Haviam muros pesados e altíssimos em volta de um grande espaço de nada, que eram onde ficavam as saídas escondidas do prédio subterrâneo e toda a área que pertencia à nossa agência. Também dava para ver cercas elétricas no fim do muro, em volta no chão - tipo arbustos elétricos -, e guardas nas quinas, com armas apontadas para os céus. Eles protegiam mesmo aquele lugar.
Major K.L. me deu as últimas informações, meu cartão, revisou minha identidade, perguntou se estava tudo pronto em relação às malas e seus donos, e então entramos no carro.
Meus agentes sombras eram Ricky, um cara de trinta e poucos anos que eu só havia conversado algumas vezes na vida, e Polly, uma menina de 16 anos que eu não sabia o nome verdadeiro, já que todos a chamavam de Polly, já que ela era muito igual àquela bonequinha minúscula. Lindsay estava no banco do passageiro, e eu estava na janela do carro, enquanto os dois outros agentes conversavam entre eles sobre assuntos que eu sinceramente não prestei nem um pingo de atenção. Ao sairmos da agência, então, eu não lembrava nem mais meu nome.
Tudo estava extremamente diferente.
Tudo colorido. Tudo movimentado. Tudo barulhento. Tudo iluminado. Muitas pessoas. Muitos animais. Muitas fantasias. Muitas vozes. Muitas pinturas. Muitos telões espalhados pelas ruas. Desde quando Nova York é assim? É óbvio que ela sempre foi aprimorada, mas... isso é totalmente diferente. A última vez que eu saí que eu consegui avistar algo com calma, eu tinha dez anos. Faziam nove anos que eu não observava o mundo em que vivia. Nas missões, eu me concentro apenas no meu objetivo, eu não quero e nem preciso ficar olhando pela janela. Mas, olhando pela janela do meu táxi, mesmo que fosse enquanto íamos em direção ao meu objetivo, eu nem me lembrava que meu nome era Sophie. Eu não lembrava que eu era uma agente secreta. E eu não precisava. Eu sentia como se eu pertencesse aquilo. Não ao prédio subterrâneo que me bloqueia da vida, mas era como se eu saísse mais equilibrada, consciente e protegida para o mundo no qual eu descobri meu poder de defesa. Era como se eu visse o meu beco em cada esquina daquela cidade. E eu não o considerava mais um pesadelo; eu via pessoas rindo, brincando, conversando, cantando e dançando nas ruas de Nova York às duas da manhã, com seus celulares na mão, como se suas vidas fossem perfeitas. Eles usavam a noite como seus sonhos reais, eles queriam esquecer suas vidas por um momento. E eu os entendia. Mas não podia acompanhá-los; não fisicamente. Mas eu os olhava da minha janela do carro e me imaginava em volta deles, bebendo e dançando e cantando e sorrindo e vivendo. E eu sorrio, só de pensar no possibilidade de ser outro alguém.
Para mim pareceram cinco minutos, mas confirmaram que já fazia uma hora que estávamos no carro e que era para eu me preparar para descer.
Descemos, pegamos nossas malas e nos dirigimos para dentro do aeroporto. Ainda temos que esperar um tempinho, então compro um café e sento-me nos bancos de espera.
- Você quer comprar algum livro, Sophie? - pergunta Lindsay, sorrindo.
Eu me viro para ela, meio confusa por ela ter me chamado de Sophie, mas depois me lembro que foi uma pergunta, e tento responder rápido o suficiente para não parecer que eu tenha ficado confusa:
- Eu não sei, onde tem algum?
- Ali - diz ela, apontando para uma livraria dentro do aeroporto. - Eles são bem baratos. Pode usar seu novo cartão pela primeira vez, mocinha. - Ela pisca para mim.
Eu aceno com a cabeça, me levanto e vou em direção à livraria. Existem muitos livros que parecem ser interessantes, mas nunca ouvi falar sobre nenhum deles. Não temos tempo parar lermos na agência; e, mesmo se tivéssemos, existem livros próprios para nós, expostos na biblioteca do prédio subterrâneo, todos sobre missões e agentes importantes e o surgimento da ASACA e outras coisas do tipo.
Passo os dedos entre os livros, apreciando suas texturas, lendo seus nomes, imaginando que história se encaixaria mais comigo.
- Com licença -, diz uma voz atrás de mim, me fazendo pular. Era Ricky. - Está procurando algum livro em especial, mocinha?
- Não, Ricky -, respondo, sorrindo gentilmente. - Ainda não sei qual livro escolher.
- Qual o último livro que você leu? Assim, para termos mais ou menos uma ideia de que tipo de livro podemos procurar.
- Eu... Han... - penso por um bom tempo, tentando me lembrar. - Ah! Manual de sobrevivência do Deserto, livro 3, lá da biblioteca da ASACA.
- Não, Skye. Quero dizer o último livro normal que leu.
- Ah, sim. Normal. - digo, avaliando suas palavras. O que seria um livro normal? Penso no último livro que li fora da ASACA. Olho para as prateleiras, tentando me lembrar de algum, mas aí me toco que eu nunca acharei o nome desse livro. Me viro para ele e respondo, meio envergonhada, quase sem voz: - Nunca li um livro que não fosse da biblioteca do prédio. Eu aprendi a ler lá.
Ele olha para mim, primeiro meio confuso, mas depois assente, meio que como se houvesse finalmente lembrado do meu triste começo, e dá um sorriso penoso. Claro. Todos conhecem minha história dramática, e isso me deixa realmente irritada. Mas Ricky está apenas tentando me ajudar, está sendo gentil, então decido não descontar nele. Respiro fundo e sorrio, fingindo uma animação enorme, e volto a olhar as prateleiras.
- Então, começando do zero, qual livro acha que devo comprar? - pergunto, ainda encarando a enorme estante.
- Bom... Já que começaremos do zero, acho que deveria comprar A Menina Que Roubava Livros, Cidade de Papel, Bridget Jones e O Lado Bom Da Vida.
- Minha nossa, são muitos!
- Comece lendo A Menina Que Roubava Livros. Definitivamente.
- Tudo bem, então! - digo, sorrindo.
Eu vou até uma das atendentes e peço a lista de livro que Ricky acabara de me passar, e por sorte eles tem quase todos. Compro todos, menos Bridget Jones, e volto para sala de espera. Sento-me ao lado de Lindsay e mostro à ela todos os livros que comprei. Ela sorri, feliz.
- Que bom que gostou das compras, Skye. Fico feliz que tenha algo para se distrair agora. - Ela olha para o relógio. - Temos 45 minutos aqui ainda, 15 minutos no avião para a decolagem e 8 horas dentro do vôo. Acredito que você vá conseguir ler tudo isso e ainda sobrar tempo! - diz ela, rindo. Eu rio também, aceno com a cabeça, e já desembrulho o primeiro livro.
Nunca havia gastado tanto dinheiro na minha vida. Havia dado cerca de 100 dólares, o que não é exatamente muito, mas, para mim, era. E também 4 livros eram muitos para mim. Eu sabia que ia demorar para lê-los, porque queria decorar cada verso, cada capa, cada contracapa, os nomes dos autores, tudo. Eu queria senti-los na minha vida. Abro A Menina Que Roubava Livros e começo a ler, devagar, enquanto tomo um chocolate quente que Lindsay comprou enquanto eu estava fora.
- Eu nem acredito nisso! Que paraíso! -, ouço Polly gritar, saindo da livraria, após meia hora.
- Eu sei, eu sei. Fale mais baixo -, consigo ouvir Ricky quando eles chegam mais perto.
Como já me desconcentrei mesmo, tiro os olhos do livro e me deparo com algo muito doido: Ricky com duas sacolas de livros nas mãos, e Polly com sete! Sete sacolas de livros! Devem haver uns 15 livros ali, sem brincadeira. Aonde ela pensa que vai com tudo isso?!
- Você não acha que exagerou um pouco, Polly? -, pergunta Lindsay, delicadamente.
- Tá brincando?! Olha só isso! Todos os livros de Jogos Vorazes e ainda um monte de outros que são super recomendados! - ela fala, um pouco alto demais pelo entusiasmo, enquanto vai tirando os livros das sacolas para nos mostrar.
Sem querer, ela vai dar quatro livros para Ricky segurar, mas antes que ela possa avisá-lo, ela já os jogou. Ricky não percebe a tempo e leva uma cacetada de quatro livros no corpo. Ele geme, irritado, e tudo que eu consigo fazer é rir.
Vai ser uma longa viagem.
Passo os dedos entre os livros, apreciando suas texturas, lendo seus nomes, imaginando que história se encaixaria mais comigo.
- Com licença -, diz uma voz atrás de mim, me fazendo pular. Era Ricky. - Está procurando algum livro em especial, mocinha?
- Não, Ricky -, respondo, sorrindo gentilmente. - Ainda não sei qual livro escolher.
- Qual o último livro que você leu? Assim, para termos mais ou menos uma ideia de que tipo de livro podemos procurar.
- Eu... Han... - penso por um bom tempo, tentando me lembrar. - Ah! Manual de sobrevivência do Deserto, livro 3, lá da biblioteca da ASACA.
