quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cap 7: Sorry / Shadow / I Should Have Kissed You

(Annie's POV)
Acordei com uma tremenda dor de cabeça - provavelmente de tanto chorar na noite passada. Olhei para a cama do lado, e Noah ainda dormia. Olhei para o relógio na parede nele: 11 horas da manhã. Resolvi que já  devia acordar, mesmo que tivesse Recesso Escolar essa semana toda.
Levantei, fui até meu quarto, coloquei uma roupa, e desci. Papai tinha deixado um bilhete no corrimão da escada escrito "Fui trabalhar, volto às 20hrs. Por favor, façam o jantar. Papai". Beleza né, o jantar ia ser pizza. Fazer o quê.
 Quando estava descendo, ouvi barulho vindo da cozinha. Fiquei assustada. Desci as escadas mais devagar, sem fazer barulho. Ouvi barulho de uma panela caindo, e alguém dizendo "merda!", baixinho. Peguei meu abajur da sala e fui andando com mais cuidado até a cozinha. Quando cheguei na porta, me deparei com um adolescente.
Eu: SAI DA MINHA CASA SEU LADRÃO FILHO DA PUTA! - disse, tacando o lustre nele.
Bem, não deu muito certo: o cara segurou o abajur com a mão, de boa. Olhou para mim com uma cara de "wtf" e colocou o abajur delicadamente no chão.
Ele: Se isso caísse ia fazer um barulhão, de verdade, um grande estrago. Oi, Annie.
Eu: Como sabe meu nome?! Quem é você?! De onde você veio?! Por que tá na minha casa?! Por favor não me mate!
Ele: Ei, calma!
Eu: Não vou ficar calma! Cai fora da minha casa! - disse, mexendo os braços nervosamente.
Ele: Eu sou Ian, seu novo "colega de quarto".
Eu: O quê?! Não! Aqui não é hotel, caso não tenha visto!
Ele: ... Eu sou filho de Kate Lostneagle.
 E foi aí que caiu a minha ficha.
Eu: Kate? Ela... Eu... O que... Como veio parar aqui? E o quê exatamente está fazendo aqui?
Ian: Eu vou morar aqui, agora. Nós morávamos num apartamento pequeno, e quando ela, bem, você sabe, seu pai ofereceu aqui para eu morar.
Eu: Ele é seu pai também?!
Ian: O quê? Não! Meu pai... Bem, eu não sei onde meu pai tá. Enfim. Eu também não sei o que eu tenho a ver com vocês, e peço desculpas, mas aqui estou eu, e se puder não jogar abajures em mim eu agradeço.
Eu: Não prometo nada. - ele deu uma risada fraca. - Hã, então prazer. É, acho que é o mínimo que meu pai poderia fazer pra ela depois disso tudo.
Ian: Desculpa, quê?
Eu: Depois que eu descobri fez mais sentido, você tem razão, parece loucura.
Ian: Do quê você tá falando, maluca?
Eu: Eu... - parei a frase. - ... Você... Você não sabe de nada?
Ian: Não. Espera, nada do quê?
Eu: Ah, meu Deus. Meu pai te dá a chave mas não te dá explicação. Que bosta.
Ian: Você esqueceu de tomar algum remédio agora de manhã?
Eu: Olha, isso é sério. Por favor, para de gracinhas.
Ian: Tudo bem. Estou quieto. Pode falar.
 Eu não sabia como dizer. Tinha tanta coisa que eu queria perguntar, mas tinha tanta coisa que eu também precisava explicar... Sendo que nem eu sabia o que dizer. Digo, "sou filha de Kate" eu sabia, mesmo sendo difícil. Agora, como? Por quê? Há quanto tempo ela sabe? O que meu pai tem a ver? E o que vamos fazer agora? Eu não sabia responder essas perguntas. Mas percebi que eu tinha que falar, de qualquer jeito.
Eu: Ian, Kate era minha mãe também. Somos irmão por parte de mãe.
 Ele ficou parado, como se esperando mais. Olhei para os lados, mostrando que era só. E ele se jogou no sofá.
Ian: Quantos anos você tem?
