Lá estava eu, no meu quarto, sem direito a TV, computador ou celular. Totalmente sozinha. Eu ouvia meus pais conversando lá no andar de baixo a respeito do que havia acontecido. Fizzy estava no quarto dela, dormindo. As pirralhinhas tinham ido brincar no jardim. Eu não queria fazer nada mesmo, então estava me preparando para dormir quando minha mãe entrou no quarto:
Mãe: Filha, é a Aria. Ela quer falar sobre o trabalho que esqueceu na casa dela.
Eu: Trab... - e foi aí que eu me toquei. - Ah, sim, o trabalho. Pode passar.
Mãe: Mas só 5 minutos. - disse, me entregando o telefone e fechando a porta.
Me joguei na cama, feliz.
Ligação On
Fala, vadia. Qual o trabalho?
Festa. Dois Dias. Putaria. Você vem junto.
Castigo. Semana toda. Não vai rolar. Tenho namorado.
É! Eu sei que você tem um namorado! E nem pra me avisar!!
Eu te liguei sábado todo!! Estava te esperando na festa!! Foi pro puteiro e esqueceu da festa, criatura?!
Quem me dera, fui pro hospital.
Meu Deus, o que você fez?!
Eu, nada. Mas um sei-lá-quem me deu um cacete na cabeça e depois me botou num caixão. Tipo, literalmente.
Como assim literalmente?!
Longa história. Assim...
Nãonãonãonãonão não quero saber tenho só 4 minutos, vai direto pro assunto. Festa de quem, que horas, quem vai e por quê eu tenho que ir?
Festa de um já formado, super top. O nome dele é Mason, ele tem 19 anos mas ele é irmão do primo da amiga daquela colega que ficou com o amigo da minha amiga loira que brigamos mas a Jade é amiga dela e do primo da amiga daquela colega que ficou com o amigo da minha amiga loira e ela me convidou. É uma festinha só pra chegados. É a partir das 9, e vai até o sol raiar, mas eu você e a Annie vamos embora lá pelas 2 da manhã. Vai, tipo, todo mundo da escola. E...
Você não acabou de dizer que é só pra chegados?
A interrompi. Ela fez um barulho pedindo silêncio e continuou.
... E você TEM que ir porque vai todo mundo e é bom para a sua reputação. Já basta você não entrar quase no Facebook pra ficar só no Twitter e ter só umas 20 fotos no Instagram. Precisamos mudar isso, Lolo!
E vamos. - assenti. - Pode ter certeza que vamos. Aliás, é por isso que estou aqui, de castigo. Mas não tem problema, aceito qualquer coisa que você disser.
A linha ficou quieta do outro lado. Eu disse um "alô", meio desesperançoso. De repente, ela deu um gritinho:
Ai meu Deus, quanto tempo eu to esperando por esse dia!! Okay, eu converso com os seus pais, você sai do castigo amanhã de manhã, vamos juntas fazer compras, e no dia você e Annie vão para minha casa para nos arrumarmos juntas.
Mas eu gosto das minhas roupas, tem um vestidinho fofinho que eu comprei e tô louca pra usar...
"Vestidinho Fofinho" não é o tipo de roupa pra essa festa. Ok, eu vou passar aí amanhã, vamos jogar suas coisas todas num bazar qualquer e vamos comprar roupas e sapatos novos. Não aceito "não" como resposta.
Já disse que aceito qualquer coisa, não disse?
Consegui ouvi os pulinhos de alegria dela. Mamãe abriu a porta.
Já se passaram os 5 minutos... Ok, fala com a minha mãe. Beijinhos.
Beleza, até amanhã! Beijinhos!!
*Ligação em Espera*
Eu: Mãe, a Aria quer falar contigo.
Mãe: Sobre o quê?
Eu: ué, fala com ela. - disse, entregando o telefone.
Minha mãe pegou o telefone, desconfiada, e fechou a porta na minha cara. Ótimo. Aria tinha um ótimo dom de convencer as pessoas a fazerem o que ela queria, e ela nem precisava insistir tanto. Ela fez um produto da Dolce & Gabbana que estava 1.000 dólares ir pra 700 dólares, só pra ela. E não demorou nem 2 minutos de conversa com o gerente.
Resolvi, já que não tinha absolutamente nada para fazer, arrumar minhas roupas.
Separei os shorts curtos, as poucas calças rasgadinhas que eu tinha, uns tops pouco usados e alguns moletons e coloquei na cadeira, separados. As outras roupas joguei tudo em vários sacolões de lixo (daqueles pretos, grandes) e deixei no canto do quarto. Quando Aria chegasse amanhã, a gente dava mais uma revisada nas coisas e já estava tudo pronto. Os sapatos eu achei melhor esperar amanhã mesmo, mas os acessórios também fiz a mesma coisa. Pelas minhas contas, 7 sacolas de roupas iriam para o bazar, e eu ficaria com pouco mais de 60 coisas no armário, no geral. Eu estava de boa, arrumando minhas coisas, quando meus pais abriram a porta.
Pai: Oi.
Eu: ... Oi... - disse, sem entender muito bem.
Meu pai parecia bravo, mas minha mãe tinha um sorriso normal no rosto.
Mãe: A Aria me contou que vocês têm uma festinha da classe delas para ir, e nós estipulamos o horário como 1 e meia da manhã. Sem bebidas alcoólicas, sem drogas,
Pai: E sem tocarem nas partes íntimas - falou papai rapidamente, cortando a minha mãe. Ela olhou torto pra ele e continuou.
Mãe: Você vai para a casa dela no dia lá pelas 4/5 horas da tarde. E amanhã ela vem te pegar logo depois do almoço para comprarem roupas novas. Ela disse que ela mesma paga, olha só que fofura! - disse ela, fazendo um biquinho (que eu conhecia como "cara de fofa da minha mãe"). - Mas ela só pagará os acessórios, as bolsas e no máximo, os sapatos. Você que pagará as roupas e a maioria dos sapatos, com o seu cartão que está liberado amanhã. - disse, me entregando de volta meu cartão. - Aqui está seu celular também, mas daqui 3 dias quero ele de volta.
Eu: Tudo bem. Obrigada, pai, e obrigada, mãe. - disse, fingindo ainda ser comportada.
Pai: Acho que deveria ir falar com a sua irmã.