- Não, Skye. Quero dizer o último livro normal que leu.
- Ah, sim. Normal. - digo, avaliando suas palavras. O que seria um livro normal? Penso no último livro que li fora da ASACA. Olho para as prateleiras, tentando me lembrar de algum, mas aí me toco que eu nunca acharei o nome desse livro. Me viro para ele e respondo, meio envergonhada, quase sem voz: - Nunca li um livro que não fosse da biblioteca do prédio. Eu aprendi a ler lá.
Ele olha para mim, primeiro meio confuso, mas depois assente, meio que como se houvesse finalmente lembrado do meu triste começo, e dá um sorriso penoso. Claro. Todos conhecem minha história dramática, e isso me deixa realmente irritada. Mas Ricky está apenas tentando me ajudar, está sendo gentil, então decido não descontar nele. Respiro fundo e sorrio, fingindo uma animação enorme, e volto a olhar as prateleiras.
- Então, começando do zero, qual livro acha que devo comprar? - pergunto, ainda encarando a enorme estante.
- Bom... Já que começaremos do zero, acho que deveria comprar A Menina Que Roubava Livros, Cidade de Papel, Bridget Jones e O Lado Bom Da Vida.
- Minha nossa, são muitos!
- Comece lendo A Menina Que Roubava Livros. Definitivamente.
- Tudo bem, então! - digo, sorrindo.
Eu vou até uma das atendentes e peço a lista de livro que Ricky acabara de me passar, e por sorte eles tem quase todos. Compro todos, menos Bridget Jones, e volto para sala de espera. Sento-me ao lado de Lindsay e mostro à ela todos os livros que comprei. Ela sorri, feliz.
- Que bom que gostou das compras, Skye. Fico feliz que tenha algo para se distrair agora. - Ela olha para o relógio. - Temos 45 minutos aqui ainda, 15 minutos no avião para a decolagem e 8 horas dentro do vôo. Acredito que você vá conseguir ler tudo isso e ainda sobrar tempo! - diz ela, rindo. Eu rio também, aceno com a cabeça, e já desembrulho o primeiro livro.
Nunca havia gastado tanto dinheiro na minha vida. Havia dado cerca de 100 dólares, o que não é exatamente muito, mas, para mim, era. E também 4 livros eram muitos para mim. Eu sabia que ia demorar para lê-los, porque queria decorar cada verso, cada capa, cada contracapa, os nomes dos autores, tudo. Eu queria senti-los na minha vida. Abro A Menina Que Roubava Livros e começo a ler, devagar, enquanto tomo um chocolate quente que Lindsay comprou enquanto eu estava fora.
- Eu nem acredito nisso! Que paraíso! -, ouço Polly gritar, saindo da livraria, após meia hora.
- Eu sei, eu sei. Fale mais baixo -, consigo ouvir Ricky quando eles chegam mais perto.
Como já me desconcentrei mesmo, tiro os olhos do livro e me deparo com algo muito doido: Ricky com duas sacolas de livros nas mãos, e Polly com sete! Sete sacolas de livros! Devem haver uns 15 livros ali, sem brincadeira. Aonde ela pensa que vai com tudo isso?!
- Você não acha que exagerou um pouco, Polly? -, pergunta Lindsay, delicadamente.
- Tá brincando?! Olha só isso! Todos os livros de Jogos Vorazes e ainda um monte de outros que são super recomendados! - ela fala, um pouco alto demais pelo entusiasmo, enquanto vai tirando os livros das sacolas para nos mostrar.
Sem querer, ela vai dar quatro livros para Ricky segurar, mas antes que ela possa avisá-lo, ela já os jogou. Ricky não percebe a tempo e leva uma cacetada de quatro livros no corpo. Ele geme, irritado, e tudo que eu consigo fazer é rir.
Vai ser uma longa viagem.
382 páginas depois - também conhecido como uma hora-, já acabei de ler A Menina Que Roubava Livros - sim, eu tenho mania de devorar os livros e os decoro muito rapidamente -, e está na hora de embarcar. Lindsay me cutuca e me faz sair do transe de analisar a capa e a contracapa e os agradecimentos como se fossem as partes mais importantes do livro, me fazendo levantar.
- Tá com quantas malas de mão? -, pergunta ela à mim.
- Eu só tinha duas, mas agora tenho três, pelas sacolas de livros.
- Ok. É um número bom, já que não estão tão pesadas. E você, Polly?
Eles começam a avaliar os pesos, conferir as passagens, os documentos, os distintivos de agentes, se todos estão com as malas de mão em seus devidos lugares, se não estão esquecendo nada, se alguém quer fazer uma parada no banheiro, se os celulares já estão no modo avião... Com tudo conferido, em cima da hora, ouvimos a última chamada para nosso vôo nos alto falantes do aeroporto, e apressamos o passo até o portão de embarque.
A moça pega nossas passagens, nossos documentos e nossos distintivos. Ela olha desconfiada para mim e Polly, mas assim que ela vê Lindsay atrás de nós, abre um sorriso e nos deixa passar sem mais delongas.
- Você conhece ela? -, pergunta Polly à Lindsay.
- Eu conheço todos os seguranças da maioria dos aeroportos do mundo, Polly. Eu vivo viajando. Eles já me reconhecem. Mas não que eu conheça de fato essa moça. Agora, anda logo, vamos pegar nossos lugares. Estamos todos juntos?
- Sim -, responde Ricky. - Eu e você estamos no 42/43 e as meninas estão no 44/45.
- Ótimo, ótimo! - diz ela, animada. - Então, vamos procurar os assentos dos quarentões e nos ajeitarmos.
Entramos num corredor móvel, que nos leva até a entrada do avião. Ele é enorme. Nunca viajei com pessoas desconhecidas em um avião, nunca viajei num avião normal com passageiros normais. Embora eu imaginasse que seria um lugar grande, não achei que seria tão grande. Apesar disso, achamos nossos lugares sem dificuldade; Lindsay e Ricky estão na fileira do meio, de 3 pessoas, e eu e Polly ficamos com a fileira do canto, e eu fiquei com a premiada janelinha. Sento e já começo a ler meu segundo livro.
Acabei dormindo com o livro aberto em meu colo, e fui acordada por Polly, às 7 horas da manhã.
- Ei, você quer comer alguma coisa? - perguntou ela, baixinho. - Elas vão passar daqui uns minutos, acabaram de anunciar. É a única refeição comestível dos aviões, já vou logo avisando.
Eu rio e agradeço, despertando pra valer. Marco a página do meu livro com meu marcador e o coloco no bolso do banco da frente, abrindo minha bandeja. Já haviam 4 horas que estávamos em vôo, então agora faltavam apenas 4. Isso queria dizer também que não estaríamos ali para o almoço, o que, após o comentário de Polly sobre as refeições, me deixou aliviada. Comi meu café da manhã e recomecei minha leitura. Até agora, os três livros que eu havia lido eu havia amado, e esperava que Ricky tivesse realmente acertado em todos os livros que me indicou. Polly está com seus fones de ouvido do avião, ouvindo música e lendo um daqueles milhares de livros que ela havia comprado. Eu estava apenas lendo meu livro, sem querer uma música ou qualquer outra coisa que pudesse me desconcentrar. Olho para as poltronas do outro lado do corredor, e lá estão Lindsay e Ricky, rindo e conversando, baixinho, delicadamente. Eu queria saber há quanto tempo eles são amigos para estarem conversando tão livremente assim, já que ele é só um agente e, ela, uma capitã de time. Eu queria saber por quê ela o olha com um ar tão simpático e convidativo, quase terno, sendo que ela sempre fora tão fria. Eu queria saber por quê ele é mais gentil e cuidadoso com ela do que geralmente é com as outras pessoas. Mas, provavelmente, nunca saberei. É isso que dá, ser curiosa por coisas que não vão mudar nada na sua vida. Você morre querendo saber. Tento esquecer esse fato irritante, e volto a ler.
Mais algumas horas se passam, e ouço o comandante avisando que, em alguns minutos, iremos descer. Ele pede para fecharmos bandejas, apertarmos os cintos, endireitarmos os assentos e conferir se todos os porta malas estão devidamente fechados. Obedeço todas as regras sem problemas, enquanto algumas aeromoças passam para conferir se todos cumpriram as ordens. Elas saem, trancando as portas, e percebo que o avião começa a descer. Olho pela janela, e Londres fica lindíssima do meu ponto de vista. Cutuco Polly ao meu lado, para ela ver.
- O que foi? - pergunta ela, tirando os fones para guardá-los, como instruiu o comandante.
- Olha só -, sussurro, sem voz pela emoção.
Ela se espreme mais para o meu lado e, quando olha pela janela, ouço sua respiração longa e pesada. Olho de relance para ela, e sorrio. Seu olhar é de fascinação. Quase sem acreditar que realmente estava lá. E eu não podia julgá-la; provavelmente, meu olhar estava bem pior. Faziam anos e anos que eu não viajava vendo a vista de cima do lugar para onde eu ia. Eu nunca havia viajado assim, como uma viagem de gente normal. Eu nunca havia "lutado pela janelinha", já que eu nunca tive a oportunidade de entrar em um transporte com janelinha. Por um segundo, fico brava ao pensar na quantidade de vistas maravilhosas como essas que eu já perdi. Mas logo esqueço isso, pois não consigo pensar em nada além do quanto aquele lugar parecia mágico. Eu mal podia esperar para conhecer tudo aquilo.