 Não era exatamente a pergunta que eu imaginei que ele faria.
Eu: 17.
Aí sim, veio o normal:
Ian: ISSO NÃO É POSSÍVEL! EU TAMBÉM TENHO 17! NÃO DÁ PRA UMA MÃE TER FILHOS DIFERENTES DE PAIS DIFERENTES NASCIDOS AO MESMO TEMPO! ELA JÁ ERA CASADA COM O MEU PAI! ISSO NÃO É POSSÍVEL!
Eu: Eu juro que eu não sei te explicar. Eu mal sei como explicar pro Noah. Mas é só isso que eu sei, e eu sou sua meia-irmã.
Ian: Não é não! Quem é Noah?! Quem te disse que você é minha meia-irmã?! Eu quero uma mãe, não uma irmã, não vem com essa! Eu sou pobre, não dá pra dar golpe do baú ou da prima perdida ou sei lá o nome disso!
Eu: Não estou brincando, Ian. É sério. Meu pai que me disse. Minha mãe foi embora daqui por causa disso, e ela me odeia mesmo não sendo minha culpa. Noah é meu irmão por parte de pai. Ele não é nada seu.... digo, eu acho, porque se você também têm 17, então vai ver somos gêmeos... De mesma mãe e pai.
Ian: Não. Não, eu conheço meu pai, ele é do exército mas eu lembro da cara dele e... e eu não tenho nada a ver com ele. - disse ele, olhando desesperado para os lados. - EU NÃO TENHO NADA A VER COM ELE! AH MEU DEUS MEU PAI NÃO É MEU PAI!
Eu: Eu disse a mesma coisa, tirando o fato de ter trocado "pai" por "mãe". Mas eu pareço bastante com minha mãe, ou tia, ou Jade, ou sei lá como devo chamá-la. "Mãe de Aluguel", "Mãe de Mentirinha" talvez.
Ian: Tá achando isso engraçado?!
Eu: O importante é que nós dois não temos mãe, apenas pai. E seu antigo pai não é seu pai. Meu pai é seu pai. Somos irmãos.
Ian: Ah, meu Deus. Somos irmãos.
Eu: Demorou pra entender, hein (gif) Já vi que você é lerdo.

Ian: Eu não tô achando isso engraçado, cara. Isso não é legal... Sabe o que é ter sua vida se destruindo em 1 semana?!
Eu: Em menos de 24 horas descobri que a mulher que me criou não é minha mãe e agora me odeia, que minha mãe biológica está morta, que meu pai é um canalha que traiu minha mãe, que meu irmão na verdade é meu irmão só por parte de pai, que não posso contar com minhas melhores amigas, descobri também que só demora 1 hora para chegar ao parque da estrada correndo, que chorar à meia noite ao ar livre é melhor do que chorar no quarto, que adolescentes de 17 anos têm reflexos suficientes para agarrar um abajur no ar e que um adolescente de 17 anos é meu irmão gêmeo. Não, eu não sei o que é ter sua vida se destruindo em 1 semana, mas sei como é ter sua vida destruída em menos de 24 horas.
 Quando terminei de falar, percebi que algo escorria em mim. Lágrimas. Comecei a chorar no meio do meu sermão e nem percebi. Ian me olhava com dó, e depois começou a olhar pro nada. Sequei minhas lágrimas e continuei em pé no meio da cozinha.
Ian: Eu sinto muito. (gif)

Eu: Tudo bem.
Ian: Não, sinto muito de verdade, sua vida é complicada. Aproveitando que contou sua vida, vou contar a minha: o "cara que me criou", como você chama, é do exército e vejo ele uma vez a cada seis meses. Ele provavelmente não sabe que não é meu pai. Eu sou ruim na escola e por algum motivo não tão aparente para mim, as meninas gostam de mim. Acham que sou bonito, ou algo assim. Sou tímido com quem não conheço e com adultos, mas gosto de zoar com a minha galera. Já estudei em 4 escolas diferentes, e esta vai ser minha 5ª porque pelo jeito vou morar aqui. Eu não tenho parentes, éramos só nós 3. Eu sempre quis um gatinho. Sou bom em futebol brasileiro mas odeio futebol americano. Não costumo chorar fácil. E eu não tô muito feliz no momento.