Eu: Ah, acho que não. Valeu. Podem ir agora.
Pai: Não, você vai pedir desculpas pra sua irmã. Agora. Levanta daí e vai logo.
Eu: Mas por quêêêê? - disse, fazendo cara manhosa. - Ela já está bem, se me ver vai querer me liquidar, eu tô tão bem aqui arrumando meu armário na maior paz e...
Mãe: Charlotte. - olhei para minha mãe. - Agora.
Eu levantei relutante da cama, me arrastando pelo corredor. Meus pais desceram as escadarias, para eu ficar sozinha com minha irmã. Ótimo, assim leva mais tempo para eles subirem durante nossa Guerra Mortal e quando eles chegarem, já estarei morta.
Fui andando devagar pelo corredor. Parei em frente a porta da Fizzy. Eu não sabia bem o que dizer - e também não sabia muito bem o que esperar dela. Apenas abri a porta devagar. Spencer estava decorando em voz alta.
Eu: Caham, oi. (gif)
Fizzy O que você quer?
Eu: Vamos conversar.
Fizzy: Cai fora daqui. Não te quero aqui.
Eu: Não perguntei o que você quer, eu disse o que nós vamos fazer.
Fizzy: Como consegue ser tão ridícula? (gif)
Eu: Tendo exemplos dígnos, agora fique quieta e me deixe falar. É o seguinte: Eu fui rude e cruel contigo, você mesma sabe que não é nem um terço do que eu disse, então vamos só deixar pra lá e continuar com a vida chata de irmãs que nós temos, ok? É que eu queria ver como é uma briga entre irmãs. Exagerei nos filmes dramáticos.
Fizzy: É isso? É essa a sua desculpinha? Acha que eu vou aceitar essa droga depois do que fez?
Eu: Ah, meu Deus! Que drama!
Fizzy: Até seu namoradinho chinfrim se assustou, Charlotte! Não é drama!
Fiquei quieta. Respirei fundo. Torci para ter forças suficientes para não mandar ela tomar no c*. Meu namorado não era chinfrim - muito pelo contrário, ele era perfeito. Mas aí me passou pela cabeça que era verdade, eu desapontei ele. Eu pisei feio na bola enquanto estávamos juntos. Tínhamos acabado de começar o namoro e eu consegui estragar, olha que coisa linda né - sóquenão.
Eu: Okay. Tudo bem, você tá pedindo mais. Vamos lá: Felicite Tomlinson, eu peço desculpas por todas as palavras rudes e mal-educadas que eu usei com sua pessoa. Peço desculpas pela má forma que te retratei com minhas palavras sujas. Peço desculpas por ter destruídos três bens preciosos seus, três bens irrecompensáveis e insubstituíveis. Peço desculpas também se usei alguma palavra de forma incorreta durante este monólogo, mas eu não sei usar palavras difíceis. Assinado: Charlotte Tomlinson.
Fizzy: Hm. Sente muito.
Eu: Muitíssimo.
Fizzy: Ah. Ok.
Eu: ... Ok? Sério?
Fizzy: É. Sabe o que mais? Eu acho que você merece até um Oscar por essa performance divina. - (gif)
Eu: Mas é verdade!
Fizzy: Sim, assim como a América é um continente perfeito!
Eu: Fizzy!
Fizzy: Não me chame de "Fizzy"! Você não tem mais esse direito. Agora é Felicite para você.
Eu: Meu Deus, isso é mesmo sério? Tá reinvindicando meu poder de irmã sobre você?
Fizzy: Acabou de usar a palavra "reinvindicando" de forma errada. Mas sim, eu não quero mais você como irmã.
Eu: primeiro, ninguém liga para o uso certo das palavras. É por isso que usamos a palavra "coisa" pra substantivo, adjetivo, verbo e derivados. Segundo, deixa de drama! Foi uma briguinha básica! E terceiro, mas não menos importante, eu sei que você me ama. Para com esse teatrinho.
Fizzy: Pelo amor de Deus, vá se ferrar. Vá atrás de seu namoradinho, ou ex namoradinho. Que seja. Eu não ligo. Não precisa mais gastar sua saliva comigo, não importa com o que seja. Só não entre mais no meu quarto, e me deixe em paz. Então, dê dez passos para trás e cumpra minhas novas regrinhas que até seu cérebro de azeitona consegue captar.
Eu olhei para ela, incrédula. Era isso mesma? Ela estava me expulsando do quarto dela e da vida dela também? Mas que criancisse! Que babaquice! Que inútil! Parece um bebê de dois anos dizendo que não quer mais comer! Ela sabe que daqui 3 dias já está querendo tomar conta da minha vida, igual Annie faz. Mas não disse nada disso. Apenas fiquei parada, na cadeira em que eu estava sentada.
Eu: É isso mesmo que quer?
Fizzy: Meu Deus, como pode ser surda, cega e burra? Cai fora daqui de uma vez.
Olhei para ela de novo. Ela seria assim pra sempre ou era só a pressão do momento? Ela estava se esforçando pra fingir não ligar, ou estava realmente brava? Enfim. Que seja. Achei melhor ir embora, antes que eu levasse uma livrada na cara.
Eu: Okay. Estarei no meu quarto, caso queira alguma coisa. Me desculpe, de novo. (gif)
Disse, saindo do quarto dela e fechando a porta. Ainda fiquei um tempo segurando a maçaneta, para ver o que aconteceria lá dentro. Só ouvi uma bufada descontente, e ela voltou a repetir as frases de estudo em voz alta. Larguei a maçaneta e fui andando até o fim do corredor, descendo as escadarias.
Mãe: Querida - mamãe gritou da porta -, eu e seu pai vamos ao supermercado! Cuide das crianças!
Eu: Tudo bem! - respondi gritando também.
Mas era óbvio que eu não ia gastar meu dia em casa cuidando de pirralhas. Tomei um copo de suco, peguei meu casaco e saí pela porta da frente minutos depois de meus pais.
Daisy: Pra onde você vai, Lottie?
Eu: Vou procurar meu namorado. Vocês duas podem ficar aqui mais dois minutos e depois entrem. Assistam TV, joguem videogame, comam porcaria, sei lá o que vocês costumam fazer. Tchau.
Daisy: Espera, tem um problema. - disse, puxando a barra da minha saia.
Eu: O que foi, agora?