- Pois é... - diz Polly, com uma voz meio embriagada pela vista. - Sophie, bem vinda à Londres.
Meu coração se aperta quando ela me chama pelo nome. Sophie. Fazia muito tempo que eu não ouvia alguém me chamar de Sophie, sem ser o Jason. Eu não sabia exatamente se gostava desse nome, mas sabia que ele mexia comigo. Eu realmente o amava antigamente; me fazia lembrar das minhas raízes, não me esquecer de onde vim. Mas, com o tempo, percebi que o que eu precisava fazer era exatamente esquecer que um dia fui Sophie. Eu era Skye, agora. Eu era uma agente secreta. Eu não era mais a garotinha do orfanato. Eu era uma agente secreta. E não existia uma Sophie agente secreta; esta era Skye. Eu não tinha mais espaço para a minha Sophie. Mas, mesmo assim, gostava quando me chamavam pelo antigo nome; me dava uma nostalgia. E, com a voz dela, delicada e gentil, quase senti como se eu ainda fosse uma criança, e Polly fosse minha mãe. Assim que ela disse "Sophie, bem vinda à Londres", consegui ouvir uma voz mais madura e mais amorosa do que a de Polly; a voz de minha mãe. Não tinha como eu saber exatamente, mas eu tinha quase certeza de que era sua voz.
Sem olhar para Polly, ainda observando a paisagem, permito que uma lágrima escorra pela minha bochecha. E depois outra. E mais uma. E, então, respiro forte para parar. Três lágrimas são o suficiente para liberar minha dor e angústia ou seja lá o que for isso que sinto dentro de mim. Não me permito ser fraca por mais tempo do que isso. Prefiro continuar encantada pela paisagem, pensando nas maravilhas que podem acontecer ali.

Após uma pequena turbulência, o avião finalmente aterriza. Ficamos mais alguns minutos sentados, esperando ele ir até a plataforma correta e aquele corredor aparecer na porta do avião. Eles nos permitem soltar os cintos, e logo levantamos para pegar nossas malas de mão. Tudo conferido, nós quatro saímos do avião junto com o resto do pessoal. Assim que chegamos para fora do corredor, na sala de desembarque, Ricky me agarra e me dá um abraço apertado. No começo eu não entendo bem, mas depois me ligo que todos eles vão embora agora, e eu terei que encontrar, sozinha, o cara com a placa "Skye", que me levará até os meninos. Magoada, o abraço de volta, forte também. Ele me solta, dá um sorrisinho e uns tapinhas no ombro.
- Apenas seja você. E tudo ocorrerá maravilhosamente bem -, indica ele à mim, piscando. Eu sorrio, envergonhada.
Lindsay vem até mim, meio constrangida e sem saber o que fazer. Percebo que ela quer me abraçar, me passar segurança e apoio, por essa ser uma missão complicada e por talvez não nos vermos mais, mas ela continua em sua defensiva de sempre. Por eu também ser uma pessoa fria e orgulhosa, geralmente apenas a ignoraria e pularia logo para Polly. Mas, dessa vez, algo me faz chegar mais perto de Lindsay, e começar um abraço desajeitado. Ela dá umas batidinhas nas minhas costas, meio dura, mas depois sussurra em meu ouvido:
- K.L. confia muito em você, Skye. Então, não vejo porque não confiar em você mesma.
Ela me solta, dá um sorriso controlado, e se junta à Ricky, mas para trás.
Olho para Polly, e ela está extremamente animada: várias sacolas na mão, um grande sorriso no rosto, corada, seus olhos brilhantes indicando sua felicidade. Qualquer agente normal estaria magoado por eu estar indo, ou por estar em missão, mas ela parece leve como uma pena. Ela vem para perto de mim, larga as sacolas no chão, e coloca seus braços agora vazios em meus ombros. Ela os aperta, com firmeza, e olha nos meus olhos.
- Sabe por que não estou triste ou preocupada igual eles, Sophie? -, pergunta ela, ainda utilizando meu antigo nome. - Porque eu confio em você. Não que eles não confiem, é claro que eles confiam, mas eu realmente daria minha vida por você. E eu vou dar, se for preciso. Porque você é uma líder, mesmo que não perceba. Serve de inspiração para os novatos, já que todos conhecem sua história. E, não, eu não estou dizendo a história triste e dramática; a história de Skye Jones, e eles acreditam em você. Eles sabem o quanto você é capaz. O que você vai enfrentar agora é tipo uma junção de tudo que já passou, só que agora tudo de uma vez. Mas isso não quer dizer que você vai se sair mal; se você se concentrar como sempre fez, ser fria nas horas certas e ser uma boa traidora para as pessoas que deve trair, você sairá daqui com vida, assim como todos os outros que merecem. Não se preocupe. Estaremos dando suporte físico e mental para você, Sophie. Eu tenho certeza que consegue.
Meu olhos se enchem de lágrimas. Ninguém nunca havia me passado tanta confiança antes. Major já havia me elogiado, e Jason sempre me pedia para voltar com vida e coisas do tipo, mas são coisas que agentes realmente falam uns para os outros. Mas Polly estava tão animada e tão determinada, que a cada palavra que ela dizia, uma emoção crescia em mim. Sua determinação me contagiara. Sua confiança fora depositada em mim, e eu a recebi por completo. Mesmo depois de 8 horas jogada numa poltrona dura pensando em quantos jeitos eu poderia morrer nesse meio tempo, consegui arrumar esperanças para acreditar que isso tudo pode realmente ser feito. Isso pode ser possível. Eu posso voltar para casa. Porque eu tenho à mim mesma, que eu sempre confiei, que nunca fracassou. Nem quando eu tinha só 7 anos e só tinha um estilingue. Nem quando eu era Sophie. E, se quando eu era Sophie eu não fracassei, por quê, depois de doze anos, a Skye fracassaria?
Eu a abraço forte, mas sem permitir que as lágrimas caiam novamente. A abraço como eu nunca abracei ninguém. Acho que nem Jason eu já abracei tão forte e amorosamente desse jeito. Ela me passava uma boa energia até pelo seu abraço. Aquela garota não era desse mundo.
- Não morra, vadia -, sussurro, rindo, por lembrar que a primeira vez que ela me viu perguntou à Jason "Quem é essa vadia?", já que ela gostava dele na época.
Ela ri também, pelo jeito também se lembrando daquele tempo, e depois me solta, pegando as sacolas do chão. Ela corre até onde Ricky e Lindsay estão, já longe, e vira para trás para me mandar um beijinho. Eu aceno de volta, sorrindo. Talvez eu não precisasse de meus pais, afinal. Talvez eu peça para Major não procurá-los. Talvez esses sejam meus familiares. Talvez esse seja meu lugar.
Mas isso não importava no momento. Me viro, mudando completamente de rosto, e foco em achar o cara com a bendita placa com meu nome. Comecei a andar por aí, comprei um chiclete, até que encontrei um moço de terno com uma placa "Sophie Jones". É estranho ver meu nome em uma letra tão grande, sendo que passei anos e mais anos tentando afastá-lo de mim. Mas Major achou mais seguro usar meu nome, que é um nome comum, do que Skye, já que os inimigos poderiam me reconhecer de outras missões, mas pedi para manter o sobrenome. Quando o vejo, aceno e vou indo em direção à ele, e ele sorri, aliviado.
- Que bom que chegou, senhorita Sophie! Meu nome é Brick - diz o moço, com seu sotaque britânico forte. - Venha comigo, vou te levar até a casa dos garotos.
Quase estranho ele me chamar se Sophie, mas aí me lembro que decidimos que eu usaria meu nome de nascença para não levantar suspeitas caso haja algum inimigo infiltrado por aí. Eu o sigo até o carro. Ele me ajuda a colocar as coisas no porta-malas e entramos no carro, ele como motorista e eu atrás, como passageira. Ele começa a explicar que cada menino tem sua casa ou apartamento, mas que Simon alugou uma mansão para todos os garotos se encontrarem eu reuniões ou darem festas ou se prepararem para a turnê. Esse mês, por exemplo, eles estavam lá pois teriam de treinar as vozes todos os dias, participariam de reuniões sobre como seria a turnê, experimentariam os figurinos entre outras coisas do gênero, e ficar indo e voltando para eles seria muito cansativo. Eu concordo, porque imagino o quão chato seria para mim dirigir 30 minutos todos os dias até chegar no meu local de trabalho e depois mais 30 minutos na volta... Argh, muita coisa. Ele também me disse que demoraria um bom tempo para chegarmos até lá, porque ela era distante para a segurança dos garotos. Aproximadamente 2 horas. Eu disse que tudo bem, afinal, eu tinha meus livros para me acompanharem. Abri já o quarto e me coloquei a ler, parando apenas quando Brick me dizia que estávamos passando em um ponto turístico enquanto explicava a história do local.
