- Jason? - não tenho resposta. - Jason? Oi?
Ouço um barulho no quartinho e vou lá dar uma espiada. Jason está deitado no chão, falando com alguém por Facetime, só com os shorts do pijama. Vejo que ele está meio machucado da guerra - eu não havia visto ele sem camisa uma vez sequer desde que ele voltara. Ele está sério, meio inquieto, ouvindo o que o cara do outro lado da linha está dizendo. Tento ouvir, mas está muito baixo. A parte que eu pego não faz sentido para mim, sem nenhum complemento:
- Se você amarelar por causa disso, você não terá outra chance. - diz o cara.
- Eu já estou ciente disso! Só... é muito difícil.
- Preciso desligar. Se vira. Cuida desses machucados aí.
- Valeu.
Jason desliga o iPhone e se levanta. Saio da fresta da porta por um instante, com receio de ele me ver á, e volto depois de uns 5 segundos. E... ele está de cueca!?!
Minha razão manda eu sair dali e voltar mais tarde, mas algo completamente novo para mim me faz ficar imóvel, vendo tudo aquilo.
Ele tirara o shorts e jogara em uma cadeira. Ele anda de um lado para o outro no quartinho, provavelmente procurando alguma roupa - já que todos estão no quarto que ele supõe estar trancado. Ele acha uma camisa imunda, joga no chão sem nem experimentar e então acha um shorts, sorrindo aliviado. Mas, na hora de vestir, não chega nem até o joelho! Ele atira o shorts longe, praguejando. Eu finalmente me movo, correndo de um jeito delicado para o quarto, sem fazer barulho.
Pego um shorts e volto para a porta semiaberta. Ele pegou novamente o shorts do pijama que estava usando e está com ele estendido na sua mão, acho que considerando a possibilidade de recolocá-lo. Assim que ele abaixa as mãos para começar a recolocar o shorts, tomo coragem e bato na porta, já a abrindo por completo.
- Hãn... Achei que estava procurando por isso - digo, jogando o shorts para ele.
- Obrigada -, diz ele, sorrindo e colocando o jeans. Ele olha para mim e pergunta. - Há quanto tempo estava aí?
- Bom... - penso em responder grosseiramente, mas então brinco, sorrindo: - ... o suficiente para saber que não fui só eu que fiquei gostosa nesses últimos anos.
Eu dou uma piscadinha sexy, de brincadeira, e ele cai na gargalhada. Aquela risada gostosa pela qual eu sempre fui apaixonada. Uma gargalhada descontraída e despreocupada. Mas logo ela dá lugar a um sorriso meio tímido. Ele levanta uma sobrancelha, como que perguntando se eu já estava bem. Eu respondo de outra maneira.
Dou uma corrida até ele e o abraço. Um abraço apertado e verdadeiro. Mas, diferente de quando ele tinha 11 anos, ele retribuiu rapidamente.
Ficamos assim por uns dois minutos, até que eu quebro o silêncio, ainda nos braços dele:
- Me desculpa, ok? Eu fui extremamente ridícula. Todo o dinheiro do mundo não importará se eu estiver morta. E do que importa ir à shows se eu só poderei fingir ser normal? Vou ter que ficar de guarda! E meus pais... Quem liga para eles? Eu não ligo! Eu disse que os procurei a vida toda mas nem foi um terço disso. Eu exagerei. Sinto muito.
- Não. Eu exagerei. - diz ele, desfazendo o abraço, mas ainda acariciando meus braços. - Quando eu descobri que se tratava dos C.M., eu perdi a cabeça. Todas as lembranças horríveis que eu tinha sobre eles caíram sobre mim em dois segundos. A possibilidade de te deixar nas mãos deles sem nem saber se você ia voltar me deixou louco. Te perder... seria perder meu mundo, Skye. - Ele olha nos meus olhos. - Eu te amo, pirralha.
- Eu também te amo demais, Leãozinho, e eu realmente farei de tudo para voltar. Não por mim; voltar por você. Voltar para você. Nós precisamos começar a ter mais diálogo em vez de sairmos gritando e enlouquecendo e batendo portas. Estamos apenas machucando um ao outro. - Ele assente, e eu vejo o arrependimento em seus olhos. - E, falando em machucados, tudo isso foi na guerra?
- Pois é. - diz ele, dando de ombros.
- Minha nossa. - eu vou com minha mão em direção ao seu ombro, mas paro antes. - Posso? - pergunto, apontando para os machucados.
- Claro que sim. - diz ele, sorrindo meio envergonhado. Ele fecha os olhos, ainda sorrindo.
Toco em seus arranhões no ombro e vou passando para os outros machucados: hematomas coloridos pelos braços e pelo peitoral. Três pontos do lado direito de sua barriga definida. Alguns arranhões em seu tanquinho... Ei! Espera!
Tiro rapidamente a mão, assentindo.
- Muitos machucados. - digo, ainda olhando sua barriga, quase sem voz.
- Por que tirou sua mão tão rápido? O que te assustou? - pergunta ele, verificando se havia algum machucado maior em seu corpo.
- Nada. Só foi... estranho. Eu nunca... havia tocado você. Tipo, eu sei que não foi realmente "tocar", mas eu toquei e... minha mão desceu demais... eu estava no seu caminho da felicidade e foi tão... e isso é... Ah, que seja, desculpa.
- Pelo quê?! - pergunta, rindo. - Não tem nada demais em tocar minha barriga. Sou eu, Jason, comigo você não precisa ter... neura. - diz ele, sorrindo de um modo doce. - É sério.
