sábado, 29 de março de 2014

Confiavelmente Inconfiável - Cap. 5: The Thief

Finalmente acho o shampoo e o condicionador nos armários do banheiro, e, então, vou para debaixo do chuveiro. Começo passando o sabonete normal, depois o esfoliante, aí novamente o normal, uso a esponja, coloco shampoo no cabelo, depois condicionador, uma máscara especial, depilo minhas pernas... E tudo isso ao som de Don't Let Me Go, que Harry cantava do outro lado da porta, provavelmente porque estava entediado.
Ele até tentou arrumar algo para fazer, mas toda vez que ele perguntava "posso mexer" ou "posso ver", qualquer coisinha que fosse, a resposta era não. Não que eu estivesse sendo grossa, eu apenas não tinha paciência. Com o Harry brincalhão e fofo que gostava da minha companhia, tudo bem, eu gostava desse Harry; mas o Harry safado, sem respeito, irritante, hiperativo... Não suportava. Então, ele começou a cantar. E não parou mais.
 Mas a voz dele é tão leve e tão suave, parece de veludo, me dá vontade de deitar na cama, apoiar a cabeça no colo dele e ficar ouvindo ele cantar até eu dormir... Espera, isso pareceu meio louco, não?
Quando acabei o banho, cerca de uns 15 minutos depois, fechei a torneira, sequei um pouco meu cabelo com a toalha e saí do banheiro, só de toalha novamente.
- Todo seu -, digo, apontando a porta.
- Valeu, amorzinho.
Estava muito mais frio agora que já tinha escurecido. Eu já tinha percebido isso desde que saí da piscina, mas agora parecia ter piorado. Meu corpo está acostumado a não sentir frio por alterações na temperatura tão bobinhas, então devia ter abaixado bastante.
 Ele entra e continua cantando dentro do banheiro. E eu fico hipnotizada por sua voz. Depois de sair do transe, coloco uma lingerie e escolho meu pijama - um de shorts e blusa de alcinha, mas não tão curtos quanto eu geralmente usava perto de Jason.
Pensar em Jason me faz ter uma pontada no coração. A saudade estava grande, mesmo só com um dia sem vê-lo. Acho que, depois de anos sem poder abraçá-lo e depois ter tido todas aquelas emoções em poucos dias, ficou ainda mais difícil deixá-lo lá.

 Eu termino de me trocar , pensando em tudo isso, bem quando Harry saiu do banheiro com a toalha pendurada em sua cintura, meio caída, quase mostrando demais. Eu olho de relance para ele, mas assim que ele me olha, volto a atenção para a cama desarrumada.
- Curti seu pijama, Soph.
- Valeu. Eu até falaria o mesmo de você, mas né...
- O que? Não pode dizer que curtiu minha toalha? - diz ele, debochando.
- Harry, levanta isso.
- Por quê? Qual o problema?
- Está mostrando mais do que o seu caminho da felicidade, idiota.
- E, mais uma vez: qual o problema? - ele se senta na beirada da cama, me encarando. Abaixo o livro e o encaro de volta. - Soph, somos uma família. Quantas vezes já te falaram isso?
- Mas você está me irritando! Está sendo grosseiro e tarado e isso tudo é estúpido! Está me desrespeitando!
- Eu tô te irritando porque eu amo irritar as pessoas, porque eu sou assim. E eu estou falando essas besteiras porque eu curti você, mas eu não vou te deitar nessa cama e te forçar a transar comigo, porra! - ele disse, agora gritando. - Eu sou seu amigo! Pare de agir como se eu estivesse apontando uma arma para você!
 Eu fico apenas parada, encarando ele. Eu penso em retrucar, mas era verdade: eu estava agindo como se ele fosse uma ameaça. Como se aquilo tudo fosse errado. Eu não estava em meu "habitat natural", então minha barreira defensiva estava maior do que o normal. Eu tinha que deixar tudo aquilo rolar, se não quisesse morrer e nem provocar a morte de ninguém. Era necessário. E também era necessário que eu vivesse.
Eu chacoalho a cabeça, saindo da minha linha de pensamento. Eu não estou mais encarando-o.
- Você tem razão -, admito, baixinho. - Estou te olhando do modo errado. Desculpe. Eu juro que tento não ser fria, mas às vezes eu não consigo. É como se eu tivesse dois lados batalhando para ter controle de mim. É só que... não tive experiências muito boas com garotos como você no passado.
- Ah... - Ele de repente parece envergonhado por ter descarregado em mim, mas, ao mesmo tempo, relaxado por eu ter entendido o recado. - Tudo bem. Vamos só... começar de novo, está bem?
- Combinado! - digo, sorrindo.
- Ah, e pode me chamar de Hazz. Harry é muito... Sei lá.
 Eu rio e assento com a cabeça.
- Tudo bem, Hazz.
- E... - ele coça a cabeça, envergonhado mais uma vez. - ... Me desculpa por ter ficado cantando aqui fora enquanto você estava tomando banho... Eu canto quando estou entediado ou viajando nas ideias, sabe? - eu assento novamente, sorrindo. - Ok, então. Bom, vamos comer nuggets?! Embora sejam já feitos e seja só jogar na frigideira e comer, o Niall faz o melhor do mundo! - eu começo a rir, porque soa engraçado. - Isso é muito estranho? Acho que é, né? E eu estou falando demais e rápido demais, não estou? Ah, cara, como sou estranho.