Um livro e meio depois, Brick começa a desacelerar.
- Já chegamos? - pergunto, ansiosa.
- Sim, sim! Vou entrar nessa estradinha e chegaremos na mansão! - responde ele, feliz.
Olho pela janela e mal consigo acreditar no que vejo: é realmente uma mansão! Enorme, de estilo clássico mas ao mesmo tempo moderna, toda reformada e ajeitada nos mínimos detalhes. Eu, sinceramente, não imaginava 5 adolescentes morando ali.
- Que bom que chegou, senhorita Sophie! Meu nome é Brick - diz o moço, com seu sotaque britânico forte. - Venha comigo, vou te levar até a casa dos garotos.
Quase estranho ele me chamar se Sophie, mas aí me lembro que decidimos que eu usaria meu nome de nascença para não levantar suspeitas caso haja algum inimigo infiltrado por aí. Eu o sigo até o carro. Ele me ajuda a colocar as coisas no porta-malas e entramos no carro, ele como motorista e eu atrás, como passageira. Ele começa a explicar que cada menino tem sua casa ou apartamento, mas que Simon alugou uma mansão para todos os garotos se encontrarem eu reuniões ou darem festas ou se prepararem para a turnê. Esse mês, por exemplo, eles estavam lá pois teriam de treinar as vozes todos os dias, participariam de reuniões sobre como seria a turnê, experimentariam os figurinos entre outras coisas do gênero, e ficar indo e voltando para eles seria muito cansativo. Eu concordo, porque imagino o quão chato seria para mim dirigir 30 minutos todos os dias até chegar no meu local de trabalho e depois mais 30 minutos na volta... Argh, muita coisa. Ele também me disse que demoraria um bom tempo para chegarmos até lá, porque ela era distante para a segurança dos garotos. Aproximadamente 2 horas. Eu disse que tudo bem, afinal, eu tinha meus livros para me acompanharem. Abri já o quarto e me coloquei a ler, parando apenas quando Brick me dizia que estávamos passando em um ponto turístico enquanto explicava a história do local.
Um livro e meio depois, Brick começa a desacelerar.
- Já chegamos? - pergunto, ansiosa.
- Sim, sim! Vou entrar nessa estradinha e chegaremos na mansão! - responde ele, feliz.
Olho pela janela e mal consigo acreditar no que vejo: é realmente uma mansão! Enorme, de estilo clássico mas ao mesmo tempo moderna, toda reformada e ajeitada nos mínimos detalhes. Eu, sinceramente, não imaginava 5 adolescentes morando ali.
Ele chega e estaciona o carro do lado de fora, ao lado das garagens.
Ele sai primeiro, tirando todas as malas do porta malas, enquanto eu recolho os livros que deixei jogados no banco de trás. Ele abre a porta para mim e me ajuda a sair. Pego uma das malas, enquanto ele fica com as outras duas, e vai indo em direção à casa, e eu o sigo.
- Os garotos são extremamente imprevisíveis e parecem não se cansar nunca, então, provavelmente vão estar quebrando alguma coisa agora mesmo, portanto, não se assuste.
- Tudo bem -, digo, rindo.
Mas, quando abrimos a porta, meu riso desaparece. Ele não estava brincando.
Vejo Zayn correndo em direção à nós, mas ele apenas passa direto, rindo, saindo da casa. Um cara musculoso passa entre nós dizendo "bom dia" e correndo atrás de Zayn.
- Aquele era Zayn e Paul, o guarda costas principal dos meninos -, explica Brick, dando de ombros.
Andamos mais um pouco e achamos Niall, vestido de terno. Ele está remexendo a gola e suando, e eu rio, porque realmente está muito calor pra usar terno.
- Niall -, chama Brick -, essa é a Sophie, a nova consultora de imagem e cabeleireira que Simon avisou que chegaria.
Niall olha para mim e sorri, de uma maneira fofa e amigável.
- Oi, bem vinda à família! Desculpa a bagunça... - diz ele, coçando a nuca, envergonhado.
- Tudo bem! - respondo, rindo.
- Já voltamos, vou apresentar a casa para ela -, anuncia Brick.
- Ah! Então eu vou com vocês! - diz ele, feliz.
Em questão de segundos, ele arranca toda a roupa, ficando só de cueca, e coloca o jeans e a camiseta que estavam na cadeira do lado dele. Eu me pergunto se ele sempre tira a roupa na frente de garotas desconhecidas sem problemas, mas depois me lembro que eu cuida da roupa dele, e é por isso que ele não se importa. Eu preciso deixar isso em mente.
Continuamos andando e encontramos Liam e Louis, brincando com xícaras. What. The. Fuck?!
- Liam! Louis! - grita Niall, quando chegamos na sala. - Esta é Sophie, nossa consultora nova.
Liam olha para mim e sorri.
- E aí! Bem vinda ao grupo!
- Eu quero ver ela! - diz Louis, com as xícaras na cabeça.
- Agora não, cabeção! - diz Liam, pronto para colocar outra xícara.
- Cabeção é o seu cu! - grita Louis, levantando e deixando todas as xícaras caírem.
Liam dá um grito e um super pulo para longe, assustado, enquanto eu só grito pelo susto. Niall cai na gargalhada, e Louis também ri. Acabo rindo também, mas Liam faz cara de bravo, e depois dá um soco em Louis.
- Me desculpe, Leeroy -, diz Louis, ainda rindo. Ele olha para mim de cima a baixo e sorri. - Nossa, escolheram você a dedo, hein!
- Awn, obrigada, Louis! - digo, sendo mais meiga do que realmente sou.
- Ela é do tipo do Harry, não acham? - avalia Liam, sorrindo. Niall concorda com a cabeça.
- Ah... - diz Louis, com desdém -... Achei ela mais o meu tipo!
Nós todos rimos, pois Louis tem namorada, e então ele vem até mim e me abraça. Eu abraço de volta, dessa vez realmente encantada pela gentileza e pelo humor dele, e, minha nossa, o abraço dele é uma delícia!
Niall coloca as mãos em meus ombros e diz a Brick que eles podem me mostrar a casa sem problemas.
- Mas eu estava primeiro apresentando ela à todos os integrantes -, reclama Brick.
- Ah, ele está com a Paola, ela tranca ele lá e ele só sai daqui umas horas... - diz Liam, dando de ombros. - Ela pode muito bem conhecer a casa primeiro!
Mesmo assim, Brick segura em meu ombro e diz, sério:
- Se eles começarem a te assustar demais, pode gritar para mim que eu apareço.
- Obrigada, Brick, mas acho que posso me virar -, respondo, sorrindo.
Ele acena com a cabeça e vai embora, enquanto Liam, Louis e Niall me guiam pela casa.
- A casa tem 9 quartos -, começa Liam. - Uma suite para cada um de nós, mais uma suite sem dono e 3 quartos para hóspedes. Alguns dos empregados dormem aqui, mas alguns vem para cá todos os dias, porque moram perto e não precisam de estadia.
- Ela tem, além dos quartos, duas academias, duas piscinas, uma cozinha, três salas, quatro banheiros, um jardim, dois quartinhos da bagunça, cinco closets e dois quartos de jogos. Ah, e as garagens -, diz Louis.
- O pessoal dorme nos quartos simples, que tem triliches e quadriliches, mas a suíte tá reservada para você, Lou e Paola, nossa maquiadora e nossa "estilista", porque vocês tem todos os produtos e todas as roupas para guardarem e tudo mais -, completa Niall.
- Nossa, que consideração de vocês, muito obrigada. É realmente impossível trabalhar em lugares pequenos quando se cuida de moda, e imagino que maquiadoras também sofrem porque né... -, tento soar o mais natural e adolescente possível, e pareço conseguir, porque eles sorriem e assentem.
- A gente tava pensando em ir pra piscina agora, e íamos chamar o Harry, mas aí o Zayn fez cagada e o Haz não tá liberado ainda, então se você quiser, daqui uma hora mais ou menos a gente te chama -, convida Louis.
- ... M-Mas eu sou só uma empregada! - digo, envergonhada. Eu sabia que precisava ser amiga deles, mas por biquini logo no primeiro dia, não dá!
- Ei, você não ouviu quando eu te disse "Bem vinda à família"?? - pergunta Niall, rindo. - Aqui somos todos um grupo de amigos, não importa se estão sendo pagos ou não. A Lou já disse que vai.
- Bom... Quem sabe -, digo, por fim.
Assim que digo isso, viramos uma esquina do corredor, e Zayn dá de encontro com Liam, que estava guiando o grupo. Os dois caem no chão, meio zonzos.
- Ai! - diz Liam, se levantando do chão. - Porra, Zayn! Quantos anos você tem?!
- Agora não! - responde Zayn, se levantando. - Tenho que...
Tarde demais. Paul chega atrás de Zayn, no começo do corredor.
- Louis! Me ajuda! - grita Zayn, atirado no chão.
Louis assente com a cabeça, estende a mão para Zayn e o ergue, já correndo para o quarto mais próximo. Niall os segue, gargalhando, e Liam começa a andar, até que para e me vê parada, confusa.
