, inclusive o One Direction inteiro. Isso podia dar pressão em certas pessoas, mas não em mim. Pelo contrário: eles me davam confiança. Graças a Deus não era feito por ordem alfabética, era por ordem de lucro, os menores primeiro e os maiores (seja com bolsa ganha ou por lucro alto) no final. Depois de muita enrolação, aquele "blá blá blá" decorado da Diretora começou só seis e meia, e a entrega de certificados começou sete e meia. Ela começou pelas menores notas, e foi chegando nas mais altas, até Sam e eu.
Diretora: Sam Klanovisk - ela ntregou o certificado para Sam-, lucro escolar alto, com bolsa irá para a faculdade de Oxford. Parabéns.
Todos batemos palmas, e ela chorando agradeceu. Finalmente chegou minha vez, a última, a melhor.
Diretora: Annie Müller... - eu fui até ela, pegando meu certificado. Ela colocou sua mão gelada em meu ombro - ... Lucro muito alto, com bolsa de 100% na escola de Cambridge, daqui um ano! Meus parabéns, Annie!
Todos levantaram para me aplaudir, e papai, Ian e Harry assobiavam como doidos. Eu ri e agradeci, voltando para a fileira.
Diretora: E esses foram nossos formandos do 3º Ano do Ensino Médio do Royal College. Meus parabéns, alunos e professores. Um próspero futuro para todos nós!
Essa era a deixa, todos nós gritamos juntos "3, 2, 1!" e jogamos nossos chapéus de formandos para o alto, formando uma onda azul escura no céu azul claro, que escurecia conforme anoitecia. Formou-se uma cena linda. Todos nós chorávamos, felizes e emocionados.
Nos abraçamos, todos juntos, como uma família. E eu senti que faltava Aria. E, ao mesmo tempo, senti que ela não fazia tanta falta assim.
Fui comemorar com meu pai, que chorava muito, Ian, Harry, Louis, Liam, Niall, Zayn, Noah e Lottie. Todos eles me abraçaram e me deram os parabéns. Lottie tinha ficado fascinada pelo anel de outro com pedrinha rosa que ganhamos celebrando a formatura. A escola dava um chaveiro de chapéu de formando, e tivemos a ideia de fazer nossa própria lembrança: as meninas com um anel, e os meninos com um bracelete.
Fomos para a After Party já oito e meia da noite, bebi pouco para não ficar mais tonta do que já estava, mas dancei muito, comi muito, tirei muitas fotos com toda a classe e com os meus convidados de honra... Foi perfeito. A formatura que pedi à Deus. Foi simplesmente uma maravilha.
Saímos de lá bem no final da festa, umas três horas da manhã, eu já estava cansada e minha barriga começou a doer mais. Eu comecei a massageá-la e ela acalmou um pouco, mas continuou doendo. Chamava por Harry mas ele não respondia. Assim que o avistei, recebi um sms de um número bloqueado.
"Não é porquê saiu da escola que seus problemas acabaram, querida Annie. Some uma mente esperta, diminua sua amiguinha morta que era sempre o cérebro da operação, que você verá que vou dar a divisão de você e seu namoradinho. Já pensou na possibilidade de multiplicar a família, mamãe? Não conte sobre essa mensagem à NINGUÉM, ou sofrerá as consequências."
Eu olhei para os lados, assustada. Estava em algum lugar por aqui, mas eu não sabia quem era! E que história é essa de mamãe? Que diabos é isso?! Harry veio até mim e ficou confuso pela minha cara assustada.
Harry: Tudo bem?
Eu: Eu... Hã... - eu olhei para o celular. - ... Claro. É que a internet daqui é um horror!
Ele sorriu, passou o braço sobre meu ombro, e fomos juntos até o carro. Eu decidi dirigir, já que ele tinha bebido mais que eu. Ele deu a ideia de botar uma almofada entre o cinto e minha barriga, para não apertá-la e não doer mais.
Estávamos conversando, com o carro baixinho, às três da manhã, voltando pra casa. Recebi outra mensagem.
Eu: Haz, pode ver quem é, por favor?
Harry: É um número restrito...
Eu gelei. Tirei o telefone da mão dele e coloquei de volta no porta-luvas.
Eu: Deixa pra lá. Depois eu vejo. Deve ser minha mãe.
Harry: Não confia em mim?
Eu: Ah, quer saber? - disse, irritada. - Vê aí o que a pessoa escreveu.
Harry abriu as mensagens, e franziu a testa. Ele leu em voz alta:
Harry: "Olhe para os dois lados e pense bem antes de sacrificar três vidas. Prenda os cintos." Que porra é essa?
Eu: Acredita se eu disser que é horóscopo? - disse, com um sorriso de culpa no rosto, sem tirar os olhos da estrada.
Harry: Hã, deixa eu pensar, não, né! O que é isso?!
Eu: Provavelmente, "isso" é a menina que matou Aria. Deixa ela aí. Ela disse que não posso passar as informações da mensagem.
Harry: Ah, mas eu vou ler!
Eu: Não!
Harry: Acha que essa zinha vai me deter?! É ruim, hein?! Nem que fosse a Aria em espírito! Eu vou cuidar de você.
Eu olhava para os lados da pista, para os retrovisores e para a pista, aflita. Nada. Mas, de repente, vindo de sei lá onde, um caminhão chegou em nossa direção.
Eu: O CINTO! - gritei, já cobrindo meu rosto.
Eu não sei se deu tempo do Harry ouvir e se certificar, mas já era tarde demais.

Lottie's POV
Eu, que já tinha ido para casa antes de Annie, fui acordada por um grito não muito agradável de Louis no telefone.
Louis: ELES O QUÊ?! - deu para ouvir do segundo andar, mesmo ele estando na sala, no primeiro andar. Eu dei um pulo da cama e desci correndo. Ele continuava gritando. - QUANDO ISSO?! AGORA?! COMO ASSIM AGORA?! QUEM TAVA DIRIGINDO?! COMO ASSIM NÃO SABE?! QUEM MORREU?! COMO ASSIM NÃO SABE TAMBÉM QUE TIPO DE EMERGÊNCIA VOCÊS SÃO CARALHO?!?!??!!
Eu: Emergência? - disse, já na sala, dando um susto em Louis. - Quem tá na emergência?
Papai e mamãe, cada um com uma das gêmeas dormindo no colo, já estavam na escada, ouvindo. Fizzy, neste instante, entrou em casa. Eu nem sabia que ela tinha saído, mas ela entrou em casa ofegante.
Fizzy: O carro já tá pronto. Vamos, Louis.
Louis: Tenho que avisar o Simon!
Eu: Avisar o quê?! Digam logo! - disse, aflita. Fizzy olhou para mim, com um olhar triste.
Fizzy: Harry e Annie sofreram um acidente. E acho que... Acho que um deles morreu. - ela estava quase sem voz, mas deu para ouvir muito bem.
Eu saí correndo e fui com eles para o hospital. Eu fui acompanhando a história que Louis contou para Simon pelo telefone, enquanto Fizzy dirigia, e ia ficando cada vez mais aflita. Quando chegamos lá, um susto: o carro de Harry estava estacionado na frente do hospital, e eu sinceramente só o reconheci pela placa meio-presa na parte traseira. Ele estava detonado.
Entrei no hospital correndo, me segurando para não chorar. Fizzy entrou comigo, e Louis ficou esperando Simon do lado de fora. Fizzy explicou o ocorrido para a moça da secretaria, já que ela não sabia em que quarto estavam, e quem estava vivo. A moça da enfermeira disse "quartos... 402... e 404", e só isso já me aliviou - se tinham dois quartos, suponho que não havia nenhum defunto esta noite.