Phoebe: Nós não sabemos contar dois minutos, eu acho...
Daisy: É a mesma coisa que dois segundos?
Phoebe: Não, dois segundos é dois segundos. Eu sei que é quase duas horas, certo?
Eu: Olha, dá tempo de cantar duas vezes a música do "corre cutia" ou sei lá o nome daquilo, certo? Agora sejam rápidas, tchau. - disse, fechando a porteira.
Eu: Olha, dá tempo de cantar duas vezes a música do "corre cutia" ou sei lá o nome daquilo, certo? Agora sejam rápidas, tchau. - disse, fechando a porteira.
Precisava achar meu namorado. Precisava mesmo.
Annie's POV
Eu cheguei em casa exausta. Me joguei no sofá, massageando minha testa, tentando pensar em algo. Digo, estava tudo tão confuso, tão "nada a ver com nada", eu nem sabia por onde começar a me organizar. Olhei para minha casa, e ela estava toda bagunçada. Achei que seria um bom jeito de começar.
Eu cheguei em casa exausta. Me joguei no sofá, massageando minha testa, tentando pensar em algo. Digo, estava tudo tão confuso, tão "nada a ver com nada", eu nem sabia por onde começar a me organizar. Olhei para minha casa, e ela estava toda bagunçada. Achei que seria um bom jeito de começar.
Peguei uma vassoura e dei uma passada na sala, na cozinha, no meu quarto, no quarto do meu irmão e no banheiro - só nas partes principais, já que a empregada viria em pouco tempo. Depois, fiz um lanchinho para mim, afinal não havia tomado café. Limpei com álcool as partes da cozinha que eu usei. Arrumei os brinquedos de no quarto dele... Até que meu celular tocou, nova mensagem.
Saí do quarto dele e fui ver o que estava escrito no celular, no meu quarto.
Levei meu celular até meu quarto, e fui arrumar minha cama, minha estante e etc. Quando já era quase uma hora da tarde, ligaram para casa. Atendi, e era a amiga dos meus pais perguntando quando eu ia pegar o Noah, porque a família tinha um compromisso em uma hora. Perdi perdão e disse que estava indo pegá-lo. Caralho, esqueci meu irmão!
Desci as escadas correndo, peguei as chaves do carro, e lá fui eu. Afinal, não tinha tempo a perder - demorava mais de meia hora para chegar na casa deles. Mandei uma mensagem para Aria, perguntando se ela já estava bem e quando íamos sair de novo. Coloquei um CD legal e fui cantando até chegar lá.
Cheguei em pouco mais de 40 minutos. Via Lilo, a cadelinha deles, correndo no gramado e duas crianças correndo pela casa. Meu irmão e o amigo dele, provavelmente. Dei uma buzinada, e os dois olharam pela janela. Ele me viu e abriu um sorrisão. Acenei e pedi para ele vir até o carro, para não atrasar a famíia. Ele fez um sinal de espera, e saiu da janela. Quando abriram a porta, lá estava a família toda. Os amigos da família estavam vindo até o carro, então abri a janela do passageiro para poder conversa. Noah e o amigo dele estavam colocando os tênis.
Eu: Obrigada por cuidarem do Noah esse tempo todo. E me perdoem por não ter vindo buscar ele antes, mas eu estava na casa do meu amigo e...
Moça: Não tem problema, querida. Noah e Dan sempre adoram ficar juntos. É um prazer recebê-lo aqui, ele é tão educado! - disse, olhando para os dois nas escadas. - Traga ele quando quiser!
Eu: Com certeza, mais uma vez obrigada, e desculpa qualquer coisa que ele tenha feito. - dei um sorriso fofo, e ela fez um sinal com a mão que eu entendi como "ah, que é isso! Deixa pra lá!"
Os dois vieram correndo pelo gramado, sorrindo.
Ele parou há um metro do carro, se despedindo do Daniel e dos pais dele. Ele olhou para mim e deu mais uma corrida até o carro. Entrou no banco do passageiro, e deu um sorrisão para mim.
Eu: Noah! Que saudades!
Noah: Mana! Que legal que veio me pegar!
Eu e meu irmão éramos muito próximos. Quando comecei a sair com Aria, nos distanciamos um pouco. Mas sempre amei ele, sempre fiz de tudo por ele. Nossos pais eram meio problemáticos, teve uma época que eles brigavam muito, e eu sempre cuidei do Noah. Ele era meu irmão/filho, sabe? Mas quando Aria disse que iríamos para o Topo do Mundo, disse também que deveríamos mudar. Lottie se recusou, mas achei que seria divertido. Agora que não precisamos mais disso, posso dizer que sou ainda muito amiga dele.
Acenamos em despedida, e fomos embora. Ficamos conversando a viagem toda, e a viagem pareceu mais curta. Assim que chegamos, Noah já tirou o sapatos e subiu as escadas gritando:
Noah: Te vejo no videogame!
Eu: Nananinanão, mocinho! Vai tomar um banho, e depois vai almoçar comigo. Depois vai fazer a lição de casa que tiver, e aí sim pode jogar videogame.
Noah: Aaaaaahh, mentira que vai dar uma de Mamãe!
Eu: Vou, sim! - disse, fazendo biquinho para ele, que estava parado no meio da escada.
Noah: Ah, não tem lição! - disse, subindo o resto das escadas.
Eu: Então traz a agenda depois do banho.
Noah: Não confia em mim?! - gritou com um sorriso maroto, antes de fechar a porta do banheiro.
Eu: Não! - gritei de volta, sorrindo. Ele deu uma risada e fechou a porta.
Recebi uma mensagem:
Esperei Noah acabar de tomar banho e fomos almoçar. Afinal, pra quê se preocupar com uma simples mensagem?
Aria's POV
Cheguei em casa, cansada. Meu pai abriu a porta enquanto minha mãe me segurava pelo braço, como se eu fosse uma velhinha. Isso estava me deixando realmente irritada.
Pai: Kim, venha dizer olá para sua irmã.
Em dois segundos, Kim chegou na sala correndo.
Kim: Irmãzinhaaaaaaaaaaa!! Meu Deus, que saudades! Que medo que tive de te perder!
"Menos, bem menos, falsa vagabunda", foi o que eu queria dizer. Mas apenas sorri e aceitei o abraço sufucante dela.
Eu: Ah, oi.