Eu: Eu também queria um gato - foi tudo que consegui dizer. Ele olhou para mim. - E também não tenho parentes - completei. Ele deu um sorriso fraco. - Há quanto tempo ela morreu? E como? E onde você estava? E como ela era?
Ian: ... Não conheceu ela?
Eu: Não... Não, não conheci. Por favor, se tiver estruturas o suficiente, me diga.
Ian: Claro. - disse, com um lindo sorriso no rosto.
 Quem sabe, ele não fosse tão ruim assim. Quem sabe, ele fosse um irmão legal. Quem sabe, ele não fosse realmente meu irmão. Quem sabe.

Aria's POV
Eu não podia acreditar no que eu estava fazendo. Eu estava abandonando Brad. E eu o amava demais. Mas eu precisava fazer isso.
 Abriram a porta com tudo.
Kim: Aqui está seu almoço, queridinha.
Eu: Perdi a fome.
Kim: Agora vai comer, vadia. - disse, num tom carinhoso no começo e abaixando a voz para dizer "vadia".
Eu: Deixa aí em cima da estante. Eu... Eu como depois.
Kim: Que foi, bebezinha da mamãe? Tá dodói? Tá com cara de zumbi, mais feia do que o normal... Vai chorar, é? Tá mocinha? Awn, que cutis. Eu acho que...
Eu: Pare de falar! (gif)
Kim: Ui, que irritadinha.
Eu: Cansei de você. Das suas farsas. Das suas mentiras. Me fez perder meu namorado, feliz?! Ok, corra atrás dele, dê seu cu mal lavado pra ele como fazia antigamente, eu realmente não dou a mínima! Destrua meu relacionamento, mas não vai destruir quem eu sou! Eu sou Aria Candellari. Eu nunca erro. Eu nunca sou destruída, eu destruo. Eu nunca sou vencida, eu esmago os outros jogadores na área dos perdedores. Eu nunca sou colocada em segundo lugar, está me ouvindo? NUNCA. Você voltou? Bom pra você e pra sua vidinha inútil, já se formou e não pode mais voltar para a minha escola, nem voltar a ganhar pontos com meus lojistas ou ser admirada por meus seguidores babões. Agora, cai fora do meu quarto agora que já fez o seu trabalhinho escroto.
 Kim olhou para mim, assustada. Sim, eu estava realmente irritada, e botei tudo pra fora. Eu não aguentava mais aquela babaca me enchendo o saco, achando que pode mandar em mim, comandar os cérebros de todos. Não. As coisas mudaram, baby. Eu estava no comando agora. E ela tinha que aprender isso.
 Peguei meu almoço em cima da estante. Na verdade, eu estava morta de fome, mas eu não sabia se podia confiar numa comida que Kim fez. Mamãe abriu a porta do meu quarto com cuidado.
Mamãe: Você e Kim brigaram?
Eu: Não, por quê?
Mamãe: Ela saiu daqui com uma cara meio... confusa.
Eu: Não acho que seja por minha causa. - olhei para o prato de comida em minhas mãos. - Kim realmente fez isso?
Mamãe: Não. - disse ela, rindo. Eu ri junto. - Ela só pegou o que eu tinha feito e colocou no prato.
 Dei uma mordida. Estava realmente bom. Assim que minha cara de prazer acabou, voltei ao meu estado ruim. Minha mãe fechou a porta e se apoiou nela, em pé.
Mamãe: Tudo bem, filha?
Eu: Claro. Como assim?
Mamãe: Consigo ver que está mal. O que aconteceu?
 Eu não sabia o que dizer. Eu não podia dizer a verdade porque era óbvio que ela não ia acreditar. Suspirei.
Eu: Eu... Briguei com Lottie. Nada demais.
Mamãe: Ah, sim. Brigas com quem amamos são terríveis. Bom, vou indo.
 "Brigas com quem amamos são terríveis". "Eu concordo plenamente", pensei, vendo ela fechar a porta.