- Vem logo! - diz ele, rindo, pegando minha mão e me guiando.
Depois que todos entramos, Zayn vai fechar a porta quando o pé de Paul a bloqueia. Eu me junto à Niall nas gargalhadas infinitas, sem conseguir fazer mais nada.
- Merda! - grita ele, rindo. - Louis, reforços!
- Sim, senhor! - responde Louis, sério, levantando uma cadeira de rodinhas que ele achou pelo quarto e a prendendo na porta. - Caiam fora! - grita ele, para Paul e os outros seguranças brutamontes e assistentes que chegam atrás.
- Vocês precisam treinar a voz! - grita Paul, de lá de fora.
- Mais tarde! - responde Niall, ainda rindo muito.
- Estamos cansados! -, completa Liam.
- Pra brincadeiras vocês nunca estão, não é?! - grita ele, bravo, mas ainda sim dá para se ouvir um pouco de graça em sua voz.
Ele se irrita e dá um empurrão na porta, conseguindo abri-la mais ainda. Eu já consigo ver os outros atrás de Paul, ajudando ele, o que me faz rir mais ainda - afinal, são dois brutamontes contra dois moleques e uma cadeira.
Liam se junta aos garotos e entrega uma segunda cadeira para Louis, que a coloca atrás da porta, sem permitir que ela se abra mais.
- Ela tem, além dos quartos, duas academias, duas piscinas, uma cozinha, três salas, quatro banheiros, um jardim, dois quartinhos da bagunça, cinco closets e dois quartos de jogos. Ah, e as garagens -, diz Louis.
- O pessoal dorme nos quartos simples, que tem triliches e quadriliches, mas a suíte tá reservada para você, Lou e Paola, nossa maquiadora e nossa "estilista", porque vocês tem todos os produtos e todas as roupas para guardarem e tudo mais -, completa Niall.
- Nossa, que consideração de vocês, muito obrigada. É realmente impossível trabalhar em lugares pequenos quando se cuida de moda, e imagino que maquiadoras também sofrem porque né... -, tento soar o mais natural e adolescente possível, e pareço conseguir, porque eles sorriem e assentem.
- A gente tava pensando em ir pra piscina agora, e íamos chamar o Harry, mas aí o Zayn fez cagada e o Haz não tá liberado ainda, então se você quiser, daqui uma hora mais ou menos a gente te chama -, convida Louis.
- ... M-Mas eu sou só uma empregada! - digo, envergonhada. Eu sabia que precisava ser amiga deles, mas por biquini logo no primeiro dia, não dá!
- Ei, você não ouviu quando eu te disse "Bem vinda à família"?? - pergunta Niall, rindo. - Aqui somos todos um grupo de amigos, não importa se estão sendo pagos ou não. A Lou já disse que vai.
- Bom... Quem sabe -, digo, por fim.
Assim que digo isso, viramos uma esquina do corredor, e Zayn dá de encontro com Liam, que estava guiando o grupo. Os dois caem no chão, meio zonzos.
- Ai! - diz Liam, se levantando do chão. - Porra, Zayn! Quantos anos você tem?!
- Agora não! - responde Zayn, se levantando. - Tenho que...
Tarde demais. Paul chega atrás de Zayn, no começo do corredor.
- Louis! Me ajuda! - grita Zayn, atirado no chão.
Louis assente com a cabeça, estende a mão para Zayn e o ergue, já correndo para o quarto mais próximo. Niall os segue, gargalhando, e Liam começa a andar, até que para e me vê parada, confusa.
- Vem logo! - diz ele, rindo, pegando minha mão e me guiando.
Depois que todos entramos, Zayn vai fechar a porta quando o pé de Paul a bloqueia. Eu me junto à Niall nas gargalhadas infinitas, sem conseguir fazer mais nada.
- Merda! - grita ele, rindo. - Louis, reforços!
- Sim, senhor! - responde Louis, sério, levantando uma cadeira de rodinhas que ele achou pelo quarto e a prendendo na porta. - Caiam fora! - grita ele, para Paul e os outros seguranças brutamontes e assistentes que chegam atrás.
- Vocês precisam treinar a voz! - grita Paul, de lá de fora.
- Mais tarde! - responde Niall, ainda rindo muito.
- Estamos cansados! -, completa Liam.
- Pra brincadeiras vocês nunca estão, não é?! - grita ele, bravo, mas ainda sim dá para se ouvir um pouco de graça em sua voz.
Ele se irrita e dá um empurrão na porta, conseguindo abri-la mais ainda. Eu já consigo ver os outros atrás de Paul, ajudando ele, o que me faz rir mais ainda - afinal, são dois brutamontes contra dois moleques e uma cadeira.
Liam se junta aos garotos e entrega uma segunda cadeira para Louis, que a coloca atrás da porta, sem permitir que ela se abra mais.

Niall já está sentado no chão de tanto rir, e percebo que Zayn está perdendo suas forças pelas gargalhadas, mas Louis continua apenas com um sorriso no rosto enquanto debocha de Paul, que olha ele irritadamente.
De repente, Paul se afasta da porta, desistindo. Na pequena pausa de força para respirar que Zayn e Louis dão, Paul volta com tudo, fazendo Louis se afastar correndo e amassando Zayn na parade. As minhas gargalhadas e as de Niall aumentam ainda mais, e eu me sento no chão com ele para rir.
Ele entra já pegando Louis no colo, e desgruda Zayn da parede - onde ele dramaticamente se instalou para ficar agarrado fingindo chorar -, o colocando no outro ombro. Os dois se debatem como se fossem peixes, e eu fico rindo muito. Niall me ajuda a levantar, eu ajeito meu vestido e os seguimos.
- Se a gente ensaiar agora, às cinco podemos ficar liberados? - pergunta Liam, esperançoso.
- Seis e meia -, responde Paul, sem olhar para Liam, ocupado demais com os dois búfalos nos seus ombros.
- Por que não cinco e meia? - pergunta Niall, agora com voz séria, meio triste até.
- Porque o contrato diz seis e meia. Porque não conseguimos terminar tudo antes das seis e meia. Ainda mais com vocês brincando. - Ele chacoalha os ombros, irritado. - LOUIS E ZAYN, PAREM DE DANÇAR MACUMBA NOS MEUS OMBROS OU VAMOS TODOS CAIR NO CHÃO!
Eu rio com a expressão brava dele acompanhada de uma frase tão idiota, mas Zayn e Louis parecem obedecê-lo, porque param na hora.
Ele bate na porta de um dos quartos, que imagino ser o da estilista, onde está Harry. Ele espera uns 10 segundos e, então bate novamente. Mais 10 segundos. E nada.
Liam vai para frente e bate novamente na porta. Estávamos ouvindo a voz de Harry e a voz de outra moça, que eu supunha ser a Paola, mas ninguém abria a porta. Quando Liam deu mais uma única batida, a resposta veio:
- MAS SERÁ POSSÍVEL QUE NÃO SE PODE TRABALHAR EM PAZ, CAZZO?! PAREM DE ME ATAZANAR, GAROTOS ESTÚPIDOS! - disse a moça, com um sotaque forte que, com certeza, não era britânico.
- Paola, sou eu -, diz Paul, calmamente. - Já são três e meia. Preciso de Harry.
- Mas eu só tive uma hora para usá-lo! Eu não conseguirei fazer nada deste jeito! - responde ela, irritada.
- Paola, devolva o garoto, por favor.
- Che cazzo, come vogliono che risolvere il vostro stile del ragazzo mi dando solo un'ora per raddrizzare questo pasticcio! (mas que merda, como eles querem que eu ajeite o estilo do garoto se me dão só uma hora pra arrumar essa bagunça?!)
- Não adianta nos xingar em sua língua, Paola, só devolve logo meu cara pra gente ir pro teste de voz! Eu quero entrar na piscina mais tarde!
Ela abre a porta, enfurecida, e taca Harry para fora. Ele cambaleia pelo empurrão e cai em cima de mim, e nós dois caímos. Niall cai na gargalhada. Harry levanta do chão e fica sentado, arrumando o cabelo, quando percebe que caiu em mim, e então se levanta apressado, me ajudando a levantar e falando desculpas mil vezes:
- Desculpa! Ah meu Deus! Me desculpa! - gritou ele, tentando segurar o riso. - Eu te derrubei!
- Ah, não diga! - digo, ironicamente.
- Vamos lá, eu te ajudo a levantar... Cara, me desculpa, sério! - Ele estende sua mão e eu a agarro, ainda de cara amarrada.
Ele não consegue mais segurar e começa a rir feito um babaca, e suas desculpas, na verdade, pioram sua situação.
- Minha nossa, desculpa! - ele diz, ainda sem parar de rir. - Não foi minha intenção! Nada disso! Eu juro! É que foi muito bizarro! E sua falsa irritação tá muito mal feita! Não tem como não rir!
Eu abro a boca para protestar, indignada, mas era verdade: eu não estava realmente irritada; o biquinho era para disfarçar a minha risada. Acabo deixando pra lá e, assim que me levanto, o empurro, brincando.