Kim: Onde esteve?! Por quê saiu correndo daqui?! Eu não te disse pra tomar cuidado?! Você bebeu?! O que houve?! - disse, gritando e ainda abraçada em mim (ou seja, estourando meus tímpanos)
Eu: Mãe, ela tá me machucando. - foi o que eu disse. Ela me soltou, olhando para mim com cara de confusa indefesa.
Kim: Ah, desculpa.
Mãe: Tudo bem, não é mesmo Aria? - fiz que sim. - Vem, você precisa deitar. Quer que eu te leve algo?
Eu: Só quero meu celular de volta, por favor. - estávamos subindo as escadas quando eu "inocentemente" me virei e disse, com a voz mais fofa e carinhosa que eu consegui:
Eu: Mas Kim, maninha, pode fazer um prato bem gostoso para mim? Eu preciso almoçar, quero que mostre o que aprendeu lá fora.
Kim: Ah... Claro, maninha. - disse, com um sorriso falso.
E, assim, subi as escadas.
Vi a mensagem de Annie e liguei para ela.
Saí do quarto dele e fui ver o que estava escrito no celular, no meu quarto.
"Oi. Você não tem meu número, mas como você mesma disse, eu tenho o seu.
Eu já agendei uma janta especial no The Yellom Broom Restaurant, na sexta que vêm, às 20:30. Te pego aí por volta de 20hrs, tudo bem? Esteja bem bonita ;)
Ah, e descobri de onde veio aquele barulho estranho de noite: quebramos a cama. Ops. Mas não tem problema, eu compro outra até sexta para quebrarmos também.
xoxo, seu Styles"
"Meu Styles". Que babaca. Mas ao mesmo tempo, não pude deixar de me sentir feliz.Desci as escadas correndo, peguei as chaves do carro, e lá fui eu. Afinal, não tinha tempo a perder - demorava mais de meia hora para chegar na casa deles. Mandei uma mensagem para Aria, perguntando se ela já estava bem e quando íamos sair de novo. Coloquei um CD legal e fui cantando até chegar lá.
Cheguei em pouco mais de 40 minutos. Via Lilo, a cadelinha deles, correndo no gramado e duas crianças correndo pela casa. Meu irmão e o amigo dele, provavelmente. Dei uma buzinada, e os dois olharam pela janela. Ele me viu e abriu um sorrisão. Acenei e pedi para ele vir até o carro, para não atrasar a famíia. Ele fez um sinal de espera, e saiu da janela. Quando abriram a porta, lá estava a família toda. Os amigos da família estavam vindo até o carro, então abri a janela do passageiro para poder conversa. Noah e o amigo dele estavam colocando os tênis.
Eu: Obrigada por cuidarem do Noah esse tempo todo. E me perdoem por não ter vindo buscar ele antes, mas eu estava na casa do meu amigo e...
Moça: Não tem problema, querida. Noah e Dan sempre adoram ficar juntos. É um prazer recebê-lo aqui, ele é tão educado! - disse, olhando para os dois nas escadas. - Traga ele quando quiser!
Eu: Com certeza, mais uma vez obrigada, e desculpa qualquer coisa que ele tenha feito. - dei um sorriso fofo, e ela fez um sinal com a mão que eu entendi como "ah, que é isso! Deixa pra lá!"
Os dois vieram correndo pelo gramado, sorrindo.
Ele parou há um metro do carro, se despedindo do Daniel e dos pais dele. Ele olhou para mim e deu mais uma corrida até o carro. Entrou no banco do passageiro, e deu um sorrisão para mim.
Eu: Noah! Que saudades!
Noah: Mana! Que legal que veio me pegar!
Acenamos em despedida, e fomos embora. Ficamos conversando a viagem toda, e a viagem pareceu mais curta. Assim que chegamos, Noah já tirou o sapatos e subiu as escadas gritando:
Noah: Te vejo no videogame!
Eu: Nananinanão, mocinho! Vai tomar um banho, e depois vai almoçar comigo. Depois vai fazer a lição de casa que tiver, e aí sim pode jogar videogame.
Noah: Aaaaaahh, mentira que vai dar uma de Mamãe!
Eu: Vou, sim! - disse, fazendo biquinho para ele, que estava parado no meio da escada.
Noah: Ah, não tem lição! - disse, subindo o resto das escadas.
Eu: Então traz a agenda depois do banho.
Noah: Não confia em mim?! - gritou com um sorriso maroto, antes de fechar a porta do banheiro.
Eu: Não! - gritei de volta, sorrindo. Ele deu uma risada e fechou a porta.
Recebi uma mensagem:
"Família feliz. Mas que lindo. O amor é lindo, não é?
Não. Sua mãe e seu pai sabem muito bem disso. Gosta de irmãos? Que bom, porque
é isso que vai ganhar de presente por ser uma Menininha Má. Espero que goste.
Com amor, -A"
"A"? "A" de Aria? "A" de Annie? Não, Annie sou eu. "A" de quê? Gente louca que assina com letra inicial, eu acho isso uma palhaçada! Mas ainda sim me incomodava: "É isso que vai ganhar de presente". Vou ganhar um irmão? Mamãe está grávida? Nãããão, ela teria contado. Digo, eu acho. Ah, que seja.Esperei Noah acabar de tomar banho e fomos almoçar. Afinal, pra quê se preocupar com uma simples mensagem?
Aria's POV
Cheguei em casa, cansada. Meu pai abriu a porta enquanto minha mãe me segurava pelo braço, como se eu fosse uma velhinha. Isso estava me deixando realmente irritada.
Pai: Kim, venha dizer olá para sua irmã.
Em dois segundos, Kim chegou na sala correndo.
Kim: Irmãzinhaaaaaaaaaaa!! Meu Deus, que saudades! Que medo que tive de te perder!
Eu: Ah, oi.
Kim: Onde esteve?! Por quê saiu correndo daqui?! Eu não te disse pra tomar cuidado?! Você bebeu?! O que houve?! - disse, gritando e ainda abraçada em mim (ou seja, estourando meus tímpanos)
Eu: Mãe, ela tá me machucando. - foi o que eu disse. Ela me soltou, olhando para mim com cara de confusa indefesa.
Kim: Ah, desculpa.
Mãe: Tudo bem, não é mesmo Aria? - fiz que sim. - Vem, você precisa deitar. Quer que eu te leve algo?