Eu sorrio. Eu realmente nunca fui paranoica com nenhum menino, principalmente Jason. Mas, agora, depois de 2 anos longe um do outro, o negócio ficou diferente entre nós. Ele é um homem. Eu sou uma mulher. Nós éramos duas criancinhas, dois irmãos. Tocá-lo para cuidar de seus ferimentos podia parecer inocente antes, mas agora eu já tomo cuidado. Eu não sei exatamente de quê eu estou me protegendo, mas sinto que isso não é certo. Ele tem estado carinhoso demais comigo, e meu estômago embrulha quando ele faz esse tipo de coisa. Ele sendo gentil comigo me dá efeitos colaterais. Ele sendo ele é um perigo para mim.
- Minha cabeça tá tão confusa... - digo, por fim. - Nessas horas seria uma boa ser uma pessoa normal, sabe? Trabalhamos todos os dias e comemos sempre a mesma comida: arroz, feijão, verduras, carne bem passada, e um copo de suco. E se eu não quiser trabalhar no fim de semana? Eu quero comer alguma porcaria, nadar por diversão, ter um namorado, amigas malucas, não ter que me preocupar em me manter viva todo dia, o dia todo... Já pensou? Tipo, é óbvio que eu já beijei caras na vida. Por paixão e por trabalho. Mas eu tenho 19 anos e sou virgem! E se eu tiver que perder a virgindade em serviço?! Pareço uma prostituta! Eu não quero isso para mim. Mas não tenho escolha... E eu não estou reclamando daqui! - me apresso a dizer. - Com certeza é muito melhor do que a rua! Mas poderia ser mais normal, sabe? Menos rígido. Só podemos sair 4 vezes por ano, pra feriados em família, e eu nem posso ir porque não tenho ninguém. Queria ser tipo uma princesa. Pedir qualquer coisa e ir a qualquer lugar. Ou, pelo menos, ser um pouco mais... eu.
- Você é minha princesa - diz Jason, baixinho, de uma forma calma.
- Não -, digo rindo -, é diferente, Jason.
- Não. Não é. - Ele se aproxima de mim, acariciando meus braços. - Se eu pudesse eu te daria o mundo. E eu ainda vou conseguir fazer isso. Enquanto não consigo, te ofereço o meu mundo. Tudo que você quiser, e tudo que eu puder, eu vou te dar. Posso realizar todos os seus sonhos na medida do possível, na nossa medida, Skye! Olha, nesses dois anos que eu fiquei lutando, muita coisa mudou! Pessoas nasceram e pessoas morreram. Lançaram novos iQualquerCoisa. Novas missões foram efetuadas. Pessoas foram presas e pessoas foram soltas. E você? Você continuou aqui. Você cresceu, você ficou gostosa - disse, rindo -, mas continuou me amando, mesmo que não seja nem 1/3 do que sempre te amei. Eu só recebia suas cartas de 4 em 4 meses, e todas as noites eu rezava para você estar viva. Para você estar bem. Para que você não se esquecesse de mim. E a saudade foi aumentando... O amor foi aumentando... E agora eu te amo, pirralha. Eu te amo pra valer.
Ele me agarrou pela cintura e me deu um puxão, colando nossos corpos. Parte de mim queria que ele saísse de perto de mim, queria que eu gritasse. Mais parte de mim o queria ainda mais perto. Parte de mim sabia que todas aquelas palavras eram verdadeiras. E sabia que, em algum lugar nesse meu coração quase morto, eu sentia o mesmo. E, acredite, essa parte era bem maior do que a parte paranoica.
Então, apenas fechei meus olhos e senti seus lábios pressionando os meus, suas mãos me agarrando de uma forma gostosa e um sorriso se formando em meus lábios.
Então, apenas fechei meus olhos e senti seus lábios pressionando os meus, suas mãos me agarrando de uma forma gostosa e um sorriso se formando em meus lábios.
Depois de uns 10 minutos nos beijando, Jason pára para pegar fôlego, sorrindo.
- Me desculpa? - diz ele, meio brincando, com um sorriso torto nos lábios. - Isso é quase um assédio.
- É mesmo. - respondo, rindo.
Nós dois sentamos na cama, eu em seu colo. Essa parada mais longa entre os beijos parece dizer que o rolo acabou. Mas ainda não estou satisfeita.
Eu quero mais. Quero ele grudado a mim por um período mais longo. Quero mostrar para ele que ele é especial - afinal, eu posso beijar quem eu quiser. Quero dar à ele todo o amor que ele sempre demonstrou por mim. Quero unir nossos corpos até virarem um só. E, então, respiro fundo e tomo uma das decisões mais loucas da minha vida: o empurro na cama, nos deitando.
- Mas o quê é isso?! - pergunta ele, meio confuso e assustado. - Skye, assim eu vou ficar exci...
- Cala a boca -, o interrompo. E, sem aviso, o beijo.
Ele entende o sinal e começa a tirar sua blusa. Ele precisa sair de baixo de mim e ficar sentado na cama para poder fazer isso. Ele aproveita a situação e volta por cima, me beijando e passando a mão pelo meu corpo, ainda todo vestido.
Ele me beija forte, dessa vez forte mesmo, como que finalmente liberando toda a vontade que tinha de me beijar pra valer. Como se fosse sua última chance. E eu aproveito e sigo o ritmo. Tiro minha calça, ficando apenas de calcinha e blusa, sem parar de beijá-lo. Ele levanta de cima de mim para tirar a minha blusa. Ele passa a mão pelos meus quadris enquanto eu me levanto. Ele pega a barra da blusa e começa a puxá-la para cima, mas não com a mesma rapidez que fez com a calça. Ele vai devagar, analisando primeiro minha cintura, depois minha barriga, a região mais acima... e...
... e ele para.
Olho para ele, meio confusa e meio brava, mas percebo que o olhar dele está extremamente suplicante. E entendo o que ele quer dizer. Ele quer a minha permissão. Quer ver se eu realmente quero fazer isso. Eu olho para ele, olho no fundo de seus olhos cor de mel, e digo, sorrindo:
- Tire isso de mim, Jason.