Mas eu realmente não acho que ele não vá me perdoar, tipo, nunca. Ele realmente me ama. Eu também amo ele de verdade. Ele estava esperando até pouco tempo na janela. Olhei para lá, mas obviamente ele já tinha ido embora. Mandei uma mensagem "Podemos conversar? Por SMS mesmo? Queria saber se vai na festa de sexta". Em dois minutos, veio a resposta: "Não sei. Não fale comigo. Não te devo mais explicações."
 Bom, é isso aí. Algo me diz que ele não vai me perdoar tão cedo.
"Me desculpa por quebrar todas as promessas que eu não estava por perto para cumprir.
Se apenas você me escutasse, esta vez é a última vez que eu irei te pedir para ficar...
Mas você já está em seu caminho"

Lottie's POV
Eu não podia acreditar que tinha sido negada. Digo, eu pensei que ele me amasse. Me recusou só por uma briga estúpida?! Como assim?! Beleza, Fizzy estava brava comigo. Mas era diferente. Meu Deus. Eu não podia acreditar. Eu estava completamente arrasada.
Cheguei em casa batendo a porta da frente. Daisy e Phoebe vieram atrás de mim.
Daisy: O que houve? Por que está chorando?
Phoebe: Por que brigou com a Fizzy?
Eu: Saiam. Saiam da minha frente. - foi tudo o que consegui dizer, antes de soluços virem à tona. Ouvi minha mãe me chamando na cozinha, mas eu não tinha tempo. Subi correndo para meu quarto e me tranquei lá. Peguei meu travesseiro, deitei na cama e coloquei tudo pra fora.
 Eu não podia acreditar que ele havia me abandonado. Primeiro, Fizzy me faz perder o controle. Depois, fico de castigo. Agora, perdi para sempre o garoto que eu amo desde a 3ª série. Não vou mais poder ir na festa, com certeza. Fizzy deve ter colocado mais abobrinha na cabeça dos meus pais. Eu vou ter que estudar pra caralho, tudo de novo. Ser taxada de nerd. Aria vai fazer Annie se desfazer de mim, porque estou perdendo a popularidade. Vou ficar gorda e feia de novo, usando óculos fundo de garrafa e vestidos que parecem de Barbies dos anos 90. Eu vou ficar feiosa, ninguém vai me querer, terei que andar com os fracassados novamente. Aria já tinha ficado brava comigo inúmeras vezes. Eu não conseguia dividir meu tempo entre estudar e ir à festas, e isso a deixava brava porque perdia minha popularidade. Sempre nesses dias ela ia embora só com Annie, para se programarem, e eu tinha que voltar pra casa. Eu era deixada de lado. E ia acontecer de novo. Eu já sentia meu corpo inchando novamente, já sentia meu cabelo encrespando. Eu não podia aturar isso.
 De repente, meu celular tocou. Uma mensagem nova. De um número desconhecido.
"Eu conheço seus problemas. Conheço seus medos, suas aflições. E eu concordo com você: se não se tratar agora, ficará gorda, feia, sem amigos. Sem Annie, sua preciosa amiguinha. John? John é um babaca, não dá valor à sua beleza. E você, não tem beleza, mas quer uma para poder valorizar. Que tal se brincarmos de Mentirinhas? Assim, você finge que está tudo bem, finge que mudou e que o ama incondicionalmente. Você fala que não liga para beleza ou dinheiro. Mas irá fazer compras com Aria como combinaram, pagará para um nerd qualquer fazer seu dever e passar colas durante a prova, se deixará o mais perfeita ao natural possível. E, para fechar com chave de ouro, use a técnica de emagrecer mais rápida. Aquela que usava antigamente... Se lembra?
Com amor, -A"
Quem diabos é "-A"? E como ela sabia... meu... antigo método de emagrecer? Como ela sabia que eu estava pensando em John? Como sabia que eu estava preocupada com as notas? Bom, isso não interessava. Ela parecia realmente querer ajudar. Eu não sou tão burra, acho que essa é uma boa ideia.
 Parei de chorar. Fui até meu doceiro da estante e peguei várias barras de chocolate. Lá estava eu, novamente comendo sem parar para depois poder ficar magrinha e perfeita. Mas eu não ligava, sabia que ia ter bons resultados.