Eu: Só quero meu celular de volta, por favor. - estávamos subindo as escadas quando eu "inocentemente" me virei e disse, com a voz mais fofa e carinhosa que eu consegui:
Eu: Mas Kim, maninha, pode fazer um prato bem gostoso para mim? Eu preciso almoçar, quero que mostre o que aprendeu lá fora.
E, assim, subi as escadas.
Vi a mensagem de Annie e liguei para ela.
*Ligação On*
Alô?
Oiee!
Oi, amor! Diga!
Bom, eu já melhorei, já estou em casa, e acabei de ler
sua mensagem... Você quer sair hoje?
Não não, na verdade eu só perguntei por perguntar...
Estou cuidando do meu irmão hoje. Meus pais provavelmente
só chegam de noite. Ficarei um pouco com ele como antigamente.
Ah, okay. Então, acho que vou ficar por aqui ou pegar
qualquer gatinho para assistir um filme comigo.
Mas e o seu namorado?
Agora é ex. Longa história, nós marcamos um dia eu, você
e a Lottie e eu conto tudo, pode ser?
Claro! Mas descanse um pouco, ok?
Ok. Beijinhos
Beijinhos!
*Ligação Off*
Eu desliguei o telefone e me joguei na cama.
Eu: Ok... Preciso achar um gatinho para ir comigo... - disse, olhando para o teto.
Xx: Serve eu?
Eu dei um pulo da cama com um grito. Olhei para a janela e minha felicidade murxou.
Eu: O que você tá fazendo aqui, Brad?! Sai!
Brad: Não, aqui tá bom, valeu.
Eu: O que tá fazendo na minha janela?! Tipo, a gente tá no segundo andar da minha casa!
Brad: Eu tava esperando você chegar, ué. Queria saber se estava bem.
Eu: Não te interessa. Agora vaza antes que eu chame meu pai e ele te desça daí a porrada.
Brad: primeiro, eu não tenho medo do seu pai. Segundo, interessa sim, porque sei que saiu por aí sem rumo por minha causa.
Eu: É, foi mesmo. Levei uma cacetada na cabeça e fui enterrada num caixão por causa da sua indecência e da sua infantilidade. Então, cai fora daqui.
Brad: Não, não é tão fácil assim.
Eu: É sim, porra! Eu te odeio, você me odeia, então simplesmente caia fora daqui! Eu juro que não falo nada sobre você e minha irmã se você sair daqui agora!
Brad: Não é sobre contar ou não, é sobre o quê contar! É isso que quero te explicar! - fiquei quieta por um tempo, apenas olhando para ele. - Pode descer comigo no gramado? Podemos conversar?
Eu fixei meu olhar nele. Pensei em um minuto se eu poderia fazer isso ou não. Digo, se estava à minha altura me jogar da janela por uma trepadeira só para falar com o cafajeste que transava com a minha irmã. Mas aliás, ele nem fez nada contra mim. Apenas omitiu isso. Ou ele ainda namorava ele? Só ia saber se fosse com ele. Andei até a janela e pedi espaço para descer.
Fomos andando até o fundo do quintal, logo depois que descemos a trepadeira. Ele ficou me encarando.
Eu: Desembucha.
Brad: Primeiro de tudo: Não odeio você. Nem sua irmã. Aliás, (gif) a única pessoa que eu odeio neste momento sou eu.
Eu: Hm. E daí?
Brad: Ok. Segundo: eu só tenho 18 anos. Beleza, sou adulto pela lei, mas não pela Lei dos Homens. Pela minha idade legal, minha idade mental deve ser, sei lá, 13.
Eu ri. Não deu pra evitar, porque eu sabia que era verdade. Mas logo depois cruzei os braços, esperando mais explicações. Ele passou a língua pelos lábios, como que se aquecendo para começar um discurso. E eu achava isso extremamente sexy. Ele voltou a falar.
Brad: Você sabe que eu te amo há, tipo, 5 meses. Sabe que não vejo sua irmã há uns 2/3 anos, assim como você. Aquilo foi uma estupidez de nós dois. Todos os garotos achavam ela uma gostosa, eu admito. Ela havia me visto numa festa porque meus primos mais velhos estavam aqui em Holmes Chapel, mas eu nem sequer gostava de festas. Ela me deu uma bebida, que eu aceitei de bom grado; fomos conversando a festa toda, até que ela me perguntou se eu não queria ir até a casa dela. Avisei meu primo, e vim. Na primeira noite, apenas conversamos, e foi quando ela deu a ideia de eu ser "amante secreto" dela, só por diversão. Eu não achei nada mal, até porque eu não era mais virgem, e sabia que ela também não. Por mais ou menos duas semanas vim me divertir com ela, até que te conheci e vi que você desconfiava de algo, e resolvi parar com isso. Ela ficou muito puta. Ela disse que queria namorar comigo, roubou um beijo de mim enquanto eu dizia que devíamos parar; ela simplesmente não me escutava. Ela tinha que ir viajar, eu disse pra ela esquecer essa babaquice toda. Nós não namorávamos. Nós não temos uma foto sequer juntos. Eu não gostava dela. Nem metade do que eu gosto de você.
Eu: Gosta ou ama? - cortei ele. - Sabe, eu posso acreditar nisso que está dizendo. Posso mesmo. Mas não sei se quero, sabe? Digo, eu posso aceitar isso como a verdade, mas e se não for? Eu posso ser chifrada. As pessoas podem ficar sabendo disso que teve com minha irmã pela boca dela em vez da minha. E como eu fico?
Brad: Por favor, Aria. (gif) Eu não quero te perder.
Eu fiquei apenas olhando para ele. Eu não sabia o que fazer. Eu queria ficar com ele, eu queria acreditar nele; mas não sabia se podia. Eu precisava manter minha reputação, eu queria ir para festas e me fazer de difícil - sem querer ficar com os fracassados, não porque eu não posso -, eu queria ser livre mas ao mesmo tempo queria estar com ele. Mas valeria a pena perder tudo - porque eu sei que Kim faria isso - por ele?
Eu já estava com os olhos mareados. Ele estava com uma cara de cachorrinho pidão esperando minha decisão. Apenas beijei-o bem forte, bem demorado. Ele me beijou de volta. Quando paramos de nos beijar, ele estava sorrindo. Mas quando viu que eu não estava igual, o sorriso se desmanchou.