Ele vai começando devagar, mas assim que vê que estou sem sutiã por baixo, vejo que ele fica extremamente excitado. Mesmo que ele não demonstrasse isso nos seus olhos, sinto seu colega me mandando essa mensagem. Ele passa a mão pelos lados do meu corpo, tirando a blusa lentamente, e logo jogando-a para o lado.

- Bom - diz ele, olhando para meus peitos nus -, isso acelera o processo.
Ele tira sua calça e o que vejo é apenas um grande volume em sua cueca. E não vejo a hora de tirá-la. Por isso mesmo, vou engatinhando na cama até ele, e arranjo a cueca pelo cantinho, com a boca. Ele pragueja alguma coisa só de ver a cena.
Nós deitamos novamente, agora ele completamente nu e eu apenas de calcinha. Nos beijamos várias vezes mais, até que vejo que ele realmente não vai aguentar mais, e eu o afasto de mim para tirar a calcinha. Tiro com minhas próprias mãos, enquanto ele coloca a camisinha, e olho para ele, mordendo os lábios. Ele volta para mim rapidamente, mas agora com um pouco mais de cuidado, já que nós dois já estávamos completamente nus.
Ele vai para cima de mim, me beijando, mas ainda sem começar de verdade. Ele para e olha para mim, mais uma vez vendo se eu realmente queria aquilo.
- Você tem certeza? - pergunta ele, com um ar meio tímido. Acho que ele nunca tinha perguntado isso três vezes para a mesma menina.
Como resposta, levanto meu corpo e o beijo, encostando seu amigo em mim. Volto meu corpo à cama, e seu corpo acompanha o meu, e ele finalmente se encaixa em mim.
Eu dou uma gemida com uma mistura de dor e prazer. Admito que foi um pouco mais de dor do que de prazer, mas depois dessa primeira, todas as outras foram extremamente perfeitas. Sem dor. Sem nervos. Só o prazer e a adrenalina correndo por todo o meu corpo. Eu o beijo pelo corpo todo e ele faz o mesmo comigo.
Durante essa uma hora que se passa, ele é extremamente calmo e cuidadoso comigo. Eu achei até calmo demais, como se ele achasse que eu fosse quebrar a qualquer minuto. Mas, pelos músculos dele, não duvido nada que se ele agisse como age com as outras eu estaria fudida, em todos os termos. Ele mantém o corpo todo meio tenso no começo, tentando fazer tudo certo, e parece parar para pensar qual jeito é melhor para mim, mas depois de um tempo, ele relaxa. Eu fecho os olhos e sorrio, o que dá para ele uma segurança para continuar de um jeito um pouco mais agilizado. Não dizemos nada. Estamos num silêncio completo. Poderia ser entedioso para algumas pessoas, mas eu achei que os gemidos e as respirações pesadas e agitadas eram a melhor música que eu poderia pedir num momento como esse.
Ele tinha uma pele muito macia e um corpo muito definido. Seu instrumento também não deixa nada a desejar. Ele todo, vendo desse ponto completo de agora, parece perfeito demais para ser real. Penso em quais defeitos e segredos ele deve esconder, porque é impossível alguém ser cem por cento perfeito, mas depois de dois segundos essa pergunta some de minha cabeça, e tudo que posso pensar é Ah, mais. E tudo que consigo falar é Ah, mais. Porque tudo naquele exato momento se restringia à querer mais e mais e mais. Nada de agentes, nada de missões, nada de serviços, nada forçado. Foi a coisa mais simples e natural que fiz nos últimos 10 anos. E eu me sinto feliz por isso estar acontecendo. Fico feliz por ele estar fazendo isso acontecer.
Ele começa a fazer alguns movimentos mais rápidos e depois diminuí-los, e eu acompanho a mudança com muita facilidade. Eu não sei por quê as pessoas reclamam tanto da primeira vez: eu estava cem por cento relaxada, e senti cem por cento de prazer. Ou talvez até estivesse doendo, mas já passei por dores tão piores que isso nem chamava minha atenção. Mas não importava o que fosse, eu estava me divertindo, e estava amando aquele momento.
Meu corpo começou a dar uma tremida, e minha respiração acelera, assim como meu batimento cardíaco. Começo a suar, e percebo que ele também está com os músculos rígidos. Que caralhos está acontecendo, afinal?!
- Jason. - tento dizer, mas sai um gemido quase inaudível. Tento novamente: - Jason - minha voz não falha tanto dessa vez, e continuo: -, acho que vou...
Nem dá tempo. Eu percebo que eu e ele, ao mesmo tempo, chegamos ao ápice.
Parece que meu coração parou. Eu me contraio por inteira, minhas pernas ficam moles, minha respiração e meu batimento cardíaco aceleram tanto que eu mal consigo tomar conta de tudo. Ele também se contrai, vejo suas pernas fraquejarem, e damos um gemido uníssono, talvez alto demais.
Ele se joga ao meu lado, com uma expressão cansada. Fico alguns segundos parada, olhando para o teto, cansada demais para sequer respirar. Uns 50 segundos após a loucura do meu corpo, já volto ao normal, e me viro para o lado dele. Ele está me olhando com o ar mais fofo que já vi na minha vida. Lhe dou um selinho, seguido de um sorriso. Ele abre um sorriso maior do que qualquer um que já vi ele dar na vida.
- Você não tem noção do quanto eu tô feliz. - diz ele, me abraçando.
- Você não tem noção do quanto foi perfeito. - digo, sorrindo.
Ele se levanta, vai até o banheiro para jogar a camisinha, volta para o quarto e pega seu shorts do pijama. Tenho preguiça demais para sair da cama, então apenas viro para o lado e pego uma calcinha da gaveta do criado mudo. Coloco-a, e quando me viro para Jason, ele já está deitado novamente e se preparando para me abraçar de novo.
Ficamos alguns minutos em silêncio, até que ele o quebra:
- Você podia ficar.