 Eu começo a rir ainda mais, e ele dá um sorrisinho meio envergonhado. Eu paro de rir e apenas fico observando-o, um sorrindo para o outro.
Seus olhos são tão brilhantes. São como os de uma criança sonhadora. E seu cabelo encaracoladinho é muito fofo, dá vontade de ficar apertando a toda hora. É impressionante como alguém pode mudar tanto de um minuto para o outro; o cara que parecia um adolescente tarado há um minuto atrás, agora parecia um príncipe tímido.
 Este garoto vai me dar mais trabalho do que eu imaginava.
- (gif) Sua estranheza é adorável, Harry -, digo, por fim, ainda sorrindo de forma doce. - Vamos lá, comer esses nuggets logo.
- Tudo bem, eu vou me trocar e aí nós vamos. Espera dois segundos!
 Ele dispara pela porta em direção ao seu quarto, e volta depois de poucos minutos, apenas com uma calça de moletom.
- Você não tá com frio? - pergunto, incrédula.
- Não, tô de boa. E você, de blusa sem manga?
- Ah, não. Eu não sinto frio tão fácil -, digo, dando de ombros.
 Descemos as escadas conversando sobre o tempo, e quando chegamos lá, Niall e Louis já estão atacando os nuggets, enquanto Zayn chega com um copo de cerveja e Liam desce a outra escada, provavelmente também só chegando agora.
- Ei! - grita ele, de lá de cima, irritado. - Nem para me esperar, seus filhos da puta!
 Ele dispara para baixo, Harry faz o mesmo, e eu os sigo, rindo.
 Os dois se jogam no sofá com Niall e Louis e começam a guerrear para arrancar os nuggets de suas mãos. Eu vou chegando devagar, por trás, e Zayn me dá um susto quando passa seu braço sobre meu ombro.
- Cena linda, não? - comenta ele, sorrindo.
- Muito linda, digna de filme -, comento.
- Quer cerveja?
 Eu pego o copo das mãos dele e viro quase tudo, animada. Ele me olha estranho, franzindo a sobrancelha, depois olha para o copo meio vazio, e então se vira para mim, sorrindo.
- Então, você é do tipo que curte uma bebida mais forte?
- Eu diria que qualquer coisa com álcool é bem-vinda -, admito, quando na verdade nunca tomei tanta bebida.
- Que demais! Acho que você vai se encaixar muito bem com a gente!
 Eu olho para os meninos brigando pelos nuggets nas mãos de Louis e Niall, e depois vejo que o pote com todos os nuggets que sobraram está abandonado em cima da mesa. Eu vou devagar até ele, sem chamar a atenção dos "guerreiros", e o pego. Sorrio e olho para Zayn.
- É, eu também acho.

Depois da guerra e de comer vários nuggets e bebermos várias cervejas, Harry e Zayn já estavam meio (quase 100%) bêbados, enquanto Louis, Niall e eu ainda estávamos no meio do caminho - e Liam não tomava cerveja, então só tinha tomado um copinho logo no começo da noite. Ainda comíamos nuggets e conversávamos sobre várias coisas: a última turnê deles, como era toda aquela fama, seus estilos... E eles também me perguntaram muito sobre minha vida: de onde eu era, minha idade, como eu cheguei até eles, onde eu tinha feito faculdade, se tínhamos amigos em comum, meu twitter para me seguirem, meu facebook e meu instagram, onde meus pais estavam agora, o que minhas amigas achavam de eu estar trabalhando com eles, e muitas outras coisas, mas nada que eu já não tivesse ensaiado mil vezes antes.
- Cara, é mesmo uma loucura você ter aparecido aqui! -, continuou Louis, impressionado.
- Nossa, nem me fale! - respondo, sorrindo feliz. - Vocês não têm noção da minha histeria quando eu descobri que ia vir pra cá! Tipo, eu sei que vocês são pessoas normais e tal, e eu até tô de boa agora, mas na hora eu fiquei muito impressionada pelo meu nome ter chegado nele! Foi, tipo, muito legal mesmo...
- E tá preparada pra seguir a gente pela turnê? - perguntou Liam, animado. - Um ano e pouco, hein!
- Ah, com certeza! Preparadíssima! - respondi, rindo. - Mas tenho certeza que vou me impressionar muito com tudo e todos!
- E, se você acha que vai só ficar ajeitando nossas roupas, tá muito enganada! - comentou Niall, com cara de "menino levado". - Vai com a gente nos restaurantes, nas entrevistas, nas festas... tudo! Quero ir bem-vestido até pro banheiro!
- Ele quer é você do ladinho dele toda hora! - disse Zayn, rindo.
 Nós todos rimos. Estávamos todos animadíssimos para a turnê, e eles pareciam realmente ter gostado de mim. De todos que estavam na casa, só eu tinha sido convidada pra esse jantarzinho casual. Lou passou por lá um pouco antes para pegar uma cerveja e uns nuggets, e perguntou se queríamos que ela fizesse bolo - o que nós aceitamos de prontidão, e ela fez um delicioso bolo de chocolate -, mas decidiu não ficar. "Isso não é mais pra minha idade", foi o que ela disse antes de sair novamente.
 Parte de mim achava que eles faziam isso com todos os novos empregados, mas a outra parte achava que eles só estavam assim comigo porque éramos da mesma idade. Porque, pelo nós, pessoas normais, sabemos, eles sempre tratam os empregados como seus pais. Tratam muito bem, claro, mas sempre enchendo o saco deles e sendo carregados e dando trabalho, e, para mim, eles estavam apenas me convidando para ficar com eles e contando histórias legais e sendo legais em geral comigo. E principalmente Harry.