Brad: Diga que não foi um beijo de adeus, por favor.
Eu: Não dá, Brad. Me... Me desculpa, tá legal?! Mas Kim destruiria tudo se namorássemos. Minha vida, sua vida, nosso amor, nossas reputações. Então, curte sua vida, continuamos lindos e poderosos, mas eu simplesmente não posso viver contigo. Sinto muito.
Disse, me virando e correndo pelo gramado. Ouvi os passos dele me seguindo, mas logo depois pararam. Eu subi a videira já com lágrimas caindo em minhas bochechas, e chegando lá em cima, fechei a janela.
"Diga que não foi um beijo de adeus, por favor." sua voz ecoava na minha cabeça, como se eu estivesse numa caverna fechada. Aliás, minha vida é como se eu estivesse numa caverna fechada, tendo que correr para sobreviver, sem poder olhar para trás, não conseguindo enxergar nada, vindo tudo de repente, me machucando ao encostar em algo, com vozes ecoando sobre mim. Eu não podia viver assim. Pelo menos, seria uma coisa a menos na minha cabeça - digo, eu acho né. Porque imagino que, agora que terminamos, não vá pensar no término. Vou?
Lottie's POV
Saí correndo pela porta, querendo ir até John. Mas eu nem sequer sabia onde John morava. Tive que ligar para Lola, a menina que sabia de tudo, para ela me passar informações.
"Ele mora há umas 6 quadras daí", disse ela. "Duas casas depois do Leisure Shopping". Ótimo, pensei. Fazia muito tempo que eu não ia ao Leisure. Pensei em ligar para Annie para ver se ela queria ir ao shopping comigo, mas ela disse que estava ocupada cuidando de Noah. Liguei para Aria, mas ela não atendeu. Resolvi ir sozinha mesmo.
Me arrumei bem para ir ao shopping, afinal de lá passaria na casa de John. Dei uma arrumada básica em mim e saí.
Comprei coisinhas básicas: capas para o celular, um iPad novo, muitas blusas, muitos casacos e moletons que eu estava precisando, alguns saltos novos, uma pantufa, umas dez jeans, alguns óculos escuros, dei uma olhada nas lentes de grau que eu precisava trocar a minha, olhei o que tinha em cartaz no cinema... Vocês sabem, coisas básicas.
Eu chamei um táxi conhecido da minha família e pedir para ele me deixar em frente à casa do John. Quando cheguei lá, pedi que ele levasse minhas sacolas para casa, dando 50 euros - acho que isso dava, e disse para ele ficar com o troco para eu não perder tempo.
Cheguei lá, e descobri uma coisa: eu não sei o que fazer. Então, apertei a campainha. Quem abriu foi uma mulher alta e bem parecida com John, na verdade.
Eu: Oi, eu posso falar com o John?
Moça: Claro que sim, só um instante.
Ela deu uma encostada na porta e chamou por John. "Ele já vem", ela disse se afastando.
John: Olá? - disse, abrindo a porta. Quando ele se deparou comigo, revirou os olhos e foi fechando a porta.
Eu: John! - segurei a porta com o meu pé. Caralho, isso dói mais do que parece nos filmes. - O que está fazendo?! Eu não acredito!
John: Eu também não acredito que tem a cara de pau de vir me procurar! O que está fazendo aqui?! E como sabe onde eu moro?!
Eu: A Lola sabe de tudo, e eu vim ver o por quê de estar ignorando minhas mensagens e ligações.
John: Não é óbvio?!
Eu: Hã, se fosse óbvio eu não estaria aqui, não acha?
John: Eu quis namorar contigo, entre todas as outras vadias daquela escola de ricos frescos, porque achei que você era diferente. Achei que você era do tipo fofa, meiga, cuidadosa, delicada, que não liga em ser rica ou de ser irmã de um famoso. Que, apesar de ser popular, sabe ser legal. Mas aí eu me deparo com aquilo! Com você metendo pau na sua irmã e ainda botando a culpa nela de destruir os diplomas! Até suas irmãs estavam assustadas! Eu nunca pensei que você fosse assim!
Eu: Mas eu não sou! Foi um engano! Eu nunca brigo assim com ela!
John: Você foi lá para chamar ela pra sair, e acabou numa briga! Como pode dizer que não briga nunca com ela?! Se brigam até por uma saída, imagina por coisas maiores!
Eu: Não! Você não está entendendo! Eu só fui honesta!
John: (gif) Há uma grande diferença entre ser honesta e ser suicida.
Eu: Eu não queria matá-la, John.
John: Viu o quanto ela estava chorando?
Eu: Porque ela estava chocada! Porque eu nunca falo assim com ela!
John: Ou porque ela está farta de suas briguinhas inúteis?
Eu: Está dizendo que eu estou mentindo pra você?
John: Ou só omitindo a verdade, você pode escolher uma das duas opções.
Eu: John! Eu... Eu não sou como elas! Não sou como Aria! Sou como Annie, Annie é legal!
John: Annie também faz merda.
Eu: Exatamente! Todo mundo faz merda!
John: Lottie, eu sinto muito!
Eu: (gif) Você sente muito, eu sinto muito, todos sentem muito, então vamos esquecer isso, né?
John: Não. Me deixe falar. - ele saiu do meio da porta para o quintal, me fazendo recuar. Ele fechou a porta atrás dele e virou-se para mim de novo. - Eu não aceito que as pessoas tratem umas as outras dessa forma. Eu não aceito o como vocês usam o dinheiro descontroladamente com coisas inúteis. Eu não acredito que vocês possam realmente saber o que é verdade e o que é falsidade dentro de vocês depois de tanto tempo mentindo. Então beleza, cheguem ao topo, virem Barbies malfeituosas, sejam escravas da solidão no futuro, mas não me ponham nessa roubada porque eu não quero ser um bonequinho estúpido que faz o que vocês querem.
Eu: Você não está entendendo, John...
John: Não, eu estou entendendo perfeitamente! Você estava me usando!
Eu: Não! Eu apenas briguei com a minha irmã, como qualquer irmão briga!
John: Não. Você a humilhou, destruiu seus diplomas. Eu consegui ouvir tudo de lá de baixo, Charlotte!