- Ah, por favor - digo, tirando a cabeça de seu peito e encarando-o -, não comece isso de novo. Não agora.
- Podíamos fugir - continua ele, como se não tivesse me ouvido. - Eu e você.
- Ah, claro - deito novamente minha cabeça no seu peito -, é muito fácil: simplesmente fazemos uma malinha e viajamos pelo mundo, até cansarmos, e aí arrumamos empregos na Disneylândia como novas atrações e vivemos no castelo da Cinderela pro resto de nossas vidas. Ah, pera, acabei de lembrar: isso é vida real.
- Podemos nos demitir - continua ele, sério -, podemos assinar nossas carteiras e cair fora daqui. Podemos ter uma vida, a vida que você tanto quer.
- Jason, você usou o verbo certo nas duas primeiras frases: eu podia ficar. Nós podíamos fugir. Mas não podemos. Porque a realidade não condiz com nossos desejos no momento. E eu não posso sair daqui - falo, triste.
- Não? - pergunta ele, surpreso. - Como assim? Claro que pode.
- Não, não posso. Sou de rua, não tenho familiares nem amigos fora daqui, não tenho escola completa, e entrei para a agência muito nova. Fizemos um trato que eu não poderia sair. Eu assinei um contrato. Tenho que ficar aqui pelo menos até os 30 anos. E eu não tenho nada para fazer lá fora. Meu mundo tá aqui... - eu aponto para seu nariz, e ele sorri, terno. Nos beijamos mais uma vez. Bocejo, cansadíssima. Sinto que em alguns segundos vou desmaiar em seu colo.
Ele faz carinho em meu cabelo, e quando estou quase sonhando, ele diz:
- Fique. (gif)
- ... Fico... - digo, já embalando no sono.

E, sendo acariciada pelo meu melhor amigo, em seu peito, seminua, após uma noite de sexo, caio no sono.
Acordo com um beijinho na testa. Abro os olhos e Jason está em cima de mim, sorrindo.
Sorrio de volta.
- Bom dia, Sophie - diz ele, com uma voz doce.
- Bom dia, Leãozinho.
- Major está aí fora, querendo falar com você. Ele disse que é urgente.
- Deixa ele entrar, então! - digo, já me sentando na cama, bocejando.
- É que... - ele aponta para mim.
Olho para mim mesma: cabelos bagunçados, cara amassada, e só de calcinha.
- Ah. Certo. - digo, me levantando. - Diga à ele que em cinco minutos eu vou.
Assim que me levanto, sento novamente, paralisada pelo frio. Estava realmente muito frio. Tomo coragem e corro até o armário, abrindo ele rapidamente, pegando algumas roupas que estavam mais à frente, e me tranco no banheiro.
Escovo os dentes, penteio o cabelo, e depois vou ver o que exatamente eu peguei, já que só pensei "Pegue uma blusa. Pegue uma calça. Pegue um sutiã. Pegue um casaco. Corra para o banheiro". Percebo que escolhi uma blusa muito infantil para falar com meu chefe, e agradeço por estar tão frio, assim posso usar o sobretudo que peguei contra o frio mas também sem sentir calor.
Saindo de lá, pego botas e meu relógio. Está realmente muito frio, e olha que estamos no subsolo. Quando já estou pronta, me dirijo à Jason:
- Quantos graus está aqui? Eu acho que tô com febre!
- Não, está 3 graus. A temperatura baixou 18º enquanto dormíamos. Agora vai rápido, ou vai se atrasar.
Afirmo, acenando com a cabeça, e dou um tchau rápido com a mão. Fecho a porta atrás de mim e saio correndo pelo corredor, embora não seja algo tão profissional de se fazer. Aproveito para olhar o relógio no meu pulso, que até agora tinha me esquecido de verificar. Eram nove da manhã. Eu ia perder o café da manhã. Que ótimo.
Chegando à porta de Major, bato delicadamente. Ouço um "entre" de lá de dentro, e então abro a porta, séria.
- Queria falar comigo, senhor? - pergunto, já me sentando na poltrona em frente à sua mesa.

- Sim, Skye -, responde ele. - É sobre sua missão com o One Direction.
Afirmo com a cabeça. Para falar a verdade, eu passei mais tempo brigando e chorando do que decorando minha personalidade nesses meus dois dias de folga. Mas não ligava muito para isso no momento. As vinte vezes que me fizeram repassar naquela reunião de 6 horas já havia sido suficiente para eu me lembrar de praticamente tudo.
- Sim... O que tem ela?
- Nós procuramos tudo sobre os Crazy Monkeys. Mesmo nossas fontes secretas e seguras não tinham tanta informação assim sobre eles, mas já foi de grande ajuda o ataque de Jason alguns dias antes. Conversei com os outros diretores da missão, e decidimos que enviaremos você à Londres nessa madrugada. Duas da manhã, esteja no elevador de missões. Ele te deixará no aeroporto, e de lá você já partirá com dois agentes-sombras para Londres. Um dos empregadinhos da banda estará esperando por você, e assim que o voo pousar nas terras britânicas, os agentes se dispersarão, então não se preocupe se não os achar no fim da viagem. Rachel ficou de te mandar um e-mail com toda a bagagem necessária às 9:30. O resto, que não estiver mencionado aí, você poderá comprar lá.
- Sim, senhor. Duas horas da manhã no elevador. Tudo bem. - Sinto uma pontada de dor no peito. Mas já?!, pergunto à mim mesma. - E meu cartão, que o senhor me disse que daria quando eu fosse embarcar?
- Realmente, só darei na hora de embarcar. É só isso.
Assento com a cabeça, já me levantando da poltrona. Quando estou quase saindo, ele me chama novamente.
- Skye -, chama ele. Eu paro. - Na verdade, tem algo mais.
Eu espero na porta, apenas fechando-a novamente, caso fosse algo secreto.