Harry, desde o começo da noite, está sentado ao meu lado e, às vezes, coloca seu braço em volta do meu ombro. Eu deixo, de boa, por causa do trabalho, mas suponho que eles todos não façam isso com qualquer garota/empregada que conhecem. Ele também tem me apertado em abraços de lado quando falo algo "fofo" - enquanto os outros meninos apenas fazem "awwwn", de brincadeira -, e, depois que ficou bêbado, ele fica me encarando com um sorriso bobo no rosto.
 Com os nuggets devorados, começamos a comer o bolo que a Lou fez. E, minha nossa, estava tão bom! Não chegava nem aos pés do bolo do QG. E foi o que eu disse à eles.
- Caralho, tá muito bom! - comentei, com a boca cheia mesmo.
- Muito mesmo! - disse Harry.
- Cara, eu vou virar esse pote todo na minha boca quando vocês não aguentarem mais! - eu disse, sendo sincera, e eles riram.
- Então, além de curtir uma boa rodada alcoólica, também come doces exageradamente sem frescura? - perguntou Harry, fazendo cara de surpresa.
- É, acho que sim, sei lá - disse, assentindo e dando mais uma mordida no meu pedaço de bolo.
- Essa é pra casar, pessoal! - gritou Harry, rindo. Os outros garotos riram também, e eu apenas dei um sorriso envergonhada.
- Só se for pra casar contigo, né, cara? - comentou Louis, dando umas cutucadas em Harry, sorrindo.
 Harry deu um tapa nele, o que fez os restos dos garotos rirem ainda mais e me fez ficar ainda mais envergonhada. Esses garotos tinham o dom de me fazer me sentir assim, e isso é raro! Eu tinha vontade de socar todos eles quando isso acontecia!
- Bom, vamos mudar de assunto antes que eles nos matem... - disse Zayn, seguido de uma risada meio embriagada. - Você sabia que temos XBOX aqui, Sophie?
- Jura?! Que jogos vocês têm?! - perguntei, feliz.
Não que eu fosse extremamente boa, mas tinha um desses no QG. Eles deixavam nós usarmos em datas especiais - aquelas que podíamos sair do QG para visitar nossas famílias - e em dias de folga geral. Como eu não era permitida de sair, eu dominava aquilo nesses dias. Tinham 2 jogos de luta, 1 de corrida e 2 ou 3 de dança, e, sinceramente, eu estava farta de lutas, então eu só jogava os de dança e o de corrida. Uma vez Jason chegou à sala do jogo com um novo CD, chamado Guitar Hero, dizendo que havia comprado lá fora e trazido para o QG. Mas só durou alguns meses, até que o Major descobriu e o confiscou, não sei exatamente por quê - era simplesmente um jogo de showzinhos.
- Temos GTA, Just Dance 1, 2, 3, 4 e 5, uns de zumbis, Assassin's Creed... - foi dizendo Niall, pensando.
- JUST DANCE! Podemos jogar Just Dance?
- Claro, você gosta?
- (gif) Muito! - disse, com a boca cheia de comida, fazendo eles rirem. - Desculpa, não foi muito educado... Muito.
- Eu aposto que você nem sabe dançar! - comentou Zayn, rindo.
- Está me desafiando, Malik?
- Definitivamente, Jones -, responde ele, cerrando os olhos.
 Assim que ele diz aquilo, meu sorriso desaparece. Jones era o meu sobrenome criado por Jason, e era assim que ele me chamava quando brincava de estar bravo comigo. Eu tento sorrir de novo, mas não consigo, então apenas encaro o chão com um pequeno sorriso.
- O que foi? Tudo bem, Soph? - pergunta Harry, percebendo minha mudança de humor.
- O quê? Ah, sim, tudo bem. É só que... - Eu paro na metade da frase ao lembrar que não posso contar a real história, então dou uma enrolada: - Han... Meu melhor amigo me chamava assim às vezes. Ele é quase meu irmão. E eu sinto falta dele, é só isso.
- Ah, entendi... Não se preocupe, vamos fazer você não sentir tanta falta dele assim! - diz ele, me abraçando forte e, logo, todos os outros meninos já pularam para o nosso sofá e também me sufocam com seus abraços, me fazendo rir.
 Depois de soltar meu cabelo e irmos até a sala de jogos, eles ligam o XBOX e colocam o Just Dance 4 para rodar.
Os meninos se sentaram no sofá que tinha lá, comendo o resto do bolo, enquanto eu e Zayn ficamos de pé em frente ao Kinect.
 Ele resolveu ir primeiro, escolhendo Moves Like Jagger, e é claro que ele foi uma bosta porque, além de estar bêbado, escolheu uma das coreografias mais difíceis. Saiu tudo embaralhado e ele parava para rir no meio da coreografia, o que também fazia os garotos e eu nos matarmos de rir e ainda deu pra fazer uns vídeos bem legais! Niall até postou um deles no instagram!
Na minha vez, resolvi dançar Funhouse, porque eu simplesmente tinha decorado aquela coreografia... A música começou e eu nem precisei ficar olhando pra TV, podendo fazer todas as jogadas de cabelo que têm na coreografia. Eu tinha realmente me jogado na música, primeiro porque eu amava a música e depois porque eu amava a coreografia.
Quando terminei, o placar deu cinco estrelinhas e recorde de jogo, e eu dei pulinhos, feliz - e meio afetada pelas cervejas.