- Idiota -, digo, voltando para perto do Niall.
- Você caiu igual uma pata! (gif) - diz ele, rindo muito e tirando a blusa que Paola havia colocado nele.
Liam vai para frente e bate novamente na porta. Estávamos ouvindo a voz de Harry e a voz de outra moça, que eu supunha ser a Paola, mas ninguém abria a porta. Quando Liam deu mais uma única batida, a resposta veio:
- MAS SERÁ POSSÍVEL QUE NÃO SE PODE TRABALHAR EM PAZ, CAZZO?! PAREM DE ME ATAZANAR, GAROTOS ESTÚPIDOS! - disse a moça, com um sotaque forte que, com certeza, não era britânico.
- Paola, sou eu -, diz Paul, calmamente. - Já são três e meia. Preciso de Harry.
- Mas eu só tive uma hora para usá-lo! Eu não conseguirei fazer nada deste jeito! - responde ela, irritada.
- Paola, devolva o garoto, por favor.
- Che cazzo, come vogliono che risolvere il vostro stile del ragazzo mi dando solo un'ora per raddrizzare questo pasticcio! (mas que merda, como eles querem que eu ajeite o estilo do garoto se me dão só uma hora pra arrumar essa bagunça?!)
- Não adianta nos xingar em sua língua, Paola, só devolve logo meu cara pra gente ir pro teste de voz! Eu quero entrar na piscina mais tarde!
Ela abre a porta, enfurecida, e taca Harry para fora. Ele cambaleia pelo empurrão e cai em cima de mim, e nós dois caímos. Niall cai na gargalhada. Harry levanta do chão e fica sentado, arrumando o cabelo, quando percebe que caiu em mim, e então se levanta apressado, me ajudando a levantar e falando desculpas mil vezes:
- Desculpa! Ah meu Deus! Me desculpa! - gritou ele, tentando segurar o riso. - Eu te derrubei!
- Ah, não diga! - digo, ironicamente.
- Vamos lá, eu te ajudo a levantar... Cara, me desculpa, sério! - Ele estende sua mão e eu a agarro, ainda de cara amarrada.
Ele não consegue mais segurar e começa a rir feito um babaca, e suas desculpas, na verdade, pioram sua situação.
- Minha nossa, desculpa! - ele diz, ainda sem parar de rir. - Não foi minha intenção! Nada disso! Eu juro! É que foi muito bizarro! E sua falsa irritação tá muito mal feita! Não tem como não rir!
Eu abro a boca para protestar, indignada, mas era verdade: eu não estava realmente irritada; o biquinho era para disfarçar a minha risada. Acabo deixando pra lá e, assim que me levanto, o empurro, brincando.
- Idiota -, digo, voltando para perto do Niall.
- Você caiu igual uma pata! (gif) - diz ele, rindo muito e tirando a blusa que Paola havia colocado nele.
Depois que ele enxuga as lágrimas de tanto rir e todos já estamos devidamente acalmados, ele para, sério, e me olha de cima a baixo, finalmente vendo que não me conhecia.
- Afinal... Quem é você? - pergunta ele, meio envergonhado.
- Eu sou Sophie, a nova consultora de imagem e maquiadora de vocês. Vou ficar um bom tempinho com vocês! - Tento ser o mais delicada, fofa e sincera possível, e acho que consigo, porque ele dá um sorriso meio desajeitado.
- Hãn... - Liam dá uns tapinhas nas costas dele e ele meio que acorda do transe, pigarreando. - Então, bem vinda. Acho que vai ser bem legal ter você por aqui, você vai gostar -, diz ele, sendo gentil, mas com uma cara sonhadora, voltando ao transe.
Eu não entendo muito bem, então apenas assento e deixo Paul em guiar com os meninos em direção à sala de treino, enquanto ele e Niall me mostram alguns cômodos da casa que ainda não tínhamos visto.
Chegando lá, encontro três pessoas andando apressadas de um lado pro outro da sala, que param apenas para um "oi" rápido quando os meninos entram. A sala é realmente enorme, e as paredes são mais espessas e feitas especialmente para não vazar o som e ficar um bom local de treino. Os meninos já se ajeitam, alguns encostados na parede e outros sentados nas cadeiras, Niall pega uma bala, Louis toma um copinho de chá, e eu me encosto num cantinho da sala, onde uma das moças disse que seria o melhor lugar para eu ficar.
- Muito bem, garotos. Vamos começar hoje de trás pra frente do álbum, já que na última sessão nas últimas músicas vocês não estavam tão concentrados.
- É que a gente queria ir embora, cara - diz Liam, sendo tão sincero que me faz rir silenciosamente.
Mas a instrutora não parece gostar, já que seu olhar repreensivo faz eles todos se calarem. Ela se espreguiça, os meninos também, e aí começam os exercícios de aquecimento.
Eles ficam uma meia hora só naqueles exercícios chatos, e nenhum deles parece muito animado. No final, eles já estão fazendo com desleixo, Zayn quase dormindo, até. A moça, então irritada, começa a bater palmas que ecoam por toda a sala, fazendo todos darem um pulo - inclusive eu e Paul, que estávamos quase dormindo também. Ela então grita:
- Vamos lá, garotos! Vocês têm pouco tempo para treinar! Vocês não podem se esforçar só mais um pouco?! Querem decepcionar suas fãs?! Finjam que já estão no show! Quero ver como agiriam lá!
- Primeiramente, estaríamos vestidos e teríamos mais espaço pra pular pelo palco... -, brinca Louis, fazendo todos nós rirmos. Mas, claro, a moça não ri.
Um dos homens que também era instrutor levanta e procura algo pela sala. Ele para, olha para mim, e sorri.
- Você, meu amor. Levante-se -, pede ele, delicadamente. Eu me levanto, sem entender. Ele se volta para os garotos. - Finjam que ela é a fã número um de vocês. Finjam que a amam mais que tudo no mundo. Cantem de coração para ela. Cantem pra valer. Não a decepcionem.
Todos na sala se voltam para mim, e eu encolho os ombros, sorrindo timidamente. Ok, essa não é uma situação normal. Eu estava realmente envergonhada, e isso é raro. Mas, ao olhar para os garotos, todos eles de pé, sorrindo e realmente parecendo felizes por eu estar ali, meu medo se dissipou. Eu me solto, acalmada, e espero eles começarem.
- Comecem com Happily -, pede o terceiro homem, sentado na cadeira com os pés em cima da mesa.
Os garotos da banda começam o instrumental. Harry olha para mim, com seus olhos verdes profundos sobre mim, e, sorrindo, começa:
- You don't understand, you don't undertand what you do to me when you hold his hand... We were meant to be but it just a fade, made it so we had to walk away...
E assim, a voz de todos os garotos começa a preencher a sala. Eu me permito fechar os olhos durante o primeiro refrão, e sinto algo que só senti, de verdade, uma vez na vida: prazer. O prazer bom de conhecer algo novo que você tem certeza que mudará a sua vida. Eu senti isso na primeira vez em que pisei no QG, com 8 anos. E eu senti isso agora, diante desses 5 garotos. Eu senti sua energia positiva transbordando por suas bocas e preenchendo o local. Eu sentia uma alegria imensa vindo de dentro de mim, uma chama que não queria ser apagada, uma vontade louca de dançar e ser feliz. Eu não sabia como, muito menos por quê, mas eu amava aquilo. E, então, eu sorri. Um sorriso alegre, aliviado, um sorriso puro e verdadeiro, que eu não dava há muito tempo.
Abri os olhos e eles se encontraram novamente com os de Harry, e meu grande sorriso se transformou num sorriso tímido. Ele era todo infantil e ligeiramente grosseiro com suas brincadeiras, mas de um modo bom, e sua presença me deixava encantada. Eu não conseguia compreender como, mesmo com toda a pressão de milhões e milhões de fãs e empresários, ele conseguia ser tão natural e ser feliz de sua maneira. Ele realmente estava cantando com o coração, porque eu podia sentir seu amor.
Quando a música acabou, eu e Harry ainda sim continuamos nos fitando, em transe, até que Liam deu uma tossida leve e eu 'acordei'.
- É, foi bom! - disse ele, feliz.
- "Bom" não é suficiente, senhor Payne -, reclamou o cara que estava sentado na cadeira. - As fãs não pagaram tanto para "bom". Elas não se deslocarão dos mais remotos lugares para um "bom" show.
- Elas querem um espetáculo -, concluiu a moça. - E nós daremos à elas o que elas querem.
- Mas foi mais do que bom! Foi ótimo! Ninguém errou nenhuma parte da letra e nem das notas! -, defendeu Niall.
- Não importa, não está perfeito -, debateu a moça.
- Hãn, se me permitem - disse, dando um passo à frente e chamando novamente a atenção para mim -, eu achei que foi, realmente, fantástico. Deu para sentir a energia deles transbordando pela sala. Fez eu me sentir tão... leve. Foi, sim, perfeito. As fãs não esperam nada mais que isso. Eu sei porque sou uma delas, e isso é realmente tudo que eu espero no show. Os meninos felizes, cantando suas músicas, passando energia positiva e brincando no palco!