- Você sabe por que te escoltamos para essa missão, não sabe, Skye? - eu permaneço muda. Melhor calar do que falar besteira. - Porque você é nossa melhor agente. Homens não serviriam para essa missão, afinal, homens são muito mais abertos com mulheres. E as outras agentes que estão à sua altura e à altura da missão... bem, algo me dizia que apenas você poderia realizar isso. Só você tem estômago, cabeça e coração para isso. Eu preciso que seja extremamente dura e fria quando necessário, mas que seja muito doce com aqueles garotos. Pode ser a missão mais importante que fará na vida.
- Sim, senhor. Serei dura o suficiente e no momento certo. Não se preocupe. - Não estava entendo a conversa. Ele nunca me dizia esse tipo de coisa nas outras missões. O que há de errado?
- Mas... - continua ele. Ele limpa a garganta. - Você é a nossa melhor agente. Você é a melhor que já apareceu neste campo. Não sei como faz isso, mas trabalha duramente e faz tudo com extrema perfeição. Não deixa se levar pelas emoções e deixa a vida pessoal separada de sua vida profissional, embora ser agente secreto não ajude muito a transformar isso em realidade. Você é nossa melhor arma, como dizem por aí, é verdade. Mas também é a nossa melhor pessoa. Sabe fazer tudo direito, sempre. Então, não ache que a vida está sendo injusta. É uma ótima oportunidade. Livre-se. Viva. E trabalhe duro, como sempre. Estamos apostando em você - ele dá um sorriso tímido. - (gif) Eu estou apostando em você.
Eu sorrio forte, completamente realizada e motivada. Nunca fui tão elogiada por nenhum diretor. E ainda mais, Major era o diretor. Que honra. Agradeço e saio da sala, ainda tomada pela emoção de felicidade e conquista. Vou andando devagar até o refeitório, já sem muita esperança de achar alguma comida. Chegando lá, realmente, o refeitório está vazio. Há apenas um Jason, no meio das mesas, com uma bandeja na mão.
- Pensei que estava procurando por isto... - diz ele, imitando o que eu havia lhe falado no dia anterior, sobre o shorts.
Sorrio, o beijo na bochecha em agradecimento, e então voltamos para o quarto, dividindo meu café da manhã.
Conto à Jason sobre o que Major queria falar. Ele não se surpreende.
- É, não achei mesmo que fosse outra coisa. - diz ele, suspirando. - Quer ajuda com as malas?
- Não, tudo bem. Eu me viro -, respondo, sorrindo, sem olhá-lo. - Pode ir pro treinamento.
Como só eu estava liberada do treinamento para arrumar as malas, ele já estava até atrasado. Ele acena com a cabeça e se vai. Olho novamente para as malas.
Dois anos. Dois anos longe de casa... Porque, sim, eu reclamo, mas essa é minha casa. Talvez eu não a veja novamente. Nem à Jason. Isso me deixa triste, mas é um risco que eu tenho que correr. Continuo olhando a lista que me mandaram por e-mail e colocando tudo na mala: algumas calças, algumas armas especiais - quando se é agente secreto, suas armas vem codificadas para passarem sem problemas no aeroporto -, 3 blusas e alguns vestidos. Vários produtos que pessoas normais usam, carregador de celular, alguns sapatos, e uns casacos. O resto eu compraria tudo lá.
Chegou a hora da janta, nove horas, e eu ainda estava no banho. Eu ouvia a porta de entrada abrindo e fechando várias vezes, várias vozes conversando com Jason, e não estava entendendo nada. Saio do banho, seco o cabelo no secador, fazendo uma escova leve, e já saio vestida. Vejo Jason fechando a porta, parecendo cansado, e ele se assusta quando me vê entrando no quarto.
- Oi! - diz ele, sorrindo. - Uau, você está linda.
- Obrigada! - digo, rodopiando, como eu nunca faria de verdade, se eu não tivesse que encenar uma garotinha. Nós dois rimos.
- Ei, eu tenho um negócio para você! - diz ele, chegando mais perto de mim. Ele vai por trás de mim e fecha meus olhos. - Vem comigo, me acompanha.
Ele vai me dizendo para onde eu tenho que virar, e pelo "esquerda, direita, reto" que ele ia me dizendo, percebia que estávamos indo para o refeitório. Isso não ia prestar, com certeza.
Paramos depois de três minutinhos.
- Está pronta?
- Estou... - digo, meio desconfiada.
- Ok. Agora! - ele tira as mãos de meus olhos.
Não era possível.
Praticamente todos os agentes estavam reunidos em volta das mesas, e tinha um grande bolo de chocolate no centro. Os bolos de chocolate só eram servidos em feriados. E nunca havia visto tantos agentes juntos no refeitório sem ser comendo. E todos eles aplaudiam para mim, orgulhosos. Sinto meus olhos começarem a encher de lágrimas, e não sou rápida o suficiente para afastá-las. Apenas tento enxugá-las enquanto me viro para Jason e o abraço, forte, agradecendo-o.
- Como fez tudo isso?! - pergunto, olhando para ele e para o refeitório, que percebo agora que tem até uma faixa de "Good Luck, Skye" no teto.
- Estamos há algumas horas planejando isso tudo. O treinamento acaba às 17hrs, então ficamos até agora pouco ajeitando tudo.
- Minha nossa! Não precisava, sério! Meu Deus, que vergonha... - digo, cobrindo o rosto e rindo.
- Eu me lembrei que, ano passado, antes de eu ir embora, você juntou a maioria dos agentes e fez algo parecido com isso aqui, só que sem o bolo, porque não permitiram. Dessa vez, Major foi um pouco mais liberal, e permitiu que usássemos o bolo. Mandamos fazer ele ontem.