- Yay! Cinco estrelas! Quem é o melhor agora, hein, Zaza??
 Mas, ao me virar, tudo que encontrei foram os cinco garotos sentados, pasmos, de boca aberta, e Zayn, Louis e Harry com almofadas nos colos, visivelmente pressionando a "pressão" do "coleguinha" deles para não ficar tão aparente - #fail. Niall e Liam estão apenas me encarando, às vezes intercalando entre mim e a TV, até que eu quebrei aquele silêncio ridículo:
- Garotos! Qual é, gente?! Foi só uma dança...
- Minha nossa -, disse Louis, ainda meio vidrado. - Você com certeza ganhou.
- Eu também voto em você, gata. - disse Harry, que decidi perdoar por ele estar bêbado.
- Puta merda, que gostosa! - gritou Zayn, rindo.
 Mesmo ele estando bêbado, não perdoei e me taquei nele, batendo nele com as almofadas que eu achava pelo tato enquanto batia nele e fazia cócegas, e ele ria ainda mais.
Depois de um tempo lutando, me cansei e me joguei para a esquerda de Zayn, caindo - totalmente sem querer - em Harry, que sorriu maliciosamente feliz e me abraçou, rindo.
- Calma, mocinha! Não precisa matar ninguém!
- Minha nossa, já são três da manhã! - disse Louis, parecendo meio avoado. - O tempo passou voando!
- Três da manhã?! - gritou Zayn, se levantando. - Puta merda, a Perrie ia me ligar às dez! Ela vai comer meu cu, minha nossa, tô indo! - ele deu umas batidinhas na minha perda, um aceno de mão para os meninos, e saiu correndo pela porta.
- Acho melhor a gente ir dormir também -, disse Niall, se levantando e pegando mais uma cerveja. - Amanhã acordamos cedo.
- Principalmente você, Sophie! - disse Louis, olhando preocupado para mim. - Você tem que acordar antes que nós! Coitada, desgastamos você!
- Ah, não se preocupem comigo, garotos - disse, balançando as mãos em forma de relaxamento. - Tô acostumada a dormir umas 3 horas por dia, sem problemas.
- Cara... Ela só pode ter superpoderes pra ser tão de boa assim! - disse Liam, rindo.
 Eu ri também, embora tenha ficado um pouco envergonhada. Elogios não são para mim.
Todos levantamos e fomos subindo as escadas. Niall e Liam subiram pela da esquerda, que ficava mais perto do quarto deles, e eu, Louis e Harry fomos pela da direita.
- Nossa, hoje foi muito legal mesmo, vocês não têm ideia do quanto me fizeram feliz -, disse, sendo sincera. - Obrigada, de verdade.
- Ah, que nada! Se acostuma que, com a gente, todos os dias são baseados nessa bagunça! - disse Louis, rindo.
- Ah, obrigada por me avisar, vou ficar preparada pro imprevisível! - respondi, rindo também.
 Harry, que veio abraçado comigo da sala dos jogos até o fim da escada, começa a rir também, e sinto sua mão descendo devagar. Eu o olho pelo canto do olho, repreensiva, e coloco sua mão para cima novamente. Ele dá uma risadinha e eu reviro os olhos, e Louis fica sem entender nada. Conversamos um pouco mais até eles chegarem nos quartos deles, que são mais perto da escada do que o meu.
- Bom, então vocês ficam aqui - digo, suspirando.
- Pois é, ficamos aqui -, responde Harry, olhando para sua porta.
- Então, até amanhã! - disse Louis, vindo até mim e me abraçando. Ele me dá um beijo na bochecha, aperta a mão de Harry e entra no quarto.
 Eu e Harry os encaramos por alguns segundos.
- Então... - diz ele, mexendo os pés.
- Tchau, Styles - digo, me virando e indo embora.
- Ei! Pera aí! - ele me para, segurando meu braço. - Por que tão rápido?
- Tô com sono...
- Por que você pode dar um beijo e um abraço no Louis e não em mim?
- Harry, você está bêbado. Vá dormir, por favor.
- Mas que quero um tchau digno!
- Tá, tá, tá. Tchau. - eu vou até ele e lhe dou um beijo na bochecha, bem calculado, para caso ele tentasse fazer alguma gracinha.
- Tchau, Gostosa.
 Eu me viro, respirando forte para não xingá-lo, e vou andando até o final do corredor até meu quarto. Abro a porta devagar e entro, aliviada por poder finalmente deitar. Eu havia realmente amado aquele dia, e amado o espírito daqueles garotos, e, sinceramente, até o comportamento de Harry Styles tinha me deixado... impressionada? interessada? Ainda não sei a palavra certa para o que senti com o Harry, mas, quando eu souber, provavelmente ficarei menos angustiada do que estou agora.
- Sophie? É você? - diz Lou, ainda com as luzes apagadas e uma voz de sono.
- Sim, sou eu. Eu te acordei?
- Não, não... Mas seu celular vibrou várias vezes a noite toda. Acho que tem alguém querendo falar contigo.
- Ah, obrigada, Lou. Boa noite.
 Vou correndo para o celular que está jogado na minha cama e o desbloqueio: 7 chamadas perdidas. Puta merda. Eu não tenho o número identificado, então apenas mando uma mensagem escrita "Estou disponível agora", e vou  para a galeria de fotos ver as fotos que tirei com os garotos durante a nossa tarde e noite na piscina, antes de eu ter deixado ele carregando no meu quarto. Elas tinham ficado muito legais: nós pulando na piscina, eu abraçada com Niall, nós brincando com as boias, eu e Lou fazendo caras e bocas, umas fotos minhas brincando com Lux... Mas o celular volta a vibrar e me atrapalha. Nova chamada.