Bati com calma na porta do 404, e acertei em cheio o quarto da Annie. Ela ainda estava desacordada, na maca, e haviam vários médicos ao redor dela, mas identifiquei pela seu pai e Ian sentados nas cadeiras de acompanhantes, dentro da sala.
Eu: Oi, Sr. Müller. - disse, dando oi de longe. - Oi, Ian.
Ian: Oi. - disse ele, sem tirar os olhos da maca. O pai dela nem estava em estado de responder.
Eu: Ela vai ficar bem. - afirmei, meio que tentando acalmar a mim mesma.
Ian: Eu espero que sim. - o pai dele encostou em sua coxa. - Nós esperamos que sim. - corrigiu-se.
Eu: Onde está Noah?
Ian: Na área de recreação, aquela onde as criancinhas vão tirar sangue, só para não ficar aqui dentro.
Eu: Querem que eu fique com ele?
Pai: Acho melhor eu ir. Vocês cuidam dela. Ela não vai acordar tão cedo.
Após ele finalmente dizer algo, se levantou e foi, cambaleando, para fora da sala. Eu pedi licença para Ian, só para ver como estava Harry. Fui para o quarto da frente, e lá estava Fizzy, chorando, segurando a mão de Harry. Os pais dele obviamente não estavam aqui, mas Louis, Simon e Fizzy fazem um ótimo papel de família para ele. Eu cheguei mais perto dele, e Louis soltou a mão direita dele para eu poder segurar. Mas antes precisava perguntar algo.
Eu: Ele não está...
Louis: ... Morto? - completou. Eu assenti. - Não, está bem, só está desmaiado. Vai ficar assim por algumas horas, talvez por um dia todo.
E eu fiquei lá, sentada, um bom tempo.
Depois de meia hora deitada no ombro de Harry, cantarolando musiquinhas para ele e ouvindo Fizzy chorar no canto da sala, Ian abriu a porta com tudo, sem lembrar que havia outro paciente lá.
Ian: Ela está acordando. Já temos o diagnóstico. Você... Precisa ver isso.
Eu fui até lá, com medo, e vi que ela estava até bem, com algumas cicatrizes mal fechadas, mas sem sangue no corpo todo, sem marcas de batidas, sem manchas nenhumas, estava até normal - se não fosse o corte na testa, cheio de pontos. A doutora explicou que eles haviam sido abatidos de surpresa, bateram no carro de lado, o que é totalmente sem lógica já que nos lados da avenida em que estavam só existia mato. Mas, se alguém os atropelou, alguém também pediu ajuda. Ela ia terminar a frase, mas Annie finalmente abriu os olhos. Sem perguntar nada para ela, porquê como já sabíamos, fazia mal, apenas deixamos ela se acostumar com a luz e tudo mais. A doutora explicou, com calma e de um modo simplificado, o que havia acontecido para Annie. E, então, ela disse algo que deixou todos paralisados, e fiquei feliz do pai dela ainda não estar lá, senão ele precisaria ser atendido.
Annie's POV
Eu abri os olhos, devagar, e estava naquele lugar macabro de novo. A droga do hospital. Meu Deus, eu só sei me quebrar inteira?! Puta que pariu.
A doutora explicou meia dúzia de coisas, enquanto levantava a minha maca e me deixava sentada, e foi aí que senti uma dor enorme na barriga, e coloquei a mão nela, acariciando-a. A doutora sorriu.
Dra: Ah, sim, e não precisa se preocupar, que aquela almofada que estava presa à você salvou o bebê! Que bom, não?!
Todos ficaram de boca aberta, inclusive eu. Ela só podia estar brincando. Eu ri, e expliquei:
Eu: Não, amor, isso aqui é banha mesmo.
Ela riu.
Dra: Não, "amor" - me imitou -, isso aí se chama feto. E só não morreu pela almofada milagrosa. Onde aprendeu aquilo?
Eu: EU NEM SABIA QUE TAVA GRÁVIDA! EU NÃO TÔ GRÁVIDA!
Dra: Oh, minha querida, então deixe-me falar: seu feto já está com dois meses.
Eu, do nada, fiquei emocionada.
Eu: ... Quê? (gif)
Dra: Parece que o bebê não sofreu nenhuma fratura, mas por via das dúvidas é bom você tomar mais cuidado, mocinha! Os primeiros meses são os mais complicados!
Ian: Moça, a senhora não tá entendendo - disse, sério -, ela não. está. grávida.
Dra: Não, vocês é que não estão entendendo. Mesmo que ela não soubesse ainda, tem um mini-ser em você agora mesmo, Srta. Müller.
Eu: I-Isso... - gaguejei, tentando encontrar forças -... Isso explica minhas "cólicas intermináveis" que tive esse mês todo, e minha variação hormonal, e o porquê de eu ter parado de menstruar... Ah meu deus EU TÔ G...
Lottie: NÃO FALE ISSO - gritou, me cortando. Ela abaixou o tom de voz e prosseguiu. - Se a imprensa descobre, já que certamente o filho é do Harry, você tá morta.
Eu não tinha pensado nisso. Simon ia dar uma bronca do caralho tanto em mim quanto no Harry, ia sair em todos os jornais, meu pai ia me matar, eu não ia poder começar as aulas ano que vem na faculdade, eu não poderia nunca mais terminar com o Harry, as directioners iam vir com sete pedras na mão em cima de mim, eu ia ser odiada por milhões, meu pai podia até me rejeitar, eu nunca iria conseguir a guarda de Noah, eu nem sequer sei cuidar de um bebê! Eu tava muito, mas muito fodida.
Como a doutora era de confiança, e me atendia há anos, não achamos problema em ficar conversando sobre isso dentro da sala, antes do meu pai entrar. Combinamos - inclusive com a doutora - que contaríamos a ele que nada aconteceu, e essa irregularidade hormonal era normal. Aí depois, contar a verdade quando a barriga aparecesse, já era comigo. Pedi para todos me deixarem um pouco sozinha, inclusive a doutora, e me deixaram. Fui até o banheiro do local e me olhei no espelho gigante que tinha lá, onde conseguia me ver da cabeça aos pés.
Mesmo com 2 meses só de gravidez, dava para ver que minha barriga tava maior. Como eu não tinha percebido isso antes?! Como eu não pensei em tomar nada depois de DUAS NOITES transando sem camisinha?! Eu estava bêbada demais no dia do Grammy para pensar em algo. Bêbada de sono, bêbada de álcool e bêbada de amor. E, agora, tinha um mini-harry (ou uma mini-annie) dentro de mim. E eu estava muito fudida. Me olhei de novo no espelho, olhei para minha barriga, e a acariciei, como tinha feito todos esses dias, para amenizar a dor. A barriga parou de doer novamente. Eu dei um sorriso leve, porquê era bom saber que eu ia ser mãe. Eu observei seu tamanho pequeno, mas ainda sim um pouco maior do que eu sempre tive.
Eu: Calma, amor - falei comigo mesma, ou com o bebê, eu não sei ao certo. - Nós vamos dar um jeito nisso. Nós vamos terminar bem.
Em nenhum momento, eu pensei em aborto. Mas também sabia que eu não podia ficar com ele, muito menos podia deixar que o mundo soubesse da existência dele. Eu tentei pensar o que as pessoas em filmes fariam, e, aí, tive uma ideia: fugir.