Eu me lembro da festa dele. Também foi uma festa de despedida. Eu implorei muito para o Major para usar o refeitório, ele deixou, mas quando eu pedi o bolo, ele disse que "nem por nada nesse mundo". Parece que ele realmente se importa comigo, por deixarmos ter um bolo dessa vez.
Ou ele acha que essa será a última oportunidade de me deixar feliz dentro dessa agência.
- O refeitório foi liberado e ficará aberto até às 11 horas. Podemos conversar, jogar e cantar hoje - anuncia Rue, animadíssima.
Eu janto a macarronada de toda a quarta feira, com ovos cozidos, e de sobremesa temos o bolo. O bolo é enorme: não de altura, mas de largura. Ele tem o tamanho para todos os agentes desta franquia, ou seja, mais de 400 pessoas. Na verdade, sempre serviam uns 4 bolos de uma vez, porque não existe um bolo que suporte 400 pessoas, mas por ter só metade da galera aqui, só tinha 1 bolo, um pouco maior do que os outros bolos de chocolate que servem geralmente.
Existem dois refeitórios na agência: o refeitório 1, que cabe 250 pessoas, e o refeitório 2, que cabe mais 250 pessoas. O refeitório 1 é para os agentes do nível 1 ao 50. O refeitório 2 é para os agentes do nível 51 à 100. Praticamente tudo aqui era dividido desse modo: os refeitórios, as localizações dos quartos, as salas de treinamento, as escolas. Estávamos no refeitório 2, e todos os meus amigos estavam lá. Quase todos os meus amigos eram acima do nível 51, então não houve nenhum problema. Todos pareciam se divertir, conversando, brincando de lutinha, jogando um jogo de mímica... Era legal ver todos tão descontraídos, como estão somente nos feriados. Fiquei feliz por eu ter sido a razão de todos terem dado um tempo.
Quando deu 11 horas, todos voltamos para nossos compartimentos. Eu me joguei na cama, cansada, e ele se jogou ao meu lado. Eu viro a cabeça para olhá-lo e percebo que ele teve a ideia primeiro. Nós sorrimos. Ele se aproxima de mim e me dá um selinho. Eu sorrio.
- Skye - diz ele, agora sério -, sobre ontem... Eu... Han...
Ele tenta achar as palavras certas, mas parece estar um pouco confuso. Eu dou uma risada e tento ajudá-lo:
- Você quer dizer "esqueça que aconteceu, mas ao mesmo tempo, lembre-se" ou "aquilo de fato mudou nossa relação?"
- "Esqueça o que aconteceu, mas ao mesmo tempo, lembre-se" - responde ele, sorrindo. - Obrigada por me ajudar. - Ele limpa a garganta. - Eu sei que foi perfeito, eu particularmente achei maravilhoso, fico feliz por você ter confiado em mim, mas acho que emoções e sentimentos são o que a gente menos precisa, certo? Digo, com você indo e eu também tendo minhas missões... Relacionamentos não são feitos para nós... Concorda?
- Cem por cento - digo, assentindo. - Podemos esquecer qualquer coisa que tenha passado pelas nossas cabeças, tirando o fato de que transamos, e seguiremos nossas vidas perfeitamente anormais. Combinado?
- Combinado. - Ele chega mais perto de mim e me abraça. - Só não me esqueça.
- Não vou. Eu prometo.
Meu despertador do celular toca. Isso indica que já é meia noite. Temos que sair daqui meia noite e dez, para chegarmos ao aeroporto uma hora, e pegarmos o avião às quinze para as duas.
Me levanto, meio desanimada, mas ao mesmo tempo agitada. Eu estava determinada à ganhar aquela guerra. E estava ansiosa para conhecer o mundo. Os garotos da One Direction pareciam ser realmente simpáticos e gentis, sabia que iriam me receber super bem. Eu estava preparada.
Jason se ofereceu para levar uma das malas até o elevador, já que eu tinha que levar a outra. Guardei meu celular na bolsinha e abri a porta, indo em direção à saída da minha casa, e ele me seguiu.
Em 5 minutos, estávamos no 1º andar da ASACA. Major estava lá para ver se estava tudo certo e a minha instrutora, Lindsay, estava à postos com os dois agentes sombras que iriam de avião comigo, todos apenas me esperando. Olho para Jason, de repente, perdendo toda a força que eu havia sentido alguns minutos atrás. Ele estende a mala que ele estava segurando para mim, mas quem a pega é Lindsay, que chega por trás de mim correndo. Ela pega a mala que estava na minha mão também.
- Eu vou subindo com isso e colocando os garotos no carro -, informa ela à Major. - Deixe ela se despedir, Major. Você revê tudo lá em cima conosco.
Ele olha para mim e Jason, desconfiado, mas assente, entrando no elevador com Lindsay e os garotos.
Ficamos só eu e Jason novamente. Ele olha para mim, sorrindo, mas seus olhos estão tristes. Sorrio fraco, porque também não consigo fazer algo melhor que isso.
Ficamos nos olhando por alguns minutos, até que o elevador toca, e ele reaparece em nosso andar, se abrindo, sozinho. Eu sorrio.
- Acho que isso é uma mensagem do Major -, observo em voz alta, logo depois voltando à olhar para ele.
- É. Eu acho que sim.
Eu chego mais perto dele, passo as mãos em seu rosto, tentando decorar cada detalhe, e abraço-o, tentando ter seu cheiro comigo para sempre, relembrando nossos momentos, e querendo que apenas ficássemos sozinhos juntos, em segurança. Eu não quero soltá-lo. E realmente não nos soltamos. Ficamos assim por um tempo. Lágrimas quentes caem sobre meu rosto e sinto meu braço molhado também por suas lágrimas. Eu nunca vi Jason chorar. E provavelmente nunca verei, já que ele enxugará as lágrimas antes que nossos rostos se encontrem.
- Não morra -, pede ele, com a voz trêmula.