 Terminei de comer. Primeira etapa concluída. Segunda etapa: ir até o banheiro. Ok. Mais uma vez, estava abaixada, apoiada na privada. "Me perdoe, Deus". E, então. Lá fui eu. Posicionada na posição certa, dois dedos, e dois quilos para fora. Ou um pouco mais, com sorte. Fiquei cerca de meia hora botando absolutamente tudo que eu conseguia para fora, tossindo e tentando mais. Lavando minha boca na pia, e indo novamente. Um dedo, dois dedos, cheguei até três, mas mais que isso poderia me deixar sufocada, e eu já tinha experiência com isso. 
 Quando acabei, me joguei num canto do banheiro, chorando.
Dois dedos na garganta, tossindo meus problemas para fora. Me sentia cansada, mas ao mesmo tempo muito mais livre. Senti tudo em meu corpo voltar ao normal. Lavei meu rosto e minhas mãos, e voltei pra cama. Liguei a TV, mas em menos de cinco minutos eu já estava dormindo.
 Eu sonhei com John. Sonhei com ele me aceitando de volta. Sonhei com nós dois caminhando por aí, felizes. Meninas me olhavam com respeito, e meninos me olhavam com vontade. Eu estava brilhando, perfeita, magrinha e perfeitinha. Mas foi aí que alguém disse "Ela é linda, como uma Barbie", e meu sonho se transformou em um pesadelo: veio em mente John gritando "vá com suas vadias, vire uma Barbie Defeituosa". Lembrei de como eu tinha conseguido adquirir aquela forma que por fora era perfeita - por dentro, eu estava destruída. No sonho, consegui ver minha forma interior, e eu vi o quanto estava tudo desgastado, o suco gástrico estava preto, fora do normal, borbulhando feito louco. Haviam várias de mim correndo pelo meu corpo - os hormônios -, que choravam, corriam, se descabelavam e gritavam "SOS! Tudo errado! Vamos morrer!". Eu, novamente sendo vista por fora, caio no chão da rua, me sentindo fraca, e a imagem é cortada.
Novamente acordada no sonho, eu estou numa maca de hospital. Meus pais me olhavam, bravos, pois o médico havia descoberto minha bulimia. Eu olhei para meu corpo, e eu estava igual um esqueleto - não mais como uma Barbie, não mais com o cabelo perfeito, e sim cheia de marcas e queimaduras, podendo ver minha costela, com o rosto chupado e o cabelo parecendo palha. Eu chorei descontroladamente, pedindo desculpas e pedindo para voltar ao normal, dizendo que eu não queria ser assim. Ninguém me ouvia. Eu estava sozinha no quarto, meus pais estavam do lado de fora, me encarando feio. De repente, tudo ficou branco e uma luz surgiu. Dessa luz, surgiu alguém. John. Ele estava vestido todo de violeta, com os cabelos brancos, e um aspecto puro e suave. "Vim te salvar", disse ele. "Eu morri, mas estou aqui para impedir a sua morte. Eu prometi guiá-la e ajudá-la, e estou aqui para isso. Me dê a mão, confie em mim". Eu fiquei com medo, mas resolvi que era a última esperança. Mesmo não sabendo se ele estava me levando à luz com ele ou não, dei minha mão. No mesmo instante, ela ganhou cor - e carne - novamente. Meu braço todo começou a revigorar. Senti meu rosto encher e meu cabelo ficar bom. Meus pais pararam de falar com o médico, e agora tanto os três como mais alguns enfermeiros olhavam da janela minha recuperação repentina e milagrosa. Eu supunha que eles não pudessem ver John. John continuou fazendo com que eu melhorasse por fora. E o melhor: me melhorava por dentro, também. Consegui novamente a imagem do meu interior, e meu coração batia forte e no ritmo, bem vermelho, bombeando sangue para o corpo todo. Minhas mini-eu estavam sossegadas, deitadas bem aconchegadas na minha pele interior - e não caídas no chão, morrendo como antes. Ele estava me restaurando por completo.