Fugir, na maioria das vezes, não é a melhor saída. É a saída dos desesperados, dos fracos, dos oprimidos. Mas, no momento, era exatamente assim que eu estava. Não contaria para o meu pai, nem para o Harry, nem para mais ninguém além de Simon. Só eu, a Dra, Ian, Lottie e Simon saberiam, e é óbvio que manteriam o segredo. Eu ia pra qualquer lugar, mas eu não ia continuar lá. Abri a porta, devagar, e deixei que meu pai entrasse. Ele me abraçou, feliz.
Pai: Ah, meu amor, que bom que está bem! Eu pensei que ia te perder! Mas me disseram que você está ótima! - disse, beijando meu rosto e me abraçando novamente, com os olhos mareados.
Noah veio me abraçar também, e eu o peguei no colo, feliz.
Noah: O que é isso? - disse, apontando para os meus pontos. - Por que tá com uma linha de costura presa na sua testa?
Eu: Isso não é linha de costura! - disse, rindo. - É complicado, não dá pra te explicar direitinho, mas resumindo, é pra impedir que minha testa "rasgue" - disse, fazendo aspas no ar. Ele assentiu e foi para o chão novamente.
Pai: Tudo bem mesmo? - disse, desconfiado. - Você está com cara de preocupada.
Eu: É só... - olhei para o vão da porta, e vi Simon me olhando. - É só que eu ainda não entendi como isso tudo aconteceu. Ainda tô um pouco assustada. - sorri. - Vocês podem me dar licença um pouco, por favor? Vou me trocar.
Pai: Ah, claro. - disse ele, suspirando aliviado. - Vamos, Noah.
Noah: Te vejo lá fora, mana! - ele saiu correndo atrás de papai pela porta.
Simon entrou logo depois, trancando a porta, sentando na cadeira dos visitantes e suspirando, angustiado. Logo depois, levantou num pulo e já começou a dizer num tom baixo e bravo:
Simon: Você tem noção do quanto você ferrou a vida do seu namorado?! E do One Direction inteiro?! Você tem noção da repercussão disso tudo no mundo?! Tem noção do quê as pessoas vão pensar de Harry Styles agora?! Você sabe que eu nunca gostei muito de você, embora ele fosse o mal caminho e não você, mas o mínimo que você podia fazer para provar que minha impressão sobre você era errada era não engravidar. E o que você fez? Você engravidou! - ele tentava expressar o ódio mexendo as mãos em vez de gritar, e isso me deixava ainda mais nervosa. - Eu não quero nem saber se faz mal deixar grávidas nervosas, mas você está muito encrencada! Já consegui impedir a imprensa de saber, por enquanto, mas até quando vocês dois pensaram que iam poder esconder isso?! Até todos notarem que você estava "um pouco cheinha"?!
Ele estava me deixando nervosa, e eu quase não tinha certeza do que fazer. Nesse ponto, eu já chorava, tremia, suava, tudo ao mesmo tempo. Eu tentava não dar alarme para quem estava fora segurando o choro, mas estava "meio" complicado. Ele continuava falando e falando, mais a mais, botando pressão em mim.
Eu: Me deixa falar, Simon! - disse, irritada, interrompendo-o. Me acalmei, abaixei o tom de voz e comecei: - Harry... ainda não sabe disso tudo. Só eu, Lottie, Ian, você e a Dra sabem disso até agora, mas ela cuidou de mim a vida toda, ela é extremamente confiável. Nem meu pai, nem Noah, nem mais ninguém sabe sobre isso... - eu pensei na mensagem misteriosa, que dizia sobre bebês, mas ignorei -... eu lhe juro. Eu tive uma ideia para ninguém notar mais.
Simon: Ah, eu adoraria saber qual a mágica você está bolando.
Eu: Eu não vou abortar o bebê.
Simon: Mas é ÓBVIO que não! Isso, sim, acabariam sabendo, e a repercussão seria enorme!
Eu: Me deixa falar, mas que saco! Enfim, eu não vou abortá-lo, mas eu tive outra ideia. A barriga só vai ficar parecia mesmo com uma barriga de grávida a partir do quarto mês, de acordo com a Doutora. Eu estou com dois meses e pouco. Vamos supor que faço 3 meses no fim de Novembro, e eu juro que até lá, eu termino com Harry e vou para a casa de campo da minha família, em Harrogate, onde eu tenho um amigo de infância que é super confiável, e ele pode me ajudar com compras e etc, para eu não ser muito vista saindo por aí. E... aí... - engoli seco. - Eu deixo meu bebê para adoção. E volto para cá, depois de uns meses, para a barriga abaixar, e tento voltar com Harry.
Ele ficou olhando para mim, sério. Olhou para fora da janela, a chuva das 4 da manhã caindo pela janela. Eu sentei novamente na maca, me sentindo fraca. Ele pegou um copo de água para ele e outro para mim - mesmo eu não tendo pedido nada - e me entregou. Eu bebi, óbvio, para me acalmar. Ele engoliu seu último gole d'água, destrancou a porta, olhou se havia alguém conhecido por perto e, como não havia ninguém, deu seu último aviso antes de sair:
Simon: Você tem exatamente um mês para sair. Se no dia 19 do mês que vem ainda estiver aqui, eu mesmo dou um jeito de essa brincadeira acabar. - e bateu a porta, furioso.
Um mês. Eu tinha um mês para arrumar todas as minhas coisas, avisar meu pai e Noah que eu tinha "decidido morar um pouco fora", abandonar o amor da minha vida, provar que as Directioners que não shippavam "Hannie" estavam certas e esquecer tudo, vivendo isoladamente. De qualquer modo, eu continuava fodida. Mas eu precisava fazer isso. Era pelo Harry. E, se tinha uma coisa da qual eu não duvidava, era o meu amor pelo Harry Styles.
Lottie's POV
Eu ainda estava em choque por saber que minha melhor amiga estava grávida, mas Ian me mandou ficar quieta nos corredores, e ficamos apenas conversando com o outro médico que cuidava dos dois, tentando entender como esse acidente podia ter acontecido. Estávamos conversando, de boa, quando a enfermeira disse que Harry tinha finalmente acordado, depois de mais de duas horas desmaiado. O médico entrou primeiro, ficou uns 20 minutos, e depois deixou eu e Ian entrarmos para ver a situação de Harry.
Harry estava muito mais machucado. Quase havia quebrado uma perna e um braço, então estava tudo enfaixado, mas não chegou a engessar nada. Seu rosto estava cheio de ferimentos e tinha pontos na barriga, no braço direito e na testa, assim como Annie. Mas ele é quem estava do lado do carro onde agora existia um buraco no vidro da frente, então dá pra imaginar que a testa dele estava com muito mais pontos. Dava dó - e aflição - de vê-lo, mas eu estava realmente feliz de ele estar, você sabe, vivo. Ele acordava aos poucos, e Louis ficava andando de um lado para o outro, murmurando algumas coisas. Eu toquei em seu ombro e ele se virou para mim, e eu dei um sorriso de consolo.
Eu: Ele não está morto, não está vendo? Pare com essa ansiedade.
Ele ia retrucar, mas a enfermeira mandou nós sairmos um pouco, para eles cuidarem um pouco dele e contarem o que tinha acontecido, e depois nós voltaríamos. Eu, Fizzy e Louis saímos, e Louis retomou a conversa:
Louis: Ele não morreu por pouco, eu não sei que diabos estavam fazendo no carro para ele ter sido encontrado debruçado em cima da Annie! Mas eu sei que é culpa dela, e se ele tivesse morrido, eu nunca ia perdoar ela!