Eu queria muito responder que não ia morrer. Queria tanto dar a mesma resposta que dei alguns dias atrás, dizendo que voltarei daqui dois anos sem um arranhão sequer. Queria tanto que ele acreditasse. Mas eu sabia que minha resposta nunca sairia convincente o suficiente. E, mesmo que saísse, mesmo assim ele não acreditaria. Porque nem eu acredito nisso. Por isso, fico em silêncio, pensando na minha cabeça: "Não vou morrer. Não vou morrer. Não vou morrer.", e desejando que ele esteja pensando o mesmo.
- Não, tudo bem. Eu me viro -, respondo, sorrindo, sem olhá-lo. - Pode ir pro treinamento.
Como só eu estava liberada do treinamento para arrumar as malas, ele já estava até atrasado. Ele acena com a cabeça e se vai. Olho novamente para as malas.
Dois anos. Dois anos longe de casa... Porque, sim, eu reclamo, mas essa é minha casa. Talvez eu não a veja novamente. Nem à Jason. Isso me deixa triste, mas é um risco que eu tenho que correr. Continuo olhando a lista que me mandaram por e-mail e colocando tudo na mala: algumas calças, algumas armas especiais - quando se é agente secreto, suas armas vem codificadas para passarem sem problemas no aeroporto -, 3 blusas e alguns vestidos. Vários produtos que pessoas normais usam, carregador de celular, alguns sapatos, e uns casacos. O resto eu compraria tudo lá.
Chegou a hora da janta, nove horas, e eu ainda estava no banho. Eu ouvia a porta de entrada abrindo e fechando várias vezes, várias vozes conversando com Jason, e não estava entendendo nada. Saio do banho, seco o cabelo no secador, fazendo uma escova leve, e já saio vestida. Vejo Jason fechando a porta, parecendo cansado, e ele se assusta quando me vê entrando no quarto.
- Oi! - diz ele, sorrindo. - Uau, você está linda.
- Obrigada! - digo, rodopiando, como eu nunca faria de verdade, se eu não tivesse que encenar uma garotinha. Nós dois rimos.
- Ei, eu tenho um negócio para você! - diz ele, chegando mais perto de mim. Ele vai por trás de mim e fecha meus olhos. - Vem comigo, me acompanha.
Ele vai me dizendo para onde eu tenho que virar, e pelo "esquerda, direita, reto" que ele ia me dizendo, percebia que estávamos indo para o refeitório. Isso não ia prestar, com certeza.
Paramos depois de três minutinhos.
- Está pronta?
- Estou... - digo, meio desconfiada.
- Ok. Agora! - ele tira as mãos de meus olhos.
Não era possível.
Praticamente todos os agentes estavam reunidos em volta das mesas, e tinha um grande bolo de chocolate no centro. Os bolos de chocolate só eram servidos em feriados. E nunca havia visto tantos agentes juntos no refeitório sem ser comendo. E todos eles aplaudiam para mim, orgulhosos. Sinto meus olhos começarem a encher de lágrimas, e não sou rápida o suficiente para afastá-las. Apenas tento enxugá-las enquanto me viro para Jason e o abraço, forte, agradecendo-o.
- Como fez tudo isso?! - pergunto, olhando para ele e para o refeitório, que percebo agora que tem até uma faixa de "Good Luck, Skye" no teto.
- Estamos há algumas horas planejando isso tudo. O treinamento acaba às 17hrs, então ficamos até agora pouco ajeitando tudo.
- Minha nossa! Não precisava, sério! Meu Deus, que vergonha... - digo, cobrindo o rosto e rindo.
- Eu me lembrei que, ano passado, antes de eu ir embora, você juntou a maioria dos agentes e fez algo parecido com isso aqui, só que sem o bolo, porque não permitiram. Dessa vez, Major foi um pouco mais liberal, e permitiu que usássemos o bolo. Mandamos fazer ele ontem.
Eu me lembro da festa dele. Também foi uma festa de despedida. Eu implorei muito para o Major para usar o refeitório, ele deixou, mas quando eu pedi o bolo, ele disse que "nem por nada nesse mundo". Parece que ele realmente se importa comigo, por deixarmos ter um bolo dessa vez.
Ou ele acha que essa será a última oportunidade de me deixar feliz dentro dessa agência.
- O refeitório foi liberado e ficará aberto até às 11 horas. Podemos conversar, jogar e cantar hoje - anuncia Rue, animadíssima.
Eu janto a macarronada de toda a quarta feira, com ovos cozidos, e de sobremesa temos o bolo. O bolo é enorme: não de altura, mas de largura. Ele tem o tamanho para todos os agentes desta franquia, ou seja, mais de 400 pessoas. Na verdade, sempre serviam uns 4 bolos de uma vez, porque não existe um bolo que suporte 400 pessoas, mas por ter só metade da galera aqui, só tinha 1 bolo, um pouco maior do que os outros bolos de chocolate que servem geralmente.
Existem dois refeitórios na agência: o refeitório 1, que cabe 250 pessoas, e o refeitório 2, que cabe mais 250 pessoas. O refeitório 1 é para os agentes do nível 1 ao 50. O refeitório 2 é para os agentes do nível 51 à 100. Praticamente tudo aqui era dividido desse modo: os refeitórios, as localizações dos quartos, as salas de treinamento, as escolas. Estávamos no refeitório 2, e todos os meus amigos estavam lá. Quase todos os meus amigos eram acima do nível 51, então não houve nenhum problema. Todos pareciam se divertir, conversando, brincando de lutinha, jogando um jogo de mímica... Era legal ver todos tão descontraídos, como estão somente nos feriados. Fiquei feliz por eu ter sido a razão de todos terem dado um tempo.
Quando deu 11 horas, todos voltamos para nossos compartimentos. Eu me joguei na cama, cansada, e ele se jogou ao meu lado. Eu viro a cabeça para olhá-lo e percebo que ele teve a ideia primeiro. Nós sorrimos. Ele se aproxima de mim e me dá um selinho. Eu sorrio.