 Dou um pulo da cama e saio correndo até a porta, parando só para pegar meu roupão, saio bem delicadamente, para não acordar Lou e Paola, e, então, atendo o celular.
- Alô?
- Eu pensei que você tinha morrido! Você não sabe que o telefone móvel foi feito para você sair por aí com ele?! - grita Jason, do outro lado da linha.
- Ah, meu Leãozinho! Que saudades de você! - digo, instantaneamente abrindo um sorriso.
- Eu também estou morrendo de saudades, Pirralhinha... - diz ele, com uma voz não muito alegre, soando preocupada. - Onde você estava?
- Eu fiquei o dia todo com os garotos! Eles são muito legais! Espera aí, eu vou descer para o quintal, não quero ficar falando aqui no meio do corredor dos quartos.
 Eu vou descendo as escadas rápido, uma por uma, e ao tocar o chão da sala, corro mais uma vez, até chegar em uma das portas que dava para o quintal. A abro e saio, deixando ela aberta. Fico andando pela grama gelada com os pés descalços enquanto conto para ele tudo que havia acontecido.
 "Eu cheguei ao aeroporto e, minha nossa, eram tantos livros! E tantas pessoas! E tanta energia! Eu mal podia acreditar."
"Eu me despedi deles e logo dei de cara com o motorista me chamando pelo nome de Sophie, e todos aqui me chamam de Sophie também, e é tão estranho!"
"Eu fui na piscina com eles e depois bebemos umas cervejas e comemos nuggets e dançamos Just Dance, eles são extremamente incríveis! Aliás, você sabe o que são nuggets?!"
"Niall disse que eu era a cara do Harry, e isso me deixou muito feliz porque, profissionalmente falando, ficará muito mais fácil de eu namorar ele, não acha?"
"Está saindo tudo muito bem! Acho que será mais difícil quando estivermos em turnê, mas pelo o que eles disseram, não vão me deixar ficar longe deles! Não é maravilhoso?!"
- Aham... É sim, Jones... - disse Jason, com uma voz meio distante.
- Jason, você não está bem -, comento, deixando minha felicidade desaparecer mais uma vez. - O que houve?
- Não aconteceu nada -, mente ele.
- Olha, Lion, você pode até mentir para o presidente da Máfia Russa, mas não para mim. Eu sei todos os seus segredos, garoto.
 Eu ouço um pequeno risinho cansado e abafado de seu lado da linha e franzo as sobrancelhas, confusa. Ele suspira e, depois de uma pausa, continua.
- Claro que sabe. - Ele dá outra pausa. - Escute, eu vou te contar, mas o Major não pode saber disso.
- O.k. - digo, atenta.
- Eu... passei na frente da sala dele e... eu ouvi seu nome vindo de lá de dentro. E então eu parei para ouvir, escondido, claro. E... Eles estavam discutindo sobre a sua missão... E disseram que era perigoso demais e que podia ter sido um erro... te mandar praí. - Ele parecia tentar medir as palavras, mas até as mais delicadas deixariam essa confissão pesada. - Eles disseram que receberam... mais informações sobre os... inimigos. Disseram que eles estão com forças muito mais fortes e muito mais perigosos, e estão mesmo dispostos a acabar com esses caras aí. Pelo que eu entendi, são... problemas pessoais com o agente deles.
- O Simon?!
- Acho que sim. Por isso essa obsessão por essa banda. Essa galera tem muito mais segredos do que você imagina, Skye. Toma muito cuidado com eles, não baixa a guarda, e não esqueça que tudo isso é uma farsa. Não se envolva.
- O que você quer dizer com isso, Jason?! - pergunto, irritada. - Você sabe que eu sei muito bem separar minhas atividades.
- Eu sei! Eu sei! Não foi o que eu quis dizer... - ele diz, rápido. - Me desculpe. Eu só estou preocupado contigo. Eu falei já algumas vezes com o Major pra ver se ele abre uma exceção e deixa você voltar caso não aguente mais, ou então mandar mais reforços...
- Não! Jason, não! Eu... quero ficar. - digo, quase sem voz. - Eu quero terminar essa missão. Ganhar minhas recompensas. E passar mais tempo longe dessa buraco.
- Skye, você não tá entendendo. Eles sabem que a ASACA tá aliada ao Simon. Eles já mandaram ameaças para a central e querem atacar de todas as formas. Eles só querem matar esse agente! Você tem que sair daí antes, ou não sai nunca mais!
- Como eles sabem? Isso é impossível, Jason. Você deve ter ouvido errado.
- Não, Skye. Eu - ele para logo no começo da frase, como se tivesse lembrado de algo. Ele suspira novamente, e sua voz muda para um tom penoso e apelativo. - Eu sei, Skye. Eu tenho certeza disso. Eu ouvi certo. Acredite em mim, por favor. Saia daí. Ajudar essa One Direction vai te trazer prejuízos e...
 De repente, um estrondo acontece do lado dele da linha, como se uma porta tivesse sido arrombada. Eu ouço ele gritando algo, irritado, mas não consigo entender direito porque parece que ele tampou o microfone do celular com a mão. Também ouço vários passos, e em seguida um barulho que parece um soco. As poucas frases que eu ouço, mais uma vez, não fazem sentido desconectadas: "Não estou te traindo!" e "Foi só uma ligação qualquer", foi o que Jason disse. Ele e mais uns homens começam a discutir enquanto se batiam, e eu entrei em desespero.