Eu: Pera, o quê?! - disse, indignada. - O quê ela tem haver com o carro que surgiu do nada e atropelou os dois?!
Louis: Ela que tava no volante! - ele estava estressado e mexia as mãos nervosamente. - Ela que tava distraída! Ela que não prestou atenção no que fazia! Ela que não olhou direito nos retrovisores, não viu o carro surgindo, não tentou desviar! É culpa dela, sim! É culpa dela o Harry estar assim! Além de ele passar mais tempo com ela do que ensaiando, ela ainda quase mata o meu integrante preferido da banda?! Não é assim que funciona, cara! É culpa da Annie sim!
Harry: Não é, nada. - disse, surgindo maciamente atrás de Louis, fazendo Louis dar um pulo. - E eu não quase morri. (gif) Eu tô bem vivo.
Louis: Olha só pra você, irmão... - disse, abraçando Harry com força e fazendo ele fazer uma careta de dor, sem perceber. - Você tá todo machucado!
Harry: Mas tô vivo, tô bem, tanto é que eu já vou ser liberado, só tenho que tomar mais um pouco de soro e assinar um sei lá o quê na recepção.
Ele parecia um tanto calmo para quem tinha capotado de carro e desmaiado há pouco. Eu e Fizzy fomos até ele e o abraçamos também. Perguntamos se ele lembrava o que tinha acontecido, e ele assentiu.
Harry: Estávamos apenas conversando - explicou ele -, e eu estava meio bêbado, e aí enquanto ela estava dirigindo chegou uma mensagem no celular dela que dizia... bem, não importa, e aí eu perguntei quem tinha mandado a mensagem, e nesse momento, um carro esportivo gigante literalmente surgiu do meio da mata e veio até nós. Ela gritou "o cinto", me lembrando de certificar, mas eu nem pensei nisso, apenas segurei o banco dela por trás, tentando protegê-la, mas digamos que é meio difícil se planejar em apenas uma fração de segundo, então o carro foi deslizando de lado, sendo amassado na porta dela. Aí ela já estava desacordada, mas eu ainda segurava o banco dela por trás e a segurei pela barriga com meu casaco por cima, tentando proteger o corpo dela, e quando o carro parou de empurrar o tranco da minha cabeça voltando para o lugar do banco me fez desmaiar também.
Fizzy: Que horror! - disse, apertando o braço dele com carinho. - Mas agora está tudo bem, né, Haz?
Eu: Claro que está! Olha só, ele tá muito bem! - disse, tentando animá-lo, e ele deu aquele sorriso animado gigante dele.
Eu: Claro que está! Olha só, ele tá muito bem! - disse, tentando animá-lo, e ele deu aquele sorriso animado gigante dele.
Eu não sei como alguém que acabou de acordar de um desmaio por atropelamento, às cinco da manhã, consegue ficar feliz. Mas ele estava, muito feliz. Ele é sempre assim: pode estar morrendo, mas não vai deixar de sorrir e dizer "estou bem", mesmo que seja para convencer ele mesmo. Louis não parecia muito convencido, mas isso não importava. Fomos com Harry, enquanto ele tomava soro na veia, e ficamos conversando com ele para ele se distrair. De repente, Annie chegou lá, e abriu um sorriso extremamente fofo quando o viu. Ela deu uma corridinha e o abraçou pelo pescoço, e ele a abraçou de volta com o braço livre. Louis revirou os olhos - novidade - e eu e Fizzy apenas sorrimos, gostando do que víamos. Ian veio logo atrás dela.
Harry: Que bom que está bem, meu doce!
Annie: Eu estou muito bem, graças à almofada que você colocou na minha barriga! - disse ela, animada. Eu pensei que ela ia falar do bebê, mas aí ela continuou - Ela impediu que eu sofresse alguma fratura na coluna! Muito obrigada pela sua ideia de gênio!
Harry: Na verdade, eu também te protegi com os braços, e foi isso que causou isso aqui eu acho - ele levantou o braço com pontos, e abaixou novamente. - Mas tudo bem. O importante é que você está bem, né, meu amor?
Annie: É... - disse, desviando o olhar. Eu e Ian já tínhamos entendido.
Nós ficamos conversando por mais uma meia hora, o tempo que deu para Annie e Harry tomarem o soro final, e depois fomos de volta para a recepção, para os dois assinarem os papéis e etc.
Eu: Ei, não é melhor um dos dois tweetar avisando que estão bem? Os fãs já devem ter visto algo sobre...
Annie: É verdade! - disse, preocupada. - Haz, você pode fazer isso, né?
Harry: Se meu iPhone não tivesse ficado no carro...
Eu: Ah, mas eles deram para nós tudo que resgataram, inclusive seus celulares! - disse, entregando os celulares para os dois. - Só estão um pouco riscados...
Harry: "Um pouco" - disse, irritado. - Minha tela está quebrada.
Annie: E daí?! Pelo menos estamos vivos! Para de frescura! - disse, abraçando-o, e ele envolveu seu braço nela também.
Ele pegou o iPhone, entrou no Twitter e tweetou "não se preocupem, amores. foi só um susto. estamos bem! :) x"
Annie's POV
Nós fomos no carro de Fizzy para casa. Lottie foi dormir lá em casa hoje, Fizzy nos deixou lá, e Harry ficou na casa de Louis com Fizzy. Saímos do carro, abri a porta e, quando estava quase entrando - sem fazer barulho, já que Noah, Ian e papai tinham vindo antes e já estavam dormindo - Harry saiu do carro correndo e foi, com dificuldade, subindo as escadas da porta até mim,.
Eu: O que você quer, seu louco? - perguntei, sussurrando. - Tá tarde, vai dormir amor.
Harry: Tinha esquecido de dizer uma coisa.
Eu: O quê?
Harry: Eu te amo, muito, meu amor.
Harry: Eu te amo, muito, meu amor.
Eu: Eu... - sorri, melancólica. - Eu também te amo, querido. - Nos beijamos, e ele voltou para o carro.
Ficamos o resto da noite discutindo o que eu iria fazer. Afinal, daqui meia hora já ficaria de manhã, então resolvi nem dormir e deixar para dormir bem cedo na noite seguinte. Disse que ia para Harrogate, ligamos o PC, mandei um e-mail para meu amigo Jake para ele já ver se a casa estava em bom estado, contratar uma empregada doméstica e uma arrumadeira, eu já fui vendo quanto estavam os preços dos caminhões de mudanças e tudo mais... Contei pra ela que seria quase impossível ir, deixar todos eles por tantos meses, e pensar que ainda teria que abandonar uma criancinha num orfanato... Era tudo triste demais, complicado demais, errado demais, mas eu tinha que fazer.
No dia seguinte, acordei já de tarde e fui falar com Ian, contar meu plano, para depois irmos falar com o meu pai. Bati na porta do quarto dele e lá estava ele, jogando videogame. Ele pausou o jogo e disse que eu podia entrar. Sentamos juntos na cama, e eu comecei a contar o plano: ir para Harrogate, dizendo que ia passar uns meses, e logo depois voltar, sem o bebê nas mãos, claro. Ele ficou apenas me olhando. Finalmente disse:
Ian: Eu não acho que seja assim que funciona. Você não pode ir pro cu do mundo sem avisar ninguém, tomando conta do próprio nariz e de um futuro nariz e ainda querer deixá-lo no meio do nada! (gif) Não é fugindo que se resolve as coisas.