Eu: Não me chame de Charlotte! - gritei. Eu odiava quando me chamavam de Charlotte.
John: Por favor, saia. - disse ele, numa voz passiva e triste ao mesmo tempo.
Eu: Diga que está brincando. - disse, sorrindo com os olhos mareados.
John: Saia, por favor.
Eu: Então não confia em mim.
John: Não.
Eu: Não acredita no que eu estou falando.
John: Não.
Eu: E acha que eu sou igual àquelas vadias da escola.
John: Infelizmente.
Eu: Então, acho que não namoramos mais.
John: Eu... - ele fez uma pausa, respirando fundo. - Não. Por favor, vá embora, Charlotte.
Ele disse tudo aquilo de forma tão calma e decidida, com todas as respostas tão na ponta da língua, que elas me atingiram como facadas. Decidi obedecê-lo logo. Saí das pedras que faziam o caminho até a porta, fui para fora da grade do quintal. Ele ainda estava na porta, me olhando. Passou um táxi e eu aproveitei e o peguei.
Eu: Rua Malfield Close, por favor. - disse, já com lágrimas ardendo em minhas bochechas. Vi ele entrar em casa, e então eu parti, com meu coração quebrado em mil.
"Você não pode impedir essa garota de ficar mais apaixonada por você.
Annie's POV
Eu estava jogando de boa com meu irmão quando ouvi alguém chegando. Na verdade, foi impossível não ouvir: bateram a porta com tudo.
Eu: Pai? - ninguém respondeu. -... Mãe? - ninguém respondeu também.
A porta do quarto de Noah estava fechada, então talvez um deles tivesse respondido baixo e eu não tivesse ouvido. Resolvi não ligar. Ouvi subirem as escadas, e depois a porta dos meus pais fecharem. Beleza, eram eles. Passaram-se cinco minutos e não vieram nos dar oi, e eu achei estranho já que a primeira coisa que minha mãe fazia ao chegar em casa era dar oi e perguntar como estávamos e etc.
Eu: Já volto, vou ver como eles estão, ok?
Noah: Ok. - respondeu, sem tirar os olhos da TV
Levantei do chão e fui andando até o quarto dos meus pais. Ouvi barulho de choro.
Eu: Olá? - o choro deu uma parada, mas logo voltou um pouco mais forte e com soluços. - Mãe?
Decidi abrir a porta. E lá estava mamãe, fazendo malas e chorando. Ela olhou para mim e seus olhos pareciam de zumbis.
Eu: Mas o que foi que aconteceu? Cadê o papai?
Mãe: Não sei! Não quero saber! Canalha, filho da puta! - disse ela, gritando.
Eu: Ôu, Ôu, Ôu, eu sei que vocês brigam às vezes mas o Noah tá aqui, o.k.? O que aconteceu?
Mãe: Seu pai explica quando chegar.
Eu: Pra onde está indo? Vai viajar?
Mãe: Não, eu estou indo embora.
Eu: Ô mãe! Como assim indo embora?
Noah: ... Quem vai embora? - disse Noah, chegando com cuidado até a porta. - ... Mamãe?
Mãe: Noah, saia daqui querido.
Noah: Mas eu quero saber o que...
Mãe: SAIA DAQUI AGORA! OS DOIS! EU NÃO QUERO VOCÊS DOIS AQUI! VÃO EMBORA!
Eu: Mãe, o que aconteceu?! Pelo menos resume!
Mãe: SAI DAQUI! E NÃO ME CHAME DE MÃE, ANNIE! - disse, tacando um vaso no chão.
Isso já serviu para assustar a mim e a Noah. Nós dois saímos do quarto fechando a porta atrás de nós. Corremos de volta para o quarto de Noah. Eu tranquei o quarto dele e me joguei no chão. Noah estava sentado na cama dele.
Noah: Você sabe o que aconteceu?
Eu: Não, quando eu perguntei pela 1ª vez, você chegou.
Noah: Mas ela vai embora?
Eu: Eu não sei, querido, mas não pense nisso agora, ok?
Antes dele responder, a porta de entrada se abriu de novo. Dessa vez, era meu pai.
Pai: Annie? Noah?
Noah: Papai! - gritou, indo até a porta. Eu o segurei. - o que está fazendo?! Quero ver o papai!
Eu: Não antes de descobrirmos o que está acontecendo. - disse, abrindo a porta e indo até a beirada da escada. Meu pai estava com um sorriso no rosto. - O que houve?
Pai: Como... Como assim? - ele pareceu confuso. - Nada.
Eu: Mamãe está chorando.
Noah: E fazendo malas. - disse, brotando do meu lado.
Pai: O quê?!
Eu: Eu não disse pra ficar no quarto, ô pirralho?
Noah: Disse, mas eu não gosto de te obedecer.
Revirei os olhos. Olhei novamente para baixo, e vi que ele não estava mais lá. Agora, ele já estava indo até seu quarto.
Pai: Querida, o que...
Mãe: FIQUE LONGE DE MIM, SEU MERDA! - disse, jogando sei-lá-o-quê no meu pai, que se esgueirou.
Os dois começaram a gritar e discutir, e eu não estava entendendo nada. Olhei para Noah e ele estava com os olhos mareados, com cara de confuso. Abracei-o ao meu lado e o levei de volta para seu quarto. O tranquei lá dentro, sozinho, e fiquei do lado de fora tentando entender o que eles gritavam.
"Precisamos ser discretos", disse meu pai. "Assim como você foi 17 anos atrás, Robert?!", gritou minha mãe em resposta. "Somos pais, devemos passar respeito". "Não venha com essa de respeito para mim, seu filho da puta!". "Vamos conversar, precisamos falar com as crianças". "Não, você explicará tudo. Eu só vou dar adeus. Saia da minha frente!". E assim foi por mais um tempo. Até que os dois ficaram em silêncio. Papai abriu a porta e lá estava eu, no meio do corredor. Papai tentou dar um sorriso, mas não deu certo. Mamãe estava atrás cheia de lágrimas no rosto, com o rímel borrado, e cara de brava.
Papai: Precisamos conversar, chame seu irmão por favor, Annie.
Eu: Não antes de vocês dois se acalmarem. - olhei para minha mãe - Principalmente você.
Mãe: Não é hora de impor regras.
Eu: Eu não vou destrancá-lo agora. Vão traumatizá-lo.