Despejei tudo de uma vez só, finalizando com um grande sorriso e olhando para o grupo. Eu não sei de onde veio tudo aquilo, simplesmente saiu tudo da minha boca e veio à tona. Mas me senti agradecida por não ter empacado no começo da frase, porque a moça levantou uma sobrancelha, avaliando minha opinião. O homem que estava de pé se apressou em dizer:
- Bom, se a fã gostou, então também gostamos. De acordo? - Ele olha para seus colegas de avaliação.
- Que seja -, responde a moça, abanando a mão.
Os meninos sorriem aliviados para mim, por não terem que se esforçar ainda mais, e então eles continuam o repertório: cantam o álbum todo umas 2 ou 3 vezes, com apenas pequenas pausas para descansar, e mais umas músicas dos outros álbuns. Quando os avaliadores os liberam para sentar, eles caem nas cadeiras, exaustos. Os avaliadores começam a decidir quais músicas foram melhores executadas e, então, quais entrarão para a turnê. Os meninos também dão suas opiniões, dizendo quais músicas eles mais gostam e onde eles mesmos acham que pode melhoras, fazendo até ajustes vocais.
Dá cinco para as seis da tarde, e somos finalmente liberados da sala. Os meninos levantam, felizes, e abrem a porta na maior correria.
- Eu preparo os lanches enquanto vocês trazem as roupas de banho! - grita Niall, correndo pra cozinha.
- Vou pegar as boias! - grita Liam, correndo para a direção do quintal.
- Eu não sei onde estão suas sungas, Liam! - grita Zayn, já lá em cima, sem resposta. - Liam?! LE-YUUUUUUM!
- Alguém sabe onde eu guardei a pasta de amendoim? - pergunta Louis, calmamente subindo as escadas.
- Ei, espera! O que está acontecendo?! - pergunto, finalmente. Acho Harry andando pelo corredor. - Harry! Harry!
Como ele não me atende, tenho que correr até ele e o parar, chacoalhando-o.
- Harry! Ei! O que tá rolando?!
- (gif) Ah, desculpa, eu não estava te ouvindo. Estava imaginando nós dois transando. - diz ele, com um sorriso sarcástico e malicioso.

Abri os olhos e eles se encontraram novamente com os de Harry, e meu grande sorriso se transformou num sorriso tímido. Ele era todo infantil e ligeiramente grosseiro com suas brincadeiras, mas de um modo bom, e sua presença me deixava encantada. Eu não conseguia compreender como, mesmo com toda a pressão de milhões e milhões de fãs e empresários, ele conseguia ser tão natural e ser feliz de sua maneira. Ele realmente estava cantando com o coração, porque eu podia sentir seu amor.
Quando a música acabou, eu e Harry ainda sim continuamos nos fitando, em transe, até que Liam deu uma tossida leve e eu 'acordei'.
- É, foi bom! - disse ele, feliz.
- "Bom" não é suficiente, senhor Payne -, reclamou o cara que estava sentado na cadeira. - As fãs não pagaram tanto para "bom". Elas não se deslocarão dos mais remotos lugares para um "bom" show.
- Elas querem um espetáculo -, concluiu a moça. - E nós daremos à elas o que elas querem.
- Mas foi mais do que bom! Foi ótimo! Ninguém errou nenhuma parte da letra e nem das notas! -, defendeu Niall.
- Não importa, não está perfeito -, debateu a moça.
- Hãn, se me permitem - disse, dando um passo à frente e chamando novamente a atenção para mim -, eu achei que foi, realmente, fantástico. Deu para sentir a energia deles transbordando pela sala. Fez eu me sentir tão... leve. Foi, sim, perfeito. As fãs não esperam nada mais que isso. Eu sei porque sou uma delas, e isso é realmente tudo que eu espero no show. Os meninos felizes, cantando suas músicas, passando energia positiva e brincando no palco!
Despejei tudo de uma vez só, finalizando com um grande sorriso e olhando para o grupo. Eu não sei de onde veio tudo aquilo, simplesmente saiu tudo da minha boca e veio à tona. Mas me senti agradecida por não ter empacado no começo da frase, porque a moça levantou uma sobrancelha, avaliando minha opinião. O homem que estava de pé se apressou em dizer:
- Bom, se a fã gostou, então também gostamos. De acordo? - Ele olha para seus colegas de avaliação.
- Que seja -, responde a moça, abanando a mão.
Os meninos sorriem aliviados para mim, por não terem que se esforçar ainda mais, e então eles continuam o repertório: cantam o álbum todo umas 2 ou 3 vezes, com apenas pequenas pausas para descansar, e mais umas músicas dos outros álbuns. Quando os avaliadores os liberam para sentar, eles caem nas cadeiras, exaustos. Os avaliadores começam a decidir quais músicas foram melhores executadas e, então, quais entrarão para a turnê. Os meninos também dão suas opiniões, dizendo quais músicas eles mais gostam e onde eles mesmos acham que pode melhoras, fazendo até ajustes vocais.
Dá cinco para as seis da tarde, e somos finalmente liberados da sala. Os meninos levantam, felizes, e abrem a porta na maior correria.
- Eu preparo os lanches enquanto vocês trazem as roupas de banho! - grita Niall, correndo pra cozinha.
- Vou pegar as boias! - grita Liam, correndo para a direção do quintal.
- Eu não sei onde estão suas sungas, Liam! - grita Zayn, já lá em cima, sem resposta. - Liam?! LE-YUUUUUUM!
- Alguém sabe onde eu guardei a pasta de amendoim? - pergunta Louis, calmamente subindo as escadas.
- Ei, espera! O que está acontecendo?! - pergunto, finalmente. Acho Harry andando pelo corredor. - Harry! Harry!
Como ele não me atende, tenho que correr até ele e o parar, chacoalhando-o.
- Harry! Ei! O que tá rolando?!
- (gif) Ah, desculpa, eu não estava te ouvindo. Estava imaginando nós dois transando. - diz ele, com um sorriso sarcástico e malicioso.
- Minha nossa, você é um completo idiota.
- Ah, mas você curte minha idiotice, fala sério.
- Me conte logo que caralhos está acontecendo, seu inútil! - disse, revirando os olhos.
- Calma aí, garota! Que estresse! - diz ele, rindo como se fazer uma piada vulgar para mim fosse fantástico. - Eles só estão se preparando para ir à piscina, já que a gente só tem duas horas. Eu acho melhor você fazer isso também.
- Ah, eu não vou na piscina com vocês.
- Claro que vai. Eu estou mandando. Como seu chefe.
- Você não é meu chefe, espertinho, Simon é que é. Eu não tô afim de ficar de biquíni na frente de vocês logo no primeiro dia!
Ele franze as sobrancelhas, parecendo irritado, e, de repente, me pega no colo e sai correndo comigo até as escadas, subindo-as devagar para não cairmos.
Eu juro que nunca gritei tanto na minha vida. Eu batia em suas costas e mandava ele me soltar, mas ele apenas ria de mim e continuava me apertando forte contra seu peito. Chegando em frente ao meu quarto, ele finalmente me põe no chão, abrindo a porta e me empurrando delicadamente para dentro.
Lou olha para mim e Harry, primeiro parecendo assustada de termos aparecido ali do nada, mas depois age como se fosse a coisa mais normal do mundo, e termina de se arrumar.
- Ei, você pode por favor fazer essa mocinha descer com a gente? Ela precisa se enturmar! - diz Harry, sorrindo para ela e depois dando uma piscadinha em minha direção, já fechando a porta.
Eu me viro e olho Lou. Ela sorri, amigável como sempre disseram que ela era.
- Olá! Acho que ainda não deu tempo de nos apresentarmos cara a cara... Eu sou Lou.
- E eu sou Sophie, a nova consultora de moda e cabeleireira dos garotos.
- Ah, sim! Simon nos avisou que você chegaria! - Ela me olha da cabeça aos pés, e assente com a cabeça, com um sorrisinho. - Uau, você é mesmo lindíssima! E sua maquiagem valoriza muito você, garota! É isso aí!
- Ah, que é isso! Obrigada! Você também é linda, sempre foi uma inspiração para mim porque eu te sigo em todas as redes sociais desde que ficou conhecida como a maquiadora dos garotos!
- Awn, que fofinha! Não me entenda mal, mas você não é muito nova para ter faculdade já feita, Sophie?
- Na verdade, eu tenho 19 anos e comecei a faculdade com 17. Aí, como parte da faculdade eu precisava de um estágio, e por ser a aluna com notas mais altas me colocaram em destaque, entendeu? Depois daqui, ainda tenho mais seis meses de curso!
- Ah, agora faz sentido! Notas mais altas, hein? Você tá com tudo, colega! Agora, vem cá, me mostra seus biquínis que vamos escolher o mais legal para cairmos na piscina!
- Nããão, eu não quero ir! - disse, me jogando sentada na minha cama.
- Vamos lá, deixa de preguiça! Eles são super divertidos, você vai ver só! Precisa se entrosar com eles, Sophie! Você é parte da família agora!