Eu: Não estou fugindo, Ian. - disse, triste. - Eu só... - suspirei. - ... Eu não posso continuar aqui. Ou o Simon me mata, ou a menina que matou Aria me mata. Lá, longe de tudo e de todos que eu conheço, eu salvo todos vocês, mesmo tendo que sacrificar o bom crescimento de um filho meu. Eu dou uma mesada secreta para ele todo mês, eu não sei, eu dou um jeito de me informar sobre a vida dele mais tarde, mas eu não posso continuar aqui. Não posso matar todos vocês.
Ian: Mas... Mas eu... - ele parecia bravo e desesperado, tentando achar uma desculpa. De repente, ele veio até mim e me abraçou, e eu senti lágrimas escorrendo pelo meu ombro desnudo. - Eu vou sentir sua falta, caralho.
Depois de nos acalmarmos e pensarmos exatamente no que dizer, fui falar com o meu pai, explicar tudo. Afinal, ele não tinha como dizer "não", já que eu já tinha 18 anos e a vida era minha agora, então a única coisa que precisava fazer era dizer que ia tirar férias. Descemos as escadarias juntos, e paramos em frente à ele, na cozinha.
Eu: Pai... - eu usava um tom repreensivo - ... Precisamos conversar.
...
O mês passou muito rápido.
Quando acordei na manhã do dia 17, sabia que na manhã do dia seguinte seria minha despedida. Acordei com dificuldade, pensei em tudo que me esperava... E lembrei que era hoje o dia em que eu terminaria com Harry. Simon me fez prometer terminar com ele, mas eu não ia fazer exatamente isso. Eu tinha planos mais bem detalhados.
Fui até o banheiro, tirei minha roupa e novamente olhei para minha barriga de grávida, como fazia todos os dias, sem conseguir imaginar um "mini-Harry" ou uma "Mini-Annie" dentro de mim. Eu tomei meu banho de banheira de rotina, super demorado, com direito à vários óleos e sabonetes diferentes, aromatizantes, com uma música calma de fundo, e tomei meus remédios dentro do banheiro mesmo. Saí ainda de pijama e liguei o computador e o celular, esperando ver a resposta de Harry ao meu sms do dia anterior.
Eu havia mandado uma mensagem para Harry, pedindo para passarmos a tarde juntos à partir das 4hrs - e já eram 3 - e ele aceitou. Eu tinha dito para ele que eu ia passar um ou dois meses fora, ia para Nova York, fazer sei lá o quê. Mas, hoje, ele ia descobrir a verdade. Me arrumei, tentando esconder ao máximo minha barriga com blusas largas, peguei minha bolsinha e fui para o parque esperá-lo, com um livro.
Chegando lá, eu já estava alguns minutos atrasada, mas ainda sim nem sinal dele. Fiquei olhando o parque todo, procurando um cara de 18 anos com cara de Cupcake e cabelo encaracolado que também procurasse alguém.
De repente, alguém fecha meus olhos por trás, e diz com uma voz mal feita: "Adivinha quem é?" eu ri e tirei as mãos de Harry de meu rosto, já virando para dar um selinho.
Eu: Que bom que veio, pensei que ia me dar um bolo!
Harry: No seu último dia nas terras da rainha? - ele pulou o encosto do banco e sentou-se ao meu lado, envolvendo seu braço em meu ombro. - Claro que não. - ele me beijou.
Ficamos caminhando um pouco, ele queria saber tudo que eu pretendia fazer por lá - e é claro que eu tive que inventar tudo -, eu perguntei o que ele faria aqui, e mais algumas coisas. De café da tarde, fizemos um pequeno pique-nique no meio do parque, e depois fiquei lendo um pouco enquanto ele ouvia música e terminava de comer, e de vez em quando me dava uns selinhos.
Eu estava lendo Fazendo Meu Filme - livro de menininha, eu sei, mas eu não cansava dessa saga - e ele me chamou.
Harry: Annie.
Eu: Oi. - disse, sem tirar os olhos do livro.
Harry: Annie. Amor. Annie. Ei. Annie. - ficou me chamando, me irritando.
Eu: Fala! - fechei o livro com o marcador e fiquei olhando ele. Então, ele me beijou.
Harry: Eu te amo. Eu sempre vou te amar. - eu olhei para o chão novamente, sem jeito. - Não esquece nunca disse, ok?
Eu: Tá. - disse, abrindo o livro novamente. Eu consegui ver com o canto do olho que ele não havia gostado muito da minha resposta.
A verdade é que eu ainda o amava pra caralho, e podiam se passar semanas, meses, anos, que eu nunca iria parar de amá-lo. Eu estava extremamente feliz sendo assim, e eu não teria problema nenhum de estar grávida do meu amigo de infância e namorado, Harry Styles. Mas o problema não era esse, o problema é que ele não era mais meu amigo de infância e namorado, Harry Styles: ele era ídolo de 20 milhões de pessoas pelo mundo todo, pressionado pela imprensa e pelo contrato que o garantia emprego, tesão das mulheres e sonho das menininhas, capa de revistas de moda e cantor internacional, Harry Edward Styles. Ele não era o mesmo, e eu não podia fazer nada. Isso me matava. Mas eu ainda o amava, e tinha menos de 24 horas para provar isso, então, fechei meu livro, mudei a cara, levantei e disse:
Eu: Ei, amor, agora que acabei o capítulo, vamos brincar?
Harry: Brincar do quê, maluca? - disse, rindo.
Eu: Sei lá! - eu olhei em volta. - Vamos no balanço! - apontei para o balanço com uma mão e o puxei com a outra.
É óbvio que ele logo cedeu, e fomos juntos na gangorra, naquele negócio que gira, no balancê, em vários lugares que eu achava que aguentava mesmo estando secretamente grávida. Ele me fazia rir em todos os brinquedos. Eu estava balançando sozinha no balanço, quando ele o parou com tudo. Eu levei um tranco e xinguei Harry, e ele apenas riu.
Eu: O que você quer?! Eu estava me divertindo! Disse, fingindo raiva.
Harry: Eu quero um beijo! - disse, rindo.
Eu: Vem pegar, então! - disse, balançando fraquinho novamente.
Ele chegou aos poucos, foi balançando meu balanço, depois foi beijando meu pescoço, passando a mão pela minha coxa, e chegando seu rosto mais perto do meu, e eu apenas deixando. Quando ele foi beijar, eu tirei o rosto de brincadeira, rindo muito pela trollagem. Ele fez cara de irritado, mas ria muito também.
Harry: Isso não vale, vadia. - murmurou, ainda rindo.
Eu saí do balanço, ainda rindo muito, e o abracei pelo pescoço e o beijei, sorrindo. Claro que muitas pessoas já tiravam fotos de nós, mas eu nem ligava. Só queria estar com ele. Embora tivesse sido um encontro bem normal para muitas pessoas, era realmente raro eu e Harry irmos para um lugar público, conseguirmos ficar a sós, sem milhares de paparazzis e fãs enlouquecidas atrás de nós, brincando só nós dois, como era no comeciiinho do nosso romance, antes da fama, antes da popularidade, quando só éramos nós dois. Era perfeito, e ainda era, mas um pouco menos. E me dava um aperto no coração pensar que eu teria que acabar com tudo aquilo.