- Jason?! Jason! Jason, me ouça! O que é isso? - eu quero gritar o mais alto que posso, mas acordaria a casa toda, então somente fico chamando o nome dele várias vezes, não muito alto. - Jason! Jason! Jason. Jason...
Duas ou três lágrimas escorrem pelo meu rosto. Por mais que eu tente me conter, elas escapam. Eu me sinto a pessoa mais inútil do mundo, ouvindo aquilo tudo sem poder ajudar, sem poder fazer nada. De repente, fica tudo extremamente quieto, e eu posso ouvir uma voz se destacar.
 "Limpem esse sangue. E você... Desligue essa merda. Agora."
 Eu ouço mais passos, agora calmos, e um chiado, que significava que alguém estava pegando o celular do chão. Meu coração dispara ao ouvir novamente a voz de Jason.
- Skye, eu preciso desligar.
- Claro que não! Primeiro vai ter que me explicar isso! O que aconteceu aí?!
- Eu... tinha brigado com uns... agentes antes de te ligar e... aí eles vieram revidar... E uns seguranças apareceram. Pra impedir. Só isso. E esse celular não é meu, porque eu não posso ter meios de comunicações, né?
- Jason, isso não está parecendo bom. Você não é de brigar com outros agentes, nem perder o controle... O que está acontecendo com você? - essa última frase sai praticamente cuspida de minha boca, tremida e dolorosa.
- Skye, eu estou ótimo. Preciso ir dormir antes que roubem o celular da minha mão. Eu estou bem, sério. Eu falo contigo outro dia. Eu te amo. Tchau.
- Jason...
 Ele tira o celular do ouvido, e, antes de desligar, eu ouço ele murmurar: "Seu bando de filhos da puta".
- O que você fez, Leãozinho... (gif) -, digo, tirando o telefone da orelha, ainda com as lágrimas nos olhos.
Ainda fico alguns minutos parada, tamborilando os dedos nas árvores, balançando meu roupão, fechando os olhos e sentindo meus cabelos ao vento e mais lágrimas caindo em meus olhos. Eu paro e penso em tudo o que Jason me disse.
 Um: A ASACA foi descoberta. Dois: Querem matar o Simon. Três: Querem me matar. Quatro: Eu não posso me envolver. Cinco: Essa galera tem mais segredos do que eu imagino. Seis: Jason está mentindo. Sobre estar feliz, sobre estar controlado, e sobre mais alguma coisa que eu ainda não sei qual é.
A cada pensamento desses que eu tenho, sinto mais raiva de não poder fazer nada. Sinto minhas forças se esvaindo e meus joelhos cedendo, e no final, meus pensamentos já estão todos misturados e minha barriga está embrulhada e meu rosto já está coberto de lágrimas e eu não consigo pensar em mais nada, a não ser deixar aquilo me consumir. Então, vou escorregando pelo chão até terminar ajoelhada no chão, olhando para o nada e chorando, quieta.
Depois de uns 10 minutos ali, decido que não posso continuar com aquele drama. Isso era coisa de menininhas chatas; coisa para gente que tem tempo. Eu não tenho tempo a perder. Eu vou é mostrar pra essa bando de idiotas pra que eu realmente sirvo. Me permito mais três lágrimas: uma para Jason, uma para essa confusão toda, e uma para mim mesma; e, então, dou uma batida em minhas pernas e me levanto. Respiro fundo, enxugo as lágrimas, sacudo o roupão para a grama sair dele e vou caminhando devagar até a porta da cozinha, por onde eu saí. Mas, para minha surpresa, não estou sozinha.
- O que tá fazendo aqui às quatro da manhã?! - pergunta Harry, assustado por me ver chegando de lá de fora. Ao ver meu rosto, sua expressão muda para preocupada. - Você estava chorando?
 Ele estava sem camisa, com as calças do pijama caídas, mostrando uma parte de sua cueca, e seu cabelo estava todo desarrumado. Pelo visto, ele tinha caído da cama e veio comer alguma coisa. Dou o maior sorriso que consigo, tentando fingir felicidade, esfregando meus olhos para sair a vermelhidão.
- Não... Tá tudo bem, deixa pra lá. Vou fazer um chocolate quente e vou dormir.
- Não, não, não. - disse ele, balançando a cabeça e chegando mais perto de mim. - O que aconteceu? O que você precisa?

 Eu olho para ele com os olhos semicerrados, desejando que ele desaparecesse dali naquele mesmo instante, mas depois eu penso que isso é ridículo; ele está me ajudando. Eu preciso ser legal com ele. E... Eu quero ser legal com ele. Me viro para ele e despejo tudo, tomando cuidado com os detalhes:
- Meu irmão me ligou e disse coisas muito legais pra mim, o que me fez ficar morrendo de saudades dele, mas também começou a falar coisas horríveis que aconteceram... na escola, na casa dos meus... avós e dos meus tios... E eu queria tanto voltar pra eles, e ver todo mundo... Porque eu sei que só faz um dia que eu tô aqui, e só faz dois dias que eu saí de lá, mas eu nunca realmente pude parar em... casa porque eu sempre tive... os trabalhos, e os estudos, e tudo mais... E parece que foi só eu sumir que tudo foi pelos ares... Eu não quero chegar lá depois de dois anos e encontrar tudo diferente, igual aconteceu com meu irmão. Eu só... - olho para o teto e me seguro para não chorar. Me encosto na bancada, arrumando meu cabelo do vento e suspiro. - Eu tô sempre me doando pelos outros... Eu esqueço que preciso de amor e paz, também.