"Você sabe que eu te amo, não sabe?" disse ele. Eu assenti. "Eu te amo de qualquer jeito. Lute por isso". E, assim, comigo toda reformada, ele se foi de volta para a luz, e meus pais entraram no quarto me abraçando e dizendo que me amavam, minha mãe com os olhos cheios d'agua.
 Acordei num pulo. Eu decidi que não podia fazer isso. Nada disso. Precisava de John, do jeito justo.
"Você é minha fraqueza, mas você me dá força. Eu preciso de você como do sangue em minhas veias.
Frases vindas de você, percorrendo a minha mente, procurando por uma chance para conter o meu fôlego. Um sonho que não acaba, você se tornará parte de mim. Dia ou noite, escuridão ou luz você estará assumindo o que eu chamo de minha sombra."

Annie's POV
Eu estava me divertindo com Ian na cozinha. Ele me contava sobre suas histórias de suspensões na escola enquanto eu preparava Waffles para nós dois. Eu estava rindo com ele, quando vi que ele parou de rir, e estava olhando para algo atrás de mim. Olhei para trás e lá estava Noah, de pijamas, esfregando os olhos.
Eu: Bom Dia, querido.
Noah: Quem é ele?
Ian: Oi, eu sou Ian. Eu sou... Hã...
Eu: Nós não sabemos o que ele é, ainda. Quando o papai chegar eu creio que ele vá nos explicar, mas nós ainda não sabemos o que ele é.
Noah: Um E.T.? Legal. - disse, ainda meio sonolento e olhando torto para Ian.
Eu: Não, pirralho. - disse, rindo. - Ainda não sabemos que grau de parentesco temos com ele. Ele é filho de Kate. Lembra de Kate?
Noah: Não. Como ela é?
Eu: Você não conheceu ela. Eu quis dizer se você lembra de termos mencionado o nome dela... ontem...
Noah: Ah! - disse Noah. Ele se virou para Ian. - Então você é irmão órfão, junto com a Annie? Filho da moça que morreu e que a mamãe chamou de vadia?
 Eu olhei para Noah, fulminando-o. Ele pareceu não se importar, e continuou fitando Ian. Ian ficou cabisbaixo, deu um suspiro e respondeu:
Ian: Pois é. 
Noah: Que louco. Papai disse que ela não queria manter contato com a Annie, sabia?
Ian: Eu não...
Noah: E mamãe disse que sua mãe chifrou minha mãe. Seja lá o que for isso.
Ian: Eu não acho que ela...
Noah: E minha mãe, antes de ir embora, ainda disse "ainda bem que aquela vadia m...
Eu: NOAH! - gritei.
 Ele olhou para mim e viu que eu estava com os olhos mareados. Olhou para Ian e viu que ele estava igual, mas com a cabeça baixa. Noah encolheu os ombros.
Noah: Desculpem. Eu vou lavar meu rosto. - disse, saindo.
 Esperei mais um pouco e tomei coragem para olhar para Ian. Ele estava tamborilando os dedos na mesa, com a cabeça baixa. Acho que pude ver uma lágrima em seu queixo caindo na mesa.
Eu: Eu sinto muito.
Ian: Tudo bem.
Eu: Não, de verdade, eu sinto muito. É que tá cheio de confusões, tanto aqui em casa quanto na cabeça dele. Ele tá meio perdido. Não foi essa a educação que dei a ele. - disse, arrumando os pratos na mesa.
Ele deu um sorrisinho que logo desapareceu. Eu me senti culpada. A morte dela era muito recente. Era minha mãe, também, mas para o Ian devia ser muito mais doloroso - ele viveu com ela, recebeu amor e carinho dela, o pai dele é do exército então imagino que só vivia com ela. E, mesmo sem coragem de perguntar, imagino que ele tenha sofrido muito no dia da morte dela. Mas não disse nada. Apenas continuei colocando pratos, xícaras, bule, bolo e etc na mesa.
Ian: O garoto tem cara de ser legal.
Eu: Ele é, não se deixe enganar por essa primeira impressão maluca e doente dele. É só o calor do momento.
 Ele assentiu, ainda sem dizer muito. Noah voltou poucos minutos depois.
Noah: Desculpem, pessoal. Eu tô com sono. Vou voltar a dormir.