- Skye - diz ele, agora sério -, sobre ontem... Eu... Han...
Ele tenta achar as palavras certas, mas parece estar um pouco confuso. Eu dou uma risada e tento ajudá-lo:
- Você quer dizer "esqueça que aconteceu, mas ao mesmo tempo, lembre-se" ou "aquilo de fato mudou nossa relação?"
- "Esqueça o que aconteceu, mas ao mesmo tempo, lembre-se" - responde ele, sorrindo. - Obrigada por me ajudar. - Ele limpa a garganta. - Eu sei que foi perfeito, eu particularmente achei maravilhoso, fico feliz por você ter confiado em mim, mas acho que emoções e sentimentos são o que a gente menos precisa, certo? Digo, com você indo e eu também tendo minhas missões... Relacionamentos não são feitos para nós... Concorda?
- Cem por cento - digo, assentindo. - Podemos esquecer qualquer coisa que tenha passado pelas nossas cabeças, tirando o fato de que transamos, e seguiremos nossas vidas perfeitamente anormais. Combinado?
- Combinado. - Ele chega mais perto de mim e me abraça. - Só não me esqueça.
- Não vou. Eu prometo.
Meu despertador do celular toca. Isso indica que já é meia noite. Temos que sair daqui meia noite e dez, para chegarmos ao aeroporto uma hora, e pegarmos o avião às quinze para as duas.
Me levanto, meio desanimada, mas ao mesmo tempo agitada. Eu estava determinada à ganhar aquela guerra. E estava ansiosa para conhecer o mundo. Os garotos da One Direction pareciam ser realmente simpáticos e gentis, sabia que iriam me receber super bem. Eu estava preparada.
Jason se ofereceu para levar uma das malas até o elevador, já que eu tinha que levar a outra. Guardei meu celular na bolsinha e abri a porta, indo em direção à saída da minha casa, e ele me seguiu.
Em 5 minutos, estávamos no 1º andar da ASACA. Major estava lá para ver se estava tudo certo e a minha instrutora, Lindsay, estava à postos com os dois agentes sombras que iriam de avião comigo, todos apenas me esperando. Olho para Jason, de repente, perdendo toda a força que eu havia sentido alguns minutos atrás. Ele estende a mala que ele estava segurando para mim, mas quem a pega é Lindsay, que chega por trás de mim correndo. Ela pega a mala que estava na minha mão também.
- Eu vou subindo com isso e colocando os garotos no carro -, informa ela à Major. - Deixe ela se despedir, Major. Você revê tudo lá em cima conosco.
Ele olha para mim e Jason, desconfiado, mas assente, entrando no elevador com Lindsay e os garotos.
Ficamos só eu e Jason novamente. Ele olha para mim, sorrindo, mas seus olhos estão tristes. Sorrio fraco, porque também não consigo fazer algo melhor que isso.
Ficamos nos olhando por alguns minutos, até que o elevador toca, e ele reaparece em nosso andar, se abrindo, sozinho. Eu sorrio.
- Acho que isso é uma mensagem do Major -, observo em voz alta, logo depois voltando à olhar para ele.
- É. Eu acho que sim.
Eu chego mais perto dele, passo as mãos em seu rosto, tentando decorar cada detalhe, e abraço-o, tentando ter seu cheiro comigo para sempre, relembrando nossos momentos, e querendo que apenas ficássemos sozinhos juntos, em segurança. Eu não quero soltá-lo. E realmente não nos soltamos. Ficamos assim por um tempo. Lágrimas quentes caem sobre meu rosto e sinto meu braço molhado também por suas lágrimas. Eu nunca vi Jason chorar. E provavelmente nunca verei, já que ele enxugará as lágrimas antes que nossos rostos se encontrem.
- Não morra -, pede ele, com a voz trêmula.
Eu queria muito responder que não ia morrer. Queria tanto dar a mesma resposta que dei alguns dias atrás, dizendo que voltarei daqui dois anos sem um arranhão sequer. Queria tanto que ele acreditasse. Mas eu sabia que minha resposta nunca sairia convincente o suficiente. E, mesmo que saísse, mesmo assim ele não acreditaria. Porque nem eu acredito nisso. Por isso, fico em silêncio, pensando na minha cabeça: "Não vou morrer. Não vou morrer. Não vou morrer.", e desejando que ele esteja pensando o mesmo.
Nos soltamos depois de mais alguns minutos, e, como eu previ, ele vira de costas e enxuga o rosto. Respira profundamente e, só depois, se vira novamente para mim. Ele dá o maior sorriso que consegue, mas ainda sim é falso. Eu faço o mesmo. Respiro fundo e relaxo os braços, tentando tirar a tensão.
- Então -, digo, quebrando o silêncio -, é isso.
- É isso.
- Tô indo.
- Ok.
Não há mais nada para dizer. Não há mais nada para fazer. Eu me viro, indo em direção ao elevador, com suas portas de vidro, que dão visão para o monte de terra nos cercando. Eu entro nele. As portas se fecham. Eu olho uma última vez para Jason, com as portas já fechadas, vendo ele através do vidro. Ele continua com seu sorriso falso e otimista, embora eu já tenha ficado séria novamente. Olho para o lado e aperto o botão +1. O elevador demora cinco segundos até começar a se mover, lentamente.
- (gif) Por favor, não morra. Não morra, você também.- sussurro para ele, sem esperança de que ele ouça.
Ele realmente não me ouve. Mas, no último segundo que posso vê-lo, vejo ele responder de volta: "Não irei". Ele leu meus lábios, como eu acabara de fazer com ele. Porque ele me olhou até o último segundo. Porque ele me ama.
E, então, as portas se abrem novamente, mas quem aparece à minha frente é Major.
E, então, as portas se abrem novamente, mas quem aparece à minha frente é Major.
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