 Ele me encara, com uma cara de dó. Eu geralmente fico com raiva de quem faz isso, mas, hoje, estou tão cansada que simplesmente começo a chorar. Boto a mão no rosto e derramo umas lágrimas, respirando fundo para tentar parar. Ele começa a se aproximar devagar, e me puxa para um abraço. Assim que sinto sua mão me agarrando, correspondo ao seu abraço o apertando, num gesto desesperado. Afundo minha cabeça em seu ombro e permaneço lá por um bom tempo, relaxando e esperando minha mente voltar ao normal.
- Me desculpe - digo, com uma voz calma e suave, embora ainda tivesse chorando.
- Pelo quê, boba?
- Por esse... "momento de fraqueza". - Saio de seu abraço e seco meu rosto com as costas da mão, mas ele não tira suas mãos de meus quadris. - Não costumo ser assim. Eu não sei o que há de errado comigo.
- Ei, não diga assim. Você não tem nada de errado. Eu sei como pode ser cansativo tudo isso... Sabe, não é só você que tem que sair distribuindo sorrisos e fingindo ser a pessoa mais adorável do mundo por aí.
- ... Mas você tem que fazer isso diante de 20 milhões de pessoas - termino sua frase, brincando.
- Pois é -, ele ri. - Mas não se preocupe... Pode ter quantos "momentos de fraqueza" você precisar, e pode me chamar também quantas vezes você precisar. Eu prometo que não te deixarei, ok?
 Eu olho para ele, meio confusa por todo esse companheirismo dele. Mas, assim que meus olhos se encontram com os dele, meu rosto se ameniza e eu lhe dou um simples sorriso tímido. Ele sorri também, não tão tímido, mas de um modo... sedutor. Sinto seus braços me puxando mais para perto novamente, mas aquilo não parecia um abraço.
Ele me puxou mais forte, colando nossos corpos, com nossos rosto há pouquíssimos centímetros um do outro. E, então, ele me encostou na parede e me beijou.
Ficamos um minuto nos beijando, até que eu me toquei do que eu estava fazendo e o afastei, arregalando os olhos e arrumando o cabelo.
- Ei! Ei! - disse, saindo da parede e me apoiando na  pia. - Isso... Não é legal.
- O quê? - perguntou ele, confuso.
- Isso. A gente. Tipo, vamos ficar dois anos um olhando pra cara do outro, e...
- Ei, calma, garota! Foi só um beijo! Foi mal, ok? - Ele voltou a se aproximar de mim. - Eu pensei que seria legal... Mas, vai dizer que não gostou? - perguntou ele, novamente perto demais.
 Meus olhos se alternam entre olhar para seus olhos e olhar para sua boca, com um sorriso malicioso. Eu mordo a boca, indecisa, mas finalmente decido ir até ele e começar tudo novamente. Eu achava errado? Foda-se. Vamos só ver no que dá. Afinal, é tudo pelo trabalho não é?
Ele me agarra novamente, e começamos um beijo mais... divertido, digamos assim. Depois de uns minutos, ele agarra minhas coxas e me pega no colo, me posicionando em cima da bancada da pia, sem parar de me beijar. Abro as pernas e ele se encaixa entre elas, e ficamos nos beijando por mais tempo, alternando entre movimentos rápidos e selvagens com lentos e aproveitadores, e ele parecia adorar aquela combinação, porque sorria entre os beijos toda vez que eu lhe dava uma mordida ou agarrava sua blusa e o puxava para mais perto, assim como eu sorria quando ele apertava minha coxa ou dava uma subida com a mão.
Continuamos nos beijando por um bom tempo, até que ouvimos uma porta se abrindo, e paramos, sérios, olhando para a porta da cozinha. Depois de uns segundos, olhamos um para o outro e rimos pela parada súbita. Ouvimos alguém descendo as escadas, e vejo Harry revirar os olhos, o que me faz dar uma risada. Ele se desgruda de mim e me põe no chão, e eu o agradeço.
- Acho melhor pararmos por aqui, hoje - comenta ele. Eu concordo com a cabeça.
 Eu vou até a geladeira e a abro, fingindo procurar por algo, e ele logo capta a minha ideia, me perguntando se a jarra d'agua está na geladeira.
 Louis aparece pela porta, assobiando, e para assim que nos vê na cozinha. Ele franze as sobrancelhas e dá um sorriso malicioso, alternando o olhar entre mim e Harry.
- O que foi, cara?! - pergunta Harry, sem paciência.
- ... Mas já, Harry? Nem pra esperar uma semana que fosse? - pergunta Louis, debochando.
- Vá se fuder -, murmura Harry, voltando a atenção ao sanduíche que estava fazendo.
- Com licença - digo, tirando a cara da geladeira -, mas nós simplesmente esbarramos um no outro enquanto eu estava no telefone com meu irmão.
- Aham...
- É sério, Louis! - digo, indignada.
- Eu não discordei de nada! - diz ele, rindo. - Só vim tomar uma água.
 Eu lhe dou a jarra de água, ainda olhando repreensiva para ele, e ele sorri de um modo fofo para mim, me fazendo rir. Não olho para Harry nenhuma vez, para não causar suspeitas.
- Bom, vou indo. Até daqui umas horas, Hazz - diz ele, acenando para ele. Ele se vira para mim e sorri. - Boa noite, Soph! - ele me abraça e me dá um demorado beijo na bochecha, e eu rio.