Eu parei e pensei. Se eu não fosse, eu provavelmente levaria um cascudo do Major mais tarde. E estava muito quente. E eu estava cansada da pressão e das farsas e das viagens longas. Por que não descansar na piscina com vários garotos gatos e meninas legais?
Eu me levantei, sorrindo, e respondi, já tirando a blusa:
- Então, vamos lá!
Depois de poucos minutos, ela já tinha me mostrado qual biquíni eu deveria usar, me emprestou sua saída de praia e, enquanto descíamos as escadas, Louis passou por nós e distribuiu coroas de flores para nós duas. Eu ri ao ver toda aquela preparação para apenas pular na piscina.
Depois de 20 minutos de todos se arrumando e arrumando o local, quando descemos o sol já começava a se pôr. E, quando eu olhei aquela piscina, fiquei de boca aberta.
Haviam luzinhas - daquelas tipo de natal - enroladas por todas as palmeiras, que eu não havia notado antes. Luzes rosas, azuis, amarelas, brancas e vermelhas piscavam delicadamente pelo local, em contraste com as cores do pôr do sol. Todos usavam coroas de flores e tinham copos de festa nas mãos, mas na verdade todos bebiam refrigerante ou suco. Uma música agitada, porém na medida do ambiente, preenchia o local, que deixava tudo mais zen. Os meninos já estavam dentro da piscina, brincando com as boias e mergulhando feito loucos. Paola estava apenas com as pernas para dentro da piscina menor, bebericando em seu copo e conversando baixinho com um dos outros empregados.
O primeiro a me notar foi Harry, que abriu um sorriso enorme ao me ver se aproximando.
- Olha só, a zangadinha veio para a festa!
Eu olho para ele e mostro a língua, rindo. Os meninos se viram e, ao me ver, todos batem palma e abrem os braços e jogam água para fora da piscina, fazendo alguns dos adultos lá presentes reclamarem baixinho, mas pareciam já estar acostumados com essas macacadas...
- Oi! Eu vim, sim!
- Seja bem-vinda ao nosso "luau"! Vamos zoar? - pergunta Louis, feliz, de fora da piscina.
- Vamos zoar! - respondo, animada.
- Ótimo, então começa com você, Louis -, diz Liam, dando um pequeno empurrãozinho em Louis que, por estar molhado e pelo chão também estar molhado, cai com tudo na piscina.
- Minha nossa! Ele não se machucou?! - pergunto, meio preocupada.
- Relaxa -, diz Harry, que saiu da piscina para tomar mais refrigerante -, ele tá acostumado... Daqui um tempo, você também vai estar!
- Ah, nem tentem! - digo, rindo ironicamente.
- Ah, é? - diz Liam, chegando mais perto, de braços abertos.
Eu saio correndo em volta da piscina, tomando cuidado com os lugares molhados, e Liam e Harry me perseguem, rindo. É óbvio que eles são mais rápidos do que eu, então Liam me alcança em míseros dez segundos. Ele me abraça e nos joga na piscina, juntos. Assim que eu volto à superfície, jogo uma boa quantia de água na cara dele, que se engasga.
Começa a tocar Live While We're Young na playlist, Harry ri, termina seu refri e se joga na piscina, gritando:
- Hora do clipe!
Eu fico mais uma vez sem entender nada, e vou para o canto da piscina enquanto vejo eles indo para o meio. Só depois de ver as boias de microfone e de banana é que eu realmente entendo o que está rolando.
Alguém aumenta o rádio e Louis agradece, Liam começa a dublar sua própria voz sentado numa boia e com um microfone-boia na boca. Zayn o joga da boia para poder subir nela, como se tivesse virado um mini palco, e com sua boia-microfone, canta sua parte, olhando para mim e rindo. Eu começo a rir também, claro, e todos os meninos começam a cantar olhando para mim e se matam de rir com as próprias brincadeiras.
Quando chega na parte lenta da música, Harry vem chegando mais perto e faz sinal para eu ir dançar com eles, como Lou fez no meio da música. Eu nego com a cabeça, e então Niall e Louis também começam a insistir - e Liam e Zayn provavelmente estariam fazendo o mesmo, se não estivessem tão ocupados rindo um do outro enquanto cantam. Então, Harry perde a paciência e some debaixo d'agua. E aparece bem na minha frente, me pegando pelas coxas e me levantando, colocando-me pressionado à ele mais uma vez e me levanto para o meio da piscina. Lou se mata de rir com a minha cara de irritada e os meninos apenas parecem felizes por eu ter finalmente ido. Eu fico me debatendo, mas ele não me solta.
Ele começa a cantar, rindo, e eu começo a rir também, enquanto canto junto com ele.
Acabamos a música ainda abraçados, com a respiração pesada de tanto esforço, mas eu não me sentia cansada o suficiente para sair. Pelo contrário; quanto mais eu brincava com eles, mais energia parecia ter dentro de mim.
Além de encenarmos váááários clipes, fizemos "briga de galo", guerra de água, Marco Polo, guerra de boias, e muitas outras coisas aleatórias, que duraram das cinco e vinte da tarde até às nove da noite.
Embora não tivéssemos bebido, eu me sentia bêbada, embriagada. Mas não uma bêbada rabugenta, com mal estar e chata; eu me sentia embriagada de tanta felicidade. Eu nunca tinha caído numa piscina por pura diversão! Nunca. Eu nunca tinha ficado mais do que 3 horas numa piscina. E, ainda mais, com amigos. Amigos e amigas, bebendo refrigerante, jogando conversa fora, me bronzeando, brincando com boias. Sem armas, sem gritos, sem ter que salvar ninguém. No começo me senti estranha, parecia estar faltando algo, mas depois eu me toquei que a realidade é que antes faltava algo, que eram os amigos, a diversão, o sentimento de estar viva.
Quando deu nove horas, uma das agentes pediu para que nós saíssemos. Lou saiu rapidinho e foi correndo para onde estavam as toalhas. Pegou a dela e disse que ia tomar banho o banheiro dos fundos, mesmo, e que eu podia usar o nosso.
- Tudo bem, obrigada!
- Que nada, meu amor -, respondeu ela, doce.
Os garotos começaram a sair, tremendo de frio, pegavam suas toalhas e se enxugavam, ali mesmo, enquanto conversávamos. Harry sentou na beirada da piscina, esperando Louis lhe entregar sua toalha.
- Seu cabelo fica uma droga molhado, Styles -, comentei, rindo.
- Não fica?! Eu falo isso para ele toda vez! - ri Louis.
- Vocês não podem falar nada, ok?! - respondeu Harry, fingindo estar bravo.
- Meu cabelo não fica assim! - retruquei. - Olha só!
Então, fui até a beirada da piscina e me empurrei para cima, sentando do lado oposto do Harry na piscina, e fazendo uma pequena cara de dor, pelo choque térmico do calorzinho da piscina com o ar frio, mas nada demais.
- O que vocês vão querer jantar, pessoal? - pergunta Niall, voltando de dentro da casa.
- Eu tava afim de frango... -, comenta Liam.
- Que tal uma macarronada com nuggets? -, sugere Harry.
- É uma boa! Eu apoio! - diz Louis, contente.
- Opa! Eu também! - diz Zayn, sorrindo de orelha a orelha.
- O que é nuggets? -, pergunto, inocentemente.
Todos se calam e olham para mim.
- Como assim?
- O que é nuggets, ué! Eu não sei o que é isso... É de comer, beleza, isso eu sei, mas é o quê, exatamente?
- Frango, cara! - grita Louis, animado e franzindo as sobrancelhas. - Como alguém pode nunca ter comido nuggets?!
- Ahhh, nuggets! É que minha família chama de um jeito diferente, desculpem! -, menti.
- Ah tá, saquei... Que susto! - disse Niall, rindo.
Subimos juntos, agora já quase secos, para cada um ir tomar banho em seu banheiro.
Cheguei em meu quarto e já fui tirando o biquíni, que estava encharcado, e jogando dentro da pia para terminar de escorrer. Peguei minha toalha e a enrolei no corpo enquanto procurava um shampoo e um condicionador para mim. Enquanto procurava nos armários mais altos do banheiro, ouço uma porta abrindo. Eu sorrio e digo, andando até a porta novamente:
- Lou, que bom que você chegou! Onde estão os...
Eu paro na metade da frase e fico paralisada no meio do quarto quando me deparo com Harry Styles dentro do quarto. Primeiro, fico extremamente envergonhada, mas assim que ele me olha de cima a baixo, perco isso completamente, e o que vêm à minha mente é só raiva.
- O que é isso, Harry?! - pergunto, avançando sobre ele, brava. - (gif) Você perdeu a noção?!
- C-Caralho, me desculpa, sério, é que... Wow. Você só tá de toalha?
- HARRY!
- Tudo bem! Tudo bem! Meu chuveiro queimou! Posso usar o seu?
Eu o olho de cima a baixo, analisando a situação, e pensando se essa é mesmo uma boa ideia.
- Eu tomo primeiro. Você espera aqui.
- Tudo bem -, diz ele, sem tirar os olhos dos meus peitos.
Me viro, irritada, e me tranco no banheiro.
Algo me diz que ele vai dar um jeito de quebrar essas ordens.
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