Fomos para a casa dele só depois de escurecer e, como combinado, e ficamos assistindo um filme - O Cavaleiro Solitário, para ser mais específica. Com direito à pipoca, refri, e muitos beijos e amassos. Depois do filme, já umas 9 horas, jantamos macarronada com vinho, conversando sobre planos e rindo muito. Eu tentei não demonstrar nervosismo, mas acho que estava um pouco aparente - ou não, ele não é de notar muito as coisas. Os remédios que eu havia tomado serviam para diminuir o inchaço da barriga, deixando pouco aparente. Não fazia muito bem para o intestino e me dava dor de cabeça, mas melhor do que ficar inchada. Isso fazia com que Harry não percebesse, mesmo que eu estivesse pelada na frente dele. Por isso, a ideia final era essa.
Eu: Haz... Eu tava pensando em a gente fazer algo mais... emocionante... sabe...? - disse, passando a mão pelo tanquinho dele, que estava sem blusa. Ele sorriu.
Harry: Claro... Eu também tava pensando nisso... - disse, me dando um beijo carinhoso. - Mas diferente. Eu arrumei tudo de um jeito especial lá no quarto.
Eu: Como assim? - perguntei, confusa.
Harry: Espera aqui. - disse, subindo. Ele demorou uns minutos, e logo voltou. - Pode vir.
Eu subi alguns degraus até ele, e fomos juntos até o quarto, nos beijando. Eu já conseguia ouvir Halo tocando no quarto, baixinho, e dei um sorriso entre os beijos. Ele sorriu também. Quando cheguei no quarto, estava tudo perfeito: a coberta cheia de pétalas de rosas, luzes todas apagadas, com a janela fechada mas as cortinas abertas, deixando aquela vista linda da Inglaterra vista do 2º andar do casarão dele - cena que eu nunca esqueceria -, velas aromatizadas por toda parte... Como se fosse uma lua de mel. Eu quase chorei, se eu não estivesse... hã... meio exitada.
Eu: ... Lindo! - disse, beijando-o. - Obrigada por tornar essa noite tão especial. Eu prometo que nunca vou esquecer tudo isso!
Ele me beijou, agora me tocando em várias partes, e me jogou na cama, já tirando minha blusa. Eu levantei e fiquei fazendo algo como uma dança sensual para ele, para deixá-lo mais exitado. Levantei-o, tirei sua blusa, e deitei sobre ele, beijando seu tanquinho.
Ele me deixou comandando essa noite, e eu amei isso. Tirei meu sutiã, deixando ele massagear meus seios por um tempo, e depois tirei sua calça, e ele tirou a minha. Eu estava só de calcinha e ele só de cueca, então ninguém havia ficado em desvantagem hoje. Comecei a dar uma rebolada em seu membro enquanto nos beijávamos, apaixonados.
Ele já estava com o membro bem ereto, então decidi que já era a hora. Tirei sua cueca, e seu amiguinho pulou em minha direção. Quando me levantei para tirar a calcinha, ele, ainda ofegante - sem nem termos começado - disse:
Harry: Espere. - e parecia tentar lembrar de algo. - Segunda gaveta do criado mudo.
Fui até o criado-mudo, e abri a segunda gaveta: estava cheia de camisinhas. Eu ri, porquê era engraçado pensar que justo agora que eu estava indo, ele tinha comprado tantas camisinhas. Peguei uma, e fui até ele novamente.
Coloquei rapidamente a camisinha, beijei um pouco seu membro já protegido, e ele se posicionou, pronto para entrar. Ele pediu permissão com os olhos, e eu assenti. Ele meteu, não tão forte, mas de um jeito super prazeroso. Não pude deixar de gemer alto, e isso o satisfez ainda mais. Começamos os movimentos mais calmos, ainda nos beijando e eu ouvindo sua respiração abafada ecoando sobre o quarto, e sentindo aquele cheiro de rosas misturado com ervas das velas.
Ele começou a acelerar nossos movimentos, me fazendo gemer mais, até que senti uma pontada na barriga, e decidi ir mais devagar. Ele entendeu meu gesto e foi mais devagar, sussurrando coisas deliciosas em meu ouvido, me deixando excitada ainda mais. Ele parecia estar gostando daquele sexo romântico, que fazia muito tempo que não tínhamos. Ele ia acompanhando meus passos, indo com calma, e nós dois aproveitávamos muito mais. O tempo passava mais devagar, e podíamos fazer mais coisas.
Eu devo dizer que, de todos que eu já transei, ele sempre foi e sempre será o mais compatível. Ele sempre se encaixou perfeitamente em mim, e eu nunca notara tanto isso, mas por causa dos meus hormônios alterados e pelo nossos sexo lento e romântico - e raro -, percebi que nossos corpos quase dançavam na cama, no ritmo da música. Sentir aquele aroma de rosas e sentir sua pele contra a minha, uma mistura de cores e texturas e temperaturas, embora nossos corações estivessem ambos quentes. O ritmo era delicioso, e era uma noite que eu com certeza não conseguiria esquecer.
Quando estávamos sentindo que íamos chegar ao ápice, começamos a ir um pouco mais rápido. Ele sussurrou "agora", e eu assenti, e, então, ele deu a estocada que liberou nós à dois.

Deitamos um ao lado do outro por um tempo. Ele, como sempre, levantou e foi jogar a camisinha usada, já voltando com sua camiseta do Ramones para mim e um shorts de pijama qualquer para ele. Ele deitou novamente ao meu lado, e eu abracei seu tronco o mais forte que eu me permitia. Ele me olhou com o canto do olho, meio desconfiado - já que geralmente eu apenas virava e dormia -, e depois enrolou seu braço sobre meu tronco também.
Harry: Essa foi a melhor noite de todas.
Eu: Eu concordo completamente.
Harry: Eu te amo.
Eu: Eu também te amo, Haz. - disse. Ele fechou os olhos. Eu suspirei, e continuei: - Eu preciso que você saiba, hoje, que tudo que eu sempre fiz e sempre farei será pensando em você, pensando no melhor para você e para nós dois. Tudo bem?
Harry: ... Tudo bem... - ele falou num tom desconfiado. - ... Mas eu confio em você.
Harry: ... Tudo bem... - ele falou num tom desconfiado. - ... Mas eu confio em você.
Eu: Eu também confio em você. - disse rapidamente. - Eu confio que vá perceber que sempre faço tudo, possível e impossível, só por você. Eu te amo demais, Harry.
Harry: Ei, ei, ei, mocinha! - disse, agora me abraçando forte de verdade. - Eu não vou te abandonar. E você também só vai ficar um tempo fora! Eu morrerei de saudades, mas é a vida. Se você sobrevive tantos meses sem mim quando estou em turnê pesada, eu aguento alguns meses sem você também. Mas eu continuo te amando. "Nada nem ninguém vai nos separar", lembra que eu te disse?
Eu: Nada nem ninguém. - disse, como que convencendo à mim mesma. - Tudo bem. Boa noite, Harry.
Harry: Boa noite, minha vida.
E, assim, nós dois fechamos os olhos. Eu não sei ele, mas eu adormeci tão rapidamente que nem percebi a noite passar quase. Fomos dormir à uma da manhã, bem cedo ao que geralmente dormimos, mas tive que acordar às seis da manhã.