 Ele continua o beijo e o abraço apertado, descendo a mão devagar até minha bunda, até Harry se irritar e gritar:
- Já tá bom, Louis! Vá dormir!
- Eu sabia! Eu sabia! - ele diz, batendo palmas e rindo, feliz. Eu rio também, porque sua estratégia foi muito inteligente.
- Eu ter ciúmes porque ela deixa você por sua mão na bunda dela e eu não, não quer dizer que tenhamos alguma coisa, seu idiota.
- Tem ciúmes de mim? - pergunto, me fazendo de inocente, e fazendo Louis rir ainda mais. Harry cora.
 Louis, já satisfeito, sai da cozinha, e eu, assim que termino de rir, bebo minha água e também me retiro da cozinha.
- Ei! Aonde vai?! - pergunta Harry, me seguindo.
- Vou dormir, ué.
- Ah... Ok, então. - ele me acompanha e subimos as escadas juntos, conversando sobre outros assuntos.
 Quando chego lá em cima, dou boa noite e me viro, já com a mão na minha maçaneta, mas ele me para.
- Soph... - Ele me chama, baixo por estarmos em frente nossos quartos.
- Hm?
- ... Seria, tipo, muito estranho se eu falasse que acho que te amo?
- Harry! - digo, fazendo uma voz baixa, porém revoltada
- Eu sei, é loucura, mas eu sinto que tenho uma conexão com você. Você faz eu me sentir tão forte, e você também parece ser tão... invencível... Eu sinto como se você fosse meu anjo, sabe? Minha protetora... É a coisa mais ridícula que eu já falei na minha vida. Eu só queria saber sua opinião.
 Eu engulo seco. Anjo? Protetora? Será mesmo que ele havia sentido uma conexão entre nós, tão forte à ponto de perceber que quero protegê-lo? Eu sacudo a cabeça em negativa, voltando do meu desvaneio.
- Harry, você não sabe nada sobre mim!
- Que tal começar a contar?
 Eu o encaro, brava, e ele apenas dá um sorrisinho inocente. Ele chega mais perto e me dá um beijo na bochecha, ainda sorrindo.
- Boa noite, Sophie.
 Então, ele abre seu quarto e entra, fechando a porta atrás de si. Fico encarando a porta por mais alguns segundos. Não sabia exatamente se o alívio era de parar de trabalhar no meu personagem ou se era pelo que tinha acabado de acontecer. Pra falar a verdade, eu mal estava sendo outra pessoa; eu realmente havia gostado de todos os garotos, e eu realmente queria beijar Harry, e eu realmente estava apenas me divertindo com tudo aquilo. Eu ainda não era outra pessoa. Eu ainda não tinha entrado em campo de batalha. Harry parecia realmente tão interessado em mim, tão atencioso, tão confiável. Eu sentia que, embora ele fosse meu cliente, eu poderia simplesmente abrir o jogo para ele naquele instante, e ele não se importaria. Ele me entenderia. Eu me sentia segura com ele. Era quase como estar com Jason, mas Harry era muito mais divertido e "porra louca". E aquela história da "conexão entre nós"? Parecia loucura, mas eu também tinha sentido aquilo. Alguns poderiam chamar de amor à primeira vista, mas eu não acho que isso seja possível; estava mais para algo de vidas passadas, como se nos conhecêssemos antes de nos falar. Eu sentia que já sabia tudo daquele cara, e não era porque eu havia lido sua ficha. Quando olhei em seus olhos pela primeira vez, na piscina, senti que algo estava diferente. Diferente em mim, diferente nele. Como se ele tivesse uma luz calmante. Eu sentia que podia ser outra pessoa. Sentia que podia finalmente ser livre. Livre de compromissos e de brigas, sentia que poderia jogar tudo para o alto e ser outra "eu". E eu sentia que conseguia desvendar seus segredos mais absurdos, somente olhando em seus olhos. Ele parecia disposto a me olhar a noite toda. Como estava disposto a me salvar na cozinha, meia hora atrás.
Eu suspiro, descansando minha mente.
- Boa noite, Styles - disse, me virando e indo para minha porta.
 Afinal, eu podia mesmo confiar nele?

"É como se eu te conhecesse antes de nós falarmos. Será que nossos corações sabem algo que nós não sabemos? (...) Você poderia ser o ladrão a quem dou a chave. 
Você está me arruinando, com segredos, gestos e olhares, como sonetos de livros de segunda mão, tocando as cordas em mim como ninguém sabia como tocar"
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SIM, OS TRECHOS DE MÚSICAS VOLTARAM! YAAAAAY!
E meus recadinhos finais também, como já deu pra perceber :3 Gostaram do cap? Eu espero que sim, porque aqui é o começo de Skarry, pessoal \o/
Bom, vocês viram essa conexão doidona da Sophie/Skye com o Hazza? Fofo, né? Mais tem muita coisa ainda pra vocês descobrirem... MUHAHAHAHAHA ~risada maligna~
 Voltando à programação antiga, me sigam no Twitter para informações sobre a fanfic, me sigam na polyvore para ver os looks da fanfic e outros aleatórios e comentem aqui (ou nos comentários do blog mesmo) o que acharam da fic, ok?
Me desculpem pela pausa grande entre os capítulos, mas esse ano entrei pro 9º ano e tá uma correria :p espero que me perdoem e não deixem de visitar o site!
Beijinhoss!

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