Noah: Eu já estou, pode abrir - disse ele por trás da porta. Eu levei um susto, e logo depois abri. - Obrigado.
Meu pai indicou para descermos, e foi isso que fizemos. Eu fiquei de mãos dadas o tempo todo com Noah. Ao chegarmos à cozinha, eu e Noah nos sentamos na bancada enquanto meu pai e minha mãe estavam em pé, porém bem separados.
Pai: Vamos conversar.
Mãe: Não, vamos resumir.
Pai: Pare com isso.
Mãe: Eu vou...
Noah não deixou terminar a frase. Começou a chorar, do nada. Todos paramos de falar. Ele tentou recuperar o fôlego.
Noah: (gif) Você vai dizer adeus? Porque eu realmente não quero ouvir isso.
Eles ficaram quietos. Isso queria dizer que eles não iam dizer porque Noah não queria ouvir um Adeus. Isso queria dizer que iam dizer Adeus.
Eu: Digam logo quem está indo embora e porquê. Resumam.
Pai: Há dezessete anos atrás...
Eu: Nossa pai, você sabe resumir legal, hein. Dezessete anos atrás. Beleza.
Mãe: Cala a boca e deixa ele falar, Annie.
"Cala a boca"? "Annie"? Minha mãe nunca me chamava de Annie, nem mesmo quando estava brava.
Pai: Então... Hã... Eu namorava uma moça. Chamada Kate. E nós terminamos porque eu gostava da mãe de vocês.
Mãe: "você"
Pai: Quieta. - ele deu uma tossida e prosseguiu - Mas, uma vez, depois de 2 anos namorando a sua mãe, houve um deslize. E, bem, logo depois eu e a mãe de vocês nos casamos. E a verdade, é que nós tinhamos adotado você, Annie.
Eu fiquei parada. Noah olhou para mim, e nem eu sabia qual era minha cara. Adotada?
Mãe: Mas isso foi o que ele me disse, o que ele me fez pensar.
Eu: Como as...
Mãe: Porque esse filho da puta - disse, me cortando - na verdade transou com a vadia da Kate, e você é filha dela! Dela com seu pai! E eu fui feita de idiota! E o Noah é meu único filho verdadeiro!
Eu não sabia o que dizer. Eu estava paralisada. Eu nunca ia imaginar que eu não sou filha de sangue da minha mãe. Digo, eu me pareço tanto com ela, e nem me pareço tanto com meu pai.
Eu: E... Por que resolveram contar agora? Como você soube disso agora, mãe?
Pai: Estávamos viajando, e na verdade a viagem era pra contar tudo isso à ela, para contarmos à vocês.
Mãe: A vadia graças a Deus morreu. E é por isso que viajamos. Ele queria ir ao cemitério mas eu vim embora antes por motivos óbvios. Eu passou em uma semana para tirar Noah daqui. Tchau pra vocês.
Noah: Mamãe! Espera!
Tarde demais. Ela já havia passado pela porta. "A vadia graças a Deus morreu".
Eu: Minha mãe não é minha mãe. E minha mãe real está morta.
Pai: Querida, eu...
Não dei tempo dele dizer nada. Deixei Noah sozinho lá, e saí pela porta da frente. Saí correndo pela rua deserta, à meia noite, sem rumo. A sorte é que meu celular estava comigo.
Depois de correr por volta de uma hora, eu estava exausta, mas finalmente cheguei onde queria. Me joguei no chão e liguei para ele.
*Ligação On*
Alô?
Harry, por favor vem pra cá. Pro nosso parque. Agora.
Mas o quê... Ok. Ok. Estou indo. Beijos.
*Ligação Off*
Em cinco minutos ele estava lá - óbvio, ele veio de carro.
Harry: O que aconteceu?
Cheguei correndo até ele e o abracei. Ele colocou a mão na minha nuca, um sinal de proteção. Que era exatamente o que faltava para eu desabar.
Eu: Que bom que você existe. Que bom que você é real, Harry.
Harry: O que aconteceu? O que fizeram contigo?
Eu: Está tudo errado, tudo errado, eu vou morrer!
Harry: Não diga isso! Eu estou aqui. Ei, olhe... Olhe, Annie! Olhe pra mim! (gif) Eu estou contigo.
Eu: Minha mãe... Digo... Ah... - comecei a chorar ainda mais. Ele me acalmou novamente, e eu voltei a dizer: - minha mãe não é minha mãe! Meu pai traiu aquela moça que você conhece! Minha mãe de verdade morreu há pouco tempo! Eu nunca vou conhecê-la!
Harry: Fica calma, meu amor... Tudo vai se resolver... Fique calma, por favor. Não é o fim.
Ficamos juntos por pelo menos uma hora. Já era mais de duas da manhã, quando decidi por um fim.
Eu: Eu... Eu preciso ir.
Harry: Não quer ir pra casa hoje?
Eu: Não... Eu... eu tenho o Noah. Eu preciso cuidar dele. Antes que seja tarde. - olhei para ele. - Mam... Jade quer levá-lo com ela. E meu pai provavelmente não pode lutar contra isso. E ela, sem motivo, tem raiva de mim. E eu preciso voltar pra cuidar dele. (gif) Eu amo ele.
Harry: Tudo bem. Mas vou te dar carona até lá.
Chegamos em uns dez minutos até minha casa, e Noah estava lá fora, olhando pro nada. Dei tchau para Harry, saí do carro e fui até ele.
Eu: O que está fazendo aqui?
Noah: Não queria ficar lá com ele. Queria ver quando você voltava.
Eu: Agora estou aqui, Noah. - disse, abraçando-o. - ... Agora estou aqui, meu amor.
Entramos. Noah subiu ao quarto dele, onde eu dormiria hoje por pedido dele, e eu fui até a cozinha. Meu pai estava lá.
Pai: Querida, eu...
Eu: Não quero ouvir. Não quero saber. Não quero falar. Só vim pegar um copo d'agua. - disse, indo até o bebedouro. - Só me diz: ela sabia que era minha mãe?
Pai: Sabia. Ela era amiga da sua mãe. Mas não queria ter contato com você.
Assenti com a cabeça, e fui para o quarto de Noah com meu copo d'agua para dormirmos.
Mesmo sabendo que eu não ia dormir. "Talvez ela seja mesmo uma vadia", foi meu último pensamento.
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