Eu acordei cansada, sem nem lembrar o que eu fazia da vida. Aí, olhei ao meu lado, e vi ele, dormindo como um anjo, Eu havia acordado porquê havia colocado o fone antes de dormir e o despertador tocou pelo fone. Eu levantei, tomei um banho, coloquei minha roupa do dia anterior, preparei um café, eu mesma tomei, e ainda deixei um pouco para ele. Eu arrumei meu cabelo, mandei um sms avisando que estava voltando para casa, e pedindo para Ian avisar Lottie, que ia à minha casa me dar adeus, e voltei a sentar na cama, olhando Harry dormir. Peguei o caderno de bilhetes dele, que ele deixava em cima da escrivaninha, e comecei a escrever minha cartinha de despedida.
"Hazz, meu amor... Lembra do que eu te disse noite passada? Que tudo que eu faço é por nós dois, e tudo que eu sempre fiz e sempre farei é pensando no melhor para você? Pois é. Lembre-se disso pelo resto da sua vida, porquê eu lembrarei desse juramento pelo resto da minha. Eu não peço que não me odeie, ou que queira voltar comigo mais tarde, mas... É isso. Eu não estou indo para Nova York, eu estou indo para outro lugar, que eu pretendo não falar agora - mas algum enxerido descobrirá mais tarde - e só volto daqui um ano, se eu voltar. Eu estou indo cuidar de minha vida, organizar minhas coisas, e deixar seu caminho livre para alguém que te ame quase tanto quanto eu te amei e ainda amo. Eu sinto muito por tudo isso, sinto por ter que terminar assim, mas é como teve que ser. Estou terminando com você por esta humilde carta, e peço que procure entender meus motivos mais tarde. Não precisa ser agora, já que mal te dei explicações, mas enfim... Me perdoe. Não tente achar respostas com minha família ou com Lottie, porquê eles já me prometeram não contar nada, mas por favor, também não se zangue com eles. Lottie ainda é irmã do seu melhor amigo e ainda te ama, Noah igualmente, e meu pai... Ah, ele sempre implicou contigo, mas você sabe o quanto ele te ama. Você não imagina o quanto eu estou reivindicando por isso. Somos dois, e eu estou fazendo meu trabalho. Seu trabalho é apenas aceitar e seguir em frente, ou então esperar um ano por mim - o que eu imagino que não vá fazer, e te dou toda a razão para isso -, e eu voltarei. Todas as suas perguntas serão respondidas quando eu voltar, eu prometo. Apenas... Apenas cuide de você mesmo, Curly Boy. Eu te vejo logo.
Com amor e saudades,
Annie."
Lágrimas escorriam do meu rosto desde que havia pego a caneta para começar a escrever. Era difícil me imaginar tendo notícias dos meus bebês apenas por revistas e internet, era difícil me imaginar ligando para Lottie para saber como estava minha família. Isso era tão triste... E tudo por causa por uma teimosia do Harry! E um descuido meu! E agora eu estava pagando o preço caríssimo de tudo isso! Eu fiquei imaginando o quão nervoso Harry ficaria quando lesse a carta. Eu imaginei se ele ficaria furioso, triste, ou aliviado, ou outra coisa qualquer. Eu enxuguei minhas lágrimas, embora elas não parassem de cair, cheguei bem perto de Harry, sussurrei "Eu sempre te amarei, Harry Edward Styles", e dei um beijinho em sua testa, e logo depois deixando o lugar.
Lottie's POV
Ian me ligou de manhã, dizendo que era hora de se despedir de Annie, e eu, que já estava pronta - na verdade não havia dormido a noite toda - fui para a cada dos Müller esperá-la.
Cheguei lá, e estava tudo bem fora do normal: a casa, que costumava ser agitada e divertida, estava com o pai de Annie chorando de um lado, Ian quieto do outro e Noah apenas vendo TV, tentando se distrair. Assim que cheguei, a primeira coisa que fiz foi abraçar Ian bem forte. Não devia ser fácil pra ele, tantas mudanças em 1 ano. E, logo depois, dei um abraço forte e demorado no Sr Müller, já que ele devia ser o que mais estava sofrendo. Primeiro a mulher, depois o filho mais novo, aí ter que sustentar outro adolescente, e logo depois Annie se vai também! Eu peguei Noah por trás, fiz cócegas nele, e depois que ele já estava rindo, eu o abracei. Ele virou para mim, agora mais sério, e perguntou, com cara de confuso:
Noah: Por quê a Annie tá me deixando de novo?
Eu: E-Ela n-não tá te deixando! - disse, gaguejando. - Ela só vai viajar por uns meses, ficar fora, cuidar um pouco da vida dela, e depois ela volta pra brincar muito com você, tudo bem?
Noah: Ah, tá bom né... Fazer o quê... - disse, ainda me abraçando pelos ombros.
Pai: Ela podia ir ano que vem. - disse, desanimado.
Ian: Não podia, não. - ele estava sério, grosso, frio.
Eu: Ian, será que a gente pode conversar rapidinho, antes de ela chegar? - disse, indicando o quarto dele. Ele assentiu, e subimos juntos.
Ele trancou a porta, já sabendo que se tratava de Annie, e disse que eu podia me sentar na cama, e ele se sentou na cadeira do computador. Eu suspirei, e ele mal olhava na minha cara.
Eu: Não é só culpa dela, Harry também quis. Agora já foi. Agora já existe algo dentro dela. Você não pode descontar a irresponsabilidade dela e a sua raiva por mais pessoas estarem te deixando em Noah ou em seu pai, porquê senão eles te deixarão também. Sinto muito se estou sendo muito direta, mas você já viu o estado do seu pai? Ele mal sabe o que está acontecendo. Ajude-o! Pare com essa bunda-mole!
Ian: Bunda-mole? - disse, irritado. Ele se levantou e falou mais alto: - Bunda mole?! Sabe o quê é acordar e ir dormir todo dia rezando para seu "pai" não ter sido morto na Guerra? Sem nem saber que ele não é seu pai de verdade? Sabe o que é ter que trabalhar em campos sujos e fedorentos desde criança pra poder sustentar sua família?! Sabe o que é perder uma irmã de 3 anos por infecção?! Sabe como é saber que seu verdadeiro pai poderia ter evitado tudo isso se tivesse me assumido logo, me dado uma mesada, uma vida boa?! Sabe o que é perder sua mãe, que parecia ser a única pessoa que se importava com você?! E ainda ter que aguentar ver seu novo-meio-irmão indo para as mãos de uma bruxa e sua nova-meia-irmã indo para um meio do nada por causa de merdas que ela mesma se mete?!
Eu fiquei quieta, por um tempo, mas ele continuava em pé, curvado sobre mim, quase que me atacando. O silêncio continuava extremo pela casa toda. Eu me sentia terrivelmente desconfortável. Mudei de posição.
Eu: ... Não foi o que eu quis dizer. - murmurei, sem olhar nos olhos dele.
Ele sentou-se novamente na cadeira, apoiando os cotovelos na escrivaninha e enfiando seu rosto entre as mãos. Eu fui mais para o canto da cama e coloquei minha mão em seu ombro. Ele pareceu rejeitar no começo, mas depois apenas relaxou os músculos e deixou eu o aconchegar, por mínimo que fosse aquele gesto. Eu decidi arriscar mais uma vez, com uma voz extremamente doce:
Eu: Não precisa ser tudo de uma vez. Descarregue sua raiva lutando num boxe, não no seu irmãozinho. Tão pequeno, que já sofreu tanto, como você. Seu pai também não está passando por momentos fáceis. Apenas... Ponha um sorriso em seu rosto, mesmo que esteja tudo desmoronando, e vá ajudá-los.
Ele tirou as mãos do rosto, virou para mim, enxugou algumas lágrimas e me abraçou.