Eu: Nada disso, mocinho! Volta aqui! - disse, mas ele foi subindo as escadas. - Um minuto, Ian. - disse para ele, e depois saí correndo.
 Cheguei devagar e peguei ele por trás, fazendo ele soltar um grito, eu comecei a rir e girá-lo no meio da escada. Nós dois rimos e ele me abraçou forte para não cair. Fui levando ele debaixo do meu braço, como se fosse um saco de arroz, até a cozinha. Sentei ele na cadeira e aproximei um prato dele.
Eu: Toma, sirva-se.
Noah: Vai servir a visita, tem que me servir também!
Eu: Ian não é uma visita, ele vai morar conosco. - me virei para Ian, que estava com o prato vazio ainda. - Pode se servir, Ian. Não tenha medo, a comida não está envenenada.
Ian: Tenho certeza que não. - disse ele, sorrindo fraco. E, então, ele apenas se levantou da mesa, deixando tudo lá.
Noah: Se ele pode ficar sem comer, eu também posso?
Eu: Se eu me jogar de um penhasco, você também se joga?
Noah: Não!
Eu: Quantos anos você tem?
Noah: Sete.
Eu: Quantos anos eu e Ian temos?
Noah: Dezessete.
Eu: Então, acho que respondi sua pergunta. Sirva-se, eu já volto.
 Fui andando até lá fora, onde Ian estava. Ele estava sentado no gramado, quieto, olhando para o teto. Estava com seus óculos escuros, que antes estavam presos na gola da blusa. Estava quieto demais pro meu gosto.
Eu: Você sabe quantos graus está aqui fora? - nenhuma resposta. - Eu te digo: nove graus. Não pode ficar aqui fora de bermuda e camiseta com só nove graus. Daqui a pouco neva e você vai ficar resfriado.
Ian: A neve só cai a partir de -5º.
Eu: Eu sei, bobo. Eu estava brincando.
 Ele nem sequer deu um sorriso. Estava parado, sentado na grama, sem nem se mexer, ou olhar para mim. Sentei ao lado dele e enlacei meu braço em seu pescoço.
Eu: Olhe pra mim. - ele nem se mexeu. Peguei seu queixo com minha mão e o forcei a olhar, fazendo ele rir.- Olhe para mim, bobalhão!
Ian: Eu estou olhando! - disse, rindo.
Eu: Eu adoro seu sorriso. Use-o, por favor. É sério.
Ian: Eu só não estou no clima de família feliz, sabe? Você o trata como...
Eu: ... uma mãe. - completei.
Ele olhou para mim - digo, bem no fundo dos meus olhos, como se agora ele realmente estivesse ciente.
Ian: É. Como uma mãe.
Eu: Eu só tenho 17 anos, Ian. Em 17 anos, vi muita gente ir e não voltar mais da minha vida. Meus pais viviam brigando, e eu com só 10 anos tive a bênção de receber Noah. Eu não podia deixar ele conviver com todo o stress da minha família. Ele saía comigo e minha amigas, ia até no salão de beleza se fosse preciso, mas eu não permitia ele sofrer as consequências do que meus pais faziam. Passei pelo menos 5 anos aturando sozinha as guerras deles, e eu sei que não é legal. Café da manhã, almoço e janta, tudo eu preparava sozinha e só pra mim. E depois passei a preparar para Noah. Ele sempre foi meu irmão/filho, e nunca achei isso ruim. Toda a educação dele vem de mim. E eu sinceramente não faço a mínima ideia de onde vem a minha educação.
 Ian ficou apenas me olhando, ele parecia me compreender. Eu sentia isso.

Harry's POV
Fiquei preocupado com o estado de Annie ontem à noite. Por isso, hoje resolvi passar na casa dela, aproveitando que eu estava sem nada para fazer hoje. Ver o pai dela, Noah, ela.
Saí de casa por volta de umas 10hrs, fiz uma horinha no supermercado, já que precisava reabastecer minha casa, e fui até a casa dela.
Cheguei lá por volta de 11 horas da manhã, ou um pouquinho mais. Estacionei um pouco longe da casa dela, e fui andando, com meu buquê de flores na mão. Mas quando eu cheguei lá, quem teve uma surpresa fui eu.