Ian: Obrigada por estar conosco agora.
Eu: Não é nada, Ian. - disse, abraçando-o de volta. Foi quando ouvimos barulho da porta abrindo, e Noah gritando "Annie!"
Descemos correndo pelas escadarias, e ela estava lá, linda como sempre. Ela correu para se trocar - já que eram seis e meia e o trem passava às sete -, e logo mais voltou já arrumada.
Ela primeiro abraçou Noah e o beijou demais, fazendo todos nós rirmos. Depois, ela abraçou o pai, que chorou e disse lindas palavras de sabedoria para ela e tudo mais. Na vez de se despedir de Ian, ela apenas o abraçou, já chorando. Ele disse no ouvido dela:
Ian: Apenas fique calma. Tudo vai ficar bem. Eu estarei aqui, eu cuidarei deles por você. Fique tranquila.
Eu sorri vendo aquela cena, ele se controlando e apoiando a irmã, mesmo que não fosse isso que ele quisesse.
Chegou minha vez, e ela me deu um super abraço.
Eu: Ah, por favor, não se esqueça de mim!
Annie: Não vou! Eu vou ligar o Skype contigo todos os dias, trate de estar sempre on em todos os lugares!
Annie: Não vou! Eu vou ligar o Skype contigo todos os dias, trate de estar sempre on em todos os lugares!
Eu: Eu vou estar! - disse, abraçando-a.
E, chorando, ela saiu pela porta da frente. Ela não tinha mais como voltar atrás. Eu só sei de uma coisa: eu ia sentir muita falta dela.
Annie's POV
Peguei o táxi, que me esperava na porta da frente. Eu tinha 3 malas, 1 mochila de costas e 1 bolsa. Uma das malas era só de pertences que eu ia precisar. O bom é que eu já tinha comprado as passagens dos dois trens que eu teria que pegar pelo computador, porquê eu estava atrasada. Meu iPhone estava desligado, porquê eu havia deixado-o carregando a noite toda e ia usá-lo quando entrasse no trem, que era melhor. Na minha bolsa de mão tinha deixado um livro, meu celular, dinheiro, RG, uma cartinha que Noah havia me escrito logo quando aprendeu a escrever, a primeira carta que Harry havia me escrito, algumas moedas extras, óculos escuros e óculos de grau. Assim que entrei identifiquei a música que tocava no táxi: Don't Let Me Go. Pois é, eu tenho um puta azar.
Cheguei na estação de trem já correndo, coloquei a passagem do primeiro trem no leitor, e entrei na parte dos trens. Ainda não havia passado - ufa. Fiquei em pé esperando ele chegar. Era um trem de verdade - com uma cabine só para mim, parada de 10 minutos para todos entrarem e saírem devidamente, lugar para as malas, comida, 3 horas de viagem, acomodação boa - então eu não estava preocupada em me cansar agora, já que poderia descansar no trem. Eu ainda estava triste e sem chão, pensando em tudo que estava deixando pra trás, inclusive Harry.
Annie's POV
Peguei o táxi, que me esperava na porta da frente. Eu tinha 3 malas, 1 mochila de costas e 1 bolsa. Uma das malas era só de pertences que eu ia precisar. O bom é que eu já tinha comprado as passagens dos dois trens que eu teria que pegar pelo computador, porquê eu estava atrasada. Meu iPhone estava desligado, porquê eu havia deixado-o carregando a noite toda e ia usá-lo quando entrasse no trem, que era melhor. Na minha bolsa de mão tinha deixado um livro, meu celular, dinheiro, RG, uma cartinha que Noah havia me escrito logo quando aprendeu a escrever, a primeira carta que Harry havia me escrito, algumas moedas extras, óculos escuros e óculos de grau. Assim que entrei identifiquei a música que tocava no táxi: Don't Let Me Go. Pois é, eu tenho um puta azar.
Cheguei na estação de trem já correndo, coloquei a passagem do primeiro trem no leitor, e entrei na parte dos trens. Ainda não havia passado - ufa. Fiquei em pé esperando ele chegar. Era um trem de verdade - com uma cabine só para mim, parada de 10 minutos para todos entrarem e saírem devidamente, lugar para as malas, comida, 3 horas de viagem, acomodação boa - então eu não estava preocupada em me cansar agora, já que poderia descansar no trem. Eu ainda estava triste e sem chão, pensando em tudo que estava deixando pra trás, inclusive Harry.
Resolvi ligar meu iPhone para distrair meus pensamentos, já que eu ainda tinha 10 minutos. Já tinha uma mensagem de Lottie, dizendo "Eu te amo, já estou com saudades! x", que eu achei melhor não responder. Estava tentando não pensar nisso. Entrei no twitter e, com dificuldade, tweetei:
"eu sinto muito, mas foi o melhor para todos... estou me desconectando por um tempo, desconectando de TUDO. Até mais, talvez."
Eu acho que nunca irei me conformar de ter de deixar tudo por um simples descuido. Eu nunca chamarei isso de erro. Um bebê nunca é um erro, é uma benção. Todos dizem "Quando você fica grávida significa que Ele sabe que você merece, que você pode cuidar, que você será uma boa mãe", mas nem sempre é assim. Talvez signifique que há coisas mais importantes para se preocupar. Ou que você é muito irresponsável. Ou que você tem que aprender a tomar decisões difíceis. Depende do ponto de vista de quem vê, como a maioria das coisas do mundo. Eu só sei que eu estava fazendo a coisa certa, ou pelo menos o que eu achava que era certo. Eu nunca pensei que ia ter que reivindicar tanta coisa por amor. E sim, eu amava Harry. Ainda amo. Eu amo Harry Styles mais que tudo, eu queria poder odiá-lo ou não conhecê-lo mas eu simplesmente não consigo me livrar disso.
O trem finalmente chegou, na verdade alguns minutos atrasado. Esperei as pessoas saírem de dentro dele, então deu aquele apito que indica que podemos começar a entrar, e eu entrei.
O trem era aconchegante. Minha cabine era a 7, não tão longe da porta. Coloquei minhas malas nas aberturas de cima, joguei minha mala na estantezinha presa à parede da cabine e deitei no sofá macio da cabine. Peguei a cabine econômica, que era menor do que meu banheiro de casa - da minha ex casa - então estava meio difícil de colocar tudo em seu devido lugar. Como só tive 4 horas de sono, apenas respondi Lottie com "Eu também te amo", e fiquei tentando dormir. Como tinham 3 horas nesse trem e mais 3 horas no outro trem até Harrogate, eu podia dormir nesse e ficar acordada no outro, mas eu simplesmente estava ansiosa demais. Fiquei olhando a janela, todos andando pela estação, ouvindo música, até o trem partir. Quando começou "Stay", da Rihanna, o trem tocou seu apito, uma lágrima escorreu pelo meu olho, e ele se foi, deixando a Estação 09 de Londres.
Eu: Eu te amo, Harry. - murmurei meio que para os céus, esperando que ele se lembrasse disso daqui um ano.
"A música começa a tocar como no final de um triste filme, é o tipo de fim que você realmente não quer ver, porquê é uma tragédia e só te deixa pra baixo, e agora eu não sei o que ser sem você por perto.
E nós sabemos que nunca é simples, nunca é fácil, nunca é uma separação justa, ninguém aqui para me salvar...
Você é a única coisa que eu conheço como a palma da minha mão, e eu não posso respirar sem você, mas eu tenho que respirar sem você"
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