Fiquei escondido na cerca viva, no canto do jardim, observando a cena: Annie. Com outro cara. Eles pareciam felizes abraçados no jardim, rindo e conversando. Annie deu um beijo na bochecha dele. O cara a abraçou mais forte. Os dois riam.
 Tentei chegar mais perto, seguindo pelo lado de fora da cerca-viva. Consegui ouvir mais ou menos o que falavam.
Cara: Você, sem dúvidas, é mil vezes melhor do que ela. Olha só pra você! É magnífica!
Annie: Ah, que é isso! É meu dever cuidar de quem eu amo... Tipo você. Tipo o Noah.
 "Tipo eu, nem pensar, né?", pensei.
Cara: Ele te ama de verdade. E tem um porquê muito óbvio! - disse, olhando ela de cima a baixo.- Você é perfeita.
Annie: Que nada, você que é! Forte, educado, brincalhão, charmoso, sensível, bonitão... - disse, dando um soquinho no ombro dele.
Cara: Ah, tá! Bonitão! Vem com essa!
Annie: Vai dizer que as meninas não caíam aos seus pés na sua cidade antiga?
Cara: Pra falar a verdade, você é a primeira menina que cai aos meus pés.
 Os dois riram. Ela abraçou ele ainda mais forte. Noah apareceu na porta de casa, viu os dois na grama e saiu correndo para abraçá-los. Os três caíram na grama, rolando e se divertindo, e Noah parecia conhecer - e gostar - do cara.
Annie: E aí, vamos entrar? O café vai gelar!
Cara: Ah, temos que comer? Eu já estou cheio só das nossas brincadeiras!
Annie: Fiz o café com todo amor e carinho pra você, assim como os Waffles!
 "Assim como os Waffles"?? Ela faz waffles para o cara misterioso mas não faz waffles pra mim?? Que que é isso?!
Cara: Nesse caso.... Ok. Ok, vamos lá Noah!
Noah: Yeaaah!! Waffles com manos!
Annie: Yeaah... Vamos lá, "mano"! (gif)
Os dois sorriram e entraram na casa de Annie, de mãos dadas, seguindo Noah. Eu estava sem palavras.
Ela havia me trocado por um tipão de outra cidade?! Por que não chamou esse coiso ontem, em vez de atrapalhar meu sono?! E que que eles tinham, afinal?! Como Noah o conhecia e gostava dele?! E por quê ela não havia me contado isso antes?! Digo, com toda essa afinidade entre os dois, deve conhecer ele há pelo menos um mês! E não me disse sobre o amante frouxo dela na nossa noite de sexo! Será que foi por isso que ela foi embora correndo? Por isso que ela disse que eu a confundia? Impossível.
Eu: Você, Annie, é impossível. - disse, voltando para o carro. Nem adiantava mais tentar.
"O seu coração está tomado? Tem outro cara em sua mente?
Eu sinto muito, eu estou tão confuso... Apenas me conte, eu estou atrasado?
Seu coração está quebrado? Como você se sente sobre mim agora?
Eu não acredito que eu deixei você ir embora quando eu deveria ter te beijado"

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Gostaram?
Eu espero que sim. Eu, particularmente, achei esse capítulo mais emocionante, mais revelador, e mais completo. Sim, tivemos uma participação especial do Point Of Vist do Haz. Isso é novidade aqui (hehe), mas foi bem legal, não acham?
Eu quero que me contem aqui o que acharam do capítulo. Lottie deveria continuar com a bulimia? Aria deve voltar com Brad? E o mal entendido entre Haz e Annie? E esse Ian, que chegou na vida de Annie, é mesmo amor de irmão? O que querem que aconteça? Escrevam. Me mandem. Sugiram. Opinem. Escrever é meu trabalho, mas não gosto de trabalhar sozinha, ouviram?? Gosto das ideias de vocês!!
 Agora, com as férias, pretendo postar mais rápido os capítulos. E, se eles demorarem, podem ter certeza que é porquê estão mais emocionantes!!
Beijinhos!

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